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Foram encontradas 355 questões.

2402288 Ano: 2010
Disciplina: Música
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Enunciado 2987218-1

Bill Viola. The Passing. South London Gallery, London, England, 1991.

Requiem aeternam dona eis, Domine (Repouso eterno, concede-lhes, Senhor). Com essas palavras, inicia-se o intróito da missa pro defunctis (missa para o falecido), também conhecida como missa de réquiem (ou, simplesmente, réquiem), cerimônia da liturgia católico-romana na qual se honra a alma de uma pessoa falecida, ou de mais de uma, e por ela se intercede. As seções da missa que eram originalmente cantadas de forma monofônica pelo oficiante passaram a ter um tratamento musical mais elaborado e em vozes a partir da Idade Média. Desde então, tais seções suscitaram grande número de composições musicais, primariamente destinadas ao uso litúrgico, como, por exemplo, o famoso Requiem, de W. A. Mozart. No entanto, o caráter dramático do texto, especialmente na Sequência, na qual se descreve o dia da ira de Deus e o iminente julgamento da humanidade no dia do juízo final, resultou em concepções que fizeram do réquiem um gênero próprio, especialmente no século XIX, havendo versões não apropriadas para uso na igreja, principalmente em virtude do grande número de instrumentos e vozes empregados nesse gênero musical.

Internet: <www.lindsayribeiro.blogspot.com> (com adaptações).

Com base no texto e na obra The Passing apresentados acima, julgue o item a seguir.

No registro da evolução estilística da música ocidental europeia, o compositor W. A. Mozart está associado ao período romântico

 

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2402287 Ano: 2010
Disciplina: Educação Artística
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Enunciado 2987217-1

Bill Viola. The Passing. South London Gallery, London, England, 1991.

Requiem aeternam dona eis, Domine (Repouso eterno, concede-lhes, Senhor). Com essas palavras, inicia-se o intróito da missa pro defunctis (missa para o falecido), também conhecida como missa de réquiem (ou, simplesmente, réquiem), cerimônia da liturgia católico-romana na qual se honra a alma de uma pessoa falecida, ou de mais de uma, e por ela se intercede. As seções da missa que eram originalmente cantadas de forma monofônica pelo oficiante passaram a ter um tratamento musical mais elaborado e em vozes a partir da Idade Média. Desde então, tais seções suscitaram grande número de composições musicais, primariamente destinadas ao uso litúrgico, como, por exemplo, o famoso Requiem, de W. A. Mozart. No entanto, o caráter dramático do texto, especialmente na Sequência, na qual se descreve o dia da ira de Deus e o iminente julgamento da humanidade no dia do juízo final, resultou em concepções que fizeram do réquiem um gênero próprio, especialmente no século XIX, havendo versões não apropriadas para uso na igreja, principalmente em virtude do grande número de instrumentos e vozes empregados nesse gênero musical.

Internet: <www.lindsayribeiro.blogspot.com> (com adaptações).

Com base no texto e na obra The Passing apresentados acima, julgue o item a seguir.

Considere que o artista visual Bill Viola se baseia na relação entre a vida individual interna e a experiência do corpo, em experiências humanas universais, como o nascimento, a morte, o despertar da consciência, o renascimento, e encontra as raízes de seu trabalho tanto nas artes orientais como nas ocidentais, além de se inspirar em múltiplas tradições espirituais. A instalação The Passing, mostrada acima, apresenta três momentos: o nascimento, uma pessoa boiando na água e uma pessoa morrendo. Diante dessas informações, é correto concluir que o segundo momento representa a vida humana ativa entre os instantes do nascimento e da morte.

 

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2402286 Ano: 2010
Disciplina: Música
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Enunciado 2987216-1

Bill Viola. The Passing. South London Gallery, London, England, 1991.

Requiem aeternam dona eis, Domine (Repouso eterno, concede-lhes, Senhor). Com essas palavras, inicia-se o intróito da missa pro defunctis (missa para o falecido), também conhecida como missa de réquiem (ou, simplesmente, réquiem), cerimônia da liturgia católico-romana na qual se honra a alma de uma pessoa falecida, ou de mais de uma, e por ela se intercede. As seções da missa que eram originalmente cantadas de forma monofônica pelo oficiante passaram a ter um tratamento musical mais elaborado e em vozes a partir da Idade Média. Desde então, tais seções suscitaram grande número de composições musicais, primariamente destinadas ao uso litúrgico, como, por exemplo, o famoso Requiem, de W. A. Mozart. No entanto, o caráter dramático do texto, especialmente na Sequência, na qual se descreve o dia da ira de Deus e o iminente julgamento da humanidade no dia do juízo final, resultou em concepções que fizeram do réquiem um gênero próprio, especialmente no século XIX, havendo versões não apropriadas para uso na igreja, principalmente em virtude do grande número de instrumentos e vozes empregados nesse gênero musical.

Internet: <www.lindsayribeiro.blogspot.com> (com adaptações).

Com base no texto e na obra The Passing apresentados acima, julgue o item a seguir.

A grande maioria das composições musicais tonais da missa de réquiem baseia-se nas tonalidades maiores, especialmente na tonalidade de ré maior, que muitos identificam como a tonalidade do réquiem, em razão da atmosfera da cerimônia.

 

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2402285 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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É somente nos tempos modernos que se passa a pensar vida e morte como nitidamente opostas. E isso não causa surpresa. Com a modernidade, aprofundam-se velhos dualismos e novos se instauram. Nós, “senhores e possuidores da natureza”, como dizia René Descartes (1596-1650), nos afastamos do mundo e dele nos diferenciamos.

A meu ver, hoje nos encontramos numa situação paradoxal. De um lado, testemunhamos a banalização da morte. Em nossa vida cotidiana, dela ouvimos falar e nela falamos o tempo todo. A morte aparece como fenômeno biológico, ao lado das outras fases da vida: o nascimento, a puberdade, a maturidade e a velhice. Ela surge como fenômeno social, quando nos referimos a taxas de natalidade
e de mortalidade. Apresenta-se como fenômeno determinante para a demografia, na medida em que discutimos o decréscimo ou o aumento da população em diferentes regiões do planeta. Para a medicina, a morte se mostra como fenômeno letal, que tem de ser previsto e explicado; para o direito, ela se enquadra como fenômeno natural, que deve produzir documentos, como as certidões de óbito.

Então, por que a morte é sempre vista como uma espécie de escândalo? Por que ela enseja ao mesmo tempo horror e curiosidade? É certo que a morte, esse acontecimento banal, aparece como um fato dentre outros; um fato que o jornalista relata, o médico legista constata, o biólogo analisa, o policial investiga. Mas, por outro lado, um fato ímpar, desmedido e incomensurável. Não podemos deixar de constatar que a morte é um mistério; não temos como nos proteger de seu caráter vertiginoso e desconcertante. É por isso, aliás, que tanto falamos nela e dela tanto ouvimos falar.

Scarlett Marton. Morte como instante de vida.
Internet: <www.portalcienciaevida.uol.com.br> (com adaptações).

Julgue o próximo item tendo como referência o texto acima, o tema nele abordado e os diversos aspectos por ele suscitados.

Quanto à estrutura “Então, por que a morte é sempre vista como uma espécie de escândalo?”, seria preservada a interpretação semântica bem como a correção gramatical se o elemento interrogativo estivesse colocado após a estrutura verbal na passiva.

 

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2402284 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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É somente nos tempos modernos que se passa a pensar vida e morte como nitidamente opostas. E isso não causa surpresa. Com a modernidade, aprofundam-se velhos dualismos e novos se instauram. Nós, “senhores e possuidores da natureza”, como dizia René Descartes (1596-1650), nos afastamos do mundo e dele nos diferenciamos.

A meu ver, hoje nos encontramos numa situação paradoxal. De um lado, testemunhamos a banalização da morte. Em nossa vida cotidiana, dela ouvimos falar e nela falamos o tempo todo. A morte aparece como fenômeno biológico, ao lado das outras fases da vida: o nascimento, a puberdade, a maturidade e a velhice. Ela surge como fenômeno social, quando nos referimos a taxas de natalidade
e de mortalidade. Apresenta-se como fenômeno determinante para a demografia, na medida em que discutimos o decréscimo ou o aumento da população em diferentes regiões do planeta. Para a medicina, a morte se mostra como fenômeno letal, que tem de ser previsto e explicado; para o direito, ela se enquadra como fenômeno natural, que deve produzir documentos, como as certidões de óbito.

Então, por que a morte é sempre vista como uma espécie de escândalo? Por que ela enseja ao mesmo tempo horror e curiosidade? É certo que a morte, esse acontecimento banal, aparece como um fato dentre outros; um fato que o jornalista relata, o médico legista constata, o biólogo analisa, o policial investiga. Mas, por outro lado, um fato ímpar, desmedido e incomensurável. Não podemos deixar de constatar que a morte é um mistério; não temos como nos proteger de seu caráter vertiginoso e desconcertante. É por isso, aliás, que tanto falamos nela e dela tanto ouvimos falar.

