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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Testamento do Sumé
Saí do seio de Jaci,
Nas asas me pendurei
Do grande, temível Tupã;
Caí direito no mar,
Entrei na igara veloz,
Depois alcancei a terra,
Atravessei o sertão
Comendo bichos do mato;
Caaporas me ajudavam;
Curupiras vão na frente
Pra me mostrar o caminho;
Entrei na taba dos homens,
Na minha cabeça pus
Um gracioso canitar,
Minha cintura cobri
Com enduape de mil cores,
Furei beiço, pus botoque,
O maracá agitei
Que nem um homem qualquer;
Na poracê tomei parte,
Dançaram em roda de mim
Soltando uivos e gritos.
Depois ao homem ensinei
A cuidar da terra dele,
Conforme boa receita
Que me deram lá na lua;
Plantei a boa mandioca
Que se transforma em farinha.
As fazendas prosperavam.
Quem fez tudo aquilo, eh!
Não foi ninguém, foi Sumé.
Pensam que me nomearam
Cacique supremo d’eles?
Qual nada, me desprezaram,
Ficaram com muita inveja,
Me pegaram distraído,
Me expuseram na maloca,
Fatal muçurana prenderam
Na cintura e no pescoço
De quem sempre os ajudou.
Por um triz eu não morri;
Mas Tupã naquele instante
Mandou um golpe de vento,
Leva a maloca nos ares,
Eles então se ajoelham.
Desamarram a muçurana
Me dão cauim a beber.
Mas eu perdi a confiança,
Sumi pra sempre no mar;
Pra eles não se esquecerem
Do avô a quem maltrataram
Deixei na laje da costa
As impressões de meus pés.
O país é mesmo agrícola,
Não tenham dúvida não:
Antes de fazerem a máquina
Para a mandioca moer,
Tratem de plantar mandioca,
Senão acaba a fazenda.
Adeus, vão plantar batatas.
Murilo Mendes. Testamento do Sumé.
No poema Testamento do Sumé, escrito, em 1932, pelo poeta modernista Murilo Mendes, a figura central é Sumé, que, segundo os mitos tupis, ensinou aos indígenas as formas de tirarem seu sustento da natureza.
A partir desse texto e dessas informações, julgue o item.
A retomada temática de mitos indígenas no Modernismo aproxima esse período literário do ufanismo patriótico romântico, que havia eleito o indígena como herói e símbolo nacional.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Testamento do Sumé
Saí do seio de Jaci,
Nas asas me pendurei
Do grande, temível Tupã;
Caí direito no mar,
Entrei na igara veloz,
Depois alcancei a terra,
Atravessei o sertão
Comendo bichos do mato;
Caaporas me ajudavam;
Curupiras vão na frente
Pra me mostrar o caminho;
Entrei na taba dos homens,
Na minha cabeça pus
Um gracioso canitar,
Minha cintura cobri
Com enduape de mil cores,
Furei beiço, pus botoque,
O maracá agitei
Que nem um homem qualquer;
Na poracê tomei parte,
Dançaram em roda de mim
Soltando uivos e gritos.
Depois ao homem ensinei
A cuidar da terra dele,
Conforme boa receita
Que me deram lá na lua;
Plantei a boa mandioca
Que se transforma em farinha.
As fazendas prosperavam.
Quem fez tudo aquilo, eh!
Não foi ninguém, foi Sumé.
Pensam que me nomearam
Cacique supremo d’eles?
Qual nada, me desprezaram,
Ficaram com muita inveja,
Me pegaram distraído,
Me expuseram na maloca,
Fatal muçurana prenderam
Na cintura e no pescoço
De quem sempre os ajudou.
Por um triz eu não morri;
Mas Tupã naquele instante
Mandou um golpe de vento,
Leva a maloca nos ares,
Eles então se ajoelham.
Desamarram a muçurana
Me dão cauim a beber.
Mas eu perdi a confiança,
Sumi pra sempre no mar;
Pra eles não se esquecerem
Do avô a quem maltrataram
Deixei na laje da costa
As impressões de meus pés.
O país é mesmo agrícola,
Não tenham dúvida não:
Antes de fazerem a máquina
Para a mandioca moer,
Tratem de plantar mandioca,
Senão acaba a fazenda.
Adeus, vão plantar batatas.
Murilo Mendes. Testamento do Sumé.
No poema Testamento do Sumé, escrito, em 1932, pelo poeta modernista Murilo Mendes, a figura central é Sumé, que, segundo os mitos tupis, ensinou aos indígenas as formas de tirarem seu sustento da natureza.
A partir desse texto e dessas informações, julgue o item.
No poema, o emprego de rimas e estrofes regulares bem como a descrição do indígena Sumé como herói destoam do estilo modernista.
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Darwin: o super-herói
Pedindo emprestadas as palavras do filósofo grego Demócrito, podemos dizer que a teoria da evolução por seleção natural envolve o acaso e a necessidade. O acaso aparece na aleatoriedade do processo mutacional de geração de diversidade; a necessidade, no processo de reprodução diferencial dos indivíduos mais bem adaptados ao ambiente.
A ideia revolucionária de Darwin foi que essas duas forças combinadas eram suficientes para explicar, de forma natural, a emergência e a evolução das diversas formas de vida na Terra. Não havia necessidade de invocar a intervenção de nenhum ser divino ou sobrenatural — a natureza se bastava! Como expôs Dennett, o darwinismo foi um “ácido universal” que corroeu todas as crenças tradicionais.
Sérgio Danilo Pena. In: Internet: <cienciahoje.uol.com.br> (com adaptações).
Considerando as estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
De acordo com o texto, é correto concluir que Dennett considera como efeito negativo da ciência o fato de a teoria darwiniana ter corroído todas as crenças tradicionais.
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Darwin: o super-herói
Pedindo emprestadas as palavras do filósofo grego Demócrito, podemos dizer que a teoria da evolução por seleção natural envolve o acaso e a necessidade. O acaso aparece na aleatoriedade do processo mutacional de geração de diversidade; a necessidade, no processo de reprodução diferencial dos indivíduos mais bem adaptados ao ambiente.
A ideia revolucionária de Darwin foi que essas duas forças combinadas eram suficientes para explicar, de forma natural, a emergência e a evolução das diversas formas de vida na Terra. Não havia necessidade de invocar a intervenção de nenhum ser divino ou sobrenatural — a natureza se bastava! Como expôs Dennett, o darwinismo foi um “ácido universal” que corroeu todas as crenças tradicionais.
Sérgio Danilo Pena. In: Internet: <cienciahoje.uol.com.br> (com adaptações).
Considerando as estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
Infere-se corretamente do texto que, segundo a teoria de Darwin, as mutações que afetam as espécies obedecem a uma determinação
prévia.
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Darwin: o super-herói
Pedindo emprestadas as palavras do filósofo grego Demócrito, podemos dizer que a teoria da evolução por seleção natural envolve o acaso e a necessidade. O acaso aparece na aleatoriedade do processo mutacional de geração de diversidade; a necessidade, no processo de reprodução diferencial dos indivíduos mais bem adaptados ao ambiente.
A ideia revolucionária de Darwin foi que essas duas forças combinadas eram suficientes para explicar, de forma natural, a emergência e a evolução das diversas formas de vida na Terra. Não havia necessidade de invocar a intervenção de nenhum ser divino ou sobrenatural — a natureza se bastava! Como expôs Dennett, o darwinismo foi um “ácido universal” que corroeu todas as crenças tradicionais.
Sérgio Danilo Pena. In: Internet: <cienciahoje.uol.com.br> (com adaptações).
Considerando as estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
Depreende-se corretamente do texto que o filósofo grego Demócrito havia proposto, antes de Darwin, uma teoria da evolução por seleção
natural.
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Darwin: o super-herói
Pedindo emprestadas as palavras do filósofo grego Demócrito, podemos dizer que a teoria da evolução por seleção natural envolve o acaso e a necessidade. O acaso aparece na aleatoriedade do processo mutacional de geração de diversidade; a necessidade, no processo de reprodução diferencial dos indivíduos mais bem adaptados ao ambiente.
A ideia revolucionária de Darwin foi que essas duas forças combinadas eram suficientes para explicar, de forma natural, a emergência e a evolução das diversas formas de vida na Terra. Não havia necessidade de invocar a intervenção de nenhum ser divino ou sobrenatural — a natureza se bastava! Como expôs Dennett, o darwinismo foi um “ácido universal” que corroeu todas as crenças tradicionais.
Sérgio Danilo Pena. In: Internet: <cienciahoje.uol.com.br> (com adaptações).
Considerando as estruturas linguísticas do texto acima, julgue o item.
A vírgula empregada após a palavra “necessidade” indica a omissão da forma verbal aparece.
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FOLHA — Ao final do livro Olhar, Escutar, Ler, o senhor diz que, entre tribos ameríndias, havia “mulheres criadoras” inspiradas pelos deuses. Uma ideia semelhante à noção romântica do gênio artístico, à forma como vemos os artistas e a arte nas sociedades ocidentais. O senhor acha que essa noção ocidental da arte existia já entre os povos ameríndios?
LÉVI-STRAUSS — Não podemos generalizar os ameríndios. As populações podem ser tão diferentes entre si quanto cada um de nós.
Essa ideia existia incontestavelmente entre certos grupos. Particularmente nas sociedades da costa oeste do Canadá, que eram um pouco à parte, por terem sido fortemente hierarquizadas do ponto de vista não apenas social, mas também econômico. Havia nobres, pessoas comuns, escravos, ricos e pobres. Para esses ricos, os artistas não eram muito diferentes do que haviam sido na Itália durante o Renascimento e mesmo em contextos mais próximos de nós. Mas não podemos generalizar. Se você escolhe, por exemplo, os tinglit, do Alasca, e os tsimshian, da Colúmbia Britânica, os primeiros consideravam, com razão, que os segundos eram grandes artistas. Faziam encomendas de esculturas aos tsimshian, que iam até os tinglit para construir monumentos.
Internet: <www1.folha.uol.com.br> (com adaptações).
Considerando a estrutura do texto e os significados desse fragmento de entrevista com o filósofo Lévi-Strauss, julgue o item.
Tanto na fala do entrevistador quanto na de Lévi-Strauss, está implícita a tese de que é justificável o estabelecimento de hierarquias entre
diferentes culturas, de forma a que se julgue determinada cultura como superior a outras.
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FOLHA — Ao final do livro Olhar, Escutar, Ler, o senhor diz que, entre tribos ameríndias, havia “mulheres criadoras” inspiradas pelos deuses. Uma ideia semelhante à noção romântica do gênio artístico, à forma como vemos os artistas e a arte nas sociedades ocidentais. O senhor acha que essa noção ocidental da arte existia já entre os povos ameríndios?
LÉVI-STRAUSS — Não podemos generalizar os ameríndios. As populações podem ser tão diferentes entre si quanto cada um de nós.
Essa ideia existia incontestavelmente entre certos grupos. Particularmente nas sociedades da costa oeste do Canadá, que eram um pouco à parte, por terem sido fortemente hierarquizadas do ponto de vista não apenas social, mas também econômico. Havia nobres, pessoas comuns, escravos, ricos e pobres. Para esses ricos, os artistas não eram muito diferentes do que haviam sido na Itália durante o Renascimento e mesmo em contextos mais próximos de nós. Mas não podemos generalizar. Se você escolhe, por exemplo, os tinglit, do Alasca, e os tsimshian, da Colúmbia Britânica, os primeiros consideravam, com razão, que os segundos eram grandes artistas. Faziam encomendas de esculturas aos tsimshian, que iam até os tinglit para construir monumentos.
Internet: <www1.folha.uol.com.br> (com adaptações).
Considerando a estrutura do texto e os significados desse fragmento de entrevista com o filósofo Lévi-Strauss, julgue o item.
Pelo seu teor, a resposta de Lévi-Strauss à pergunta feita pelo entrevistador, é, com as devidas ressalvas, afirmativa.
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FOLHA — Ao final do livro Olhar, Escutar, Ler, o senhor diz que, entre tribos ameríndias, havia “mulheres criadoras” inspiradas pelos deuses. Uma ideia semelhante à noção romântica do gênio artístico, à forma como vemos os artistas e a arte nas sociedades ocidentais. O senhor acha que essa noção ocidental da arte existia já entre os povos ameríndios?
LÉVI-STRAUSS — Não podemos generalizar os ameríndios. As populações podem ser tão diferentes entre si quanto cada um de nós.
Essa ideia existia incontestavelmente entre certos grupos. Particularmente nas sociedades da costa oeste do Canadá, que eram um pouco à parte, por terem sido fortemente hierarquizadas do ponto de vista não apenas social, mas também econômico. Havia nobres, pessoas comuns, escravos, ricos e pobres. Para esses ricos, os artistas não eram muito diferentes do que haviam sido na Itália durante o Renascimento e mesmo em contextos mais próximos de nós. Mas não podemos generalizar. Se você escolhe, por exemplo, os tinglit, do Alasca, e os tsimshian, da Colúmbia Britânica, os primeiros consideravam, com razão, que os segundos eram grandes artistas. Faziam encomendas de esculturas aos tsimshian, que iam até os tinglit para construir monumentos.
Internet: <www1.folha.uol.com.br> (com adaptações).
Considerando a estrutura do texto e os significados desse fragmento de entrevista com o filósofo Lévi-Strauss, julgue o item.
Infere-se das palavras de Lévi-Strauss que, em geral, as sociedades ameríndias não eram fortemente hierarquizadas do ponto de vista
econômico nem social.
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FOLHA — Ao final do livro Olhar, Escutar, Ler, o senhor diz que, entre tribos ameríndias, havia “mulheres criadoras” inspiradas pelos deuses. Uma ideia semelhante à noção romântica do gênio artístico, à forma como vemos os artistas e a arte nas sociedades ocidentais. O senhor acha que essa noção ocidental da arte existia já entre os povos ameríndios?
LÉVI-STRAUSS — Não podemos generalizar os ameríndios. As populações podem ser tão diferentes entre si quanto cada um de nós.
Essa ideia existia incontestavelmente entre certos grupos. Particularmente nas sociedades da costa oeste do Canadá, que eram um pouco à parte, por terem sido fortemente hierarquizadas do ponto de vista não apenas social, mas também econômico. Havia nobres, pessoas comuns, escravos, ricos e pobres. Para esses ricos, os artistas não eram muito diferentes do que haviam sido na Itália durante o Renascimento e mesmo em contextos mais próximos de nós. Mas não podemos generalizar. Se você escolhe, por exemplo, os tinglit, do Alasca, e os tsimshian, da Colúmbia Britânica, os primeiros consideravam, com razão, que os segundos eram grandes artistas. Faziam encomendas de esculturas aos tsimshian, que iam até os tinglit para construir monumentos.
Internet: <www1.folha.uol.com.br> (com adaptações).
Considerando a estrutura do texto e os significados desse fragmento de entrevista com o filósofo Lévi-Strauss, julgue o item.
A expressão “Essa ideia” retoma o trecho “As populações podem ser tão diferentes entre si quanto cada um de nós”.
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