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Foram encontradas 352 questões.

2506492 Ano: 2015
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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A Segunda Guerra Mundial exigiu definição das frentes e correntes de opinião. Impôs reavaliação profunda da camada brumosa de escritores, historiadores, artistas, críticos e produtores culturais que vinham de lutas sociais dos anos 20 e 30; e de movimentos estético-políticos, como a Semana de 1922, que, embora de raiz aristocrática, detonou uma série de reflexões e novas formas de pensamento que marcariam o nascimento de um novo país. Após a guerra, surge um novo tipo de intelectual — mais empenhado, mais crítico, politizado e, sobretudo, mais instrumentado teórica e metodologicamente.

Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008, p. 705-6 (com adaptações).

Tendo o fragmento de texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano promoveu, em seu território, ampla reforma fundamentada na doutrina econômica do liberalismo.

 

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2506491 Ano: 2015
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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A Segunda Guerra Mundial exigiu definição das frentes e correntes de opinião. Impôs reavaliação profunda da camada brumosa de escritores, historiadores, artistas, críticos e produtores culturais que vinham de lutas sociais dos anos 20 e 30; e de movimentos estético-políticos, como a Semana de 1922, que, embora de raiz aristocrática, detonou uma série de reflexões e novas formas de pensamento que marcariam o nascimento de um novo país. Após a guerra, surge um novo tipo de intelectual — mais empenhado, mais crítico, politizado e, sobretudo, mais instrumentado teórica e metodologicamente.

Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008, p. 705-6 (com adaptações).

Tendo o fragmento de texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

Um dos motivos do início da Segunda Guerra Mundial foi a aspiração de expansionismo territorial dos chamados países do Eixo.

 

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2506490 Ano: 2015
Disciplina: História
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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A Segunda Guerra Mundial exigiu definição das frentes e correntes de opinião. Impôs reavaliação profunda da camada brumosa de escritores, historiadores, artistas, críticos e produtores culturais que vinham de lutas sociais dos anos 20 e 30; e de movimentos estético-políticos, como a Semana de 1922, que, embora de raiz aristocrática, detonou uma série de reflexões e novas formas de pensamento que marcariam o nascimento de um novo país. Após a guerra, surge um novo tipo de intelectual — mais empenhado, mais crítico, politizado e, sobretudo, mais instrumentado teórica e metodologicamente.

Adriana Lopez e Carlos Guilherme Mota. História do Brasil: uma interpretação. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2008, p. 705-6 (com adaptações).

Tendo o fragmento de texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

Um dos artistas envolvidos na Semana de 22 foi João Gilberto, exemplo de intelectual “mais empenhado, mais crítico, politizado” e criador do movimento cultural que marcou os anos 70, o Tropicalismo.

 

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2506489 Ano: 2015
Disciplina: Educação Artística
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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O teatro não deve ser chato. Não deve ser convencional. Tem de ser inesperado. O teatro nos leva à verdade por meio da surpresa, da excitação, dos jogos, da alegria. Integra o passado e o futuro no presente, permite que tenhamos uma distância entre nós e aquilo que normalmente nos rodeia e elimina a distância entre nós e o que normalmente está longe. Uma notícia do jornal de hoje pode parecer muito menos próxima e verdadeira que algo de outra época, de outras terras. O que importa é a verdade do momento presente, a convicção absoluta que só pode surgir quando o intérprete e o público formam uma só unidade. E ela aparece quando as formas transitórias atingem seu objetivo e nos levam àquele momento único, que não se repete, em que uma porta se abre e nossa visão se transforma.

Peter Brook, A porta aberta — reflexões sobre a interpretação e o teatro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 80-1 (com adaptações).

Tendo o fragmento de texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

Tendo como referência o texto acima, assinale a opção correta.

 

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2506488 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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O teatro não deve ser chato. Não deve ser convencional. Tem de ser inesperado. O teatro nos leva à verdade por meio da surpresa, da excitação, dos jogos, da alegria. Integra o passado e o futuro no presente, permite que tenhamos uma distância entre nós e aquilo que normalmente nos rodeia e elimina a distância entre nós e o que normalmente está longe. Uma notícia do jornal de hoje pode parecer muito menos próxima e verdadeira que algo de outra época, de outras terras. O que importa é a verdade do momento presente, a convicção absoluta que só pode surgir quando o intérprete e o público formam uma só unidade. E ela aparece quando as formas transitórias atingem seu objetivo e nos levam àquele momento único, que não se repete, em que uma porta se abre e nossa visão se transforma.

Peter Brook, A porta aberta — reflexões sobre a interpretação e o teatro. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000, p. 80-1 (com adaptações).

Tendo o fragmento de texto acima como referência inicial, julgue o item a seguir.

De acordo com o texto, só no teatro é possível experimentar “a convicção absoluta”, porque, durante a encenação de uma peça, passado e futuro estão integrados no momento presente.

