Na verdade, estamos presos em uma rede de falsas liberdades. Nunca se falou tanto em liberdade e poucas vezes fomos tão pressionados por exigências absurdas que constituem o que chamo a síndrome do “ter de”. Fala-se em liberdade de escolha, mas somos conduzidos pela propaganda, e as opções(a) são tantas que não conseguimos escolher com calma. Talvez possamos escapar das cobranças(b) sendo mais naturais, cumprindo deveres(c) reais. Nadar contra toda essa louca correnteza, ter opiniões próprias, amadurecer ajuda. Combater a ânsia por coisas que nem queremos, ignorar ofertas no fundo desinteressantes, isso ajuda. Descobrir o que queremos(d) e podemos é um bom aprendizado, mas leva algum tempo. Liberdade não vem de correr atrás de deveres impostos “de fora”, mas de construir a nossa existência(e), para a qual, com todo esse esforço e desgaste, sobra tão pouco tempo.
Lya Luft. A mentirosa liberdade. In: Veja, 25/3/2009 (com adaptações).
De acordo com a argumentação do texto, constitui uma falsa liberdade, ou uma mentirosa liberdade, como indica o título do texto, o fato de