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TEXTO 1
Em As técnicas do corpo (1934), Marcel Mauss opõe um conjunto de técnicas do corpo, ao qual confere um papel preliminar: o corpo é o primeiro instrumento do homem e, ainda, o primeiro objeto e meio técnico do homem. Técnicas do corpo referem-se então aos modos pelos quais as pessoas sabem servir-se de seus corpos de maneira tradicional, o que varia de uma sociedade a outra. De modo a localizar o caráter específico de cada técnica corporal, ele parte da observação das mudanças presenciadas por sua geração, por exemplo, nas técnicas de nado, e nos seus modos de ensino e aprendizagem: enquanto em um momento aprendia-se, primeiro, a nadar e, depois, a mergulhar. Este e outros exemplos amparam a afirmação feita pelo autor de que cada sociedade possui hábitos próprios, que são de natureza social, variando não apenas de um indivíduo a outro, mas com as formas de educação e convenções sociais.
HAIBARA, A.; SANTOS, V. O. As técnicas do corpo. In: Enciclopédia de Antropologia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2016 (adaptado).
TEXTO 2
ADÃO. Folha de S. Paulo, 2 jul. 2005 (adaptado).
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A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é
horrível ter só ar dentro do estômago. Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: já não basta as amarguras da vida? [...]. Pensei em
guardar para comprar feijão. Mas vi que não podia porque o meu estômago reclamava e torturava-me. Resolvi tomar uma média
e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores,
as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos. A comida no estômago é como combustível nas
máquinas. Passei a trabalhar mais depressa. Meu corpo deixou de pesar. [...] Eu tinha a impressão que eu deslizava no espaço.
Comecei a sorrir como se eu estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que
comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida.
JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007.
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A tontura da fome é pior do que a do álcool. A tontura do álcool nos impele a cantar. Mas a da fome nos faz tremer. Percebi que é
horrível ter só ar dentro do estômago. Comecei a sentir a boca amarga. Pensei: já não basta as amarguras da vida? [...]. Pensei em
guardar para comprar feijão. Mas vi que não podia porque o meu estômago reclamava e torturava-me. Resolvi tomar uma média
e comprar um pão. Que efeito surpreendente faz a comida no nosso organismo! Eu que antes de comer via o céu, as árvores,
as aves, tudo amarelo, depois que comi, tudo normalizou-se aos meus olhos. A comida no estômago é como combustível nas
máquinas. Passei a trabalhar mais depressa. Meu corpo deixou de pesar. [...] Eu tinha a impressão que eu deslizava no espaço.
Comecei a sorrir como se eu estivesse presenciando um lindo espetáculo. E haverá espetáculo mais lindo do que ter o que
comer? Parece que eu estava comendo pela primeira vez na minha vida.
JESUS, C. M. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Ática, 2007.
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TEXTO 1
Em Sociologia e Antropologia, no renomado capítulo As técnicas do corpo (1934), Marcel Mauss demonstra que o uso que cada indivíduo faz do seu próprio corpo não se restringe a biologia, trata-se de um saber aprendido socialmente de “valor crucial para ciências do homem”. Para Mauss, longe de serem atos puramente instintivos ou individuais, nossos gestos e hábitos corporais são, fundamentalmente, “atos tradicionais eficazes” que são “impostos pela tradição” e pela sociedade. Mauss defende que gestos tão banais, quanto a forma como um camponês descansa em pé, com uma perna dobrada apoiada na outra, são transmitidos de geração para geração, e podem ser melhores testemunhos da história quanto “jazidas arqueológicas ou monumentos”.
Disponível em: www.ubueditora.com.br. Acesso
em: 18 jul. 2025 (adaptado).
TEXTO 2
Triste, louca ou má
E um homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar
FRANCISCO EL HOMBRE. Triste, louca ou má. In:
Soltasbruxa. São Paulo: s.n., 2016 (fragmento).
Para relacionar a noção de técnicas do corpo, de Marcel Mauss, ao trecho da letra da canção Triste , louca ou má, da banda Francisco El Hombre, as ações didáticas que dialogam com uma perspectiva interdisciplinar de ensino são:
Em Sociologia e Antropologia, no renomado capítulo As técnicas do corpo (1934), Marcel Mauss demonstra que o uso que cada indivíduo faz do seu próprio corpo não se restringe a biologia, trata-se de um saber aprendido socialmente de “valor crucial para ciências do homem”. Para Mauss, longe de serem atos puramente instintivos ou individuais, nossos gestos e hábitos corporais são, fundamentalmente, “atos tradicionais eficazes” que são “impostos pela tradição” e pela sociedade. Mauss defende que gestos tão banais, quanto a forma como um camponês descansa em pé, com uma perna dobrada apoiada na outra, são transmitidos de geração para geração, e podem ser melhores testemunhos da história quanto “jazidas arqueológicas ou monumentos”.
Disponível em: www.ubueditora.com.br. Acesso
em: 18 jul. 2025 (adaptado).
TEXTO 2
Triste, louca ou má
E um homem não me define
Minha casa não me define
Minha carne não me define
Eu sou meu próprio lar
FRANCISCO EL HOMBRE. Triste, louca ou má. In:
Soltasbruxa. São Paulo: s.n., 2016 (fragmento).
