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48123 Ano: 2011
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Não se sabe ao certo quando os primeiros escravos africanos foram trazidos para o Brasil. No entanto, é somente a partir do alvará de D. João III de 29 de março de 1549, que faculta o “resgate e recebimento de escravos da costa da Guiné e da ilha de São Tomé” para auxílio da cultura da cana e do trabalho dos engenhos, que a importação de escravos africanos para o Brasil cresce de forma vertiginosa. Já no final do século XVI, os africanos ocupavam majoritariamente a base da sociedade colonial brasileira, o que iria acentuar-se no século XVII. É possível que os primeiros escravos africanos tenham tido contato com a língua geral, mas, com a redução da presença indígena na zona açucareira, pode-se dizer que os escravos passaram a ter contato, desde cedo, com o português. Os escravos que eram incapazes de se comunicar nessa língua eram chamados de boçais, em oposição aos que demonstravam conhecer o português, que eram chamados de ladinos. No decorrer do século XVIII, com o ciclo do ouro, aumentou a onda migratória vinda de Portugal, e o tráfico negreiro também se orientou para as demandas cada vez maiores de mão de obra para a mineração, tendo aumentado, portanto, o acesso dos escravos africanos à língua portuguesa.

Dante Lucchesi. História do contato entre línguas no Brasil. In: Dante
Lucchesi, Alan Baxter e Ilza Ribeiro (Org.). O português afro-brasileiro.
Salvador: EDUFBA, 2009, p. 47-8 (com adaptações).

O gramático

Os negros discutiam
Que o cavalo sipantou
Mas o que mais sabia
Disse que era
Sipantarrou.

Oswald de Andrade. Poesias reunidas. 5. a ed.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.

Considerando o texto de Dante Lucchesi, o poema de Oswald de Andrade e as questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.

Considerando, de um lado, a questão linguística referida no texto e, de outro, as intenções propostas por Oswald de Andrade no Manifesto Pau-Brasil, pode-se apontar que, no poema, há tematização de aspectos relativos ao contato linguístico no Brasil colônia, como evidenciado na dicotomia “boçais”/“ladinos”.

 

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48110 Ano: 2011
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Texto I

Não só os índios foram vítimas da política linguística dos Estados lusitano e brasileiro. Os imigrantes — que chegaram a partir de 1824 — e, principalmente, seus descendentes também sofreram com ela. O Estado Novo, de Getúlio Vargas, por meio do chamado processo de nacionalização do ensino, marcou o ponto alto da repressão a línguas de imigrantes — línguas alotóctones —, a qual teve repercussão direta na região Sul do país, em virtude da presença das comunidades alemã e italiana, que falavam sua língua materna.

Gilvan Müller de Oliveira. Brasileiro fala português:
monolinguismo e preconceito linguístico. In: Revista
Linguagem. Internet: <www.letras.ufscar.br> (com adaptações).

Texto II

A Declaração Universal da Diversidade Cultural, recentemente assinada pelo Brasil, reconhece o povo brasileiro como plural e diverso e, ainda, a pluralidade linguística. É essa visão acerca de questões linguísticas que está expressa na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, em tramitação na Organização das Nações Unidas (ONU) e que havia orientado, em 2008, o Ano Internacional das Línguas, proposto pela UNESCO, cuja ação pretendeu chamar a atenção dos governos e das sociedades para os perigos do desaparecimento acelerado da riqueza linguística do mundo e para os direitos linguísticos das comunidades constitutivas dos Estados Nacionais.

Idem, ibidem.

Considerando os textos I e II, bem como as questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.

A partir dos textos I e II e considerando-se, em especial, o contexto brasileiro, é correto afirmar que discussões sobre propriedades linguísticas centradas na relação entre língua e nação — discussões essas inauguradas, na via da literatura, em período pós-independência — alcançaram matérias legais e garantiram soluções acerca da unidade linguística.

 

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48109 Ano: 2011
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Texto I

Não só os índios foram vítimas da política linguística dos Estados lusitano e brasileiro. Os imigrantes — que chegaram a partir de 1824 — e, principalmente, seus descendentes também sofreram com ela. O Estado Novo, de Getúlio Vargas, por meio do chamado processo de nacionalização do ensino, marcou o ponto alto da repressão a línguas de imigrantes — línguas alotóctones —, a qual teve repercussão direta na região Sul do país, em virtude da presença das comunidades alemã e italiana, que falavam sua língua materna.

Gilvan Müller de Oliveira. Brasileiro fala português:
monolinguismo e preconceito linguístico. In: Revista
Linguagem. Internet: <www.letras.ufscar.br> (com adaptações).

Texto II

A Declaração Universal da Diversidade Cultural, recentemente assinada pelo Brasil, reconhece o povo brasileiro como plural e diverso e, ainda, a pluralidade linguística. É essa visão acerca de questões linguísticas que está expressa na Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, em tramitação na Organização das Nações Unidas (ONU) e que havia orientado, em 2008, o Ano Internacional das Línguas, proposto pela UNESCO, cuja ação pretendeu chamar a atenção dos governos e das sociedades para os perigos do desaparecimento acelerado da riqueza linguística do mundo e para os direitos linguísticos das comunidades constitutivas dos Estados Nacionais.

Idem, ibidem.

Considerando os textos I e II, bem como as questões por eles suscitadas, julgue o item a seguir.

Da comparação entre os textos I e II, depreende-se, no que se refere a propostas de homogeneização linguística em determinada nação, que a implementação de políticas linguísticas semelhantes às mencionadas no texto I contrasta, em essência, com o enfoque linguístico relatado no texto II.

