No Brasil, dados da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (2024) indicam que a população idosa crescerá 10 vezes mais que
a de jovens até 2050. O envelhecimento populacional traz desafios à saúde pública, especialmente em relação aos distúrbios do sono e
às alterações funcionais do sistema estomatognático. Esta situação é o que vem trazendo angústia à família do senhor Maurício de 75
anos, que recebeu diagnóstico de Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) moderada, IMC de 28,3 kg/m², hipertenso e em uso de medicação,
relatava sonolência excessiva diurna, roncos intensos (confirmados pela esposa), dificuldade de concentração e fadiga ao acordar. Sem
sucesso na adaptação ao CPAP, iniciou tratamento fonoaudiológico com foco miofuncional orofacial.
Considerando a atuação fonoaudiológica dentro do processo de envelhecimento e das disfunções associadas à AOS para dar suporte a
esse paciente, assinale a alternativa CORRETA.
Em um hospital municipal, a equipe multiprofissional realiza atendimento a Antônio de 72 anos, admitido na emergência com sinais
clínicos compatíveis com acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi). A tomografia confirmou o diagnóstico e o paciente recebeu
tratamento trombolítico intravenoso com alteplase dentro da janela terapêutica de 4,5 horas. No entanto, 48 horas após a admissão, o
paciente permanece restrito à dieta zero por apresentar sinais clínicos compatíveis com disfagia. Segundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), o AVC é a principal causa de morte no país, sendo o AVCi responsável por cerca de 85% dos casos.
Diante do caso descrito e do conhecimento científico atual sobre a disfagia no contexto do AVCi e da trombólise, assinale a alternativa
CORRETA.
Carlos, 48 anos, professor de história em escola pública municipal, foi diagnosticado com paralisia unilateral de prega vocal (PUPV)
após cirurgia para retirada de um tumor na tireoide. Queixando-se de voz soprosa, cansaço ao falar e episódios frequentes de tosse ao
ingerir líquidos, foi encaminhado para avaliação fonoaudiológica, mas, por conta da correria do dia a dia e por um certo receio de se
sentir vulnerável, ele reluta em seguir com o tratamento. De acordo com dados de Barcelos et al. (2017), a taxa de abandono da
reabilitação vocal em pacientes com PUPV é de aproximadamente 23,5%, o que representa um desafio na adesão aos modelos
tradicionais de terapia.
Fonte: BARCELOS, C.B.. Terapia vocal breve e intensiva para paralisia unilateral de prega vocal. São Paulo, 2018. 77 p. Tese (Doutorado) — Fundação Antônio
Prudente, Curso de Pós-Graduação em Ciências – Área de concentração: Oncologia. Orientadora: Elisabete Carrara-de Angelis.
Considerando a situação clínica apresentada e os conhecimentos atuais sobre a PUPV e sua reabilitação vocal, analise as afirmativas a
seguir:
I- Carlos não é um caso isolado e a terapia vocal tradicional, embora apresente evidências de melhora vocal em pacientes com
PUPV, está frequentemente associada a dificuldades de adesão, como ausências e abandono do tratamento.
II- A posição da prega vocal paralisada exerce baixa influência significativa nos sintomas clínicos, sendo os quadros de disfonia ou
disfagia determinados apenas pela etiologia da paralisia.
III- A terapia vocal breve e intensiva é baseada principalmente em métodos empíricos sem fundamentação neurofisiológica, sendo
considerada uma abordagem de eficácia inferior à terapia tradicional para pacientes como Carlos.
IV- Embora cirurgias como a tireoplastia tipo I promovam melhorias, o acompanhamento fonoaudiológico antes e depois da
intervenção é considerado essencial para a eficácia do tratamento e para a recuperação de Carlos.
O estudo de Silva et al. (2021) correlaciona a oferta do trabalho do fonoaudiólogo no Sistema Ùnico de Saúde (SUS) com a melhora
dos indicadores sociais nas últimas décadas e a reflexão desse cenário foi levantada a partir do caso de Maria, uma criança de 6 anos
residente em um município do Norte do Brasil, a qual apresenta dificuldades persistentes de articulação da fala e atraso no
desenvolvimento da linguagem. Após avaliação na Unidade Básica de Saúde (UBS), a equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF)
indica a necessidade de acompanhamento fonoaudiológico. No entanto, a UBS informa que não há fonoaudiólogo disponível no
território, sendo necessário encaminhamento para outro município, distante 120 km. Esse cenário se repete em outras localidades da
região, afetando o acesso de crianças, idosos e adultos com diferentes necessidades de reabilitação fonoaudiológica. Diante disso, a
população resolveu se mobilizar para elaborar um pedido formal de providências, destacando a necessidade das pessoas com diversas
dificuldades que estão deixando de ser atendidas pela ausência de profissionais na localidade.
Fonte: SILVA, R.P.M.; NASCIMENTO, C.M.B.; MIRANDA, G.M.D.; SILVAV.L.; LIMA, M.L.L.T.; VILELA, M.B.R.. Evolução da oferta de fonoaudiólogos no
SUS: um estudo sobre a correlação com os indicadores sociais no Brasil na última década.CoDAS, São Paulo, v. 33, n. 2, e20190243, 2021.
Considerando a situação descrita e os princípios organizativos do Sistema Único de Saúde (SUS) para solicitar o apoio do município,
assinale a alternativa CORRETA que representa um argumento sobre a atuação do fonoaudiólogo.
Em um hospital de um município do interior do Brasil, havia um paciente idoso com dificuldades de deglutição e a família sentiu
dificuldade de compreender por que uma fonoaudióloga foi chamada, já que eles associavam a Fonoaudiologia exclusivamente ao
tratamento de Gagueira e Atraso de Linguagem. Ao ser informada do questionamento, a equipe chegou a um estudo, o qual demonstrou
um aumento de 35% nos atendimentos fonoaudiológicos nos últimos dois anos, especialmente voltados às funções orofaciais. Este
aumento foi atribuído à prevalência de disfagia, dificuldades de mastigação, alterações de fala e padrões respiratórios inadequados em
pacientes com condições neurológicas e uso prolongado de próteses mal adaptadas (PEREIRA, et. al, 2024).
Fonte: PEREIRA, A.S.M.; GATTI, M.; RIBEIRO, V.V.; TAVEIRA, K.V.M.; BERRETIN-FELIX, G.. Intervenções da Fonoaudiologia nas áreas de respiração,
mastigação, deglutição e fala: uma revisão de escopo.CoDAS, São Paulo, v. 36, n. 2, e20220339, 2024.
Considerando a atuação do fonoaudiólogo nas funções orofaciais, assinale a alternativa CORRETA para levar clareza à família com
relação destas funções da fala.
João é um menino de 5 anos, encaminhado para avaliação fonoaudiológica pela sua professora da educação infantil e pelos seus pais.
Eles relatam preocupações com o desenvolvimento da linguagem oral do menino desde os primeiros anos, pois João demorou a
começar a falar as primeiras palavras (por volta dos 2 anos e meio) e, mesmo agora, seu vocabulário é considerado limitado para a
idade. Ele frequentemente usa gestos para se comunicar e tem dificuldade em construir frases mais complexas. Na avaliação
fonoaudiológica, a discrepância entre o desenvolvimento da linguagem e outras áreas (como a inteligência não verbal) e a ausência de
outras condições que justifiquem o quadro apontou para a hipótese diagnóstica inicial de Transtorno do Desenvolvimento da
Linguagem (TDL), o qual, de acordo com Cáceres-Assenço et al. (2020) é caracterizado por dificuldades significativas e persistentes
de comunicação em crianças.
Fonte: CÁCERES-ASSENÇO, A. M.; GIUSTI, E.; GÂNDARA, J. P.; PUGLISI, M. L.; TAKIUCHI, Why we need to talk about developmental language disorder.
Audiology. Communication Research, v. 25, e2342, 2020.
Considerando a evolução do conhecimento científico e as discussões recentes na área sobre o TDL, analise as assertivas a seguir:
I- O atraso no início da fala de João, bem como o vocabulário limitado para a idade, o uso frequente de gestos e a dificuldade em
construir frases mais complexas, são características consideradas compatíveis com quadros de Transtorno do Desenvolvimento
da Linguagem.
PORQUE
II- O transtorno indicado no diagnóstico de João, é caracterizado por dificuldades significativas de linguagem sem outras condições
clínicas que justificam o quadro, baseando-se na exclusão diagnóstica.