Para relacionar a noção de técnicas do corpo, de Marcel Mauss, ao trecho da letra da canção Triste , louca ou má, da banda Francisco El Hombre, as ações didáticas que dialogam com uma perspectiva interdisciplinar de ensino são:
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Obedece-se não à pessoa em virtude de seu próprio direito,
mas a regra estatuída, que estabelece ao mesmo tempo
a quem e em que medida se deve obedecer. Também quem
ordena obedece, ao emitir uma ordem, a uma regra; à “lei” ou
“regulamento” de uma norma formalmente abstrata. O tipo
daquele que ordena é o “superior”, cujo direito de mando
está legitimado por uma regra estatuída, no âmbito de uma
competência concreta, cuja delimitação e especialização
se baseiam na utilidade objetiva e nas suas exigências
profissionais estipuladas para a atividade do funcionário.
O dever de obediência está graduado numa hierarquia de
cargos, com subordinação dos inferiores aos superiores,
e dispõe de um direito de queixa regulamento. A base do
funcionamento técnico é a disciplina do serviço.
WEBER, M. Os três tipos puros de dominação legítima. In: COHN, G.
(Org.). Max Weber: Sociologia. São Paulo: Ática, 2003 (adaptado).
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Obedece-se não à pessoa em virtude de seu próprio direito,
mas a regra estatuída, que estabelece ao mesmo tempo
a quem e em que medida se deve obedecer. Também quem
ordena obedece, ao emitir uma ordem, a uma regra; à “lei” ou
“regulamento” de uma norma formalmente abstrata. O tipo
daquele que ordena é o “superior”, cujo direito de mando
está legitimado por uma regra estatuída, no âmbito de uma
competência concreta, cuja delimitação e especialização
se baseiam na utilidade objetiva e nas suas exigências
profissionais estipuladas para a atividade do funcionário.
O dever de obediência está graduado numa hierarquia de
cargos, com subordinação dos inferiores aos superiores,
e dispõe de um direito de queixa regulamento. A base do
funcionamento técnico é a disciplina do serviço.
WEBER, M. Os três tipos puros de dominação legítima. In: COHN, G.
(Org.). Max Weber: Sociologia. São Paulo: Ática, 2003 (adaptado).
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Harriet Martineau, uma das fundadoras das Ciências Sociais, ressaltava a necessidade de uma metodologia para a coleta
e descrição de dados sobre a realidade social de modo a tornar esse processo mais objetivo. No desenvolvimento da didática
e das metodologias de ensino, a pesquisa como princípio pedagógico nas aulas de Sociologia tem sido mobilizada e teorizada
por diversos autores da área de Ciências Sociais. As Orientações Curriculares para o Ensino Médio (2006) estimulam o uso da
pesquisa vinculando-a ao princípios metodológicos de ensinar Sociologia a partir de temas, conceitos e teorias. Bernard Lahire,
em conferência escrita para o Encontro Nacional do Ensino de Sociologia na Educação Básica, realizado em Fortaleza, em 2013,
desenvolveu a ideia de que os instrumentos de pesquisa social deveriam ser socializados no ambiente escolar. A mobilização
da pesquisa adaptada à realidade escolar também tem sido apresentada pelos livros didáticos de Sociologia, aprovados pela
Política Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), que estimulam o desenvolvimento das aprendizagens conceituais da
Sociologia com base no exercício da pesquisa como princípio pedagógico.
A alternativa que descreve uma ação pedagógica com abordagem dos resultados de pesquisa conforme a perspectiva weberiana é:
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Na ausência de uma pedagogia racional que coloque tudo em prática para neutralizar metodicamente e continuamente, da escola
maternal à universidade, a ação dos fatores sociais de desigualdade cultural, a vontade política de oferecer a todos chances iguais
diante do ensino não consegue vencer as desigualdades reais, ainda que se arme de todos os meios institucionais e econômicos;
e, reciprocamente, uma pedagogia realmente racional, isto é, fundada numa sociologia das desigualdades culturais, sem dúvida
contribuiria para reduzir as desigualdades diante da escola e da cultura, mas somente poderá concretizar-se efetivamente se
forem oferecidas todas as condições de uma democratização real do recrutamento dos mestres e dos alunos, a começar pela
instauração de uma pedagogia racional.
BOURDIEU, P.; PASERON, J. C. Os herdeiros: os estudantes e a cultura. Florianópolis: EDUFSC, 2013.
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Na ausência de uma pedagogia racional que coloque tudo em prática para neutralizar metodicamente e continuamente, da escola
maternal à universidade, a ação dos fatores sociais de desigualdade cultural, a vontade política de oferecer a todos chances iguais
diante do ensino não consegue vencer as desigualdades reais, ainda que se arme de todos os meios institucionais e econômicos;
e, reciprocamente, uma pedagogia realmente racional, isto é, fundada numa sociologia das desigualdades culturais, sem dúvida
contribuiria para reduzir as desigualdades diante da escola e da cultura, mas somente poderá concretizar-se efetivamente se
forem oferecidas todas as condições de uma democratização real do recrutamento dos mestres e dos alunos, a começar pela
instauração de uma pedagogia racional.
BOURDIEU, P.; PASERON, J. C. Os herdeiros: os estudantes e a cultura. Florianópolis: EDUFSC, 2013.
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Observe os trechos da letra de canção Não é sério, selecionados por um professor de Sociologia, que atua em uma escola de
uma grande cidade, para o planejamento de uma aula sobre as juventudes e as desigualdades sociais e raciais brasileiras.
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério
O jovem no Brasil nunca é levado a sério
Eu vejo na TV o que eles falam sobre o jovem não é sério, não é sério
A polícia diz que já causei muito distúrbio
[...]
O que eu consigo ver é só um terço do problema
É o sistema que tem que mudar
Não se pode parar de lutar
Se não não muda
CHARLIE BROWN JR. e NEGRA LI. Nadando com tubarões. S.l.: Virgin, 2000 (fragmento).
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