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Um Homem Célebre
− Ah! o senhor é que é o Pestana? perguntou Sinhazinha Mota, fazendo um largo gesto admirativo.
Vexado, aborrecido, Pestana respondeu que sim, que era ele. Vinha do piano, enxugando a testa com o lenço, e ia chegar à janela, quando a moça o fez parar. Não era baile; apenas um sarau íntimo, pouca gente, vinte pessoas ao todo, que tinham ido jantar com a viúva Camargo, naquele dia dos anos dela, cinco de novembro de 1875... Boa e patusca* viúva! Com que alma e diligência arranjou ali umas danças, logo depois do jantar, pedindo ao Pestana que tocasse uma quadrilha! Pestana curvou-se gentilmente, e correu ao piano. Finda a quadrilha, mal teriam descansado uns dez minutos, a viúva correu novamente ao Pestana para um obséquio mui particular.
− Diga, minha senhora.
− É que nos toque agora aquela sua polca Não Bula Comigo, Nhonhô.
Pestana fez uma careta, mas dissimulou depressa, inclinou-se calado, sem gentileza, e foi para o piano, sem entusiasmo. Ouvidos os primeiros compassos, derramou-se pela sala uma alegria nova, os cavalheiros correram às damas, e os pares entraram a saracotear a polca da moda; tinha sido publicada vinte dias antes, e já não havia recanto da cidade em que não fosse conhecida.
Sinhazinha Mota estava longe de supor que aquele Pestana que ela vira à mesa de jantar e depois ao piano era o mesmo Pestana compositor; foi uma amiga que lhe disse quando o viu vir do piano, acabada a polca. Daí a pergunta admirativa. Vimos que ele respondeu aborrecido e vexado. Nem assim as duas moças lhe pouparam finezas, tais e tantas, que a mais modesta vaidade se contentaria de as ouvir; ele recebeu-as cada vez mais enfadado, até que, alegando dor de cabeça, pediu licença para sair.
Rua fora, caminhou depressa, com medo de que ainda o chamassem.
Em casa, respirou. Sentou-se ao piano. Olhou para o retrato de Beethoven, e começou a executar uma sonata. Repetiu a peça, depois parou alguns instantes, levantou-se e foi a uma das janelas. Tornou ao piano; era a vez de Mozart. Haydn levou-o à meia-noite e à segunda xícara de café. Entre meia-noite e uma hora, Pestana pouco mais fez que estar à janela e olhar para as estrelas. De quando em quando ia ao piano, e, de pé, dava uns golpes soltos no teclado, como se procurasse algum pensamento; mas o pensamento não aparecia. Nenhuma imagem, desvario ou reflexão trazia uma lembrança qualquer de Sinhazinha Mota, que entretanto, a essa mesma hora, adormecia, pensando nele, famoso autor de tantas polcas amadas.
A moça dormia ao som da polca, ouvida de cor, enquanto o autor desta não cuidava nem da polca nem da moça, mas das velhas obras clássicas, interrogando o céu e a noite, rogando aos anjos, em último caso ao diabo. Por que não faria ele uma só que fosse daquelas páginas imortais?
Às vezes, como que ia surgir das profundezas do inconsciente uma aurora de ideia: ele corria ao piano, para aventá-la inteira, traduzi-la, em sons, mas era em vão: a ideia esvaía-se. Outras vezes, sentado, ao piano, deixava os dedos correrem, à ventura, a ver se as fantasias brotavam deles, como dos de Mozart: mas nada, a inspiração não vinha. Então, irritado, erguia-se, jurava abandonar a arte, ir plantar café ou puxar carroça: mas daí a dez minutos, ei-lo outra vez, com os olhos em Mozart, a imitá-lo ao piano.
* Divertida, brincalhona.
(Adaptado de: MACHADO DE ASSIS. Um homem célebre)
O narrador estabelece diálogo com o leitor, técnica comum entre os narradores machadianos, no seguinte trecho:
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Um Homem Célebre
− Ah! o senhor é que é o Pestana? perguntou Sinhazinha Mota, fazendo um largo gesto admirativo.
