Considere o texto a seguir:
Romancistas e poetas que se queixam de ser obrigados a ganhar a vida como jornalistas têm pelo menos o consolo da boa companhia. Em Pena de aluguel, Cristiane Costa mostra que foram poucos os escritores que puderam se dar ao luxo de não ter uma fonte de renda alternativa, e o jornalismo foi a opção de grandes nomes da literatura, um clube que teve entre seus sócios Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade, para citar dois expoentes dos dois últimos séculos.
A relação entre escritores e imprensa foi de mútua influência. Graciliano Ramos, mesmo depois de escritor reconhecido, continuava trabalhando em redação de jornal, onde tinha o apelido de neurótico da língua. “Mesmo para a literatura, preconizava regras que poderiam constar de um manual de redação de jornal”, observa a autora. Adjetivos, por exemplo, ele cortava: Não passavam de “miçanga literária”. Nelson Rodrigues militava no extremo oposto. Os redatores adaptados a um estilo mais simples e direto receberam dele o rótulo de idiotas da objetividade.
DA EDIÇÃO. As vantagens (e desvantagens) da jornada dupla do escritor jornalista. Cadernos EntreLivros, n. 4, s/d. São Paulo: Ediouro. p. 14 (fragmento)
O segundo parágrafo do trecho, estrutura-se da seguinte maneira: