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Considere o trecho do poema “Da Minha Aldeia” de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.
Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...
Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.
(PESSOA, Fernando. “O Guardador de Rebanhos”, em Poemas de Alberto Caeiro. Lisboa: Ática, 1946)
A personificação consiste na atribuição de sentimentos, psicologia e comportamento humanos a seres inanimados e a animais. O eu lírico faz uso desse recurso expressivo em:
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Considere o poema de Mia Couto para responder à questão.
Mudança de idade
Para explicar
os excessos do meu irmão
a minha mãe dizia:
está na mudança de idade.
Na altura,
eu não tinha idade nenhuma
e o tempo era todo meu.
Despontavam borbulhas
no rosto do meu irmão,
eu morria de inveja
enquanto me perguntava:
em que idade a idade muda?
Que vida,
escondida de mim, vivia ele?
Em que adiantada estação
o tempo lhe vinha comer à mão?
Na espera de recompensa,
eu à lua pedia uma outra idade.
Respondiam-me batuques
mas vinham de longe,
de onde já não chega o luar.
Antes de dormirmos
a mãe vinha esticar os lençóis
que era um modo
de beijar o nosso sono.
Meu anjo, não durmas triste, pedia.
E eu não sabia
se era comigo que ela falava.
A tristeza, dizia,
é uma doença envergonhada.
Não aprendas a gostar dessa doença.
As suas palavras
soavam mais longe
que os tambores noturnos.
O que invejas, falava a mãe, não é a idade.
É a vida
para além do sonho.
Idades mudaram-me,
calaram-se tambores,
na lua se anichou a materna voz.
E eu já nada reclamo.
Agora sei:
apenas o amor nos rouba do tempo.
E ainda hoje
estico os lençóis
antes de adormecer.
(COUTO, Mia. Poemas escolhidos, pp. 166-167. Companhia das Letras, 2016, edição digital)
No poema, o eu lírico rememora um tempo em que
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Considere os textos I e II.
I. Este movimento artístico foi favorecido pela autonomia de fato resultante da mudança da corte portuguesa para cá, pelo apartamento intelectual da metrópole [...] e, sobretudo, pela total independência política proclamada em 1822, e efervescência cívica por ela produzida.
(VERÍSSIMO, José. História da Literatura Brasileira: do Período Colonial a Machado de Assis)
II. Este movimento começou por ser a negação das tendências realistas em Arte. Seus representantes voltam-se para o seu mundo interior em busca dos estratos mais recônditos: ultrapassam o nível do consciente, mergulham no subconsciente e insconsciente, e atingem o “eu profundo”.
(MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários)
Os textos I e II referem-se, respectivamente, aos seguintes movimentos artísticos:
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Para responder a questão, baseie-se na crônica de Ana Paula Tavares:
[Nós, o dicionário e a professora Dina]
O dicionário e a professora Dina entraram nas nossas vidas ao mesmo tempo. Também as palavras tática, guerra, resistência. A professora Dina pretendia domesticar o nosso português corta-mato, infalível nas batalhas de rua, eficaz no nosso ódio à ordem, disciplina. Era um português praticado na rua pedindo de empréstimo às outras línguas palavras, construções, tudo o que pudesse facilitar a frase curta, intensa, eficaz.
[...]
A professora resolveu tomar medidas e apresentou-nos o Dicionário. A partir daquele dia tal livrinho devia permanecer aberto para sempre nas nossas vidas. A professora Dina acreditava, tal como Yeats, que “se olhássemos tempo suficiente para o escuro, acabaríamos por ver aí alguma coisa”.
Descobrimos juntos a história dos dicionários e da língua. Fomos à procura da palavra através da “compilação completa ou parcial das unidades léxicas de uma língua (palavras, locuções, afixos) ou de certas categorias dessa língua, organizadas numa certa ordem convencionada, geralmente alfabética, e que fornece, além das definições, informações sobre sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical e etimologia”.
