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1343066 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUVEST
Orgão: USP
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V – O samba
À direita do terreiro, adumbra-se* na escuridão um maciço de construções, ao qual às vezes recortam no azul do céu os trêmulos vislumbres das labaredas fustigadas pelo vento.
(...)
É aí o quartel ou quadrado da fazenda, nome que tem um grande pátio cercado de senzalas, às vezes com alpendrada corrida em volta, e um ou dois portões que o fecham como praça d’armas.
Em torno da fogueira, já esbarrondada pelo chão, que ela cobriu de brasido e cinzas, dançam os pretos o samba com um frenesi que toca o delírio. Não se descreve, nem se imagina esse desesperado saracoteio, no qual todo o corpo estremece, pula, sacode, gira, bamboleia, como se quisesse desgrudarse.
Tudo salta, até os crioulinhos que esperneiam no cangote das mães, ou se enrolam nas saias das raparigas. Os mais taludos viram cambalhotas e pincham à guisa de sapos em roda do terreiro. Um desses corta jaca no espinhaço do pai, negro fornido, que não sabendo mais como desconjuntar-se, atirou consigo ao chão e começou de rabanar como um peixe em seco. (...)
José de Alencar, Til.
(*) “adumbra-se” = delineia-se, esboça-se.
Ao comentar o romance Til e, inclusive, a cena do capítulo “O samba”, aqui reproduzida, Araripe Jr., parente do autor e estudioso de sua obra, observou que esses são provavelmente os textos em que Alencar “mais se quis aproximar dos padrões” de uma “nova escola”, deixando, neles, reconhecível que, “no momento” em que os escreveu, “algum livro novo o impressionara, levando-o pelo estímulo até superfetar* a sua verdadeira índole de poeta”. Alguns dos procedimentos estilísticos empregados na cena aqui reproduzida indicam que a “nova escola” e o “livro novo” a que se refere o crítico pertencem ao que historiadores da literatura chamaram de
(*) “superfetar” = exceder, sobrecarregar, acrescentar-se (uma coisa a outra).
 

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1342476 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FUVEST
Orgão: USP
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Morro da Babilônia
À noite, do morro
descem vozes que criam o terror
(terror urbano, cinquenta por cento de cinema,
e o resto que veio de Luanda ou se perdeu na língua
[geral).
Quando houve revolução, os soldados se espalharam
[no morro,
o quartel pegou fogo, eles não voltaram.
Alguns, chumbados, morreram.
O morro ficou mais encantado.
Mas as vozes do morro
não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
que domina os ruídos da pedra e da folhagem
e desce até nós, modesto e recreativo,
como uma gentileza do morro.
Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo.
Leia as seguintes afirmações sobre o poema de Drummond, considerado no contexto do livro a que pertence:
I. No conjunto formado pelos poemas do livro, a referência ao Morro da Babilônia — feita no título do texto — mais as menções ao Leblon e ao Méier, a Copacabana, a São Cristóvão e ao Mangue, — presentes em outros poemas —, sendo todas, ao mesmo tempo, espaciais e de classe, constituem uma espécie de discreta topografia social do Rio de Janeiro.
II. Nesse poema, assim como ocorre em outros textos do livro, a atenção à vida presente abre-se também para a dimensão do passado, seja ele dado no registro da história ou da memória.
III. A menção ao “cavaquinho bem afinado”, ao cabo do poema, revela ter sido nesse livro que o poeta finalmente assumiu as canções da música popular brasileira como o modelo definitivo de sua lírica, superando, assim, seu antigo vínculo com a poesia de matriz culta ou erudita.
Está correto o que se afirma em
 

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Era uma vez
Um rei leão que não era rei.
Um pato que não fazia quá-quá.
Um cão que não latia.
Um peixe que não nadava.
Um pássaro que não voava.
Um tigre que não comia.
Um gato que não miava.
Um homem que não pensava...
E, enfim, era uma natureza sem nada.
Acabada.
Depredada.
Pelo homem que não pensava.
Laura Araújo Cunha CUNHA,
L. A. In: KOCH, I. V.; ELIAS, V. M. Ler e escrever: estratégias de produção textual. São Paulo: Contexto, 2011.
São as relações entre os elementos e as partes do texto que promovem o desenvolvimento das ideias. No poema, a estratégia linguística que contribui para esse desenvolvimento, estabelecendo a continuidade do texto, é a
 

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TEXTO I
A canção do africano
Lá na úmida senzala,
Sentado na estreita sala,
Junto ao braseiro, no chão,
entoa o escravo o seu canto,
E ao cantar correm-lhe em pranto
Saudades do seu torrão...
De um lado, uma negra escrava
Os olhos no filho crava,
Que tem no colo a embalar...
E à meia-voz lá responde
Ao canto, e o filhinho esconde,
Talvez p’ra não o escutar!
“Minha terra é lá bem longe,
Das bandas de onde o sol vem;
Esta terra é mais bonita,
Mas à outra eu quero bem.”
ALVES, C. Poesias completas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995 (fragmento)
TEXTO II
No caso da Literatura Brasileira, se é verdade que prevalecem as reformas radicais, elas têm acontecido mais no âmbito de movimentos literários do que de gerações literárias. A poesia de Castro Alves em relação à de Gonçalves Dias não é a de negação radical, mas de superação, dentro do mesmo espírito romântico.
MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003 (fragmento).
O fragmento do poema de Castro Alves exemplifica a afirmação de João Cabral de Melo Neto porque
 

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1341386 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFAL
Orgão: UNCISAL
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A expressão geração de 45 é usada para designar um grupo de poetas que rejeitaram os “excessos” modernistas – o poema- piada, o desleixo formal, as brincadeiras poéticas – e resolveram fazer uma poesia com maior rigor formal, revalorizando o cuidado com a linguagem e propondo uma expressão poética mais disciplinada.
Dos movimentos poéticos surgidos no Pós- Modernismo, um deles provocou intensa polêmica – o Concretismo. [...] Decretando o fim do verso e abolindo a sintaxe tradicional, os concretistas procuraram elaborar novas formas de comunicação poética, mais ligadas ao visual e à sonoridade das palavras [...].
Mas nem tudo foi experimentação nesse período. Houve também poetas que se preocuparam em criar uma forma de expressão mais comunicativa, retomando a linguagem discursiva, num estilo simples e direto, para tratar do cotidiano do homem brasileiro e das injustiças sociais (Leila Lauar Sarmento e Douglas Tufano, em Português – Literatura – Gramática e Redação).
Dados os versos abaixo,
I. “O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada em arquivos” (Ferreira Gullar)
II. “Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
um pouco de sombra, apenas,
– vê que nem te peço ilusão” (Cecília Meireles)
III. “Distante do meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento” (Vinícius de Moraes)
IV.“Operário do canto, me apresento
sem marca ou cicatriz, limpas as mãos,
minha alma limpa, a face descoberta,
aberto o peito, e – expresso o documento –
a palavra conforme o pensamento” (Geir Campos)
verifica-se que são exemplos dessa poesia, denominada poesia social, os versos do(s) item(ns)
 

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1341263 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFAL
Orgão: UNCISAL
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Quando a televisão ainda não existia, as novelas já apaixonavam o grande público através do rádio. E se voltarmos um pouco no tempo até mais ou menos o século XIX, vamos encontrá-las, também, sempre no auge da preferência popular. Para o público desse século, que obviamente não tinha rádio nem televisão, era por intermédio da palavra escrita que contavam histórias. Os jornais da época incluíam (numa seção diária) o “folhetim”, onde se apresentavam histórias fictícias, seguidas pelos leitores com o mesmo interesse dado atualmente pelos telespectadores às novelas preferidas. Com o tempo, o termo “folhetim” passou a designar estas mesmas histórias que, depois, vieram a ser chamadas de “romances” [...]. [...] são muitas as semelhanças entre o folhetim e o romance do início do século XIX e boa parte das telenovelas: em ambos encontramos rapazes elegantes e esforçados; jovens belas e solitárias; homens e mulheres cruéis que querem impedir a união das personagens centrais; figuras simpáticas que auxiliam o mocinho e a mocinha; tudo isso temperado com emoção, aventura e mistério, até que cheguemos a um final (geralmente) feliz (Carlos Faraco e outros, em Literatura: autores e época).
Contextualizando no século XIX e com as características mencionadas no texto acima, qual a única opção que apresenta um romance e o movimento literário descritos, respectivamente?
A Moreninha – Romantismo.
Ressurreição – Realismo.
Triste fim de Policarpo Quaresma – Pré- Modernismo.
 

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1341100 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFAL
Orgão: UNCISAL
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José de Alencar e Gonçalves Dias são os dois principais autores do indianismo romântico brasileiro, situado cronologicamente no século XIX. Dadas as proposições seguintes,
I. José de Alencar se consagra como o primeiro grande romancista brasileiro. Em suas obras indianistas, entre as quais merecem destaque O Guarani e Senhora, predominam a idealização do índio e a valorização da relação amorosa.
II. Gonçalves Dias elabora diversos poemas em que os índios são representados como fortes guerreiros, como ocorre em “Deprecação” e “O Canto do Piaga”, entre outros.
III. Alencar elaborou, em suas narrativas indianistas, uma imagem romântica do índio nas quais há uma associação entre os traços fisionômicos dessa personagem e elementos da fauna e da flora brasileiras, ambas celebradas como exemplos de perfeição e beleza.
IV. O maranhense Gonçalves Dias é um consagrado romancista, cuja obra principal é Juca Pirama; já o cearense José de Alencar se notabilizou por seus poemas narrativos de dimensões épicas, como Macunaíma, publicado em 1928.
verifica-se que está(ão) correta(s)
 

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1341091 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFAL
Orgão: UNCISAL
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Neste ano, comemoramos o centenário de nascimento do escritor Jorge Amado, cuja obra engloba:
 

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1341019 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFAL
Orgão: UNCISAL
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Reagindo contra a linguagem rebuscada e as preocupações religiosas do movimento anterior, surge no século XVIII um novo estilo poético [...]. Recriando em seus textos as paisagens campestres de outras épocas, com pastoras e pastores levando uma vida agradável e amorosa, os poetas cantam os prazeres da vida. [...] Rejeitaram a linguagem complexa e buscaram inspiração na Antiguidade (grega e romana). [...] Adotaram como lema o carpe diem, o locus amenus, o áurea mediocritas e o fugere urbem (Leila Lauar Sarmento e Douglas Tufano, em Português – Literatura – Gramática e Redação).
Com tais características estamos falando do movimento que, no Brasil, teve como principais representantes e
Assinale a opção que preenche correta e respectivamente as lacunas acima.
 

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1340994 Ano: 2012
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UFAL
Orgão: UNCISAL
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“A Renascença, fruto maduro da cultura urbana em alguns centros italianos desde o princípio do século XV, foi assumindo configurações especiais à medida que penetrava em nações ainda marcadas por uma poderosa presença do espírito medieval. No caso português e espanhol, os descobrimentos marítimos levaram ao ápice uma concepção triunfalista e messiânica da Coroa e da nobreza (rural e mercantil), concepção mais próxima de certos ideais césaro-papistas da alta Idade Média que da doutrina do príncipe burguês de Maquiavel. E durante todo o século XVI vincaram à cultura ibérica fortes traços arcaizantes que a Contra-Reforma, a Companhia de Jesus e o malogro de Alcácer-Quibir viriam carregar ainda mais [...] É de se esperar que os recursos dessa visão do mundo sejam, na poesia, as figuras: [...] sintáticas (elipse, inversão, anacoluto, silepse) e sobretudo semânticas (metáfora, metonímia, sinédoque, antítese, clímax...), enfim todos os processos que organizaram a linguagem comum em função de uma nova realidade: a obra, o texto, a composição”
(Alfredo Bosi, em História concisa da Literatura Brasileira).
Nesse período, com essas características aparecia no Brasil as primeiras manifestações do movimento denominado de , do qual são representantes .
Qual a opção que preenche corretamente as lacunas acima?
 

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