 

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2506487 Ano: 2015
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Isto era o que Jerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. De todas as impressões daquele resto de domingo só lhe ficou no espírito o entorpecimento de uma desconhecida embriaguez, não de vinho, mas de mel chuchurreado no cálice de flores americanas, dessas muito alvas, cheirosas e úmidas, que ele na fazenda via debruçadas confidencialmente sobre os limosos pântanos sombrios, onde as oiticicas trescalam um aroma que entristece de saudade.

E deixava-se ficar, olhando. Outras raparigas dançaram, mas o português só via a mulata, mesmo quando, prostrada, fora cair nos braços do amigo. Piedade, a cabecear de sono, chamara-o várias vezes para se recolherem; ele respondeu com um resmungo e não deu pela retirada da mulher.

Passaram-se horas, e ele também não deu pelas horas que fugiram.

O círculo do pagode aumentou: vieram de lá defronte a Isaura e a Leonor, o João Romão e a Bertoleza, desembaraçados da sua faina, quiseram dar fé da patuscada um instante antes de caírem na cama; a família do Miranda pusera37 se à janela, divertindo-se com a gentalha da estalagem; reunira povo lá fora na rua; mas Jerônimo nada vira de tudo isso; nada vira senão uma coisa, que lhe persistia no espírito: a mulata ofegante a resvalar voluptuosamente nos braços do Firmo.

Só deu por si quando, já pela madrugada, se calaram de todo os instrumentos e cada um dos folgadores se recolheu a casa.

E viu a Rita levada para o quarto pelo seu homem, que a arrastava pela cintura.

Aluísio Azevedo. O cortiço. São Paulo: Ática, 1997.

Tendo como referência o fragmento acima, da obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e considerando as estéticas romântica e naturalista, julgue o item a seguir.

Apesar de O Cortiço ser uma obra naturalista, verifica-se, no trecho apresentado, a idealização romântica de Rita Baiana, patente na forma como é descrita pelo narrador.

 

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2506486 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Isto era o que Jerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. De todas as impressões daquele resto de domingo só lhe ficou no espírito o entorpecimento de uma desconhecida embriaguez, não de vinho, mas de mel chuchurreado no cálice de flores americanas, dessas muito alvas, cheirosas e úmidas, que ele na fazenda via debruçadas confidencialmente sobre os limosos pântanos sombrios, onde as oiticicas trescalam um aroma que entristece de saudade.

E deixava-se ficar, olhando. Outras raparigas dançaram, mas o português só via a mulata, mesmo quando, prostrada, fora cair nos braços do amigo. Piedade, a cabecear de sono, chamara-o várias vezes para se recolherem; ele respondeu com um resmungo e não deu pela retirada da mulher.

Passaram-se horas, e ele também não deu pelas horas que fugiram.

O círculo do pagode aumentou: vieram de lá defronte a Isaura e a Leonor, o João Romão e a Bertoleza, desembaraçados da sua faina, quiseram dar fé da patuscada um instante antes de caírem na cama; a família do Miranda pusera37 se à janela, divertindo-se com a gentalha da estalagem; reunira povo lá fora na rua; mas Jerônimo nada vira de tudo isso; nada vira senão uma coisa, que lhe persistia no espírito: a mulata ofegante a resvalar voluptuosamente nos braços do Firmo.

Só deu por si quando, já pela madrugada, se calaram de todo os instrumentos e cada um dos folgadores se recolheu a casa.

E viu a Rita levada para o quarto pelo seu homem, que a arrastava pela cintura.

Aluísio Azevedo. O cortiço. São Paulo: Ática, 1997.

Tendo como referência o fragmento acima, da obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e considerando as estéticas romântica e naturalista, julgue o item a seguir.

Infere-se do texto a intenção clara de Rita Baiana de seduzir Jerônimo e, assim, separá-lo de sua esposa, Piedade.

 

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2506485 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Isto era o que Jerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. De todas as impressões daquele resto de domingo só lhe ficou no espírito o entorpecimento de uma desconhecida embriaguez, não de vinho, mas de mel chuchurreado no cálice de flores americanas, dessas muito alvas, cheirosas e úmidas, que ele na fazenda via debruçadas confidencialmente sobre os limosos pântanos sombrios, onde as oiticicas trescalam um aroma que entristece de saudade.

E deixava-se ficar, olhando. Outras raparigas dançaram, mas o português só via a mulata, mesmo quando, prostrada, fora cair nos braços do amigo. Piedade, a cabecear de sono, chamara-o várias vezes para se recolherem; ele respondeu com um resmungo e não deu pela retirada da mulher.

Passaram-se horas, e ele também não deu pelas horas que fugiram.

O círculo do pagode aumentou: vieram de lá defronte a Isaura e a Leonor, o João Romão e a Bertoleza, desembaraçados da sua faina, quiseram dar fé da patuscada um instante antes de caírem na cama; a família do Miranda pusera37 se à janela, divertindo-se com a gentalha da estalagem; reunira povo lá fora na rua; mas Jerônimo nada vira de tudo isso; nada vira senão uma coisa, que lhe persistia no espírito: a mulata ofegante a resvalar voluptuosamente nos braços do Firmo.