Descobrimos os mais variados dicionários, desde os especializados na linguagem de uma época, ou de um escritor determinado, aos das diferentes áreas do saber. A história da língua tornou-se-nos familiar através da origem das palavras e da sua evolução no tempo.
(Adaptado de : TAVARES, Ana Paula. Um rio preso nas mãos)
Depreende-se da citação do poeta Yeats que a professora Dina valorizava a
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Para responder a questão, baseie-se na crônica de Ana Paula Tavares:
[Nós, o dicionário e a professora Dina]
O dicionário e a professora Dina entraram nas nossas vidas ao mesmo tempo. Também as palavras tática, guerra, resistência. A professora Dina pretendia domesticar o nosso português corta-mato, infalível nas batalhas de rua, eficaz no nosso ódio à ordem, disciplina. Era um português praticado na rua pedindo de empréstimo às outras línguas palavras, construções, tudo o que pudesse facilitar a frase curta, intensa, eficaz.
[...]
A professora resolveu tomar medidas e apresentou-nos o Dicionário. A partir daquele dia tal livrinho devia permanecer aberto para sempre nas nossas vidas. A professora Dina acreditava, tal como Yeats, que “se olhássemos tempo suficiente para o escuro, acabaríamos por ver aí alguma coisa”.
Descobrimos juntos a história dos dicionários e da língua. Fomos à procura da palavra através da “compilação completa ou parcial das unidades léxicas de uma língua (palavras, locuções, afixos) ou de certas categorias dessa língua, organizadas numa certa ordem convencionada, geralmente alfabética, e que fornece, além das definições, informações sobre sinônimos, antônimos, ortografia, pronúncia, classe gramatical e etimologia”.
Descobrimos os mais variados dicionários, desde os especializados na linguagem de uma época, ou de um escritor determinado, aos das diferentes áreas do saber. A história da língua tornou-se-nos familiar através da origem das palavras e da sua evolução no tempo.
(Adaptado de : TAVARES, Ana Paula. Um rio preso nas mãos)
Infere-se da crônica que a linguagem empregada pelas crianças antes da interferência da professora
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Texto I
As três mulheres do sabonete Araxá me invocam, me bouleversam, me hipnotizam.
Oh, as três mulheres do sabonete Araxá às 4 horas da tarde!
O meu reino pelas três mulheres do sabonete Araxá!
(Manuel Bandeira, trecho do poema Balada das três mulheres do sabonete Araxá)
Texto II
Ali pelos anos 1930, descobriram que havia uma lama medicinal em Araxá que rejuvenescia as mulheres, curava reumatismo e outros males congêneres. Logo fizeram sabonetes com a milagrosa lama e os marqueteiros da época bolaram anúncios que cobriam a cidade com outdoors imensos do sabonete, onde apareciam os rostos de três mulheres cuja beleza fora produzida, mantida e ampliada pela fantástica lama de Araxá. Manuel Bandeira, no início de nosso modernismo literário, fez a balada que se tornou sucesso.
(Adaptado de: CONY, Carlos Heitor. Folha de S.Paulo, 2011)
Considerando as características do Modernismo brasileiro e o texto II, predomina no texto I a
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A obra Os Lusíadas, de Camões, é uma
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Considere o poema de Cecília Meirelles.
Epigrama nº2
És precária e veloz, Felicidade.
Custas a vir, e, quando vens, não te demoras.
Foste tu que ensinaste aos homens que havia tempo,
e, para te medir, inventaram as horas.
Felicidade, és coisa estranha e dolorosa,
Fizeste para sempre a vida ficar triste:
porque um dia se vê que as horas todas passam,
e um tempo, despovoado e profundo, persiste.
No poema, exprime um paradoxo o que consta do seguinte trecho:
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Um Homem Célebre
− Ah! o senhor é que é o Pestana? perguntou Sinhazinha Mota, fazendo um largo gesto admirativo.
