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3217249 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: CAGE-RS
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Outras vidas, outros eus

Pense um instante. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje e, em consequência, vivido experiências diferentes? Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva? Enfim: seria a mesma pessoa que neste instante está lendo este texto? Difícil dizer. Ainda assim, parece inevitável vez ou outra pensarmos o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta há alguns anos, dito “não” em vez de sim (ou vice-versa), marcado o “x” em outra coluna, escolhido outra companhia, outras palavras, outros caminhos. Citando apropriadamente o escritor Redwald Hugh Trevor-Roper (1914-2003), em “History and imagination”, o psicanalista britânico Adam Phillips escreve: “A história não é meramente o que aconteceu; é o que aconteceu no contexto daquilo que poderia ter acontecido”. Em seu livro mais recente, “O que você é e o que você quer ser”, o autor trata dessas “possíveis outras vidas” que nos acompanham, às vezes mais de perto, às vezes menos, evocando os riscos que não corremos e as oportunidades que não nos foram oferecidas (ou que simplesmente evitamos).

Para o ensaísta, ex-diretor do serviço de psicoterapia do Hospital Charing Cross, em Londres, a vida mental “revela vidas que não estamos vivendo, que deixamos passar em branco, que poderíamos ter, mas que, por alguma razão, não temos”. E, a partir disso, fato é que sempre fantasiamos vivências, coisas e pessoas ausentes em nossas vidas – ainda que nem sempre saibamos exatamente quais sejam elas e muito de nossas projeções contornadas pela imaginação confiram coloridos diversos da realidade às situações. A todo o momento, o cinema e a literatura falam desse imaginário que ronda o ser humano. A ausência daquilo que precisamos (ou pensamos que precisamos) nos angustia.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação. Cabe ao par analítico desvendar pistas para compreender o que sustenta os sintomas e, assim, estabelecer conexões que façam surgir sentidos. Em seu livro, o autor fala do limite que se impõe nessa luta diária travada – com o outro e com o mundo – na tentativa de fazer com que desejos sobrevivam. Nessa faina constante, muitos se apegam ao “mito do potencial”, capaz de transformar a existência de uma pessoa num perpétuo “vir a ser” que não desabrocha e reproduz a sensação de incompletude. Não parece difícil identificar na maioria dos círculos sociais pessoas que aparentemente sabem ter (e talvez tenham) condições de realizar algo, mas se perdem em labirintos de promissoras promessas. Na prática, mantém a ilusão de que é possível resguardar-se de frustações impostas pela realidade nem sempre confortável, mas com papel tão fundamental no processo de amadurecimento psíquico.

Para tecer essas reflexões e falar da lacuna inexorável existente entre aquilo que queremos e o que de fato podemos ter, Adam Phillips recorre às ideias de princípio do prazer e princípio da realidade, apresentadas por Freud em 1911, no artigo “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental”. “Esse suposto desajuste é a origem da nossa experiência de perda, bem como a origem da ação política engajada; como se acreditássemos na existência de um mundo em outro lugar, repleto daquilo que Freud chama de ‘satisfação completa’ e Camus chamaria de ‘um mundo mais justo’”.

Segundo o autor, qualquer ideal, qualquer mundo desejado, é uma forma de perguntar qual é o tipo de contexto em que estamos vivendo que faz o universo ideal uma solução. “Nossas utopias nos dizem mais sobre as vidas vividas e suas privações do que sobre nossas vidas sonhadas”, escreve. Afinal, são nossos desejos que estabelecem conexões entre o ser e o vir a ser. Para que esse processo se dê de maneira saudável é fundamental lidar com as perspectivas de falhas. Para Freud, é somente ao passarmos por estados de privação que podemos “alucinar” o que queremos – nos permitimos imaginar a realização do desejo, dando início à trabalho que se insere justamente como pré-condição para a elaboração.

Mas antes de falar em satisfação, evocando personagens clássicos da tragédia, como Rei Lear, Otelo e Macbeth, heróis que fizeram “ideia errada” do que almejavam, Phillips faz um alerta: se faz necessário recuperar a capacidade de aceitar as falhas: “É preciso lutar contra as tentativas de roubo dos nossos desejos antes mesmo que nós os percebamos”. A boa notícia é que sim, a satisfação é possível. Provavelmente não completa, não incondicional, não definitiva – e certamente não da forma como (arrogantemente) decidimos um dia que seria. Mas é possível; frágil, no entanto passível de cuidadosa e constante reconstrução.

Fonte: texto adaptado - http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/outras_vidas_outros_eus.html.

Em relação às ideias presentes no texto, analise as seguintes assertivas:

I. A ciência tem provas concretas de que, caso outras escolhas tivessem sido feitas e outros caminhos sido tomados, ainda assim estaríamos no mesmo local, fazendo as mesmas coisas.

II. De acordo com Adam Phillips, podemos entender a história como não apenas o que realmente aconteceu, mas como os fatos aconteceram inseridos em outros fatos passíveis de realização, mas não concretizados.

III. A partir dos ensinamentos de Freud, acredita-se que os sonhos não possuem um papel de destaque para os indivíduos, pois a realidade nunca pode ser afetada pelos desejos.

Quais estão corretas?