Scarlett Marton. Morte como instante de vida.
Internet: <www.portalcienciaevida.uol.com.br> (com adaptações).

Julgue o próximo item tendo como referência o texto acima, o tema nele abordado e os diversos aspectos por ele suscitados.

Considerando o texto de Marton bem como a tendência, na literatura brasileira pós-Semana de Arte Moderna, de aliar processos de narrativa sintética a trabalho poético, com o objetivo de renovação de conceito tradicional da poesia, é correto afirmar que Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade expandiram a perspectiva de relato de morte referenciada no texto nas linhas 25 e 26.

 

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2402283 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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É somente nos tempos modernos que se passa a pensar vida e morte como nitidamente opostas. E isso não causa surpresa. Com a modernidade, aprofundam-se velhos dualismos e novos se instauram. Nós, “senhores e possuidores da natureza”, como dizia René Descartes (1596-1650), nos afastamos do mundo e dele nos diferenciamos.

A meu ver, hoje nos encontramos numa situação paradoxal. De um lado, testemunhamos a banalização da morte. Em nossa vida cotidiana, dela ouvimos falar e nela falamos o tempo todo. A morte aparece como fenômeno biológico, ao lado das outras fases da vida: o nascimento, a puberdade, a maturidade e a velhice. Ela surge como fenômeno social, quando nos referimos a taxas de natalidade
e de mortalidade. Apresenta-se como fenômeno determinante para a demografia, na medida em que discutimos o decréscimo ou o aumento da população em diferentes regiões do planeta. Para a medicina, a morte se mostra como fenômeno letal, que tem de ser previsto e explicado; para o direito, ela se enquadra como fenômeno natural, que deve produzir documentos, como as certidões de óbito.

Então, por que a morte é sempre vista como uma espécie de escândalo? Por que ela enseja ao mesmo tempo horror e curiosidade? É certo que a morte, esse acontecimento banal, aparece como um fato dentre outros; um fato que o jornalista relata, o médico legista constata, o biólogo analisa, o policial investiga. Mas, por outro lado, um fato ímpar, desmedido e incomensurável. Não podemos deixar de constatar que a morte é um mistério; não temos como nos proteger de seu caráter vertiginoso e desconcertante. É por isso, aliás, que tanto falamos nela e dela tanto ouvimos falar.

Scarlett Marton. Morte como instante de vida.
Internet: <www.portalcienciaevida.uol.com.br> (com adaptações).

Julgue o próximo item tendo como referência o texto acima, o tema nele abordado e os diversos aspectos por ele suscitados.

A preocupação com a morte é recorrente nas obras de Álvares de Azevedo, Alphonsus de Guimarães, Manuel Bandeira e Cecília Meireles, e o que distingue, uns dos outros, os trabalhos poéticos desses autores é a maneira como a morte é personificada bem como, em especial, o comprometimento do eu-lírico com a irreversibilidade da morte.

 

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2402282 Ano: 2010
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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É somente nos tempos modernos que se passa a pensar vida e morte como nitidamente opostas. E isso não causa surpresa. Com a modernidade, aprofundam-se velhos dualismos e novos se instauram. Nós, “senhores e possuidores da natureza”, como dizia René Descartes (1596-1650), nos afastamos do mundo e dele nos diferenciamos.

A meu ver, hoje nos encontramos numa situação paradoxal. De um lado, testemunhamos a banalização da morte. Em nossa vida cotidiana, dela ouvimos falar e nela falamos o tempo todo. A morte aparece como fenômeno biológico, ao lado das outras fases da vida: o nascimento, a puberdade, a maturidade e a velhice. Ela surge como fenômeno social, quando nos referimos a taxas de natalidade
e de mortalidade. Apresenta-se como fenômeno determinante para a demografia, na medida em que discutimos o decréscimo ou o aumento da população em diferentes regiões do planeta. Para a medicina, a morte se mostra como fenômeno letal, que tem de ser previsto e explicado; para o direito, ela se enquadra como fenômeno natural, que deve produzir documentos, como as certidões de óbito.

Então, por que a morte é sempre vista como uma espécie de escândalo? Por que ela enseja ao mesmo tempo horror e curiosidade? É certo que a morte, esse acontecimento banal, aparece como um fato dentre outros; um fato que o jornalista relata, o médico legista constata, o biólogo analisa, o policial investiga. Mas, por outro lado, um fato ímpar, desmedido e incomensurável. Não podemos deixar de constatar que a morte é um mistério; não temos como nos proteger de seu caráter vertiginoso e desconcertante. É por isso, aliás, que tanto falamos nela e dela tanto ouvimos falar.

Scarlett Marton. Morte como instante de vida.
Internet: <www.portalcienciaevida.uol.com.br> (com adaptações).

Julgue o próximo item tendo como referência o texto acima, o tema nele abordado e os diversos aspectos por ele suscitados.

Preservariam-se a correção gramatical e a interpretação semântica do período se a forma verbal vê-se substituísse a locução verbal “é [sempre] vista”.

 

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2402281 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Pela segunda vez, a moça tomou coragem; a pretexto de dor de dente, conseguiu licença para faltar ao serviço. Não lhe foi difícil descobrir o endereço da gorda e exageradamente gentil madama Carlota, atual cartomante bem-sucedida, moradora de apartamento próprio, fã de Jesus, “doidinha por Ele”, que sempre a ajudou.

Mais falando de si mesma do que de sua “cliente”, a cartomante concluiu: “Mas, Macabeazinha, que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!” Resolveu, então, animar a pobre coitada. “Tenho grandes notícias para lhe dar:

Sua vida vai mudar completamente! Até seu namorado vai voltar e propor casamento e seu chefe não vai mais lhe despedir! E tem mais! Um dinheiro grande vai lhe entrar pela porta adentro em horas da noite trazido por um homem estrangeiro. Ele é alourado e tem olhos azuis ou verdes ou castanhos ou pretos. Parece se chamar Hans, e é ele quem vai se casar com você!”

Saiu da casa da cartomante mudada. “Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro”.

Ao dar o passo para descer da calçada, Macabéa foi atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo, que fugiu, sem que o motorista prestasse socorro. Ela bateu na quina do meio-fio com a cabeça, que começou a sangrar. Tomada por uma espécie de delírio oco, observou que havia capim na rua. “O Destino tinha escolhido para ela um beco no escuro e uma sarjeta” como se ela fosse “uma galinha de pescoço mal cortado que corre espavorida pingando sangue”. Só que Macabéa lutava muda. Então começou levemente a garoar: Olímpico tinha razão ela só sabia mesmo era chover!

Os curiosos que se aproximaram nada fizeram “como antes pessoas nada haviam feito por ela, só que agora pelo menos a espiavam. O que lhe dava uma existência”.

“Ela se mexeu devagar, acomodou o corpo em posição fetal. Era uma maldita e não sabia. Agarrava-se a um fiapo de consciência e repetia mentalmente sem cessar eu sou, eu sou. Eu sou. Teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. Um gosto suave, arrepiante, gélido e agudo como no amor. Seria esta a graça a que vós chamais Deus? Sim? Se iria morrer, na morte passava de virgem a mulher. Então ela pronunciou uma frase que ninguém entendeu: “Quanto ao futuro.” Vomitou um pouco de sangue. Estava enfim livre de si e de nós.

Viver é um luxo. Pronto, passou.”

Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue o item.

O questionamento de aspectos mais profundos do ser humano, ligados ao seu ‘estar no mundo’, manifesta-se em uma estrutura narrativa de técnica impressionista, caracterizada pela ruptura da verossimilhança e da sequência linear do relato.

 

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2402280 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Pela segunda vez, a moça tomou coragem; a pretexto de dor de dente, conseguiu licença para faltar ao serviço. Não lhe foi difícil descobrir o endereço da gorda e exageradamente gentil madama Carlota, atual cartomante bem-sucedida, moradora de apartamento próprio, fã de Jesus, “doidinha por Ele”, que sempre a ajudou.

Mais falando de si mesma do que de sua “cliente”, a cartomante concluiu: “Mas, Macabeazinha, que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!” Resolveu, então, animar a pobre coitada. “Tenho grandes notícias para lhe dar:

Sua vida vai mudar completamente! Até seu namorado vai voltar e propor casamento e seu chefe não vai mais lhe despedir! E tem mais! Um dinheiro grande vai lhe entrar pela porta adentro em horas da noite trazido por um homem estrangeiro. Ele é alourado e tem olhos azuis ou verdes ou castanhos ou pretos. Parece se chamar Hans, e é ele quem vai se casar com você!”

Saiu da casa da cartomante mudada. “Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro”.

