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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FCC
Orgão: Pref. São Paulo-SP
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: FCC
Orgão: Pref. São Paulo-SP
No vidro traseiro de um carro particular, circulando pela cidade, encontram-se os seguintes dizeres:
I. Eu, Júlia, amo meu marido, o Carlos, que ama Lucas, nosso filho, que ama Laís, irmãzinha dele. Essa é a história de uma família feliz.
Logo abaixo, na lataria, encontra-se o seguinte adesivo:
II.

III. Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
A aproximação entre a fala de Júlia (I) e o poema (III) evidencia a correção do seguinte comentário:
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Mancha
Na escada a mancha vermelha
que gerações sequentes em vão
tentam tirar.
Mancha em casamento com a madeira,
subiu da raiz ou foi o vento
que a imprimiu no tronco, selo do ar.
E virou mancha de sangue
de escravo torturado — por que antigo
dono da terra? Como apurar?
Lava que lava, raspa que raspa e raspa,
nunca há de sumir
este sangue embutido no degrau.
Carlos Drummond de Andrade. Mancha. In:
Carlos Drummond de Andrade – poesia e prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983, p. 561.
Julgue o item a seguir relativos ao poema Mancha, de Carlos Drummond de Andrade.
O poeta, assim como fizeram as gerações anteriores de escritores, procura, nesse poema, minimizar as ações que caracterizavam a sociedade brasileira escravocrata.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Agosto 1964
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques
viajo
num ônibus Estrada de Ferro – Leblon
Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções de juventude, adeus,
que a vida
eu a compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira.
Ferreira Gullar. Dentro da noite veloz. In: Toda
poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.
Depois de 21 anos de regime militar, o Brasil finalmente teria um presidente civil. O político mineiro Tancredo Neves vencera Paulo Maluf no Colégio Eleitoral e assumiria o poder no dia 15 de março de 1985. No entanto, um dia antes da posse, com fortes dores abdominais, ele teve que ser internado no Hospital de Base, em Brasília. Após sete cirurgias, Tancredo morreu em 21 de abril, deixando a nação em choque.
Douglas Attila Marcelino. A despedida de um mártir. In: Revista de
História da Biblioteca Nacional, março/2010, p. 58 (com adaptações).
Considerando o poema e o texto acima como referências iniciais e os aspectos marcantes da história da política brasileira da segunda metade do século XX, julgue o item a seguir.
Os elementos em que se baseia a força lírica do poema podem ser, corretamente, esquematizados da seguinte forma:

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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Agosto 1964
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques
viajo
num ônibus Estrada de Ferro – Leblon
Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções de juventude, adeus,
que a vida
eu a compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira.
Ferreira Gullar. Dentro da noite veloz. In: Toda
poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.
Depois de 21 anos de regime militar, o Brasil finalmente teria um presidente civil. O político mineiro Tancredo Neves vencera Paulo Maluf no Colégio Eleitoral e assumiria o poder no dia 15 de março de 1985. No entanto, um dia antes da posse, com fortes dores abdominais, ele teve que ser internado no Hospital de Base, em Brasília. Após sete cirurgias, Tancredo morreu em 21 de abril, deixando a nação em choque.
Douglas Attila Marcelino. A despedida de um mártir. In: Revista de
História da Biblioteca Nacional, março/2010, p. 58 (com adaptações).
Considerando o poema e o texto acima como referências iniciais e os aspectos marcantes da história da política brasileira da segunda metade do século XX, julgue o item a seguir.
Diante dos fatos que relata, o eu lírico do poema manifesta otimismo, que não o deixa abandonar os sonhos e a poesia.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Agosto 1964
Entre lojas de flores e de sapatos, bares,
mercados, butiques
viajo
num ônibus Estrada de Ferro – Leblon
Volto do trabalho, a noite em meio,
fatigado de mentiras.
O ônibus sacoleja. Adeus, Rimbaud,
relógio de lilases, concretismo,
neoconcretismo, ficções de juventude, adeus,
que a vida
eu a compro à vista aos donos do mundo.
Ao peso dos impostos, o verso sufoca,
a poesia agora responde a inquérito policial-militar.
