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Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade, publicado no livro Alguma Poesia, para responder às questões de números 75 a 78.
Balada do Amor através das Idades
Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana,
troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos.
Virei soldado romano,
perseguidor de cristãos.
Na porta da catacumba
encontrei-te novamente.
Mas quando vi você nua
caída na areia do circo
e o leão que vinha vindo,
dei um pulo desesperado
e o leão comeu nós dois.
Depois fui pirata mouro,
flagelo da Tripolitânia.
Toquei fogo na fragata
onde você se escondia
da fúria de meu bergantim.
Mas quando ia te pegar
e te fazer minha escrava,
você fez o sinal-da-cruz
e rasgou o peito a punhal...
Me suicidei também.
Depois (tempos mais amenos)
fui cortesão de Versailles,
espirituoso e devasso.
Você cismou de ser freira...
Pulei muro de convento
mas complicações políticas
nos levaram à guilhotina.
Hoje sou moço moderno,
remo, pulo, danço, boxo,
tenho dinheiro no banco.
Você é uma loura notável,
boxa, dança, pula, rema.
Seu pai é que não faz gosto.
Mas depois de mil peripécias,
eu, herói da Paramount*,
te abraço, beijo e casamos.
*Importante estúdio de cinema
(Carlos Drummond de Andrade. Alguma Poesia.
Rio de Janeiro: Record, 2007)
Assinale a afirmação correta sobre a construção estética do poema.
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Leia o texto para responder às questões de números 44 a 55.
A seca
De repente, uma variante trágica.
Aproxima-se a seca.
O sertanejo adivinha-a e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o flagelo.
Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo candente que irradia do Ceará.
Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o homem, às calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra.
Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à sua vida tormentosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a, estoico. Apesar das dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, alimenta a todo o transe esperanças de uma resistência impossível.
Com os escassos recursos das próprias observações e das dos seus maiores, em que ensinamentos práticos se misturam a extravagantes crendices, tem procurado estudar o mal, para o conhecer, suportar e suplantar. Aparelha-se com singular serenidade para a luta. Dois ou três meses antes do solstício de verão, especa e fortalece os muros dos açudes, ou limpa as cacimbas. Faz os roçados e arregoa as estreitas faixas de solo arável à orla dos ribeirões. Está preparado para as plantações ligeiras à vinda das primeiras chuvas.
Procura em seguida desvendar o futuro. Volve o olhar para as alturas; atenta longamente nos quadrantes; e perquire os traços mais fugitivos das paisagens...
Os sintomas do flagelo despontam-lhe, então, encadeados em série, sucedendo-se inflexíveis, como sinais comemorativos de uma moléstia cíclica, da sezão assombradora da Terra. Passam as “chuvas do caju” em outubro, rápidas, em chuvisqueiros prestes delidos nos ares ardentes, sem deixarem traços; e pintam as caatingas, aqui, ali, por toda a parte, mosqueadas de tufos pardos de árvores marcescentes, cada vez mais numerosos e maiores, lembrando cinzeiros de uma combustão abafada, sem chamas; e greta-se o chão; e abaixa-se vagarosamente o nível das cacimbas... Do mesmo passo nota que os dias, estuando logo ao alvorecer, transcorrem abrasantes, à medida que as noites se vão tornando cada vez mais frias. A atmosfera absorve-lhe, com avidez de esponja, o suor na fronte, enquanto a armadura de couro, sem mais a flexibilidade primitiva, se lhe endurece aos ombros, esturrada, rígida, feito uma couraça de bronze. E ao descer das tardes, dia a dia menores e sem crepúsculos, considera, entristecido, nos ares, em bandos, as primeiras aves emigrantes, transvoando a outros climas...
É o prelúdio da sua desgraça.
(Euclides da Cunha, Os Sertões. Em: Massaud Moisés, A literatura brasileira através dos tempos, 2004.)
Do ponto de vista da literatura, é correto afirmar que o texto trata de
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Leia o soneto de Cláudio Manuel da Costa para responder às questões de números 32 a 35.
Se sou pobre pastor, se não governo
Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;
Se em frio, calma, e chuvas inclementes
Passo o verão, outono, estio, inverno;
Nem por isso trocara o abrigo terno
Desta choça, em que vivo, coas enchentes
Dessa grande fortuna: assaz presentes
Tenho as paixões desse tormento eterno.
Adorar as traições, amar o engano,
Ouvir dos lastimosos o gemido,
Passar aflito o dia, o mês, e o ano;
Seja embora prazer; que a meu ouvido
Soa melhor a voz do desengano,
Que da torpe lisonja o infame ruído.
(Biblioteca Virtual de Literatura. Em: www.biblio.com.br)
A característica árcade que norteia o estabelecimento de sentidos no poema é:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFAL
Orgão: UNCISAL
Eu cantarei de amor tão docemente,
por uns termos em si tão concertados,
que dois mil acidentes namorados
faça sentir ao peito que não sente.