Vexado, aborrecido, Pestana respondeu que sim, que era ele. Vinha do piano, enxugando a testa com o lenço, e ia chegar à janela, quando a moça o fez parar. Não era baile; apenas um sarau íntimo, pouca gente, vinte pessoas ao todo, que tinham ido jantar com a viúva Camargo, naquele dia dos anos dela, cinco de novembro de 1875... Boa e patusca* viúva! Com que alma e diligência arranjou ali umas danças, logo depois do jantar, pedindo ao Pestana que tocasse uma quadrilha! Pestana curvou-se gentilmente, e correu ao piano. Finda a quadrilha, mal teriam descansado uns dez minutos, a viúva correu novamente ao Pestana para um obséquio mui particular.
− Diga, minha senhora.
− É que nos toque agora aquela sua polca Não Bula Comigo, Nhonhô.
Pestana fez uma careta, mas dissimulou depressa, inclinou-se calado, sem gentileza, e foi para o piano, sem entusiasmo. Ouvidos os primeiros compassos, derramou-se pela sala uma alegria nova, os cavalheiros correram às damas, e os pares entraram a saracotear a polca da moda; tinha sido publicada vinte dias antes, e já não havia recanto da cidade em que não fosse conhecida.
Sinhazinha Mota estava longe de supor que aquele Pestana que ela vira à mesa de jantar e depois ao piano era o mesmo Pestana compositor; foi uma amiga que lhe disse quando o viu vir do piano, acabada a polca. Daí a pergunta admirativa. Vimos que ele respondeu aborrecido e vexado. Nem assim as duas moças lhe pouparam finezas, tais e tantas, que a mais modesta vaidade se contentaria de as ouvir; ele recebeu-as cada vez mais enfadado, até que, alegando dor de cabeça, pediu licença para sair.
Rua fora, caminhou depressa, com medo de que ainda o chamassem.
Em casa, respirou. Sentou-se ao piano. Olhou para o retrato de Beethoven, e começou a executar uma sonata. Repetiu a peça, depois parou alguns instantes, levantou-se e foi a uma das janelas. Tornou ao piano; era a vez de Mozart. Haydn levou-o à meia-noite e à segunda xícara de café. Entre meia-noite e uma hora, Pestana pouco mais fez que estar à janela e olhar para as estrelas. De quando em quando ia ao piano, e, de pé, dava uns golpes soltos no teclado, como se procurasse algum pensamento; mas o pensamento não aparecia. Nenhuma imagem, desvario ou reflexão trazia uma lembrança qualquer de Sinhazinha Mota, que entretanto, a essa mesma hora, adormecia, pensando nele, famoso autor de tantas polcas amadas.
A moça dormia ao som da polca, ouvida de cor, enquanto o autor desta não cuidava nem da polca nem da moça, mas das velhas obras clássicas, interrogando o céu e a noite, rogando aos anjos, em último caso ao diabo. Por que não faria ele uma só que fosse daquelas páginas imortais?
Às vezes, como que ia surgir das profundezas do inconsciente uma aurora de ideia: ele corria ao piano, para aventá-la inteira, traduzi-la, em sons, mas era em vão: a ideia esvaía-se. Outras vezes, sentado, ao piano, deixava os dedos correrem, à ventura, a ver se as fantasias brotavam deles, como dos de Mozart: mas nada, a inspiração não vinha. Então, irritado, erguia-se, jurava abandonar a arte, ir plantar café ou puxar carroça: mas daí a dez minutos, ei-lo outra vez, com os olhos em Mozart, a imitá-lo ao piano.
* Divertida, brincalhona.
(Adaptado de: MACHADO DE ASSIS. Um homem célebre)
Diante do reconhecimento de Sinhazinha Mota, Pestana, o “homem célebre” que dá título ao conto, mostra-se
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De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu romance mais conhecido, escrito em 1928 e proscrito como pornografia, só foi publicado na Inglaterra em 1960.
