Cultura refere-se ao significado que um grupo social dá à
sua experiência, incluindo aqui ideias, crenças, costumes,
artes, linguagem, moral, direito, culinária etc. A cultura é
dinâmica, se recicla incessantemente incorporando novos
elementos, abandonando antigos, mesclando os dois,
transformando-os num terceiro com novo sentido. Tratamos,
portanto, do mundo das representações, incorporadas
simbolicamente na complexidade das manifestações
culturais. Cultura não é acessório da condição humana, é sim
seu substrato. O ser humano é humano porque produz
cultura, dando sentido à experiência objetiva, sensorial. Daí a
importância da interação social do “outro”, na construção dos
espaços simbólicos, onde expressamos nossa existência
humana, em termos de múltiplas identidades.
Quando se diz que alguém “não tem cultura”, a referência
é à sofisticação, sabedoria, de educação no sentido restrito do
termo. Ou seja, pressupõe-se que o volume de leituras,
controle de informações e títulos universitários equivalham à
“inteligência”. A cultura em seu sentido antropológico, por
outro lado, transcende a noção de refinamento intelectual
(cujo adjetivo é “culto”, e não “cultural”). A cultura permite
traduzir melhor a diferença entre nós e os outros e, assim
fazendo, resgatar a nossa humanidade no outro e a do outro
em nós mesmos.
Dar sentido à experiência, ao estar-no-mundo,
representá-la através de símbolos e orientar os indivíduos,
uns em relação aos outros, dotando-os de identidades,
também é característica daquilo que entendemos por arte. É
uma área de conhecimento que opera com a organização
imaginativa do sujeito a partir da experiência universal da
humanidade e das experiências particulares de cada um,
resguardados os princípios da unidade na diversidade, da
harmonia na heterogeneidade e do equilíbrio nas diferenças,
consolidando-se como fator de humanização, de socialização
e de fortalecimento da identidade cultural.
A arte é um meio de representação da realidade, uma
construção social, percepção de nós mesmos no mundo
possibilitando-nos assumir modelos de identidade e
comportamento. Tais representações do mundo podem nos
inspirar para a compreensão do presente e criação de
alternativas para o futuro.
Gruman, M. Caminhos da cidadania cultural: o ensino de artes no Brasil.
Educar em Revista, Curitiba, Brasil, n. 45, p. 199-211, jul/set. 2012. Editora
UFPR. Adaptado.