A hostilidade, ou até mesmo o desprezo, sentido e frequentemente expresso em relação à Idade Média pela elite cultural da época dita do Renascimento, a partir do século XIV, com mais frequência durante o XV e sobretudo o XVI, foi retransmitida e agravada posteriormente, em particular pelos eruditos ditos das Luzes no século XVIII [Século das Luzes, ou Iluminismo]. Eles chegaram até a qualificar a Idade Média como época das trevas, Dark Ages, em inglês. Essa condenação da Idade Média é fundamentada antes de tudo na necessidade, para os homens do Renascimento, de voltar à Antiguidade clássica e a seus grandes mestres (Aristóteles e Platão na Grécia, Cícero e Sêneca em Roma), que o pensamento medieval teria ignorado e contra os quais se teria afirmado. [...]
Entre o século XV e XVIII, houve, entre os pensadores, o sentimento de que o mergulho nas trevas que o período medieval representava para eles era acompanhado de um forte recuo do pensamento racional, que cedia lugar ao miraculoso, ao sobrenatural, ao apaixonado. Ora, a maioria dos clérigos da Idade Média, assim como o sistema de educação em vigor nas universidades e nas escolas, referiam-se quase constantemente à razão, e mais precisamente à ratio, sob seus dois sentidos: o de pensamento organizado e o de cálculo.
Fonte: LE GOFF, J. A história deve ser dividida em pedaços? Trad. Nícia Adan Bonatti. São Paulo: Editora Unesp, 2015, p. 75-77.
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