 

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3217248 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: CAGE-RS
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Outras vidas, outros eus

Pense um instante. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje e, em consequência, vivido experiências diferentes? Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva? Enfim: seria a mesma pessoa que neste instante está lendo este texto? Difícil dizer. Ainda assim, parece inevitável vez ou outra pensarmos o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta há alguns anos, dito “não” em vez de sim (ou vice-versa), marcado o “x” em outra coluna, escolhido outra companhia, outras palavras, outros caminhos. Citando apropriadamente o escritor Redwald Hugh Trevor-Roper (1914-2003), em “History and imagination”, o psicanalista britânico Adam Phillips escreve: “A história não é meramente o que aconteceu; é o que aconteceu no contexto daquilo que poderia ter acontecido”. Em seu livro mais recente, “O que você é e o que você quer ser”, o autor trata dessas “possíveis outras vidas” que nos acompanham, às vezes mais de perto, às vezes menos, evocando os riscos que não corremos e as oportunidades que não nos foram oferecidas (ou que simplesmente evitamos).

Para o ensaísta, ex-diretor do serviço de psicoterapia do Hospital Charing Cross, em Londres, a vida mental “revela vidas que não estamos vivendo, que deixamos passar em branco, que poderíamos ter, mas que, por alguma razão, não temos”. E, a partir disso, fato é que sempre fantasiamos vivências, coisas e pessoas ausentes em nossas vidas – ainda que nem sempre saibamos exatamente quais sejam elas e muito de nossas projeções contornadas pela imaginação confiram coloridos diversos da realidade às situações. A todo o momento, o cinema e a literatura falam desse imaginário que ronda o ser humano. A ausência daquilo que precisamos (ou pensamos que precisamos) nos angustia.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação. Cabe ao par analítico desvendar pistas para compreender o que sustenta os sintomas e, assim, estabelecer conexões que façam surgir sentidos. Em seu livro, o autor fala do limite que se impõe nessa luta diária travada – com o outro e com o mundo – na tentativa de fazer com que desejos sobrevivam. Nessa faina constante, muitos se apegam ao “mito do potencial”, capaz de transformar a existência de uma pessoa num perpétuo “vir a ser” que não desabrocha e reproduz a sensação de incompletude. Não parece difícil identificar na maioria dos círculos sociais pessoas que aparentemente sabem ter (e talvez tenham) condições de realizar algo, mas se perdem em labirintos de promissoras promessas. Na prática, mantém a ilusão de que é possível resguardar-se de frustações impostas pela realidade nem sempre confortável, mas com papel tão fundamental no processo de amadurecimento psíquico.

Para tecer essas reflexões e falar da lacuna inexorável existente entre aquilo que queremos e o que de fato podemos ter, Adam Phillips recorre às ideias de princípio do prazer e princípio da realidade, apresentadas por Freud em 1911, no artigo “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental”. “Esse suposto desajuste é a origem da nossa experiência de perda, bem como a origem da ação política engajada; como se acreditássemos na existência de um mundo em outro lugar, repleto daquilo que Freud chama de ‘satisfação completa’ e Camus chamaria de ‘um mundo mais justo’”.

Segundo o autor, qualquer ideal, qualquer mundo desejado, é uma forma de perguntar qual é o tipo de contexto em que estamos vivendo que faz o universo ideal uma solução. “Nossas utopias nos dizem mais sobre as vidas vividas e suas privações do que sobre nossas vidas sonhadas”, escreve. Afinal, são nossos desejos que estabelecem conexões entre o ser e o vir a ser. Para que esse processo se dê de maneira saudável é fundamental lidar com as perspectivas de falhas. Para Freud, é somente ao passarmos por estados de privação que podemos “alucinar” o que queremos – nos permitimos imaginar a realização do desejo, dando início à trabalho que se insere justamente como pré-condição para a elaboração.

Mas antes de falar em satisfação, evocando personagens clássicos da tragédia, como Rei Lear, Otelo e Macbeth, heróis que fizeram “ideia errada” do que almejavam, Phillips faz um alerta: se faz necessário recuperar a capacidade de aceitar as falhas: “É preciso lutar contra as tentativas de roubo dos nossos desejos antes mesmo que nós os percebamos”. A boa notícia é que sim, a satisfação é possível. Provavelmente não completa, não incondicional, não definitiva – e certamente não da forma como (arrogantemente) decidimos um dia que seria. Mas é possível; frágil, no entanto passível de cuidadosa e constante reconstrução.

Fonte: texto adaptado - http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/outras_vidas_outros_eus.html.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação.

Em relação à frase acima, analise as assertivas que seguem, assinalando V, para as verdadeiras, ou F, para as falsas.

( ) O período é composto por uma oração.

( ) O sujeito da oração é ‘Não raro’.

( ) O verbo ‘aparece’ é intransitivo.

( ) ‘nos consultórios de psicólogos e psicanalistas’ é um adjunto adnominal.

( ) A troca de ‘em forma de’ por ‘formando’ acarretaria aumento no número de orações do período.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

 

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3217247 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: CAGE-RS
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Outras vidas, outros eus

Pense um instante. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje e, em consequência, vivido experiências diferentes? Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva? Enfim: seria a mesma pessoa que neste instante está lendo este texto? Difícil dizer. Ainda assim, parece inevitável vez ou outra pensarmos o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta há alguns anos, dito “não” em vez de sim (ou vice-versa), marcado o “x” em outra coluna, escolhido outra companhia, outras palavras, outros caminhos. Citando apropriadamente o escritor Redwald Hugh Trevor-Roper (1914-2003), em “History and imagination”, o psicanalista britânico Adam Phillips escreve: “A história não é meramente o que aconteceu; é o que aconteceu no contexto daquilo que poderia ter acontecido”. Em seu livro mais recente, “O que você é e o que você quer ser”, o autor trata dessas “possíveis outras vidas” que nos acompanham, às vezes mais de perto, às vezes menos, evocando os riscos que não corremos e as oportunidades que não nos foram oferecidas (ou que simplesmente evitamos).

