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Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.
Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário
garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho.
Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram
produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime
era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos.
Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista
em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que
pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca.
Então é agora, foi a resposta dela.
Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de
onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia,
sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários
107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o
vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que
ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia.
Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu
lado, animando-o, dando-lhe força.
Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um
homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já
era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um
passo para apanhá-lo.
(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
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Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.
Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário
garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho.
Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram
produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime
era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos.
Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista
em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que
pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca.
Então é agora, foi a resposta dela.
Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de
onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia,
sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários
107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o
vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que
ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia.
Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu
lado, animando-o, dando-lhe força.
Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um
homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já
era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um
passo para apanhá-lo.
(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte:
O artista que nos ocupa
Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história
daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela
avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te
acompanhando pela vida.
Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo
também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e
sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com
momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de
qual estação.
Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é
capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do
artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.
Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se
sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite:
chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora,
mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?
(Josimar de Alcântara, a editar)
Transpondo a frase acima para a voz passiva, as formas verbais deverão ser, na ordem dada:
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte:
O artista que nos ocupa
Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história
daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela
avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te
acompanhando pela vida.
Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo
também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e
sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com
momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de
qual estação.
Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é
capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do
artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.
Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se
sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite:
chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora,
mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?
(Josimar de Alcântara, a editar)
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte:
O artista que nos ocupa
Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história
daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela
avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te
acompanhando pela vida.
Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo
também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e
sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com
momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de
qual estação.
Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é
capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do
artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.
Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se
sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite:
chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora,
mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?
(Josimar de Alcântara, a editar)
Atentando para o sentido do contexto e transpondo o trecho acima para o discurso indireto, resultará a seguinte construção, correta e coerente:
Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão que
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte:
O artista que nos ocupa
Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história
daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela
avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te
acompanhando pela vida.
Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo
também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e
sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com
momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de
qual estação.
Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é
capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do
artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.
Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se
sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite:
chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora,
mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?
(Josimar de Alcântara, a editar)
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte:
O artista que nos ocupa
Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história
daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela
avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te
acompanhando pela vida.
Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo
também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e
sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com
momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de
qual estação.
Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é
capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do
artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.
Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se
sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite:
chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora,
mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte:
O artista que nos ocupa
Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história
daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela
avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te
acompanhando pela vida.
Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo
também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e
sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com
momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de
qual estação.
Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é
capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do
artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.
Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se
sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite:
chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora,
mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?
(Josimar de Alcântara, a editar)
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte:
O artista que nos ocupa
Um artista não entra sozinho na tua vida. O que ele melhor inventa fica com você. Quando criança, você não terá lido a história
daquele Pedrinho que passava as férias no sítio do Picapau Amarelo, da sua avó? Sim? Pois aquele sítio, aquele menino e aquela
avó, assim como muitas das peripécias daquela história, vieram ficar com você para sempre, não foi? Vivas imagens que ficaram te
acompanhando pela vida.
Assim fazem conosco os grandes artistas, não importa qual arte enobreçam. As criações mais marcantes deles ficam sendo
também suas. Vocês passam a morar na mesma casa, no mesmo quarto, em regimes alternados de ocupação: enquanto um dorme e
sonha, o outro vai pra rua. E tanto vão se cruzando na vida comum, que as melancolias cantadas por um podem se misturar com
momentos festivos do outro. Em certas viagens, não se pode saber se o trem estará chegando ou estará partindo, para qual ou de
qual estação.
Dessa forma, amigo, quando você ficar velho, mas muito velho mesmo, o seu artista fingirá que também envelheceu. Ele é
capaz de inventar uma rouquidão ou uma tosse, como as suas, pra melhor lhe fazer companhia. E você já sabe: faz parte da arte do
artista fingir que quem sabe morrer é ele, só para que você se distraia e distraia esse seu medo, cantando como ele canta.
Quando um artista entra de fato na sua vida, com o melhor de sua arte, não sai mais. E é por causa dele que você nunca se
sentirá inteiramente só. Pelo contrário: nos momentos em que a solidão infeliz ameaçar entrar em você para não sair mais, não hesite:
chame o seu artista, o artista que ficou morando dentro de você. Ele irá à porta da casa e dirá à dona solidão: - Desculpe, senhora,
mas no momento meu amigo está ocupado, não pode receber ninguém. Quer deixar recado?
(Josimar de Alcântara, a editar)
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Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto seguinte.
Arquitetura indígena
É um grande acontecimento a Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo, incluída na COP30, em Belém. Contará com a
presença de lideranças indígenas, universidades, coletivos culturais, parceiros institucionais. Toda a sociedade está convidada: pensemos juntos uma forma diferente de Arquitetura e Urbanismo.
Pensar a arquitetura e o urbanismo é pensar nosso lugar e pensar a sociedade. As cidades são vistas como centros da criação
do conhecimento, que trouxe essa falsa ideia de que nos campos e florestas não se cria conhecimento. Nos grandes centros urbanos
concentram-se, de fato, o dinheiro e o poder. Mas as cidades também poluem e soterram seus rios, e se alega que isso é parte da
civilização. A especulação imobiliária faz a cidade crescer sem pensar suas áreas verdes e a importância das florestas na vida das
pessoas. Essa ideia de cidade nos afastou da natureza.
A Bienal Indígena surge no intuito de reconhecer e valorizar os modos de construir e viver dos povos originários, que há
séculos habitam esse território de forma sustentável. Suas arquiteturas não se separam da floresta, do rio, mas são capazes de
pensar cidades-floresta. Mostram um modo de vida em conexão com a natureza num mundo onde o equilíbrio ecológico é condição
de existência.
Esse projeto surge eт ит тoтento de emergência climática, quando a arquitetura, o urbanismo e o modo de vida das cidades
precisam ter suas bases repensadas profundamente. O modelo ocidental de crescimento urbano e o consumo de "recursos naturais"
mostrou-se insustentável, gerando destruição ambiental e desigualdade social. Frente a isso, os modos de vida e práticas indígenas
oferecem alternativas concretas e filosóficas para reconstruir a relação entre o humano e a Terra: o uso consciente dos materiais,
respeito aos ciclos naturais etc.
A Escola da Cidade e seus parceiros propõem esta bienal justamente num contexto em que a educação e a arquitetura
buscam se descolonizar, buscando o entendimento dos saberes ancestrais. A Bienal Indígena será um ato de aprendizado coletivo.
Uma oportunidade de reimaginar o que é habitar, projetar e viver em harmonia com o planeta.
Mais do que um evento, esta Bienal é um chamado à transformação: um convite para compreender que a arquitetura indigena
não pertence apenas ao passado, mas é uma das chaves para enfrentar os desafios do presente e desenhar futuros possíveis. A
Bienal se afirma como uma iniciativa permanente, garantindo que cada edição amplie os frutos de aprendizagem, integração e
transformação coletiva.
(Adaptado de: TXAI SURUÍ. Folha de S. Paulo. 01/11/2025)
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