Vexado, aborrecido, Pestana respondeu que sim, que era ele. Vinha do piano, enxugando a testa com o lenço, e ia chegar à janela, quando a moça o fez parar. Não era baile; apenas um sarau íntimo, pouca gente, vinte pessoas ao todo, que tinham ido jantar com a viúva Camargo, naquele dia dos anos dela, cinco de novembro de 1875... Boa e patusca* viúva! Com que alma e diligência arranjou ali umas danças, logo depois do jantar, pedindo ao Pestana que tocasse uma quadrilha! Pestana curvou-se gentilmente, e correu ao piano. Finda a quadrilha, mal teriam descansado uns dez minutos, a viúva correu novamente ao Pestana para um obséquio mui particular.
− Diga, minha senhora.
− É que nos toque agora aquela sua polca Não Bula Comigo, Nhonhô.
Pestana fez uma careta, mas dissimulou depressa, inclinou-se calado, sem gentileza, e foi para o piano, sem entusiasmo. Ouvidos os primeiros compassos, derramou-se pela sala uma alegria nova, os cavalheiros correram às damas, e os pares entraram a saracotear a polca da moda; tinha sido publicada vinte dias antes, e já não havia recanto da cidade em que não fosse conhecida.
Sinhazinha Mota estava longe de supor que aquele Pestana que ela vira à mesa de jantar e depois ao piano era o mesmo Pestana compositor; foi uma amiga que lhe disse quando o viu vir do piano, acabada a polca. Daí a pergunta admirativa. Vimos que ele respondeu aborrecido e vexado. Nem assim as duas moças lhe pouparam finezas, tais e tantas, que a mais modesta vaidade se contentaria de as ouvir; ele recebeu-as cada vez mais enfadado, até que, alegando dor de cabeça, pediu licença para sair.
Rua fora, caminhou depressa, com medo de que ainda o chamassem.
Em casa, respirou. Sentou-se ao piano. Olhou para o retrato de Beethoven, e começou a executar uma sonata. Repetiu a peça, depois parou alguns instantes, levantou-se e foi a uma das janelas. Tornou ao piano; era a vez de Mozart. Haydn levou-o à meia-noite e à segunda xícara de café. Entre meia-noite e uma hora, Pestana pouco mais fez que estar à janela e olhar para as estrelas. De quando em quando ia ao piano, e, de pé, dava uns golpes soltos no teclado, como se procurasse algum pensamento; mas o pensamento não aparecia. Nenhuma imagem, desvario ou reflexão trazia uma lembrança qualquer de Sinhazinha Mota, que entretanto, a essa mesma hora, adormecia, pensando nele, famoso autor de tantas polcas amadas.
A moça dormia ao som da polca, ouvida de cor, enquanto o autor desta não cuidava nem da polca nem da moça, mas das velhas obras clássicas, interrogando o céu e a noite, rogando aos anjos, em último caso ao diabo. Por que não faria ele uma só que fosse daquelas páginas imortais?
Às vezes, como que ia surgir das profundezas do inconsciente uma aurora de ideia: ele corria ao piano, para aventá-la inteira, traduzi-la, em sons, mas era em vão: a ideia esvaía-se. Outras vezes, sentado, ao piano, deixava os dedos correrem, à ventura, a ver se as fantasias brotavam deles, como dos de Mozart: mas nada, a inspiração não vinha. Então, irritado, erguia-se, jurava abandonar a arte, ir plantar café ou puxar carroça: mas daí a dez minutos, ei-lo outra vez, com os olhos em Mozart, a imitá-lo ao piano.
* Divertida, brincalhona.
(Adaptado de: MACHADO DE ASSIS. Um homem célebre)
Ocorre sujeito posposto ao verbo no seguinte trecho:
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Um Homem Célebre
− Ah! o senhor é que é o Pestana? perguntou Sinhazinha Mota, fazendo um largo gesto admirativo.
Vexado, aborrecido, Pestana respondeu que sim, que era ele. Vinha do piano, enxugando a testa com o lenço, e ia chegar à janela, quando a moça o fez parar. Não era baile; apenas um sarau íntimo, pouca gente, vinte pessoas ao todo, que tinham ido jantar com a viúva Camargo, naquele dia dos anos dela, cinco de novembro de 1875... Boa e patusca* viúva! Com que alma e diligência arranjou ali umas danças, logo depois do jantar, pedindo ao Pestana que tocasse uma quadrilha! Pestana curvou-se gentilmente, e correu ao piano. Finda a quadrilha, mal teriam descansado uns dez minutos, a viúva correu novamente ao Pestana para um obséquio mui particular.
− Diga, minha senhora.
− É que nos toque agora aquela sua polca Não Bula Comigo, Nhonhô.
Pestana fez uma careta, mas dissimulou depressa, inclinou-se calado, sem gentileza, e foi para o piano, sem entusiasmo. Ouvidos os primeiros compassos, derramou-se pela sala uma alegria nova, os cavalheiros correram às damas, e os pares entraram a saracotear a polca da moda; tinha sido publicada vinte dias antes, e já não havia recanto da cidade em que não fosse conhecida.
Sinhazinha Mota estava longe de supor que aquele Pestana que ela vira à mesa de jantar e depois ao piano era o mesmo Pestana compositor; foi uma amiga que lhe disse quando o viu vir do piano, acabada a polca. Daí a pergunta admirativa. Vimos que ele respondeu aborrecido e vexado. Nem assim as duas moças lhe pouparam finezas, tais e tantas, que a mais modesta vaidade se contentaria de as ouvir; ele recebeu-as cada vez mais enfadado, até que, alegando dor de cabeça, pediu licença para sair.
Rua fora, caminhou depressa, com medo de que ainda o chamassem.
Em casa, respirou. Sentou-se ao piano. Olhou para o retrato de Beethoven, e começou a executar uma sonata. Repetiu a peça, depois parou alguns instantes, levantou-se e foi a uma das janelas. Tornou ao piano; era a vez de Mozart. Haydn levou-o à meia-noite e à segunda xícara de café. Entre meia-noite e uma hora, Pestana pouco mais fez que estar à janela e olhar para as estrelas. De quando em quando ia ao piano, e, de pé, dava uns golpes soltos no teclado, como se procurasse algum pensamento; mas o pensamento não aparecia. Nenhuma imagem, desvario ou reflexão trazia uma lembrança qualquer de Sinhazinha Mota, que entretanto, a essa mesma hora, adormecia, pensando nele, famoso autor de tantas polcas amadas.
A moça dormia ao som da polca, ouvida de cor, enquanto o autor desta não cuidava nem da polca nem da moça, mas das velhas obras clássicas, interrogando o céu e a noite, rogando aos anjos, em último caso ao diabo. Por que não faria ele uma só que fosse daquelas páginas imortais?
Às vezes, como que ia surgir das profundezas do inconsciente uma aurora de ideia: ele corria ao piano, para aventá-la inteira, traduzi-la, em sons, mas era em vão: a ideia esvaía-se. Outras vezes, sentado, ao piano, deixava os dedos correrem, à ventura, a ver se as fantasias brotavam deles, como dos de Mozart: mas nada, a inspiração não vinha. Então, irritado, erguia-se, jurava abandonar a arte, ir plantar café ou puxar carroça: mas daí a dez minutos, ei-lo outra vez, com os olhos em Mozart, a imitá-lo ao piano.
* Divertida, brincalhona.
(Adaptado de: MACHADO DE ASSIS. Um homem célebre)
foi uma amiga que lhe disse quando o viu vir do piano (6º parágrafo)
ele recebeu-as cada vez mais enfadado (6º parágrafo)
Haydn levou-o à meia-noite (8º parágrafo)
Os elementos sublinhados acima referem-se, respectivamente, a
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