Para o ensaísta, ex-diretor do serviço de psicoterapia do Hospital Charing Cross, em Londres, a vida mental “revela vidas que não estamos vivendo, que deixamos passar em branco, que poderíamos ter, mas que, por alguma razão, não temos”. E, a partir disso, fato é que sempre fantasiamos vivências, coisas e pessoas ausentes em nossas vidas – ainda que nem sempre saibamos exatamente quais sejam elas e muito de nossas projeções contornadas pela imaginação confiram coloridos diversos da realidade às situações. A todo o momento, o cinema e a literatura falam desse imaginário que ronda o ser humano. A ausência daquilo que precisamos (ou pensamos que precisamos) nos angustia.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação. Cabe ao par analítico desvendar pistas para compreender o que sustenta os sintomas e, assim, estabelecer conexões que façam surgir sentidos. Em seu livro, o autor fala do limite que se impõe nessa luta diária travada – com o outro e com o mundo – na tentativa de fazer com que desejos sobrevivam. Nessa faina constante, muitos se apegam ao “mito do potencial”, capaz de transformar a existência de uma pessoa num perpétuo “vir a ser” que não desabrocha e reproduz a sensação de incompletude. Não parece difícil identificar na maioria dos círculos sociais pessoas que aparentemente sabem ter (e talvez tenham) condições de realizar algo, mas se perdem em labirintos de promissoras promessas. Na prática, mantém a ilusão de que é possível resguardar-se de frustações impostas pela realidade nem sempre confortável, mas com papel tão fundamental no processo de amadurecimento psíquico.

Para tecer essas reflexões e falar da lacuna inexorável existente entre aquilo que queremos e o que de fato podemos ter, Adam Phillips recorre às ideias de princípio do prazer e princípio da realidade, apresentadas por Freud em 1911, no artigo “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental”. “Esse suposto desajuste é a origem da nossa experiência de perda, bem como a origem da ação política engajada; como se acreditássemos na existência de um mundo em outro lugar, repleto daquilo que Freud chama de ‘satisfação completa’ e Camus chamaria de ‘um mundo mais justo’”.

Segundo o autor, qualquer ideal, qualquer mundo desejado, é uma forma de perguntar qual é o tipo de contexto em que estamos vivendo que faz o universo ideal uma solução. “Nossas utopias nos dizem mais sobre as vidas vividas e suas privações do que sobre nossas vidas sonhadas”, escreve. Afinal, são nossos desejos que estabelecem conexões entre o ser e o vir a ser. Para que esse processo se dê de maneira saudável é fundamental lidar com as perspectivas de falhas. Para Freud, é somente ao passarmos por estados de privação que podemos “alucinar” o que queremos – nos permitimos imaginar a realização do desejo, dando início à trabalho que se insere justamente como pré-condição para a elaboração.

Mas antes de falar em satisfação, evocando personagens clássicos da tragédia, como Rei Lear, Otelo e Macbeth, heróis que fizeram “ideia errada” do que almejavam, Phillips faz um alerta: se faz necessário recuperar a capacidade de aceitar as falhas: “É preciso lutar contra as tentativas de roubo dos nossos desejos antes mesmo que nós os percebamos”. A boa notícia é que sim, a satisfação é possível. Provavelmente não completa, não incondicional, não definitiva – e certamente não da forma como (arrogantemente) decidimos um dia que seria. Mas é possível; frágil, no entanto passível de cuidadosa e constante reconstrução.

Fonte: texto adaptado - http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/outras_vidas_outros_eus.html.

Analise as ocorrências da palavra ‘se’ nas frases abaixo, retiradas do texto:

1. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje

2. mas se perdem em labirintos de promissoras promessas

3. o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta

4. muitos se apegam ao “mito do potencial”

5. Para que esse processo se dê de maneira saudável

Em quais delas a palavra ‘se’ desempenha função de nexo condicional?

 

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3217246 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: CAGE-RS
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Outras vidas, outros eus

Pense um instante. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje e, em consequência, vivido experiências diferentes? Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva? Enfim: seria a mesma pessoa que neste instante está lendo este texto? Difícil dizer. Ainda assim, parece inevitável vez ou outra pensarmos o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta há alguns anos, dito “não” em vez de sim (ou vice-versa), marcado o “x” em outra coluna, escolhido outra companhia, outras palavras, outros caminhos. Citando apropriadamente o escritor Redwald Hugh Trevor-Roper (1914-2003), em “History and imagination”, o psicanalista britânico Adam Phillips escreve: “A história não é meramente o que aconteceu; é o que aconteceu no contexto daquilo que poderia ter acontecido”. Em seu livro mais recente, “O que você é e o que você quer ser”, o autor trata dessas “possíveis outras vidas” que nos acompanham, às vezes mais de perto, às vezes menos, evocando os riscos que não corremos e as oportunidades que não nos foram oferecidas (ou que simplesmente evitamos).

Para o ensaísta, ex-diretor do serviço de psicoterapia do Hospital Charing Cross, em Londres, a vida mental “revela vidas que não estamos vivendo, que deixamos passar em branco, que poderíamos ter, mas que, por alguma razão, não temos”. E, a partir disso, fato é que sempre fantasiamos vivências, coisas e pessoas ausentes em nossas vidas – ainda que nem sempre saibamos exatamente quais sejam elas e muito de nossas projeções contornadas pela imaginação confiram coloridos diversos da realidade às situações. A todo o momento, o cinema e a literatura falam desse imaginário que ronda o ser humano. A ausência daquilo que precisamos (ou pensamos que precisamos) nos angustia.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação. Cabe ao par analítico desvendar pistas para compreender o que sustenta os sintomas e, assim, estabelecer conexões que façam surgir sentidos. Em seu livro, o autor fala do limite que se impõe nessa luta diária travada – com o outro e com o mundo – na tentativa de fazer com que desejos sobrevivam. Nessa faina constante, muitos se apegam ao “mito do potencial”, capaz de transformar a existência de uma pessoa num perpétuo “vir a ser” que não desabrocha e reproduz a sensação de incompletude. Não parece difícil identificar na maioria dos círculos sociais pessoas que aparentemente sabem ter (e talvez tenham) condições de realizar algo, mas se perdem em labirintos de promissoras promessas. Na prática, mantém a ilusão de que é possível resguardar-se de frustações impostas pela realidade nem sempre confortável, mas com papel tão fundamental no processo de amadurecimento psíquico.

