HISTÓRIA 1: Num de seus cadernos de notas, Tchekhov registra esta anedota: “Um homem em Montecarlo vai ao cassino, ganha um milhão, volta para casa, suicida-se”. A forma clássica do conto está condensada no núcleo desse relato futuro e não escrito.
HISTÓRIA 2: Contra o previsível e o convencional (jogar – perder – suicidar-se), a intriga se oferece como um paradoxo. A anedota tende a desvincular a história do jogo e a história do suicídio. Essa cisão é a chave para definir o caráter duplo da forma do conto.
Primeira tese: um conto sempre conta duas histórias.
PIGLIA, Ricardo. “Teses sobre o conto”. In: Formas Breves. Trad. J. M. M. de Macedo.
São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
O escritor e ensaísta Ricardo Piglia analisa autores clássicos a partir dessa sua tese. De acordo com ele: