Foram encontradas 349.412 questões.
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Que são é a que servem as “terras raras"?
Volta e meia alguém faz referência a “terras raras” como uma fonte importante de riquezas a ser explorada por um país, de alto
valor funcional e comercial. A denominação é bastante imprecisa: não se trata propriamente de terras, e também não ocorrem com
tanta raridade. O que se passou a chamar de “terras raras” são na verdade óxidos metálicos, elementos químicos que se encontram
em áreas de terra; não são propriamente raros, e o que é de falo raro é se concentrarem densamente numa mesma região, permitindo
assim condições para sua coleta, processamento e vantajosa exploração econômica.
Smartphones, turbinas eólicas, veículos elétricos, computação em nuvens: vivemos em uma era de tecnologias digitais,
movidas por equipamentos complexos. Sua produção demanda materiais com propriedades funcionais específicas, obtidas de
recursos naturais cada vez mais diversos. Entre essas matérias-primas, há o grupo particular de elementos químicos que passaram a
ser denominados “terras raras”.
Hoje se sabe que são bastante abundantes, mas inicialmente foram identificados em baixa concentração em amostras de
minérios escassos — ou raros — na Suécia. Não costumam ser encontrados isolados na natureza, mas sim associados entre si e com
outros elementos, o que dificulta sua separação. Foram isolados pela primeira vez na forma de compostos com oxigênio, não como
metais puros.
O Brasil detêm grandes reservas, mas não domina o ciclo produtivo desses óxidos metálicos. O país também não possui a
capacidade de fabricação de um componente central de inúmeros produtos e processos de alta tecnologia. Cobiçados por sua
inestimável! importância operacional, constituem matéria-prima de alto valor estratégico, sobretudo quando se pensa nos avanços da
tecnologia de ponta. Por isso está-se promovendo em nosso país um esforço de pesquisa e desenvolvimento para tentar suprir as
lacunas que impossibilitam um aproveitamento pleno dessa riqueza natural capaz de permitir e multiplicar avanços nesse estágio de
alta tecnologia que tantos benefícios oferece à capacidade humana de bem aproveitá-los.
(Adaptado de: ALMEIDA, Alexandra Ozorio. São Paulo: Pesquisa Fapesp. Out 2025, n. 356. p. 5)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Que são é a que servem as “terras raras"?
Volta e meia alguém faz referência a “terras raras” como uma fonte importante de riquezas a ser explorada por um país, de alto
valor funcional e comercial. A denominação é bastante imprecisa: não se trata propriamente de terras, e também não ocorrem com
tanta raridade. O que se passou a chamar de “terras raras” são na verdade óxidos metálicos, elementos químicos que se encontram
em áreas de terra; não são propriamente raros, e o que é de falo raro é se concentrarem densamente numa mesma região, permitindo
assim condições para sua coleta, processamento e vantajosa exploração econômica.
Smartphones, turbinas eólicas, veículos elétricos, computação em nuvens: vivemos em uma era de tecnologias digitais,
movidas por equipamentos complexos. Sua produção demanda materiais com propriedades funcionais específicas, obtidas de
recursos naturais cada vez mais diversos. Entre essas matérias-primas, há o grupo particular de elementos químicos que passaram a
ser denominados “terras raras”.
Hoje se sabe que são bastante abundantes, mas inicialmente foram identificados em baixa concentração em amostras de
minérios escassos — ou raros — na Suécia. Não costumam ser encontrados isolados na natureza, mas sim associados entre si e com
outros elementos, o que dificulta sua separação. Foram isolados pela primeira vez na forma de compostos com oxigênio, não como
metais puros.
O Brasil detêm grandes reservas, mas não domina o ciclo produtivo desses óxidos metálicos. O país também não possui a
capacidade de fabricação de um componente central de inúmeros produtos e processos de alta tecnologia. Cobiçados por sua
inestimável! importância operacional, constituem matéria-prima de alto valor estratégico, sobretudo quando se pensa nos avanços da
tecnologia de ponta. Por isso está-se promovendo em nosso país um esforço de pesquisa e desenvolvimento para tentar suprir as
lacunas que impossibilitam um aproveitamento pleno dessa riqueza natural capaz de permitir e multiplicar avanços nesse estágio de
alta tecnologia que tantos benefícios oferece à capacidade humana de bem aproveitá-los.
(Adaptado de: ALMEIDA, Alexandra Ozorio. São Paulo: Pesquisa Fapesp. Out 2025, n. 356. p. 5)
O período acima ganha nova, coerente e correta redação nesta outra forma:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Que são é a que servem as “terras raras"?
Volta e meia alguém faz referência a “terras raras” como uma fonte importante de riquezas a ser explorada por um país, de alto
valor funcional e comercial. A denominação é bastante imprecisa: não se trata propriamente de terras, e também não ocorrem com
tanta raridade. O que se passou a chamar de “terras raras” são na verdade óxidos metálicos, elementos químicos que se encontram
em áreas de terra; não são propriamente raros, e o que é de falo raro é se concentrarem densamente numa mesma região, permitindo
assim condições para sua coleta, processamento e vantajosa exploração econômica.
Smartphones, turbinas eólicas, veículos elétricos, computação em nuvens: vivemos em uma era de tecnologias digitais,
movidas por equipamentos complexos. Sua produção demanda materiais com propriedades funcionais específicas, obtidas de
recursos naturais cada vez mais diversos. Entre essas matérias-primas, há o grupo particular de elementos químicos que passaram a
ser denominados “terras raras”.
Hoje se sabe que são bastante abundantes, mas inicialmente foram identificados em baixa concentração em amostras de
minérios escassos — ou raros — na Suécia. Não costumam ser encontrados isolados na natureza, mas sim associados entre si e com
outros elementos, o que dificulta sua separação. Foram isolados pela primeira vez na forma de compostos com oxigênio, não como
metais puros.
O Brasil detêm grandes reservas, mas não domina o ciclo produtivo desses óxidos metálicos. O país também não possui a
capacidade de fabricação de um componente central de inúmeros produtos e processos de alta tecnologia. Cobiçados por sua
inestimável! importância operacional, constituem matéria-prima de alto valor estratégico, sobretudo quando se pensa nos avanços da
tecnologia de ponta. Por isso está-se promovendo em nosso país um esforço de pesquisa e desenvolvimento para tentar suprir as
lacunas que impossibilitam um aproveitamento pleno dessa riqueza natural capaz de permitir e multiplicar avanços nesse estágio de
alta tecnologia que tantos benefícios oferece à capacidade humana de bem aproveitá-los.
(Adaptado de: ALMEIDA, Alexandra Ozorio. São Paulo: Pesquisa Fapesp. Out 2025, n. 356. p. 5)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.
Que são é a que servem as “terras raras"?
Volta e meia alguém faz referência a “terras raras” como uma fonte importante de riquezas a ser explorada por um país, de alto
valor funcional e comercial. A denominação é bastante imprecisa: não se trata propriamente de terras, e também não ocorrem com
tanta raridade. O que se passou a chamar de “terras raras” são na verdade óxidos metálicos, elementos químicos que se encontram
em áreas de terra; não são propriamente raros, e o que é de falo raro é se concentrarem densamente numa mesma região, permitindo
assim condições para sua coleta, processamento e vantajosa exploração econômica.
Smartphones, turbinas eólicas, veículos elétricos, computação em nuvens: vivemos em uma era de tecnologias digitais,
movidas por equipamentos complexos. Sua produção demanda materiais com propriedades funcionais específicas, obtidas de
recursos naturais cada vez mais diversos. Entre essas matérias-primas, há o grupo particular de elementos químicos que passaram a
ser denominados “terras raras”.
Hoje se sabe que são bastante abundantes, mas inicialmente foram identificados em baixa concentração em amostras de
minérios escassos — ou raros — na Suécia. Não costumam ser encontrados isolados na natureza, mas sim associados entre si e com
outros elementos, o que dificulta sua separação. Foram isolados pela primeira vez na forma de compostos com oxigênio, não como
metais puros.
O Brasil detêm grandes reservas, mas não domina o ciclo produtivo desses óxidos metálicos. O país também não possui a
capacidade de fabricação de um componente central de inúmeros produtos e processos de alta tecnologia. Cobiçados por sua
inestimável! importância operacional, constituem matéria-prima de alto valor estratégico, sobretudo quando se pensa nos avanços da
tecnologia de ponta. Por isso está-se promovendo em nosso país um esforço de pesquisa e desenvolvimento para tentar suprir as
lacunas que impossibilitam um aproveitamento pleno dessa riqueza natural capaz de permitir e multiplicar avanços nesse estágio de
alta tecnologia que tantos benefícios oferece à capacidade humana de bem aproveitá-los.
(Adaptado de: ALMEIDA, Alexandra Ozorio. São Paulo: Pesquisa Fapesp. Out 2025, n. 356. p. 5)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.
Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário
garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho.
Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram
produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime
era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos.
Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista
em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que
pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca.
Então é agora, foi a resposta dela.
Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de
onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia,
sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários
107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o
vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que
ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia.
Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu
lado, animando-o, dando-lhe força.
Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um
homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já
era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um
passo para apanhá-lo.
(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
No contexto em que se insere, a oração sublinhada expressa ideia de
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.
Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário
garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho.
Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram
produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime
era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos.
Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista
em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que
pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca.
Então é agora, foi a resposta dela.
Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de
onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia,
sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários
107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o
vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que
ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia.
Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu
lado, animando-o, dando-lhe força.
Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um
homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já
era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um
passo para apanhá-lo.
(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
No trecho acima, os pronomes sublinhados referem-se, respectivamente, a
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.
Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário
garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho.
Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram
produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime
era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos.
Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista
em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que
pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca.
Então é agora, foi a resposta dela.
Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de
onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia,
sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários
107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o
vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que
ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia.
Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu
lado, animando-o, dando-lhe força.
Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um
homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já
era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um
passo para apanhá-lo.
(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.
Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário
garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho.
Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram
produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime
era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos.
Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista
em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que
pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca.
Então é agora, foi a resposta dela.
Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de
onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia,
sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários
107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o
vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que
ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia.
Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu
lado, animando-o, dando-lhe força.
Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um
homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já
era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um
passo para apanhá-lo.
(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.
Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário
garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho.
Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram
produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime
era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos.
Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista
em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que
pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca.
Então é agora, foi a resposta dela.
Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de
onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia,
sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários
107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o
vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que
ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia.
Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu
lado, animando-o, dando-lhe força.
Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um
homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já
era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um
passo para apanhá-lo.
(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
Nesse primeiro parágrafo, o cronista relata uma série de fatos ocorridos no passado. Um fato anterior a esse tempo passado está indicado pela seguinte forma verbal sublinhada no texto:
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.
Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário
garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho.
Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram
produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime
era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos.
Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista
em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que
pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca.
Então é agora, foi a resposta dela.
Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de
onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia,
sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários
107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o
vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que
ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia.
Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu
lado, animando-o, dando-lhe força.
Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um
homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já
era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um
passo para apanhá-lo.
(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container