Para tecer essas reflexões e falar da lacuna inexorável existente entre aquilo que queremos e o que de fato podemos ter, Adam Phillips recorre às ideias de princípio do prazer e princípio da realidade, apresentadas por Freud em 1911, no artigo “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental”. “Esse suposto desajuste é a origem da nossa experiência de perda, bem como a origem da ação política engajada; como se acreditássemos na existência de um mundo em outro lugar, repleto daquilo que Freud chama de ‘satisfação completa’ e Camus chamaria de ‘um mundo mais justo’”.

Segundo o autor, qualquer ideal, qualquer mundo desejado, é uma forma de perguntar qual é o tipo de contexto em que estamos vivendo que faz o universo ideal uma solução. “Nossas utopias nos dizem mais sobre as vidas vividas e suas privações do que sobre nossas vidas sonhadas”, escreve. Afinal, são nossos desejos que estabelecem conexões entre o ser e o vir a ser. Para que esse processo se dê de maneira saudável é fundamental lidar com as perspectivas de falhas. Para Freud, é somente ao passarmos por estados de privação que podemos “alucinar” o que queremos – nos permitimos imaginar a realização do desejo, dando início à trabalho que se insere justamente como pré-condição para a elaboração.

Mas antes de falar em satisfação, evocando personagens clássicos da tragédia, como Rei Lear, Otelo e Macbeth, heróis que fizeram “ideia errada” do que almejavam, Phillips faz um alerta: se faz necessário recuperar a capacidade de aceitar as falhas: “É preciso lutar contra as tentativas de roubo dos nossos desejos antes mesmo que nós os percebamos”. A boa notícia é que sim, a satisfação é possível. Provavelmente não completa, não incondicional, não definitiva – e certamente não da forma como (arrogantemente) decidimos um dia que seria. Mas é possível; frágil, no entanto passível de cuidadosa e constante reconstrução.

Fonte: texto adaptado - http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/outras_vidas_outros_eus.html.

Analise as propostas de alteração de palavras do texto, observando questões sintáticas e semânticas, e assinale V, para as verdadeiras, ou F, para as falsas.

( ) ‘inevitável’ pode ser substituída por ‘não ser possível evitar’.

( ) ‘incompletude’ poderia ser substituída por ‘nunca haver qualquer tipo de completamento’.

( ) ‘inexorável’ poderia ser substituída por ‘que não pode ser preenchida’.

( ) A expressão ‘condicional’ poderia substituir ‘incondicional’, pois evita-se a redundância uma vez que já há uma partícula de negação na frase.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

 

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3217245 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Outras vidas, outros eus

Pense um instante. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje e, em consequência, vivido experiências diferentes? Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva? Enfim: seria a mesma pessoa que neste instante está lendo este texto? Difícil dizer. Ainda assim, parece inevitável vez ou outra pensarmos o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta há alguns anos, dito “não” em vez de sim (ou vice-versa), marcado o “x” em outra coluna, escolhido outra companhia, outras palavras, outros caminhos. Citando apropriadamente o escritor Redwald Hugh Trevor-Roper (1914-2003), em “History and imagination”, o psicanalista britânico Adam Phillips escreve: “A história não é meramente o que aconteceu; é o que aconteceu no contexto daquilo que poderia ter acontecido”. Em seu livro mais recente, “O que você é e o que você quer ser”, o autor trata dessas “possíveis outras vidas” que nos acompanham, às vezes mais de perto, às vezes menos, evocando os riscos que não corremos e as oportunidades que não nos foram oferecidas (ou que simplesmente evitamos).

Para o ensaísta, ex-diretor do serviço de psicoterapia do Hospital Charing Cross, em Londres, a vida mental “revela vidas que não estamos vivendo, que deixamos passar em branco, que poderíamos ter, mas que, por alguma razão, não temos”. E, a partir disso, fato é que sempre fantasiamos vivências, coisas e pessoas ausentes em nossas vidas – ainda que nem sempre saibamos exatamente quais sejam elas e muito de nossas projeções contornadas pela imaginação confiram coloridos diversos da realidade às situações. A todo o momento, o cinema e a literatura falam desse imaginário que ronda o ser humano. A ausência daquilo que precisamos (ou pensamos que precisamos) nos angustia.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação. Cabe ao par analítico desvendar pistas para compreender o que sustenta os sintomas e, assim, estabelecer conexões que façam surgir sentidos. Em seu livro, o autor fala do limite que se impõe nessa luta diária travada – com o outro e com o mundo – na tentativa de fazer com que desejos sobrevivam. Nessa faina constante, muitos se apegam ao “mito do potencial”, capaz de transformar a existência de uma pessoa num perpétuo “vir a ser” que não desabrocha e reproduz a sensação de incompletude. Não parece difícil identificar na maioria dos círculos sociais pessoas que aparentemente sabem ter (e talvez tenham) condições de realizar algo, mas se perdem em labirintos de promissoras promessas. Na prática, mantém a ilusão de que é possível resguardar-se de frustações impostas pela realidade nem sempre confortável, mas com papel tão fundamental no processo de amadurecimento psíquico.

Para tecer essas reflexões e falar da lacuna inexorável existente entre aquilo que queremos e o que de fato podemos ter, Adam Phillips recorre às ideias de princípio do prazer e princípio da realidade, apresentadas por Freud em 1911, no artigo “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental”. “Esse suposto desajuste é a origem da nossa experiência de perda, bem como a origem da ação política engajada; como se acreditássemos na existência de um mundo em outro lugar, repleto daquilo que Freud chama de ‘satisfação completa’ e Camus chamaria de ‘um mundo mais justo’”.

Segundo o autor, qualquer ideal, qualquer mundo desejado, é uma forma de perguntar qual é o tipo de contexto em que estamos vivendo que faz o universo ideal uma solução. “Nossas utopias nos dizem mais sobre as vidas vividas e suas privações do que sobre nossas vidas sonhadas”, escreve. Afinal, são nossos desejos que estabelecem conexões entre o ser e o vir a ser. Para que esse processo se dê de maneira saudável é fundamental lidar com as perspectivas de falhas. Para Freud, é somente ao passarmos por estados de privação que podemos “alucinar” o que queremos – nos permitimos imaginar a realização do desejo, dando início à trabalho que se insere justamente como pré-condição para a elaboração.

Mas antes de falar em satisfação, evocando personagens clássicos da tragédia, como Rei Lear, Otelo e Macbeth, heróis que fizeram “ideia errada” do que almejavam, Phillips faz um alerta: se faz necessário recuperar a capacidade de aceitar as falhas: “É preciso lutar contra as tentativas de roubo dos nossos desejos antes mesmo que nós os percebamos”. A boa notícia é que sim, a satisfação é possível. Provavelmente não completa, não incondicional, não definitiva – e certamente não da forma como (arrogantemente) decidimos um dia que seria. Mas é possível; frágil, no entanto passível de cuidadosa e constante reconstrução.

Fonte: texto adaptado - http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/outras_vidas_outros_eus.html.

Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as ocorrências do uso dos pares de aspas à sua correta explicação.

Coluna 1
1. Separar uma citação textual de outro autor.
2. Separar título de livros ou artigos.
3. Destacar palavras ou expressões.

Coluna 2
( ) Linha 04 (1a ocorrência).
( ) Linha 05 e 06.
( ) Linhas 06 e 07 (1a ocorrência).
( ) Linha 07 (2a ocorrência).
( ) Linha 18.
( ) Linhas 24 e 25 (1ª ocorrência).
( ) Linhas 29.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:

 

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3217244 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Outras vidas, outros eus

Pense um instante. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje e, em consequência, vivido experiências diferentes? Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva? Enfim: seria a mesma pessoa que neste instante está lendo este texto? Difícil dizer. Ainda assim, parece inevitável vez ou outra pensarmos o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta há alguns anos, dito “não” em vez de sim (ou vice-versa), marcado o “x” em outra coluna, escolhido outra companhia, outras palavras, outros caminhos. Citando apropriadamente o escritor Redwald Hugh Trevor-Roper (1914-2003), em “History and imagination”, o psicanalista britânico Adam Phillips escreve: “A história não é meramente o que aconteceu; é o que aconteceu no contexto daquilo que poderia ter acontecido”. Em seu livro mais recente, “O que você é e o que você quer ser”, o autor trata dessas “possíveis outras vidas” que nos acompanham, às vezes mais de perto, às vezes menos, evocando os riscos que não corremos e as oportunidades que não nos foram oferecidas (ou que simplesmente evitamos).

Para o ensaísta(I), ex-diretor do serviço de psicoterapia do Hospital Charing Cross, em Londres, a vida mental “revela vidas que não estamos vivendo, que deixamos passar em branco, que poderíamos ter, mas que, por alguma razão, não temos”. E, a partir disso, fato é que sempre fantasiamos vivências, coisas e pessoas ausentes em nossas vidas – ainda que nem sempre saibamos exatamente quais sejam elas e muito de nossas projeções contornadas pela imaginação confiram coloridos diversos da realidade às situações. A todo o momento, o cinema e a literatura falam desse imaginário que ronda o ser humano. A ausência daquilo que precisamos (ou pensamos que precisamos) nos angustia.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação. Cabe ao par analítico desvendar pistas para compreender o que sustenta os sintomas e, assim, estabelecer conexões que façam surgir sentidos. Em seu livro, o autor fala do limite que se impõe nessa luta diária travada – com o outro e com o mundo – na tentativa de fazer com que desejos sobrevivam. Nessa faina(II) constante, muitos se apegam ao “mito do potencial”, capaz de transformar a existência de uma pessoa num perpétuo “vir a ser” que não desabrocha e reproduz a sensação de incompletude. Não parece difícil identificar na maioria dos círculos sociais pessoas que aparentemente sabem ter (e talvez tenham) condições de realizar algo, mas se perdem em labirintos de promissoras promessas. Na prática, mantém a ilusão de que é possível resguardar-se de frustações impostas pela realidade nem sempre confortável, mas com papel tão fundamental no processo de amadurecimento psíquico.

Para tecer essas reflexões e falar da lacuna inexorável existente entre aquilo que queremos e o que de fato podemos ter, Adam Phillips recorre às ideias de princípio do prazer e princípio da realidade, apresentadas por Freud em 1911, no artigo “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental”. “Esse suposto desajuste é a origem da nossa experiência de perda, bem como a origem da ação política engajada; como se acreditássemos na existência de um mundo em outro lugar, repleto daquilo que Freud chama de ‘satisfação completa’ e Camus chamaria de ‘um mundo mais justo’”.

Segundo o autor, qualquer ideal, qualquer mundo desejado, é uma forma de perguntar qual é o tipo de contexto em que estamos vivendo que faz o universo ideal uma solução. “Nossas utopias nos dizem mais sobre as vidas vividas e suas privações do que sobre nossas vidas sonhadas”, escreve. Afinal, são nossos desejos que estabelecem conexões entre o ser e o vir a ser. Para que esse processo se dê de maneira saudável é fundamental lidar com as perspectivas de falhas. Para Freud, é somente ao passarmos por estados de privação que podemos “alucinar” o que queremos – nos permitimos imaginar a realização do desejo, dando início à trabalho que se insere justamente como pré-condição para a elaboração.

Mas antes de falar em satisfação, evocando personagens clássicos da tragédia, como Rei Lear, Otelo e Macbeth, heróis que fizeram “ideia errada” do que almejavam, Phillips faz um alerta: se faz necessário recuperar a capacidade de aceitar as falhas: “É preciso lutar contra as tentativas de roubo dos nossos desejos antes mesmo que nós os percebamos”. A boa notícia é que sim, a satisfação é possível. Provavelmente não completa, não incondicional, não definitiva – e certamente não da forma como (arrogantemente) decidimos um dia que seria. Mas é possível; frágil, no entanto passível(III) de cuidadosa e constante reconstrução.

Fonte: texto adaptado - http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/outras_vidas_outros_eus.html.

Analise as afirmações abaixo sobre o significado de palavras do texto.

I. A palavra ‘ensaísta’ significa ‘aquele que ensaia apresentações regularmente’.

II. Desconsiderando erros de concordância sintática, a palavra ‘faina’ poderia ser substituída por ‘grupo de pessoas’.

III. A palavra ‘passível’ pode ser entendida como algo que pode vir a acontecer.

Quais estão INCORRETAS?

 

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3217243 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: CAGE-RS
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Outras vidas, outros eus

Pense um instante. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje e, em consequência, vivido experiências diferentes? Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva? Enfim: seria a mesma pessoa que neste instante está lendo este texto? Difícil dizer. Ainda assim, parece inevitável vez ou outra pensarmos o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta há alguns anos, dito “não” em vez de sim (ou vice-versa), marcado o “x” em outra coluna, escolhido outra companhia, outras palavras, outros caminhos. Citando apropriadamente o escritor Redwald Hugh Trevor-Roper (1914-2003), em “History and imagination”, o psicanalista britânico Adam Phillips escreve: “A história não é meramente o que aconteceu; é o que aconteceu no contexto daquilo que poderia ter acontecido”. Em seu livro mais recente, “O que você é e o que você quer ser”, o autor trata dessas “possíveis outras vidas” que nos acompanham, às vezes mais de perto, às vezes menos, evocando os riscos que não corremos e as oportunidades que não nos foram oferecidas (ou que simplesmente evitamos).

Para o ensaísta, ex-diretor do serviço de psicoterapia do Hospital Charing Cross, em Londres, a vida mental “revela vidas que não estamos vivendo, que deixamos passar em branco, que poderíamos ter, mas que, por alguma razão, não temos”. E, a partir disso, fato é que sempre fantasiamos vivências, coisas e pessoas ausentes em nossas vidas – ainda que nem sempre saibamos exatamente quais sejam elas e muito de nossas projeções contornadas pela imaginação confiram coloridos diversos da realidade às situações. A todo o momento, o cinema e a literatura falam desse imaginário que ronda o ser humano. A ausência daquilo que precisamos (ou pensamos que precisamos) nos angustia.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação. Cabe ao par analítico desvendar pistas para compreender o que sustenta os sintomas e, assim, estabelecer conexões que façam surgir sentidos. Em seu livro, o autor fala do limite que se impõe nessa luta diária travada – com o outro e com o mundo – na tentativa de fazer com que desejos sobrevivam. Nessa faina constante, muitos se apegam ao “mito do potencial”, capaz de transformar a existência de uma pessoa num perpétuo “vir a ser” que não desabrocha e reproduz a sensação de incompletude. Não parece difícil identificar na maioria dos círculos sociais pessoas que aparentemente sabem ter (e talvez tenham) condições de realizar algo, mas se perdem em labirintos de promissoras promessas. Na prática, mantém a ilusão de que é possível resguardar-se de frustações impostas pela realidade nem sempre confortável, mas com papel tão fundamental no processo de amadurecimento psíquico.

Para tecer essas reflexões e falar da lacuna inexorável existente entre aquilo que queremos e o que de fato podemos ter, Adam Phillips recorre às ideias de princípio do prazer e princípio da realidade, apresentadas por Freud em 1911, no artigo “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental”. “Esse suposto desajuste é a origem da nossa experiência de perda, bem como a origem da ação política engajada; como se acreditássemos na existência de um mundo em outro lugar, repleto daquilo que Freud chama de ‘satisfação completa’ e Camus chamaria de ‘um mundo mais justo’”.

Segundo o autor, qualquer ideal, qualquer mundo desejado, é uma forma de perguntar qual é o tipo de contexto em que estamos vivendo que faz o universo ideal uma solução. “Nossas utopias nos dizem mais sobre as vidas vividas e suas privações do que sobre nossas vidas sonhadas”, escreve. Afinal, são nossos desejos que estabelecem conexões entre o ser e o vir a ser. Para que esse processo se dê de maneira saudável é fundamental lidar com as perspectivas de falhas. Para Freud, é somente ao passarmos por estados de privação que podemos “alucinar” o que queremos – nos permitimos imaginar a realização do desejo, dando início à trabalho que se insere justamente como pré-condição para a elaboração.

Mas antes de falar em satisfação, evocando personagens clássicos da tragédia, como Rei Lear, Otelo e Macbeth, heróis que fizeram “ideia errada” do que almejavam, Phillips faz um alerta: se faz necessário recuperar a capacidade de aceitar as falhas: “É preciso lutar contra as tentativas de roubo dos nossos desejos antes mesmo que nós os percebamos”. A boa notícia é que sim, a satisfação é possível. Provavelmente não completa, não incondicional, não definitiva – e certamente não da forma como (arrogantemente) decidimos um dia que seria. Mas é possível; frágil, no entanto passível de cuidadosa e constante reconstrução.

Fonte: texto adaptado - http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/outras_vidas_outros_eus.html.

Para responder à questão, considere a frase que segue, retirada do texto.

Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva?

Analise as assertivas abaixo:

I. Caso alterássemos ‘seria’ por ‘será’, os verbos ‘pensar’, ‘ter’ e ‘nutrir’ também teriam que ser conjugados no futuro do presente.

II. Se o pronome ‘você’ fosse substituído por ‘nós’, seis outras alterações seriam necessárias a fim de manter a concordância do período.

III. Caso ‘o mesmo desejo’ fosse passado para o plural, o verbo ‘cultivar’ deveria ser alterado para manter a concordância.

Quais estão corretas?

 

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3217242 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: CAGE-RS
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Outras vidas, outros eus

Pense um instante. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje e, em consequência, vivido experiências diferentes? Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva? Enfim: seria a mesma pessoa que neste instante está lendo este texto? Difícil dizer. Ainda assim, parece inevitável vez ou outra pensarmos o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta há alguns anos, dito “não” em vez de sim (ou vice-versa), marcado o “x” em outra coluna, escolhido outra companhia, outras palavras, outros caminhos. Citando apropriadamente o escritor Redwald Hugh Trevor-Roper (1914-2003), em “History and imagination”, o psicanalista britânico Adam Phillips escreve: “A história não é meramente o que aconteceu; é o que aconteceu no contexto daquilo que poderia ter acontecido”. Em seu livro mais recente, “O que você é e o que você quer ser”, o autor trata dessas “possíveis outras vidas” que nos acompanham, às vezes mais de perto, às vezes menos, evocando os riscos que não corremos e as oportunidades que não nos foram oferecidas (ou que simplesmente evitamos).

Para o ensaísta, ex-diretor do serviço de psicoterapia do Hospital Charing Cross, em Londres, a vida mental “revela vidas que não estamos vivendo, que deixamos passar em branco, que poderíamos ter, mas que, por alguma razão, não temos”. E, a partir disso, fato é que sempre fantasiamos vivências, coisas e pessoas ausentes em nossas vidas – ainda que nem sempre saibamos exatamente quais sejam elas e muito de nossas projeções contornadas pela imaginação confiram coloridos diversos da realidade às situações. A todo o momento, o cinema e a literatura falam desse imaginário que ronda o ser humano. A ausência daquilo que precisamos (ou pensamos que precisamos) nos angustia.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação. Cabe ao par analítico desvendar pistas para compreender o que sustenta os sintomas e, assim, estabelecer conexões que façam surgir sentidos. Em seu livro, o autor fala do limite que se impõe nessa luta diária travada – com o outro e com o mundo – na tentativa de fazer com que desejos sobrevivam. Nessa faina constante, muitos se apegam ao “mito do potencial”, capaz de transformar a existência de uma pessoa num perpétuo “vir a ser” que não desabrocha e reproduz a sensação de incompletude. Não parece difícil identificar na maioria dos círculos sociais pessoas que aparentemente sabem ter (e talvez tenham) condições de realizar algo, mas se perdem em labirintos de promissoras promessas. Na prática, mantém a ilusão de que é possível resguardar-se de frustações impostas pela realidade nem sempre confortável, mas com papel tão fundamental no processo de amadurecimento psíquico.

Para tecer essas reflexões e falar da lacuna inexorável existente entre aquilo que queremos e o que de fato podemos ter, Adam Phillips recorre às ideias de princípio do prazer e princípio da realidade, apresentadas por Freud em 1911, no artigo “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental”. “Esse suposto desajuste é a origem da nossa experiência de perda, bem como a origem da ação política engajada; como se acreditássemos na existência de um mundo em outro lugar, repleto daquilo que Freud chama de ‘satisfação completa’ e Camus chamaria de ‘um mundo mais justo’”.

Segundo o autor, qualquer ideal, qualquer mundo desejado, é uma forma de perguntar qual é o tipo de contexto em que estamos vivendo que faz o universo ideal uma solução. “Nossas utopias nos dizem mais sobre as vidas vividas e suas privações do que sobre nossas vidas sonhadas”, escreve. Afinal, são nossos desejos que estabelecem conexões entre o ser e o vir a ser. Para que esse processo se dê de maneira saudável é fundamental lidar com as perspectivas de falhas. Para Freud, é somente ao passarmos por estados de privação que podemos “alucinar” o que queremos – nos permitimos imaginar a realização do desejo, dando início à trabalho que se insere justamente como pré-condição para a elaboração.

Mas antes de falar em satisfação, evocando personagens clássicos da tragédia, como Rei Lear, Otelo e Macbeth, heróis que fizeram “ideia errada” do que almejavam, Phillips faz um alerta: se faz necessário recuperar a capacidade de aceitar as falhas: “É preciso lutar contra as tentativas de roubo dos nossos desejos antes mesmo que nós os percebamos”. A boa notícia é que sim, a satisfação é possível. Provavelmente não completa, não incondicional, não definitiva – e certamente não da forma como (arrogantemente) decidimos um dia que seria. Mas é possível; frágil, no entanto passível de cuidadosa e constante reconstrução.