Só deu por si quando, já pela madrugada, se calaram de todo os instrumentos e cada um dos folgadores se recolheu a casa.

E viu a Rita levada para o quarto pelo seu homem, que a arrastava pela cintura.

Aluísio Azevedo. O cortiço. São Paulo: Ática, 1997.

Tendo como referência o fragmento acima, da obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e considerando as estéticas romântica e naturalista, julgue o item a seguir.

Pode-se concluir, a partir do trecho apresentado, que há convergência entre a percepção do personagem Jerônimo e a do narrador a respeito das características de Rita Baiana.

 

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2506484 Ano: 2015
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Isto era o que Jerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. De todas as impressões daquele resto de domingo só lhe ficou no espírito o entorpecimento de uma desconhecida embriaguez, não de vinho, mas de mel chuchurreado no cálice de flores americanas, dessas muito alvas, cheirosas e úmidas, que ele na fazenda via debruçadas confidencialmente sobre os limosos pântanos sombrios, onde as oiticicas trescalam um aroma que entristece de saudade.

E deixava-se ficar, olhando. Outras raparigas dançaram, mas o português só via a mulata, mesmo quando, prostrada, fora cair nos braços do amigo. Piedade, a cabecear de sono, chamara-o várias vezes para se recolherem; ele respondeu com um resmungo e não deu pela retirada da mulher.

Passaram-se horas, e ele também não deu pelas horas que fugiram.

O círculo do pagode aumentou: vieram de lá defronte a Isaura e a Leonor, o João Romão e a Bertoleza, desembaraçados da sua faina, quiseram dar fé da patuscada um instante antes de caírem na cama; a família do Miranda pusera37 se à janela, divertindo-se com a gentalha da estalagem; reunira povo lá fora na rua; mas Jerônimo nada vira de tudo isso; nada vira senão uma coisa, que lhe persistia no espírito: a mulata ofegante a resvalar voluptuosamente nos braços do Firmo.

Só deu por si quando, já pela madrugada, se calaram de todo os instrumentos e cada um dos folgadores se recolheu a casa.

E viu a Rita levada para o quarto pelo seu homem, que a arrastava pela cintura.

Aluísio Azevedo. O cortiço. São Paulo: Ática, 1997.

Tendo como referência o fragmento acima, da obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e considerando as estéticas romântica e naturalista, julgue o item a seguir.

A escolha vocabular indica que Aluísio Azevedo procurou desvincular-se do padrão realista do século XIX, como demonstra a presença de traços do simbolismo, tendência literária que caracterizou a literatura brasileira nas décadas finais desse século.

 

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Questão presente nas seguintes provas
2506483 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Naquela mulata estava o grande mistério, a síntese das impressões que ele recebeu chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que se não torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era o açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com o seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em torno do corpo dele, assanhando-lhe os desejos, acordando-lhe as fibras embambecidas pela saudade da terra, picando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca.

Isto era o que Jerônimo sentia, mas o que o tonto não podia conceber. De todas as impressões daquele resto de domingo só lhe ficou no espírito o entorpecimento de uma desconhecida embriaguez, não de vinho, mas de mel chuchurreado no cálice de flores americanas, dessas muito alvas, cheirosas e úmidas, que ele na fazenda via debruçadas confidencialmente sobre os limosos pântanos sombrios, onde as oiticicas trescalam um aroma que entristece de saudade.

E deixava-se ficar, olhando. Outras raparigas dançaram, mas o português só via a mulata, mesmo quando, prostrada, fora cair nos braços do amigo. Piedade, a cabecear de sono, chamara-o várias vezes para se recolherem; ele respondeu com um resmungo e não deu pela retirada da mulher.

Passaram-se horas, e ele também não deu pelas horas que fugiram.

O círculo do pagode aumentou: vieram de lá defronte a Isaura e a Leonor, o João Romão e a Bertoleza, desembaraçados da sua faina, quiseram dar fé da patuscada um instante antes de caírem na cama; a família do Miranda pusera37 se à janela, divertindo-se com a gentalha da estalagem; reunira povo lá fora na rua; mas Jerônimo nada vira de tudo isso; nada vira senão uma coisa, que lhe persistia no espírito: a mulata ofegante a resvalar voluptuosamente nos braços do Firmo.

Só deu por si quando, já pela madrugada, se calaram de todo os instrumentos e cada um dos folgadores se recolheu a casa.

E viu a Rita levada para o quarto pelo seu homem, que a arrastava pela cintura.

Aluísio Azevedo. O cortiço. São Paulo: Ática, 1997.

Tendo como referência o fragmento acima, da obra O Cortiço, de Aluísio Azevedo, e considerando as estéticas romântica e naturalista, julgue o item a seguir.

Nesse trecho do romance O Cortiço, observa-se a construção de um tempo narrativo predominantemente psicológico, o que é compatível com a relevância, na narrativa, do que se passa no íntimo da personagem Jerônimo.

 

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