Pecados do Século XXI
As versões modernas para a luxúria,
a inveja, o orgulho, a ira, a avareza,
a preguiça e a gula.
Os setes pecados capitais do
cristianismo – inveja, avareza, gula,
preguiça, ira, orgulho e luxúria –
adquiriram novas versões neste final
de século. A maioria movida a
compulsões por trabalho, consumo,
sucesso, prazeres e lucro, valores de
uma sociedade que trocou a
existência natural pelo acúmulo de
sensações e de bens materiais.
O psicanalista Eduardo Losicer,
um dos membros do Aspas
(Associação de Pesquisadores e
Analistas da Subjetividade), que está
____ frente da pesquisa sobre as
novas psicopatologias, explica que o
indivíduo contemporâneo obedece
essencialmente___ ordens externas,
enquanto suas demandas internas
caem no vazio e dão origem ____
compulsões:
- O paraíso atual é obrigatório.
Não há mais a moralidade do pecado,
na qual o pecador vivia um conflito
interno entre ceder ou não ____
tentação. Não há possibilidade de
escolha entre o céu e o inferno.
Vivemos ______ a moralidade dos
mandados. São ordens que devem ser
obedecidas, ______ pena de exclusão
do sistema. Esta é a ameaça. Vivemos
hoje como se cada indivíduo fosse
apenas um conjunto de leis, um
superego.
Os indivíduos contemporâneos
vêm sofrendo de ausência cada vez
maior de vida interior.
- Este vazio na alma dá origem a
condutas compulsivas para preencher
este vazio afetivo com dinheiro,
roupas, trabalho, imagens de jornais,
cinema e TV, bebida ou drogas
pesadas. É preciso preencher um
vazio existencial e afetivo.
Para o antigo pecado capital da
avareza, temos hoje o seu avesso: o
consumismo desenfreado e
compulsivo do perdulário
contemporâneo, para quem o que
importa não é ser alguém, mas ter
tudo e, se possível, todos ____ sua
volta. A criativa preguiça, tão
elogiada pelos defensores da vida
contemplativa, prazerosa e lúdica,
transformou-se em mania de
trabalho. O pecado da luxúria, que
levava homens e mulheres ____
pensar ou a fazer sexo em
__________, é hoje um hábito do
telespectador: o voyeurismo. Quem
tem ódio do Governo, do time rival
ou do parceiro que lhe deu um fora
debocha, ironiza e ridiculariza estes
desafetos. Já não há mais lugar para
a ira. O orgulho está em baixa. Pouca
gente se orgulha de si mesmo ou da
vida que leva (...) todo mundo sabe
que hoje em dia é fundamental se
autopromover. Não resistir ao apelo de uma caixa de bombons
importados...
Este era o pecado da gula,
praticamente superado por uma
legião de mulheres que buscam um
corpo cada vez mais magro e mais
jovem. A aparência do bom moço,
adotada por ídolos do esporte,
executivos de empresas e
apresentadores de TV, encobre um
sujeito dissimulado que cumpre um
papel preestabelecido. É a nova
versão do invejoso, que já não deseja ser o outro, mas algo imaginário e,
portanto, irreal.
Márcia Cezimbra (texto adaptado)
A palavra invejoso ao ser flexionada no plural muda o timbre da vogal tônica.
Assinale a alternativa em que a palavra NÃO sofre mudança de timbre ao ser flexionada no plural:
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