Sua reputação teve altos e baixos. O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor, talvez em retribuição às palavras que Lawrence reservara à “total falta de espontaneidade” de sua obra.
Para Lawrence, o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo. Uma ideia de difícil compreensão, ainda mais hoje, e não só para o academicista ou o moralista de plantão, agarrados a normas, que são a antítese da liberdade e, portanto, segundo Lawrence, também do romance.
Escaldado pela sanha moralista, Lawrence revida com o exemplo do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói: o personagem “Vrónsky peca, mas a consumação do pecado é desejada com devoção. O romance torna isso óbvio, apesar das ideias conservadoras do velho Tolstói”.
O que seria dos romances de Tolstói sem o pecado? “Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. Tudo se move. Aí está a grandeza do romance. Ele não deixará ninguém contar mentiras didáticas.”
O romance é, assim, a expressão de uma dinâmica que contradiz tanto a autoimagem do autor como a do leitor. Por isso ele incomoda. Da mesma forma, os girassóis do pintor Van Gogh não são nem o retrato de girassóis nem o do pintor, mas o resultado de uma relação intangível entre os dois.
No romance “tudo é verdadeiro no seu tempo, lugar e circunstância; e tudo é falso fora do seu lugar, tempo e circunstância. Faz parte da enganação de praxe dizer que a arte é imoral”.
(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Folha de S.Paulo, 31/10/2020.)
As normas de concordância estão respeitadas na frase:
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De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu romance mais conhecido, escrito em 1928 e proscrito como pornografia, só foi publicado na Inglaterra em 1960.
Sua reputação teve altos e baixos. O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor, talvez em retribuição às palavras que Lawrence reservara à “total falta de espontaneidade” de sua obra.
Para Lawrence, o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo. Uma ideia de difícil compreensão, ainda mais hoje, e não só para o academicista ou o moralista de plantão, agarrados a normas, que são a antítese da liberdade e, portanto, segundo Lawrence, também do romance.
Escaldado pela sanha moralista, Lawrence revida com o exemplo do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói: o personagem “Vrónsky peca, mas a consumação do pecado é desejada com devoção. O romance torna isso óbvio, apesar das ideias conservadoras do velho Tolstói”.
O que seria dos romances de Tolstói sem o pecado? “Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. Tudo se move. Aí está a grandeza do romance. Ele não deixará ninguém contar mentiras didáticas.”
O romance é, assim, a expressão de uma dinâmica que contradiz tanto a autoimagem do autor como a do leitor. Por isso ele incomoda. Da mesma forma, os girassóis do pintor Van Gogh não são nem o retrato de girassóis nem o do pintor, mas o resultado de uma relação intangível entre os dois.
No romance “tudo é verdadeiro no seu tempo, lugar e circunstância; e tudo é falso fora do seu lugar, tempo e circunstância. Faz parte da enganação de praxe dizer que a arte é imoral”.
(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Folha de S.Paulo, 31/10/2020.)
O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor (2º parágrafo)
Transpondo-se a frase acima para a voz passiva, a forma verbal resultante será:
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De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu romance mais conhecido, escrito em 1928 e proscrito como pornografia, só foi publicado na Inglaterra em 1960.
Sua reputação teve altos e baixos. O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor, talvez em retribuição às palavras que Lawrence reservara à “total falta de espontaneidade” de sua obra.
Para Lawrence, o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo. Uma ideia de difícil compreensão, ainda mais hoje, e não só para o academicista ou o moralista de plantão, agarrados a normas, que são a antítese da liberdade e, portanto, segundo Lawrence, também do romance.
Escaldado pela sanha moralista, Lawrence revida com o exemplo do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói: o personagem “Vrónsky peca, mas a consumação do pecado é desejada com devoção. O romance torna isso óbvio, apesar das ideias conservadoras do velho Tolstói”.
O que seria dos romances de Tolstói sem o pecado? “Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. Tudo se move. Aí está a grandeza do romance. Ele não deixará ninguém contar mentiras didáticas.”
O romance é, assim, a expressão de uma dinâmica que contradiz tanto a autoimagem do autor como a do leitor. Por isso ele incomoda. Da mesma forma, os girassóis do pintor Van Gogh não são nem o retrato de girassóis nem o do pintor, mas o resultado de uma relação intangível entre os dois.
No romance “tudo é verdadeiro no seu tempo, lugar e circunstância; e tudo é falso fora do seu lugar, tempo e circunstância. Faz parte da enganação de praxe dizer que a arte é imoral”.
(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Folha de S.Paulo, 31/10/2020.)
O tempo verbal sublinhado indica uma hipótese em:
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De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu romance mais conhecido, escrito em 1928 e proscrito como pornografia, só foi publicado na Inglaterra em 1960.
Sua reputação teve altos e baixos. O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor, talvez em retribuição às palavras que Lawrence reservara à “total falta de espontaneidade” de sua obra.
Para Lawrence, o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo. Uma ideia de difícil compreensão, ainda mais hoje, e não só para o academicista ou o moralista de plantão, agarrados a normas, que são a antítese da liberdade e, portanto, segundo Lawrence, também do romance.
Escaldado pela sanha moralista, Lawrence revida com o exemplo do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói: o personagem “Vrónsky peca, mas a consumação do pecado é desejada com devoção. O romance torna isso óbvio, apesar das ideias conservadoras do velho Tolstói”.
O que seria dos romances de Tolstói sem o pecado? “Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. Tudo se move. Aí está a grandeza do romance. Ele não deixará ninguém contar mentiras didáticas.”
O romance é, assim, a expressão de uma dinâmica que contradiz tanto a autoimagem do autor como a do leitor. Por isso ele incomoda. Da mesma forma, os girassóis do pintor Van Gogh não são nem o retrato de girassóis nem o do pintor, mas o resultado de uma relação intangível entre os dois.
No romance “tudo é verdadeiro no seu tempo, lugar e circunstância; e tudo é falso fora do seu lugar, tempo e circunstância. Faz parte da enganação de praxe dizer que a arte é imoral”.
(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Folha de S.Paulo, 31/10/2020.)
De acordo com o segundo parágrafo, em embate com o escritor James Joyce, D.H. Lawrence revelou que a obra de Joyce lhe parecia
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De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu romance mais conhecido, escrito em 1928 e proscrito como pornografia, só foi publicado na Inglaterra em 1960.
Sua reputação teve altos e baixos. O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor, talvez em retribuição às palavras que Lawrence reservara à “total falta de espontaneidade” de sua obra.
Para Lawrence, o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo. Uma ideia de difícil compreensão, ainda mais hoje, e não só para o academicista ou o moralista de plantão, agarrados a normas, que são a antítese da liberdade e, portanto, segundo Lawrence, também do romance.
Escaldado pela sanha moralista, Lawrence revida com o exemplo do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói: o personagem “Vrónsky peca, mas a consumação do pecado é desejada com devoção. O romance torna isso óbvio, apesar das ideias conservadoras do velho Tolstói”.
O que seria dos romances de Tolstói sem o pecado? “Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. Tudo se move. Aí está a grandeza do romance. Ele não deixará ninguém contar mentiras didáticas.”
O romance é, assim, a expressão de uma dinâmica que contradiz tanto a autoimagem do autor como a do leitor. Por isso ele incomoda. Da mesma forma, os girassóis do pintor Van Gogh não são nem o retrato de girassóis nem o do pintor, mas o resultado de uma relação intangível entre os dois.
No romance “tudo é verdadeiro no seu tempo, lugar e circunstância; e tudo é falso fora do seu lugar, tempo e circunstância. Faz parte da enganação de praxe dizer que a arte é imoral”.
(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Folha de S.Paulo, 31/10/2020.)
