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Diva.
Visitando o negociante, vi ao entrar na sala uma linda moça, que não reconheci.
Estava só. De pé no vão da janela cheia de luz, meio reclinada ao peitoril, tinha na mão um livro aberto e lia com
atenção.
Não é possível idear nada mais puro e harmonioso do que o perfil dessa estátua de moça.
Era alta e esbelta. Tinha um desses talhes flexíveis e lançados, que são hastes de lírio para o rosto gentil; porém, na
mesma delicadeza do porte, esculpiam-se os contornos mais graciosos com firme nitidez das linhas e uma deliciosa suavidade
nos relevos.
Não era alva, também não era morena. Tinha sua tez a cor das pétalas da magnólia, quando vão desfalecendo ao beijo
do sol. Mimosa cor de mulher, se a aveluda a pubescência juvenil, e a luz coa pelo fino tecido, e um sangue puro a escumilha
de róseo matiz. A dela era assim.
Uma altivez de rainha cingia-lhe a fronte, como diadema cintilando na cabeça de um anjo. Havia em toda a sua pessoa
um quer que fosse de sublime e excelso que a abstraía da terra. Contemplando-a naquele instante de enlevo, dir-se-ia que ela
se preparava para sua celeste ascensão.
Às vezes, porém, a impressão da leitura turbava a serena elação da sua figura, e despertava nela a mulher. Então
desferia alma por todos os poros. Os grandes olhos, velutados de negro, rasgavam-se para dardejar as centelhas elétricas do
nervoso organismo. Nesses momentos toda ela era somente coração, porque toda ela palpitava e sentia.
Eu tinha parado na porta, e admirava: afinal adiantei-me para cumprimentá-la. Ouvindo o rumor dos meus passos, ela
voltou-se.
- Minha senhora!... Murmurei inclinando-me.
As cores fugiram-lhe. Ela vestiu-se como de uma túnica lívida e glacial: logo depois sua fisionomia anuviou-se, e eu vi
lampejos fuzilarem naquela densidade de uma cólera súbita.
Fulminou-me com um olhar augusto e desapareceu.
Acreditas, Paulo, que essa moça que te descrevi fosse Emília, a menina feia e desgraciosa que eu deixara dois anos
antes? Que sublime trabalho de florescência animada não realizara a natureza nessa mulher!
Emília teria então dezessete anos. Sentia-se, olhando-a, a influência misteriosa que um espírito superior tinha exercido
na revolução operada em sua pessoa. O trajo, ainda nimiamente avaro dos encantos que ocultava, era de um molde severo;
mas havia, no gracioso da forma e na combinação do enfeite, uns toques artísticos, que se revelavam também no basto
trançado do luxuoso cabelo negro.
Voltei impressionado por essa visão de sala em pleno dia.
Se a transformação de Emília produzira em mim uma admiração grande, maior foi a humilhação que sofri com o seu
desdém. Já não era uma menina; estava moça, e não me devia só a cortesia a que tem direito o homem delicado, devia-me
gratidão.
- Talvez ignore! Disse eu comigo.
Nos dias que se seguiram, surgiu alguma vez em meu espírito aquela imagem de moça; mas essa lembrança me
incomodava.
Uma tarde encontrei-me com o irmão:
- Ia à tua casa! Disse-me Geraldo.
- Pois vamos.
- Não. Já que te encontrei poupa-me essa maçada. Minha tia manda-te dizer que amanhã toma-se chá em sua casa.
Julinha faz anos.
- Ah! D. Matilde?...
- Sim. Adeus.
- Espera.
- Não posso. Ainda vou à chácara, e tenho de voltar para o teatro.
D. Matilde é casada com um irmão de Duarte. Seu marido vive constantemente na fazenda, trabalhando para tirar
dela os avultados rendimentos necessários ao luxo que sua família ostenta na corte. Ainda moça, bonita e muito elegante,
ela é perdida pelo cortejo e galanteio de sala. Nunca a honra conjugal sucumbiu a essa fascinação, mas a casta dignidade da
esposa foi sacrificada sem reserva.