A respeito dessas asserções, assinale a opção CORRETA:
Um estudo de Fattore, et al. (2002) investigou detalhadamente a aquisição da linguagem em crianças brasileiras no segundo ano de
vida, com o objetivo de desenvolver e validar instrumentos para a identificação precoce de possíveis transtornos no desenvolvimento
comunicativo. Esses dados foram lembrados pelo Fonoaudiólogo que recebeu Jacira, mãe de 5 filhos e que chegou ao atendimento
queixando-se de que seu 4º filho, de 1 ano e 8 meses, não tem qualquer interação com a família e se comunica apenas por meio do choro,
havendo uma piora significativa após o nascimento da irmã caçula, hoje com 3 meses. Com uma rotina sobrecarregada, essa mãe
buscou uma orientação para saber se é verdade que cada criança tem seu tempo de desenvolver a linguagem.
Fonte: Fattore, I. de M.; Moraes, A.B.; Crestani, A.H.; Souza, A.M.; Souza, A.P.R. Validação de conteúdo e de construto de sinais enunciativos de aquisição da
linguagem no segundo ano de vida. CoDAS, 34(2), 2022.
Considerando a relevância da compreensão desse processo de desenvolvimento, analise as proposições a seguir sobre os sinais
enunciativos para crianças entre 13 e 24 meses e assinale a alternativa que responde de forma CORRETA a dúvida dessa mãe.
Em um município da região sudeste, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2023
indicam que 12,7% das crianças entre 6 e 14 anos apresentam dificuldades severas de aprendizagem, com histórico de atrasos escolares
associados a fatores linguísticos, cognitivos e ambientais. A Secretaria Municipal de Educação e Saúde, em ação intersetorial,
implantou um programa piloto de atuação fonoaudiológica nas escolas públicas, com enfoque na promoção da saúde e apoio às equipes
pedagógicas, especialmente nos processos de alfabetização e inclusão.
Considerando as diretrizes e possibilidades de atuação do fonoaudiólogo na interface entre Saúde e Educação, assinale a alternativa
CORRETA.
No Brasil, o aleitamento materno (AM) é reconhecido como a prática alimentar mais adequada para os bebês, sendo recomendado pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) de forma exclusiva até os seis meses e de forma complementar até os dois anos ou mais. Apesar
das políticas públicas, como a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC), a taxa de AM ainda não alcança os parâmetros esperados.
A atuação do fonoaudiólogo em ambientes hospitalares, especialmente com recém-nascidos de risco, é parte fundamental da
promoção e sustentação do AM.
Com base nesse contexto e no conhecimento técnico-científico sobre aleitamento materno e fonoaudiologia, analise as afirmativas
abaixo:
I- A atuação do fonoaudiólogo em AM limita-se às situações de risco clínico grave em UTIs neonatais, sendo pouco relevante no
atendimento a bebês saudáveis ou em ambiente domiciliar.
II- O aleitamento materno oferece o melhor alimento para o bebê, uma prática que oferece os nutrientes necessários e também
protege contra doenças, enquanto que a má nutrição nos estágios iniciais da vida pode levar a danos significativos ao crescimento
físico e ao desenvolvimento cerebral.
III- A prática fonoaudiológica no AM é essencial para o trabalho em equipe multiprofissional e inclui tanto aspectos fisiológicos
quanto culturais da amamentação.
IV- O aleitamento materno é uma prática puramente biológica, determinada exclusivamente por fatores anatômicos e reflexos do
bebê, sendo pouco influenciada por elementos socioculturais.
Em um hospital de referência em doenças infectocontagiosas no Estado de Alagoas, a equipe de Terapia Intensiva recebeu Antônio de
43 anos, diagnosticado com tuberculose em estado avançado. O paciente encontra-se traqueostomizado e com sinais clínicos de
disfagia. A equipe multiprofissional, seguindo diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH), conta com atuação ativa do
fonoaudiólogo e de acordo com Silva et al. (2016), no Brasil, embora a presença da fonoaudiologia em UTIs seja relativamente
recente, essa atuação tem se mostrado essencial, sobretudo em casos de desordens neurológicas, infecciosas e após intubação
prolongada.
Fonte: SILVA, D.L.R.; LIRA, F.O.Q.; OLIVEIRA, J.C.C.; CANUTO, M.S.B.. Atuação da fonoaudiologia em unidade de terapia intensiva de um hospital de doenças
infecciosas de Alagoas. CEFAC, São Paulo, v. 18, n. 1, p. 174-183, jan./fev. 2016
Com base na atuação fonoaudiológica hospitalar, visando oferecer segurança e eficiência no tratamento deste paciente, assinale a
alternativa CORRETA.