No contexto em que se insere, o sentido será preservado com a substituição do elemento sublinhado pelo que está entre parênteses em:
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De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu romance mais conhecido, escrito em 1928 e proscrito como pornografia, só foi publicado na Inglaterra em 1960.
Sua reputação teve altos e baixos. O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor, talvez em retribuição às palavras que Lawrence reservara à “total falta de espontaneidade” de sua obra.
Para Lawrence, o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo. Uma ideia de difícil compreensão, ainda mais hoje, e não só para o academicista ou o moralista de plantão, agarrados a normas, que são a antítese da liberdade e, portanto, segundo Lawrence, também do romance.
Escaldado pela sanha moralista, Lawrence revida com o exemplo do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói: o personagem “Vrónsky peca, mas a consumação do pecado é desejada com devoção. O romance torna isso óbvio, apesar das ideias conservadoras do velho Tolstói”.
O que seria dos romances de Tolstói sem o pecado? “Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. Tudo se move. Aí está a grandeza do romance. Ele não deixará ninguém contar mentiras didáticas.”
O romance é, assim, a expressão de uma dinâmica que contradiz tanto a autoimagem do autor como a do leitor. Por isso ele incomoda. Da mesma forma, os girassóis do pintor Van Gogh não são nem o retrato de girassóis nem o do pintor, mas o resultado de uma relação intangível entre os dois.
No romance “tudo é verdadeiro no seu tempo, lugar e circunstância; e tudo é falso fora do seu lugar, tempo e circunstância. Faz parte da enganação de praxe dizer que a arte é imoral”.
(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Folha de S.Paulo, 31/10/2020.)
Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. (5º parágrafo)
Depreende-se dessa citação de D.H. Lawrence que o homem é, por natureza,
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De origem operária, o escritor D.H. Lawrence (1885-1930) foi vilipendiado por obscenidade. O Amante de Lady Chatterley, seu romance mais conhecido, escrito em 1928 e proscrito como pornografia, só foi publicado na Inglaterra em 1960.
Sua reputação teve altos e baixos. O escritor irlandês James Joyce o considerava um péssimo escritor, talvez em retribuição às palavras que Lawrence reservara à “total falta de espontaneidade” de sua obra.
Para Lawrence, o romance genuíno é o que contradiz o autor, suas ideias e vontades, estabelecendo uma relação nova com o mundo. Uma ideia de difícil compreensão, ainda mais hoje, e não só para o academicista ou o moralista de plantão, agarrados a normas, que são a antítese da liberdade e, portanto, segundo Lawrence, também do romance.
Escaldado pela sanha moralista, Lawrence revida com o exemplo do romance Anna Kariênina, do escritor russo Liev Tolstói: o personagem “Vrónsky peca, mas a consumação do pecado é desejada com devoção. O romance torna isso óbvio, apesar das ideias conservadoras do velho Tolstói”.
O que seria dos romances de Tolstói sem o pecado? “Nada que o homem tenha pensado ou sentido ou conhecido é fixo. Tudo se move. Aí está a grandeza do romance. Ele não deixará ninguém contar mentiras didáticas.”
O romance é, assim, a expressão de uma dinâmica que contradiz tanto a autoimagem do autor como a do leitor. Por isso ele incomoda. Da mesma forma, os girassóis do pintor Van Gogh não são nem o retrato de girassóis nem o do pintor, mas o resultado de uma relação intangível entre os dois.
No romance “tudo é verdadeiro no seu tempo, lugar e circunstância; e tudo é falso fora do seu lugar, tempo e circunstância. Faz parte da enganação de praxe dizer que a arte é imoral”.
(Adaptado de: CARVALHO, Bernardo de. Folha de S.Paulo, 31/10/2020.)
A partir das reflexões do escritor D.H. Lawrence, conclui-se que o romance genuíno não pode prescindir
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Considere a tirinha abaixo.

(@andredahmer. Disponível no Instagram do autor)
Considerando texto e imagem, mantém-se o sentido do que se diz no 1º e no 2º quadrinhos, em um único período, em:
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