Magna Concursos
2122438 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: IF-RS

Em caso de felicidade

Por Jeferson Tenório

Em caso de felicidade eu prefiro a vida.

Tenho essa frase anotada em algum bloco desses no qual costumo registrar meus pensamentos, passei anos sem entender ao certo o que ela de fato significava para mim, entretanto, os anos foram passando e um dia eu conheci a palavra lucidez.

Desde então, comecei a entender o que essa frase me sinalizava. Quando conhecemos a palavra lucidez há algo de grave nisso. Dizemos adeus às ilusões e como num lampejo começamos a suspeitar de que existe algo mais importante que a ideia de felicidade, algo mais poderoso e simples, algo menos fugaz e menos ilusório.

Quando abandonamos a ideia de felicidade, deixamos para trás aquilo que nos torna incapazes para a vida. Aos poucos, me dei conta de que tornar minha vida interessante era a única coisa importante a se fazer. Mas isso dá trabalho. E para começar, tive de aceitar a tristeza que é o que se faz quando achamos que a vida não tem razão.

Ao longo de minhas tentativas com a escrita, construí alguns personagens tristes, mas a tristeza desses homens e mulheres que inventei e que estão a caminhar pelas ruas todos os dias, não é um recurso de autopiedade, nem tampouco são personagens deprimidos. A tristeza deles foi o modo que eles encontraram para viver.

Se algum dia eu cedi à ideia de felicidade, foi quando descobri que vivo num tempo fora do tempo. Que corremos o tempo todo atrás de um presente que não existe, e que lutamos cotidianamente com a passagem das horas. E agora entendo o nosso corpo como uma ampulheta orgânica a nos dizer que temos de caminhar sempre e não há o que fazer quanto a isso.

Pois, se não há o que fazer, que façamos que a peregrinação seja interessante. Talvez seja isto: precisamos deslocar nossa ideia de uma felicidade plena e sem sobressaltos para uma vida mais interessante e imprevisível. Uma vida capaz de nos cativar e que nos fizesse olhar para as coisas com mais honestidade.

A grande ilusão de apostarmos tudo em um momento único, como se todas as alegrias estivessem reservadas num futuro longínquo é o que parece ser mais pernicioso. Tolstói talvez seja mais duro ao dizer que nem sempre as pessoas se casam para serem felizes. Simplesmente porque o cotidiano nos impõe uma série de obrigações burocráticas e que constantemente nos afastam daquele ideal de felicidade no qual tudo é eterno, um lugar onde não há fracasso, nem tédio, nem dor.

Talvez seja melhor pensarmos que as pessoas se unem não para serem felizes, mas para tornar suas vidas interessantes. O que me parece menos ambicioso e arrogante de nossa parte. Assistindo a uma entrevista do psicanalista Contardo Calligaris, entendi melhor sobre essa ilusão de procurarmos a felicidade no futuro. E dessa supervalorização da política da felicidade. Dizia ele que o mais importante não são os momentos felizes, mas os de trabalharmos arduamente para nos apaixonarmos por aquilo que fazemos de nossas vidas. E tornar nossa vida apaixonante não depende apenas de nós mesmos, mas também depende daquilo que nós fazemos com as pessoas.

(Disponível em: https://palavraria.wordpress.com/tag/a-cronica-de-jeferson-tenorio/ – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta a correta função sintática da oração sublinhada no trecho a seguir: “começamos a suspeitar de que existe algo mais importante”.

 

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