Digo adeus à ilusão
mas não ao mundo. Mas não à vida,
meu reduto e meu reino.
Do salário injusto,
da punição injusta,
da humilhação, da tortura,
do terror,
retiramos algo e com ele construímos um artefato
um poema
uma bandeira.
Ferreira Gullar. Dentro da noite veloz. In: Toda
poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 2000.
Depois de 21 anos de regime militar, o Brasil finalmente teria um presidente civil. O político mineiro Tancredo Neves vencera Paulo Maluf no Colégio Eleitoral e assumiria o poder no dia 15 de março de 1985. No entanto, um dia antes da posse, com fortes dores abdominais, ele teve que ser internado no Hospital de Base, em Brasília. Após sete cirurgias, Tancredo morreu em 21 de abril, deixando a nação em choque.
Douglas Attila Marcelino. A despedida de um mártir. In: Revista de
História da Biblioteca Nacional, março/2010, p. 58 (com adaptações).
Considerando o poema e o texto acima como referências iniciais e os aspectos marcantes da história da política brasileira da segunda metade do século XX, julgue o item a seguir.
O tratamento lírico de evento histórico indica que o poema é representante de uma das tendências da literatura brasileira dos anos 1960 e 1970, o Neoconcretismo.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena! Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5.ª ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
Quando aqui aportaram os portugueses, há mais de 500 anos, falavam-se, no país, mais de mil línguas indígenas; tal profusão linguística constitui-se numa situação semelhante à que ocorre, hoje, nas Filipinas (com 160 línguas), na Índia (com 391 línguas) ou, ainda, na Indonésia (com 663 línguas).
Gilvan Müller de Oliveira. Brasileiro fala português:
monolinguismo e preconceito linguístico. In: Revista
Linguagem. Internet: <www.letras.ufscar.br> (com adaptações).
Com relação ao poema Erro de português, de Oswald de Andrade, ao fragmento de texto acima, bem como às questões por eles suscitadas, julgue o item seguinte.
O emprego da redondilha menor, metrificação típica das formas literárias populares, estabelece proximidade formal e linguística do poema Erro de português com as modalidades coloquial e popular da língua portuguesa.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
Erro de português
Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena! Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português
Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5.ª ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
Quando aqui aportaram os portugueses, há mais de 500 anos, falavam-se, no país, mais de mil línguas indígenas; tal profusão linguística constitui-se numa situação semelhante à que ocorre, hoje, nas Filipinas (com 160 línguas), na Índia (com 391 línguas) ou, ainda, na Indonésia (com 663 línguas).
Gilvan Müller de Oliveira. Brasileiro fala português:
monolinguismo e preconceito linguístico. In: Revista
Linguagem. Internet: <www.letras.ufscar.br> (com adaptações).
Com relação ao poema Erro de português, de Oswald de Andrade, ao fragmento de texto acima, bem como às questões por eles suscitadas, julgue o item seguinte.
No poema, Oswald de Andrade empregou a técnica modernista da colagem, como evidencia a transposição, para o formato de blague do poema-piada, de informações factuais presentes em textos da literatura quinhentista.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
10 de abril
Grande novidade! O motivo da vinda do barão é consultar o desembargador sobre a alforria coletiva e imediata dos escravos de Santa-Pia. Acabo de sabê-lo, e mais isto, que a principal razão da consulta é apenas a redação do ato. Não parecendo ao irmão que este seja acertado, perguntou-lhe o que é que o impelia a isso, uma vez que condenava a ideia atribuída ao governo de decretar a abolição, e obteve esta resposta, não sei se sutil, se profunda, se ambas as coisas ou nada:
— Quero deixar provado que julgo o ato do governo uma espoliação, por intervir no exercício de um direito que só pertence ao proprietário, e do qual uso com perda minha, porque assim o quero e posso.
Será a certeza da abolição que impele Santa-Pia a praticar esse ato, anterior de algumas semanas ou meses ao outro? A alguém que lhe fez tal pergunta respondeu Campos que não. “Não, disse ele, meu irmão crê na tentativa do governo, mas não no resultado, a não ser o desmantelo que vai lançar às fazendas. O ato que ele resolveu fazer exprime apenas a sinceridade das suas convicções e o seu gênio violento. Ele é capaz de propor a todos os senhores a alforria dos escravos já, e no dia seguinte propor a queda do governo que tentar fazê-lo por lei.”
Campos teve uma ideia. Lembrou ao irmão que, com a alforria imediata, ele prejudica a filha, herdeira sua. Santa-Pia franziu o sobrolho. Não era a ideia de negar o direito eventual da filha aos escravos; podia ser o desgosto de ver que, ainda em tal situação, e com todo o poder que tinha de dispor dos seus bens, vinha Fidélia perturbar-lhe a ação. Depois de alguns instantes, respirou largo, e respondeu que, antes de morto, o que era seu era somente seu. Não podendo dissuadi-lo, o desembargador cedeu ao pedido do irmão, e redigiram ambos a carta de alforria. Retendo o papel, Santa-Pia disse:
— Estou certo que poucos deles deixarão a fazenda; a maior parte ficará comigo, ganhando o salário que lhes vou marcar, e alguns até sem nada —, pelo gosto de morrer onde nasceram.
Machado de Assis. Memorial de Aires. In: Obra
completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2007.
Com relação ao trecho do romance Memorial de Aires, de Machado de Assis, e a temas por ele suscitados, julgue o item a seguir.
A forma como a narrativa se desenrola no trecho apresentado demonstra claramente que o romance Memorial de Aires integra a fase romântica da obra de Machado de Assis.
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Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
10 de abril
Grande novidade! O motivo da vinda do barão é consultar o desembargador sobre a alforria coletiva e imediata dos escravos de Santa-Pia. Acabo de sabê-lo, e mais isto, que a principal razão da consulta é apenas a redação do ato. Não parecendo ao irmão que este seja acertado, perguntou-lhe o que é que o impelia a isso, uma vez que condenava a ideia atribuída ao governo de decretar a abolição, e obteve esta resposta, não sei se sutil, se profunda, se ambas as coisas ou nada:
— Quero deixar provado que julgo o ato do governo uma espoliação, por intervir no exercício de um direito que só pertence ao proprietário, e do qual uso com perda minha, porque assim o quero e posso.
Será a certeza da abolição que impele Santa-Pia a praticar esse ato, anterior de algumas semanas ou meses ao outro? A alguém que lhe fez tal pergunta respondeu Campos que não. “Não, disse ele, meu irmão crê na tentativa do governo, mas não no resultado, a não ser o desmantelo que vai lançar às fazendas. O ato que ele resolveu fazer exprime apenas a sinceridade das suas convicções e o seu gênio violento. Ele é capaz de propor a todos os senhores a alforria dos escravos já, e no dia seguinte propor a queda do governo que tentar fazê-lo por lei.”
Campos teve uma ideia. Lembrou ao irmão que, com a alforria imediata, ele prejudica a filha, herdeira sua. Santa-Pia franziu o sobrolho. Não era a ideia de negar o direito eventual da filha aos escravos; podia ser o desgosto de ver que, ainda em tal situação, e com todo o poder que tinha de dispor dos seus bens, vinha Fidélia perturbar-lhe a ação. Depois de alguns instantes, respirou largo, e respondeu que, antes de morto, o que era seu era somente seu. Não podendo dissuadi-lo, o desembargador cedeu ao pedido do irmão, e redigiram ambos a carta de alforria. Retendo o papel, Santa-Pia disse:
— Estou certo que poucos deles deixarão a fazenda; a maior parte ficará comigo, ganhando o salário que lhes vou marcar, e alguns até sem nada —, pelo gosto de morrer onde nasceram.
Machado de Assis. Memorial de Aires. In: Obra
completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2007.
Com relação ao trecho do romance Memorial de Aires, de Machado de Assis, e a temas por ele suscitados, julgue o item a seguir.
A expressividade literária do texto deve-se, em parte, à combinação das vozes dos personagens (em discurso direto) com os comentários sutis do narrador, na discussão de um tema grave, como é o da escravidão no Brasil.
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