 

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48099 Ano: 2011
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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Ainda que aparentemente movida apenas pelo sentimento geral de lusofobia, característico da época, a geração romântica, fundamentada nas concepções evolucionistas da linguística da época, segundo as quais as línguas se comportavam como seres vivos e, portanto, nasciam, cresciam, envelheciam e morriam, aspirou a uma língua própria, a chamada língua brasileira, instalando uma polêmica, que será retomada, de forma mais radical, pela primeira geração modernista, a da Semana de Arte Moderna, de 1922. Enquanto os românticos — apesar de acreditarem que o nascimento da chamada língua brasileira era fato contra o qual não se poderiam insurgir — não reivindicavam mais que o direito a certa originalidade, os escritores modernistas serão os que, de fato, buscarão, na realidade linguística brasileira, as formas que constituirão a sua expressão.

Tânia C. F. Lobo. Variantes nacionais do português: sobre a questão da definição
do português do Brasil. In: Revista Internacional de Língua Portuguesa. Lisboa,
dez./1994, p. 9-15. Internet: <www.aulp.org> (com adaptações).

Julgue o item subsequente, relativos ao texto acima e ao tema nele abordado.

O anseio por uma língua própria foi representado no romance Iracema, obra em que José de Alencar inseriu vocábulos e expressões indígenas, a fim de distinguir o português literário do Brasil daquele utilizado em Portugal.

 

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48094 Ano: 2011
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: UnB
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É somente nos meados do século XIX, com Varnhagen, que a língua do Brasil assume contornos de problema de interesse nacional e, concomitantemente, passa a constituir objeto de cogitação, para registro de uma realidade já consistente e documentável. Varnhagen afirma a unidade de língua nos dois domínios — o que, a seu ver, justificava o estudo dos clássicos e a impossibilidade de separação das duas literaturas —, mas ressalta, todavia, a diversificação da língua falada, notadamente na prosódia e no léxico, o que atribui ao acastelhanamento do português na América. A caracterização da língua do Brasil como um português diferenciado — esboçada em Varnhagen — representa, entre outros aspectos, uma das posições que delimitarão os debates em torno da língua até o final do século XIX.

Edith Pimentel Pinto (Org.). O português do Brasil – textos críticos e
teóricos – 1820-1920: fontes para a teoria e a história. Rio de
Janeiro: Livros Técnicos e Científicos; São Paulo: Editora da
Universidade de São Paulo, 1978, p. XVI-XIX (com adaptações).

Acerca do texto acima e dos temas por ele suscitados, julgue o item a seguir.

A caracterização linguística advogada pelos românticos ficcionistas da segunda geração corresponde ao que propõe Varnhagen a respeito da vigência de uma variante brasileira da fala que se assemelha à língua portuguesa do período clássico.

 

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O texto literário constitui uma forma peculiar de representação e estilo em que predominam a:
 

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2671452 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: VUNESP
Orgão: PM-SP
Fizeram alto. E Fabiano depôs no chão parte da carga, olhou o céu, as mãos em pala na testa. Arrastara-se até ali na incerteza de que aquilo fosse realmente mudança. Retardara-se e repreendera os meninos, que se adiantavam, aconselhara-os a poupar forças. A verdade é que não queria afastar-se da fazenda. A viagem parecia-lhe sem jeito, nem acreditava nela. Prepararaa lentamente, adiara-a, tornara a prepará-la, e só se resolvera a partir quando estava definitivamente perdido. Podia continuar a viver num cemitério? Nada o prendia àquela terra dura, acharia um lugar menos seco para enterrar-se. Era o que Fabiano dizia, pensando em coisas alheias: o chiqueiro e o curral, que precisavam conserto, o cavalo de fábrica, bom companheiro, a égua alazã, as catingueiras, as panelas de losna, as pedras da cozinha, a cama de varas. E os pés dele esmoreciam, as alpercatas calavam-se na escuridão. Seria necessário largar tudo? As alpercatas chiavam de novo no caminho coberto de seixos.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas)
Leia os versos de João Cabral de Melo Neto.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza
.
É correto afirmar que os versos do poeta pernambucano
 

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2406985 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNEMAT
Orgão: PM-MT

[...] Ela veio de longe, do São Francisco. Um dia, tomou caminho, entrou na boca aberta do Pará, e pegou a subir. Cada ano ameaçava um punhado de léguas, mais perto, mais perto, pertinho, fazendo medo no povo, porque era sezão brava – “da tremedeira que não desmontava” – matando muita gente” [...].

Em que conto de Sagarana, de Guimarães Rosa, o tema da malária está presente?.

 

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2406984 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNEMAT
Orgão: PM-MT

A ideia da morte parece ter sido o tema principal da cultura medieval. Acreditava-se que uma vida submetida ao julgamento imediatamente deixava o corpo. Sabe-se que cada uma das personagens do Auto da Barca do Inferno (1517), de Gil Vicente, possui um objeto terreno que não consegue se desvincular.

No caso do judeu, do onzeiro e do frade, esses objetos são respectivamente:

 

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2406983 Ano: 2010
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: UNEMAT
Orgão: PM-MT

“ [...] Verdes mares, que brilhais como líquida esmeralda aos raios do sol nascente, perlongando as alvas praias ensombradas de coqueiros;

Serenais, verdes mares, e alisais docemente a vaga impetuosa, para que o barco aventureiro manso resvale à flor das águas. [...].

Considerando o excerto de Iracema (1865), de José de Alencar, é correto afirmar.

 

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