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274654 Ano: 2013
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP

Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade, publicado no livro Alguma Poesia, para responder às questões de números 75 a 78.


Balada do Amor através das Idades


Eu te gosto, você me gosta

desde tempos imemoriais.

Eu era grego, você troiana,

troiana mas não Helena.

Saí do cavalo de pau

para matar seu irmão.

Matei, brigamos, morremos.


Virei soldado romano,

perseguidor de cristãos.

Na porta da catacumba

encontrei-te novamente.

Mas quando vi você nua

caída na areia do circo

e o leão que vinha vindo,

dei um pulo desesperado

e o leão comeu nós dois.


Depois fui pirata mouro,

flagelo da Tripolitânia.

Toquei fogo na fragata

onde você se escondia

da fúria de meu bergantim.

Mas quando ia te pegar

e te fazer minha escrava,

você fez o sinal-da-cruz

e rasgou o peito a punhal...

Me suicidei também.


Depois (tempos mais amenos)

fui cortesão de Versailles,

espirituoso e devasso.

Você cismou de ser freira...

Pulei muro de convento

mas complicações políticas

nos levaram à guilhotina.


Hoje sou moço moderno,

remo, pulo, danço, boxo,

tenho dinheiro no banco.

Você é uma loura notável,

boxa, dança, pula, rema.

Seu pai é que não faz gosto.

Mas depois de mil peripécias,

eu, herói da Paramount*,

te abraço, beijo e casamos.


*Importante estúdio de cinema


(Carlos Drummond de Andrade. Alguma Poesia.

Rio de Janeiro: Record, 2007)

Assinale a afirmação correta sobre a construção estética do poema.

 

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274548 Ano: 2013
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia o texto para responder às questões de números 44 a 55.


A seca


De repente, uma variante trágica.

Aproxima-se a seca.

O sertanejo adivinha-a e prefixa-a graças ao ritmo singular com que se desencadeia o flagelo.

Entretanto não foge logo, abandonando a terra a pouco e pouco invadida pelo limbo candente que irradia do Ceará.

Buckle, em página notável, assinala a anomalia de se não afeiçoar nunca, o homem, às calamidades naturais que o rodeiam. Nenhum povo tem mais pavor aos terremotos que o peruano; e no Peru as crianças ao nascerem têm o berço embalado pelas vibrações da terra.

Mas o nosso sertanejo faz exceção à regra. A seca não o apavora. É um complemento à sua vida tormentosa, emoldurando-a em cenários tremendos. Enfrenta-a, estoico. Apesar das dolorosas tradições que conhece através de um sem-número de terríveis episódios, alimenta a todo o transe esperanças de uma resistência impossível.

Com os escassos recursos das próprias observações e das dos seus maiores, em que ensinamentos práticos se misturam a extravagantes crendices, tem procurado estudar o mal, para o conhecer, suportar e suplantar. Aparelha-se com singular serenidade para a luta. Dois ou três meses antes do solstício de verão, especa e fortalece os muros dos açudes, ou limpa as cacimbas. Faz os roçados e arregoa as estreitas faixas de solo arável à orla dos ribeirões. Está preparado para as plantações ligeiras à vinda das primeiras chuvas.

Procura em seguida desvendar o futuro. Volve o olhar para as alturas; atenta longamente nos quadrantes; e perquire os traços mais fugitivos das paisagens...

Os sintomas do flagelo despontam-lhe, então, encadeados em série, sucedendo-se inflexíveis, como sinais comemorativos de uma moléstia cíclica, da sezão assombradora da Terra. Passam as “chuvas do caju” em outubro, rápidas, em chuvisqueiros prestes delidos nos ares ardentes, sem deixarem traços; e pintam as caatingas, aqui, ali, por toda a parte, mosqueadas de tufos pardos de árvores marcescentes, cada vez mais numerosos e maiores, lembrando cinzeiros de uma combustão abafada, sem chamas; e greta-se o chão; e abaixa-se vagarosamente o nível das cacimbas... Do mesmo passo nota que os dias, estuando logo ao alvorecer, transcorrem abrasantes, à medida que as noites se vão tornando cada vez mais frias. A atmosfera absorve-lhe, com avidez de esponja, o suor na fronte, enquanto a armadura de couro, sem mais a flexibilidade primitiva, se lhe endurece aos ombros, esturrada, rígida, feito uma couraça de bronze. E ao descer das tardes, dia a dia menores e sem crepúsculos, considera, entristecido, nos ares, em bandos, as primeiras aves emigrantes, transvoando a outros climas...

É o prelúdio da sua desgraça.

(Euclides da Cunha, Os Sertões. Em: Massaud Moisés, A literatura brasileira através dos tempos, 2004.)

Do ponto de vista da literatura, é correto afirmar que o texto trata de

 

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274529 Ano: 2013
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
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Leia o soneto de Cláudio Manuel da Costa para responder às questões de números 32 a 35.



Se sou pobre pastor, se não governo

Reinos, nações, províncias, mundo, e gentes;

Se em frio, calma, e chuvas inclementes

Passo o verão, outono, estio, inverno;

Nem por isso trocara o abrigo terno

Desta choça, em que vivo, coas enchentes

Dessa grande fortuna: assaz presentes

Tenho as paixões desse tormento eterno.

Adorar as traições, amar o engano,

Ouvir dos lastimosos o gemido,

Passar aflito o dia, o mês, e o ano;

Seja embora prazer; que a meu ouvido

Soa melhor a voz do desengano,

Que da torpe lisonja o infame ruído.

(Biblioteca Virtual de Literatura. Em: www.biblio.com.br)

A característica árcade que norteia o estabelecimento de sentidos no poema é:

 

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1487820 Ano: 2013
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFAL
Orgão: UNCISAL
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Eu cantarei de amor tão docemente,

por uns termos em si tão concertados,

que dois mil acidentes namorados

faça sentir ao peito que não sente.

Farei que Amor a todos avivente,

pintando mil segredos delicados,

brandas iras, suspiros magoados,

temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto

de vossa vista branda e rigorosa,

contentar-me-ei dizendo a maior parte.

Porém, para cantar de vosso gesto

a composição alta e milagrosa

aqui falta saber, engenho e arte.

Com base na estrutura métrica do poema, trata-se de

Questão Anulada e Desatualizada

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3289621 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUNIVERSA
Orgão: IFB

Texto V, para responder à questão.

Caramuru

Canto VI

I
Descansava no seio então Diogo,
Extinta a guerra, de uma paz dourada,
E o pavor do sulfúreo horrível fogo
Trazia a gente bárbara assombrada.
As remotas nações concorrem logo,
Desde a interna região mais apartada,
E, tendo-o do trovão por viva imagem,
Vinha todo o sertão dar-lhe homenagem. [...]

II
Muitos deles, dos povos subjugados,
Que o efeito viram da terrível chama,
Outros vinham somente convocados
Das heroicas ações, que conta a fama;
Trazem plumas e bálsamos prezados,
E outra rude opulência, que o povo ama,
E com os dons da americana Céres
Oferecem-lhe as filhas por mulheres. [...]

III
Era antigo dos bárbaros costume,
Quando algum capitão foi bravo em guerra,
Ou se julgavam que o regia um nume,
Emparentá-lo aos principais da terra;
Qualquer que de nobreza então presume
Do grão-Caramuru que tudo aterra,
Procura, como nobre preminência,
Ter na sua prosápia a descendência.
[...]

V
Muitas outras donzelas brasilianas
A mão do claro Diogo pretendiam,
Ou por prendas, que notam soberanas,
Ou por grandes ações, que dele ouviam:
A todas ele deu mostras humanas
Sem a fé lhe obrigar que pretendiam;
Mas, por não ofender as brutas gentes;
Trata os pais e os irmãos como parentes.

VI
Paraguaçu, porém, com fé de esposo
Parecia estimar distintamente,
Mostrando-lhe no afeto carinhoso
A sincera afeição que n’alma sente:
Amava nela o peito valoroso,
E o gênio dócil, com que à fé consente;
Amor que ocasionou, como é costume,
Em algumas inveja e noutras ciúme.

Santa Rita Durão. Canto VI. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>.

O texto registra aspectos do autor Santa Rita Durão, representante do arcadismo brasileiro. Acerca desse assunto, assinale a alternativa correta.

 

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2676637 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Uberlândia-MG

“Estilo de época é a denominação dada ao conjunto de traços e normas que orientam e caracterizam a produção artística de um determinado momento histórico.” Considerando as particularidades e os autores de cada estilo, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Enquanto o Realismo faz descrições e adjetivação objetivas tentando captar o real, o Romantismo, tentando elevar o objeto descrito, faz descrições e adjetivações idealizantes.

( ) A poesia parnasiana incorporou o espírito da “arte pela arte”, ou seja, para os poetas deste estilo de época, a poesia deveria ser composta como um fim em si mesma.

( ) A trajetória de Drummond revela que ele não explorou em seus poemas a estética da repetição e a metalinguagem como os demais poetas modernistas.

( ) Dentre as principais características literárias observadas nas obras da primeira fase do Modernismo, destacam-se a volta ao passado.

A sequência está correta em

 

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2447763 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FGV
Orgão: Senado

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor e engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta

A respeito do trecho acima, analise as afirmativas a seguir:

I. Trata-se de música ontológica de Chico Buarque.

II. O jogo fônico leva a música a um contexto de significações que o torna panfletário.

III. A motivação principal da música é o contexto da lutapela liberdade religiosa.

Assinale

 

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2447762 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FGV
Orgão: Senado

Assinale a associação INCORRETA entre autor e movimento literário no Brasil.

 

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Questão presente nas seguintes provas
2447759 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FGV
Orgão: Senado

A respeito da obra de Fernando Pessoa e seus heterônimos, analise as afirmativas a seguir:

I. Ricardo Reis: busca a expressão do mundo moderno.

II. Alberto Caeiro: obtenção do conhecimento por meio da sensação.

III. Álvaro de Campos: consciência da passagem do tempo e inevitabilidade da morte.

Assinale

 

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Questão presente nas seguintes provas
2447758 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FGV
Orgão: Senado

Graciliano Ramos constitui um dos expoentes do modernismo de segunda fase no Brasil. Em uma de suas obras, o personagem central sofre um processo de reificação. Em sua estrutura, narrativa e narrado se sobrepõem. Trata-se de

 

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