Os demarcadores de identidade quilombola são elementos
culturais, históricos, sociais e territoriais que fundamentam o
pertencimento dos indivíduos a comunidades quilombolas. Entre
comunidades quilombolas do Sudeste do Brasil, o jongo é um dos
principais marcadores de identidade e uma prática de resistência
e manutenção das tradições de matriz africana.
Considerando as possibilidades de interpretação do jongo como
demarcador de identidade quilombola, é correto afirmar que:
“Antônio Bispo dos Santos (1959-2023) nasceu no Vale do Rio
Berlengas (Piauí) e foi formado pelos ensinamentos de mestras e
mestres de ofício do quilombo Saco-Curtume, no município de
São João do Piauí; completou o ensino fundamental, tornando-se
o primeiro de sua família a ter acesso à alfabetização. Nego Bispo,
como também é conhecido, é uma liderança quilombola cuja
militância está ancorada ao conceito de ‘contra-colonização’, o
qual postula uma relação entre regimes sociopolíticos e
cosmológicos.” (Adaptado de https://ea.fflch.usp.br/autor/antonio-bispo-dossantos) Por contracolonização, Nego Bispo compreende:
Leia as considerações sobre xamanismo de Els Lagrou,
antropóloga especializada em estudos ameríndios:
“A consciência de que tudo está conectado e que todas as ações
produzem reações, não somente gestos como também palavras,
imagens vistas e pensamentos cultivados, é o que subjaz ao
conhecimento xamanístico. Entre os Huni Kuin (Kaxinawá), o
xamã se expressa pela performance e pelo canto que produz as
visões, permitindo guiar as pessoas que participam desse ritual e
ensinando-as a ver aquilo que se procura ver e, principalmente, a
não se perder sob o efeito de bebidas visionárias. No caso dos
Kaxinawa, os desenhos ganham um papel crucial nesse mundo
visionário, pois eles são como caminhos que permitem ‘ver’ a
realidade sob diferentes perspectivas”.
(Adaptado de https://revistausina.com/2015/07/15/entrevistacom-els-lagrou/) No trecho acima, o fenômeno do xamanismo é interpretado
como:
Indígenas participam de marcha após a criação do G9, durante a
programação da COP16, em Cali (Colômbia), em outubro de
2024.
Em outubro de 2024, em Cali (Colômbia), no contexto da
16ª Conferência das Nações Unidas sobre Biodiversidade
(COP16), organizações indígenas lançaram duas iniciativas: o “G9
da Amazônia Indígena”, uma coalizão para proteção da floresta
nos nove países amazônicos, e o manifesto que pede a
participação indígena na presidência da 30ª Conferência das
Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), prevista para
novembro de 2025, em Belém (Pará).
A respeito do crescente protagonismo diplomático de lideranças
indígenas, as iniciativas citadas exemplificam que:
Em A Sociedade contra o Estado (1974), o filósofo e etnólogo
Pierre Clastres lançou as bases para uma nova antropologia
política: “Os povos sem escrita não são menos adultos que as sociedades
letradas. Sua história é tão profunda quanto a nossa e, a não ser
por racismo, não há por que julgá-los incapazes de refletir sobre a
sua própria experiência e de dar a seus problemas as soluções
apropriadas. É exatamente por isso que não nos poderíamos
contentar em enunciar que nas sociedades onde não se observa a
relação de comando-obediência (isto é, nas sociedades sem
poder político), a vida do grupo como projeto coletivo se mantém
através do controle social imediato, imediatamente qualificado
de apolítico. O que precisamente se entende por isso? Qual é o
referente político que permite, por oposição, falar de apolítico?” (Adaptado de CLASTRES, P. A Sociedade contra o Estado:
pesquisas de antropologia política. Rio de Janeiro: F. Alves, 1978,
p. 16). Com base no trecho, é correto afirmar que a antropologia política
defendida por Pierre Clastres:
Para Sherry Ortner, o principal legado da antropologia geertziana
tem sido a questão de como “os símbolos modelam os modos em
que os atores sociais veem, sentem e pensam sobre o mundo ou,
em outras palavras, como os símbolos operam enquanto veículos
de ‘cultura’”.
(Adaptado de Ortner, S. B. Teoria na antropologia desde os
anos 60. In: Mana, 17(2), 2011, p. 421) Para Geertz, sistemas culturais como os calendários balineses são
objeto de análise antropológica para:
O Ensaio sobre a dádiva de Marcel Mauss foi publicado
originalmente na revista Année Sociologique (1923-1924), sendo
considerado uma obra central para a teoria antropológica. A respeito das noções de dom, troca e reciprocidade mobilizadas
no ensaio citado, é correto afirmar que:
Em Dois pequenos problemas com a lei terra intangível para os
Kisêdjê, Marcela Coelho de Souza examina a conexão entre o
povo Kisêdjê e a terra. A autora propõe o conceito de “terra
intangível”, que desafia a compreensão ocidental de propriedade
e posse. A autora argumenta que:
"A despeito do possessivo na expressão nossa terra, não acredito
que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao
instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele
implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem
imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a
compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de
Souza, 2017, p. 123). A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida
como:
Em The Idea of a Home: A Kind of Space, Mary Douglas elabora a
casa como um problema antropológico. Ela diz o seguinte:
"O principal problema de uma comunidade virtual é conseguir
solidariedade suficiente para proteger o bem coletivo. Se a
solidariedade enfraquecer, os ataques individuais destroem a
base de recursos colectivos. Embora o lar, tal como outras
instituições sem fins lucrativos, seja ineficiente segundo critérios
de mercado, noutro sentido é extraordinariamente eficiente. Não
necessita de pessoal administrativo especializado, porque as
reivindicações de justiça difundem o trabalho de organização. Os
membros continuamente reivindicam recursos, mas não vão
ganhar uma disputa pedindo em seu próprio nome; a
reivindicação vencedora é feita em nome do bem público e em
nome da justiça, que num lar é considerada um bem público. As
reivindicações individuais são concedidas ou refutadas pelos
mesmos motivos. A solução teórica do problema distributivo é a
equidade, mas a solução prática é fazer de cada membro um
vigilante do bem público e utilizar a coordenação para fazer o
resto. A coordenação facilita o controle público e um elevado
grau de visibilidade” (Douglas, 1991, p. 299). Nessa passagem, traduzida do inglês, Mary Douglas dialoga
claramente com a teoria de:
Em Rituais ontem e hoje, Mariza Peirano analisa o carnaval como
um ritual que expressa as ambiguidades e os dilemas da
sociedade brasileira. A autora destaca:
"O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um
processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26).
De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na
sociedade brasileira consiste em: