“Bebe tu do teu próprio veneno.” A frase finaliza a oração de São Bento(a) contra os demônios, mas também pode ser aplicada, sem prejuízo, como remédio para tratarmos um tema polêmico(b): nosso teor de maldade. Assim como a injustiça, o mal coloca o homem em uma posição(c) passiva, ou seja, enxergamo-nos facilmente como vítimas, e apenas raras vezes nos colocamos no papel de autor de uma ação negativa. O psiquiatra suíço Carl Jung, pai da psicologia analítica, definiu a sombra(d) como um elemento básico da estrutura da mente. Nela guardamos os atributos que o ego repreende, como o orgulho, a vaidade, a agressividade e o ciúme. A sombra seria a casa do instinto que, quando bem aplicado, nos encoraja para desafios. Nessa linha de pensamento, a agressividade natural pode-se transformar em força(e) ou violência, a depender da forma como é aplicada. Jung defendia que a saúde psicológica dependia da conciliação com a sombra, e não da tentativa de sufocá-la. Aceitar o mal pessoal não significa, necessariamente, experimentá-lo. Justamente aí está o limite da saúde.
Revista do Correio. In: Correio Braziliense, 5/4/2009 (com adaptações).
Assinale a opção em que a reescritura da passagem do texto, situada nas linhas mencionadas, altera as relações semânticas e provoca incoerência textual.