Em quase todas as sociedades, há alguma atividade de troca comercial, principalmente entre comunidades. O produto excedente de uma família, de um clã ou de uma aldeia pode ser de tempos em tempos trocado pelo produto excedente de outras famílias, clãs ou aldeias especializadas em outro tipo de produção. Nesse caso, a produção é efetuada para atender às necessidades de quem produz, quer dizer, cada comunidade procura ser autossuficiente.
Esse quadro muda quando se desenvolve uma produção para a troca, em que cada um passa a produzir aquilo a que está mais capacitado. Já encontramos aí um forte motivo para a experiência da subjetividade privatizada: cada um deve ser capaz de identificar a sua especialidade, aperfeiçoar-se nela, identificar-se com ela. Mas isso não basta. Os produtos produzidos para a troca devem ser levados ao mercado. O mercado cria inevitavelmente a ideia de que o lucro de um pode ser o prejuízo do outro e que cada um deve defender os próprios interesses. Quando o mercado toma conta de todas as relações humanas, isto é, quando todas as relações entre os homens se dão por meio de compra e venda de produtos elaborados por produtores particulares, universaliza-se a experiência de que os interesses de cada produtor são para ele mais importantes do que os interesses da sociedade como um todo e que assim deve ser.
L. C. M. Figueiredo e P. L. R. de Santi. Psicologia, uma (nova) introdução. São Paulo: EDUC, 2002, p. 39-40 (com adaptações).
De acordo com a argumentação do texto, “a experiência da subjetividade privatizada” inicia-se quando