Disponível em: https://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/Livros_eletronicos/diva.pd
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Diva.
Visitando o negociante, vi ao entrar na sala uma linda moça, que não reconheci.
Estava só. De pé no vão da janela cheia de luz, meio reclinada ao peitoril, tinha na mão um livro aberto e lia com
atenção.
Não é possível idear nada mais puro e harmonioso do que o perfil dessa estátua de moça.
Era alta e esbelta. Tinha um desses talhes flexíveis e lançados, que são hastes de lírio para o rosto gentil; porém, na
mesma delicadeza do porte, esculpiam-se os contornos mais graciosos com firme nitidez das linhas e uma deliciosa suavidade
nos relevos.
Não era alva, também não era morena. Tinha sua tez a cor das pétalas da magnólia, quando vão desfalecendo ao beijo
do sol. Mimosa cor de mulher, se a aveluda a pubescência juvenil, e a luz coa pelo fino tecido, e um sangue puro a escumilha
de róseo matiz. A dela era assim.
Uma altivez de rainha cingia-lhe a fronte, como diadema cintilando na cabeça de um anjo. Havia em toda a sua pessoa
um quer que fosse de sublime e excelso que a abstraía da terra. Contemplando-a naquele instante de enlevo, dir-se-ia que ela
se preparava para sua celeste ascensão.
Às vezes, porém, a impressão da leitura turbava a serena elação da sua figura, e despertava nela a mulher. Então
desferia alma por todos os poros. Os grandes olhos, velutados de negro, rasgavam-se para dardejar as centelhas elétricas do
nervoso organismo. Nesses momentos toda ela era somente coração, porque toda ela palpitava e sentia.
Eu tinha parado na porta, e admirava: afinal adiantei-me para cumprimentá-la. Ouvindo o rumor dos meus passos, ela
voltou-se.
- Minha senhora!... Murmurei inclinando-me.
As cores fugiram-lhe. Ela vestiu-se como de uma túnica lívida e glacial: logo depois sua fisionomia anuviou-se, e eu vi
lampejos fuzilarem naquela densidade de uma cólera súbita.
Fulminou-me com um olhar augusto e desapareceu.
Acreditas, Paulo, que essa moça que te descrevi fosse Emília, a menina feia e desgraciosa que eu deixara dois anos
antes? Que sublime trabalho de florescência animada não realizara a natureza nessa mulher!
Emília teria então dezessete anos. Sentia-se, olhando-a, a influência misteriosa que um espírito superior tinha exercido
na revolução operada em sua pessoa. O trajo, ainda nimiamente avaro dos encantos que ocultava, era de um molde severo;
mas havia, no gracioso da forma e na combinação do enfeite, uns toques artísticos, que se revelavam também no basto
trançado do luxuoso cabelo negro.
Voltei impressionado por essa visão de sala em pleno dia.
Se a transformação de Emília produzira em mim uma admiração grande, maior foi a humilhação que sofri com o seu
desdém. Já não era uma menina; estava moça, e não me devia só a cortesia a que tem direito o homem delicado, devia-me
gratidão.
- Talvez ignore! Disse eu comigo.
Nos dias que se seguiram, surgiu alguma vez em meu espírito aquela imagem de moça; mas essa lembrança me
incomodava.
Uma tarde encontrei-me com o irmão:
- Ia à tua casa! Disse-me Geraldo.
- Pois vamos.
- Não. Já que te encontrei poupa-me essa maçada. Minha tia manda-te dizer que amanhã toma-se chá em sua casa.
Julinha faz anos.
- Ah! D. Matilde?...
- Sim. Adeus.
- Espera.
- Não posso. Ainda vou à chácara, e tenho de voltar para o teatro.
D. Matilde é casada com um irmão de Duarte. Seu marido vive constantemente na fazenda, trabalhando para tirar
dela os avultados rendimentos necessários ao luxo que sua família ostenta na corte. Ainda moça, bonita e muito elegante,
ela é perdida pelo cortejo e galanteio de sala. Nunca a honra conjugal sucumbiu a essa fascinação, mas a casta dignidade da
esposa foi sacrificada sem reserva.