Farei que Amor a todos avivente,
pintando mil segredos delicados,
brandas iras, suspiros magoados,
temerosa ousadia e pena ausente.
Também, Senhora, do desprezo honesto
de vossa vista branda e rigorosa,
contentar-me-ei dizendo a maior parte.
Porém, para cantar de vosso gesto
a composição alta e milagrosa
aqui falta saber, engenho e arte.
Com base na estrutura métrica do poema, trata-se de
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUNIVERSA
Orgão: IFB
Texto V, para responder à questão.
Caramuru
Canto VI
I
Descansava
no
seio
então
Diogo,
Extinta
a
guerra,
de
uma
paz
dourada,
E
o
pavor
do
sulfúreo
horrível
fogo
Trazia
a
gente
bárbara
assombrada.
As
remotas
nações
concorrem
logo,
Desde
a
interna
região
mais
apartada,
E,
tendo-o
do
trovão
por
viva
imagem,
Vinha
todo
o
sertão
dar-lhe
homenagem.
[...]
II
Muitos
deles,
dos
povos
subjugados,
Que
o
efeito
viram
da
terrível
chama,
Outros
vinham
somente
convocados
Das
heroicas
ações,
que
conta
a
fama;
Trazem
plumas
e
bálsamos
prezados,
E
outra
rude
opulência,
que
o
povo
ama,
E
com
os
dons
da
americana
Céres
Oferecem-lhe
as
filhas
por
mulheres.
[...]
III
Era
antigo
dos
bárbaros
costume,
Quando
algum
capitão
foi
bravo
em
guerra,
Ou
se
julgavam
que
o
regia
um
nume,
Emparentá-lo
aos
principais
da
terra;
Qualquer
que
de
nobreza
então
presume
Do
grão-Caramuru
que
tudo
aterra,
Procura,
como
nobre
preminência,
Ter
na
sua
prosápia
a
descendência.
[...]
V
Muitas
outras
donzelas
brasilianas
A
mão
do
claro
Diogo
pretendiam,
Ou
por
prendas,
que
notam
soberanas,
Ou
por
grandes
ações,
que
dele
ouviam:
A
todas
ele
deu
mostras
humanas
Sem
a
fé
lhe
obrigar
que
pretendiam;
Mas,
por
não
ofender
as
brutas
gentes;
Trata
os
pais
e
os
irmãos
como
parentes.
VI
Paraguaçu,
porém,
com
fé
de
esposo
Parecia
estimar
distintamente,
Mostrando-lhe
no
afeto
carinhoso
A
sincera
afeição
que
n’alma
sente:
Amava
nela
o
peito
valoroso,
E
o
gênio
dócil,
com
que
à
fé
consente;
Amor
que
ocasionou,
como
é
costume,
Em
algumas
inveja
e
noutras
ciúme.
Santa Rita Durão. Canto VI. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>.
O
texto
registra
aspectos
do
autor
Santa
Rita
Durão,
representante
do
arcadismo
brasileiro.
Acerca
desse
assunto,
assinale
a
alternativa
correta.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Uberlândia-MG
“Estilo de época é a denominação dada ao conjunto de traços e normas que orientam e caracterizam a produção artística de um determinado momento histórico.” Considerando as particularidades e os autores de cada estilo, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Enquanto o Realismo faz descrições e adjetivação objetivas tentando captar o real, o Romantismo, tentando elevar o objeto descrito, faz descrições e adjetivações idealizantes.
( ) A poesia parnasiana incorporou o espírito da “arte pela arte”, ou seja, para os poetas deste estilo de época, a poesia deveria ser composta como um fim em si mesma.
( ) A trajetória de Drummond revela que ele não explorou em seus poemas a estética da repetição e a metalinguagem como os demais poetas modernistas.
( ) Dentre as principais características literárias observadas nas obras da primeira fase do Modernismo, destacam-se a volta ao passado.
A sequência está correta em
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Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor e engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:
I. Trata-se de música ontológica de Chico Buarque.
II. O jogo fônico leva a música a um contexto de significações que o torna panfletário.
III. A motivação principal da música é o contexto da lutapela liberdade religiosa.
Assinale
Provas
Assinale a associação INCORRETA entre autor e movimento literário no Brasil.
Provas
A respeito da obra de Fernando Pessoa e seus heterônimos, analise as afirmativas a seguir:
I. Ricardo Reis: busca a expressão do mundo moderno.
II. Alberto Caeiro: obtenção do conhecimento por meio da sensação.
III. Álvaro de Campos: consciência da passagem do tempo e inevitabilidade da morte.
Assinale
Provas
Graciliano Ramos constitui um dos expoentes do modernismo de segunda fase no Brasil. Em uma de suas obras, o personagem central sofre um processo de reificação. Em sua estrutura, narrativa e narrado se sobrepõem. Trata-se de
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