Ao dar o passo para descer da calçada, Macabéa foi atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo, que fugiu, sem que o motorista prestasse socorro. Ela bateu na quina do meio-fio com a cabeça, que começou a sangrar. Tomada por uma espécie de delírio oco, observou que havia capim na rua. “O Destino tinha escolhido para ela um beco no escuro e uma sarjeta” como se ela fosse “uma galinha de pescoço mal cortado que corre espavorida pingando sangue”. Só que Macabéa lutava muda. Então começou levemente a garoar: Olímpico tinha razão ela só sabia mesmo era chover!

Os curiosos que se aproximaram nada fizeram “como antes pessoas nada haviam feito por ela, só que agora pelo menos a espiavam. O que lhe dava uma existência”.

“Ela se mexeu devagar, acomodou o corpo em posição fetal. Era uma maldita e não sabia. Agarrava-se a um fiapo de consciência e repetia mentalmente sem cessar eu sou, eu sou. Eu sou. Teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. Um gosto suave, arrepiante, gélido e agudo como no amor. Seria esta a graça a que vós chamais Deus? Sim? Se iria morrer, na morte passava de virgem a mulher. Então ela pronunciou uma frase que ninguém entendeu: “Quanto ao futuro.” Vomitou um pouco de sangue. Estava enfim livre de si e de nós.

Viver é um luxo. Pronto, passou.”

Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue o item.

No romance A hora da estrela, o narrador Rodrigo, onisciente, desconstrói a si próprio e a personagem Macabéa, no que se refere à importância da existência de cada um deles na sociedade.

 

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2402279 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Pela segunda vez, a moça tomou coragem; a pretexto de dor de dente, conseguiu licença para faltar ao serviço. Não lhe foi difícil descobrir o endereço da gorda e exageradamente gentil madama Carlota, atual cartomante bem-sucedida, moradora de apartamento próprio, fã de Jesus, “doidinha por Ele”, que sempre a ajudou.

Mais falando de si mesma do que de sua “cliente”, a cartomante concluiu: “Mas, Macabeazinha, que vida horrível a sua! Que meu amigo Jesus tenha dó de você, filhinha! Mas que horror!” Resolveu, então, animar a pobre coitada. “Tenho grandes notícias para lhe dar:

Sua vida vai mudar completamente! Até seu namorado vai voltar e propor casamento e seu chefe não vai mais lhe despedir! E tem mais! Um dinheiro grande vai lhe entrar pela porta adentro em horas da noite trazido por um homem estrangeiro. Ele é alourado e tem olhos azuis ou verdes ou castanhos ou pretos. Parece se chamar Hans, e é ele quem vai se casar com você!”

Saiu da casa da cartomante mudada. “Até para atravessar a rua ela já era outra pessoa. Uma pessoa grávida de futuro”.

Ao dar o passo para descer da calçada, Macabéa foi atropelada por um luxuoso Mercedes amarelo, que fugiu, sem que o motorista prestasse socorro. Ela bateu na quina do meio-fio com a cabeça, que começou a sangrar. Tomada por uma espécie de delírio oco, observou que havia capim na rua. “O Destino tinha escolhido para ela um beco no escuro e uma sarjeta” como se ela fosse “uma galinha de pescoço mal cortado que corre espavorida pingando sangue”. Só que Macabéa lutava muda. Então começou levemente a garoar: Olímpico tinha razão ela só sabia mesmo era chover!

Os curiosos que se aproximaram nada fizeram “como antes pessoas nada haviam feito por ela, só que agora pelo menos a espiavam. O que lhe dava uma existência”.

“Ela se mexeu devagar, acomodou o corpo em posição fetal. Era uma maldita e não sabia. Agarrava-se a um fiapo de consciência e repetia mentalmente sem cessar eu sou, eu sou. Eu sou. Teve uma úmida felicidade suprema, pois ela nascera para o abraço da morte. Um gosto suave, arrepiante, gélido e agudo como no amor. Seria esta a graça a que vós chamais Deus? Sim? Se iria morrer, na morte passava de virgem a mulher. Então ela pronunciou uma frase que ninguém entendeu: “Quanto ao futuro.” Vomitou um pouco de sangue. Estava enfim livre de si e de nós.

Viver é um luxo. Pronto, passou.”

Clarice Lispector. A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue o item.

No que se refere à dicotomia vida/morte e à sua valorização na literatura, e considerando a possibilidade de se focalizar, do lado da vida, o sentimento de inadequação à realidade, o ócio e o desgosto de viver, a obra A hora da estrela não fugiria ao modo como, no gosto do modelo da geração ultrarromântica, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela e Junqueira Freire, por exemplo, trataram essa temática.

 

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