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- Manual de Redação da Presidência da RepúblicaAs Comunicações OficiaisPadrão OfícioPartes do documento no Padrão Ofício
- Manual de Redação da Presidência da RepúblicaAs Comunicações OficiaisPadrão OfícioO Padrão Ofício
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Em relação à diferenciação de memorandos, ofícios e avisos, o Manual de Redação do IFRN esclarece que, de acordo com a 3ª Edição do Manual de Redação da Presidência da República,
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- Aspectos Gerais da Comunicação Oficial
- Manual de Redação da Presidência da RepúblicaAs Comunicações OficiaisPronomes de Tratamento
I - A linguagem empregada nos documentos oficiais deve primar pela formalidade, impessoalidade, clareza, concisão, detendo-se ,unicamente, ao objetivo da mensagem. Deve ser necessariamente uniforme, e não adaptada a cada situação comunicativa.
II - Vossa Excelência é um pronome de tratamento usado para pessoas com alta autoridade, militares e políticos, como: Presidente da República, Vice-Presidente, Senadores, Deputados, Embaixadores, Oficiais de Patente Superior à de Coronel, Juízes de Direito.
III - Qualquer pronome de tratamento, apesar de se referir à segunda pessoa do discurso (2ª), exige que verbos e pronomes, também, estejam na forma de segunda pessoa (2ª) do discurso.
IV - O pronome de tratamento Vossa Senhoria deve ser usado para pessoas com um grau de prestígio maior. Usualmente, é empregado, como atitude de cortesia, em Ofícios, Requerimentos e Correspondência Comercial.
V- O vocativo é uma invocação ao destinatário. Nas comunicações oficiais, dirigidas aos Chefes de Poder, utiliza-se a expressão Excelentíssimo Senhor ou Excelentíssima Senhora e o cargo respectivo, seguidos de vírgula.
VI - O Manual de Redação da Presidência da República estabelece o emprego de somente dois fechos diferentes para todas as modalidades de comunicação oficial: para autoridades de hierarquia superior a do remetente – respeitosamente. Para autoridades de mesma hierarquia, de hierarquia inferior ou demais casos – atenciosamente.
Marque a alternativa que apresenta as afirmativas corretas:
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I – O Requerimento pode apresentar uma estrutura simples, constituída, geralmente, por um único parágrafo, ou mais complexa que pode acrescentar outros documentos em anexo. Esta comunicação é estabelecida entre interlocutores, sendo que o emissor está sempre em posição superior ao receptor.
II – A Certidão é um gênero textual expedido por um órgão público ou autoridade competente, atestando a veracidade de certos fatos, registros ou informações. Possui valor legal, podendo ser utilizada como prova e/ou comprovação de diversas situações jurídicas, administrativas ou pessoais.
III – O Ofício é um documento com valor jurídico, utilizado na comunicação oficial entre órgãos públicos, empresas ou mesmo autoridades. Apresenta a seguinte estrutura: cabeçalho, numeração do ofício e ano, local e data, endereçamento, assunto,, vocativo, corpo do texto, fecho e assinatura.
IV – O Memorando é um texto utilizado em instituições públicas ou privadas. Pode ser interno – destinado a integrantes de um mesmo departamento; ou externo – entre departamentos de instituições diferentes.
V – A Declaração é um texto utilizado quando se quer comprovar algo. Pode ser elaborada em primeira do singular ou terceira pessoa do plural. Sua estrutura é fixa: apresenta um título centralizado, corpo do texto, local e data e assinatura.
VI – A Procuração é um texto técnico definido como um instrumento de mandato. Ela é utilizada quando uma pessoa concede poderes a outra, por um prazo determinado, para em seu nome, praticar atos ou administrar interesses. São duas as partes presentes em uma procuração: o outorgante e o outorgado.
Marque a alternativa que apresenta as afirmativas corretas:
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