Fonte: texto adaptado - http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/outras_vidas_outros_eus.html.

Analise as afirmações a seguir:

I. Em ‘experiências’ e ‘contexto’, a letra x é pronunciada da mesma maneira.

II. Em ‘conexões’ e ‘reflexões’, a letra x representa dois fonemas.

III. Em ‘queixas’ e ‘chama’, as letras sublinhadas, apesar de serem diferentes, representam o mesmo fonema.

Quais estão corretas?

 

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3217241 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: CAGE-RS
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Instrução: A questão refere-se ao texto abaixo.

Outras vidas, outros eus

Pense um instante. E se você não tivesse feito as opções que fez até hoje e, em consequência, vivido experiências diferentes? Ainda assim você seria como é, pensaria da mesma maneira, teria a mesma falta e nutriria o mesmo desejo que cultiva? Enfim: seria a mesma pessoa que neste instante está lendo este texto? Difícil dizer. Ainda assim, parece inevitável vez ou outra pensarmos o que teria sido de nós se tivéssemos aceito aquela proposta há alguns anos, dito “não” em vez de sim (ou vice-versa), marcado o “x” em outra coluna, escolhido outra companhia, outras palavras, outros caminhos. Citando apropriadamente o escritor Redwald Hugh Trevor-Roper (1914-2003), em “History and imagination”, o psicanalista britânico Adam Phillips escreve: “A história não é meramente o que aconteceu; é o que aconteceu no contexto daquilo que poderia ter acontecido”. Em seu livro mais recente, “O que você é e o que você quer ser”, o autor trata dessas “possíveis outras vidas” que nos acompanham, às vezes mais de perto, às vezes menos, evocando os riscos que não corremos e as oportunidades que não nos foram oferecidas (ou que simplesmente evitamos).

Para o ensaísta, ex-diretor do serviço de psicoterapia do Hospital Charing Cross, em Londres, a vida mental “revela vidas que não estamos vivendo, que deixamos passar em branco, que poderíamos ter, mas que, por alguma razão, não temos”. E, a partir disso, fato é que sempre fantasiamos vivências, coisas e pessoas ausentes em nossas vidas – ainda que nem sempre saibamos exatamente quais sejam elas e muito de nossas projeções contornadas pela imaginação confiram coloridos diversos da realidade ___ situações. A todo o momento, o cinema e a literatura falam desse imaginário que ronda o ser humano. A ausência daquilo que precisamos (ou pensamos que precisamos) nos angustia.

Não raro, nos consultórios de psicólogos e psicanalistas, aparece a inquietude em forma de queixas de tristeza e irritação. Cabe ao par analítico desvendar pistas para compreender o que sustenta os sintomas e, assim, estabelecer conexões que façam surgir sentidos. Em seu livro, o autor fala do limite que se impõe nessa luta diária travada – com o outro e com o mundo – na tentativa de fazer com que desejos sobrevivam. Nessa faina constante, muitos se apegam ao “mito do potencial”, capaz de transformar a existência de uma pessoa num perpétuo “vir a ser” que não desabrocha e reproduz a sensação de incompletude. Não parece difícil identificar na maioria dos círculos sociais pessoas que aparentemente sabem ter (e talvez tenham) condições de realizar algo, mas se perdem em labirintos de promissoras promessas. Na prática, mantém a ilusão de que é possível resguardar-se de frustações impostas pela realidade nem sempre confortável, mas com papel tão fundamental no processo de amadurecimento psíquico.

Para tecer essas reflexões e falar da lacuna inexorável existente entre aquilo que queremos e o que de fato podemos ter, Adam Phillips recorre ___ ideias de princípio do prazer e princípio da realidade, apresentadas por Freud em 1911, no artigo “Formulações sobre os dois princípios de funcionamento mental”. “Esse suposto desajuste é a origem da nossa experiência de perda, bem como a origem da ação política engajada; como se acreditássemos na existência de um mundo em outro lugar, repleto daquilo que Freud chama de ‘satisfação completa’ e Camus chamaria de ‘um mundo mais justo’”.

Segundo o autor, qualquer ideal, qualquer mundo desejado, é uma forma de perguntar qual é o tipo de contexto em que estamos vivendo que faz o universo ideal uma solução. “Nossas utopias nos dizem mais sobre as vidas vividas e suas privações do que sobre nossas vidas sonhadas”, escreve. Afinal, são nossos desejos que estabelecem conexões entre o ser e o vir a ser. Para que esse processo se dê de maneira saudável é fundamental lidar com as perspectivas de falhas. Para Freud, é somente ao passarmos por estados de privação que podemos “alucinar” o que queremos – nos permitimos imaginar a realização do desejo, dando início ___ trabalho que se insere justamente como pré-condição para a elaboração.

Mas antes de falar em satisfação, evocando personagens clássicos da tragédia, como Rei Lear, Otelo e Macbeth, heróis que fizeram “ideia errada” do que almejavam, Phillips faz um alerta: se faz necessário recuperar ___ capacidade de aceitar as falhas: “É preciso lutar contra as tentativas de roubo dos nossos desejos antes mesmo que nós os percebamos”. A boa notícia é que sim, a satisfação é possível. Provavelmente não completa, não incondicional, não definitiva – e certamente não da forma como (arrogantemente) decidimos um dia que seria. Mas é possível; frágil, no entanto passível de cuidadosa e constante reconstrução.

Fonte: texto adaptado - http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/outras_vidas_outros_eus.html.

Analise as afirmações abaixo sobre o correto preenchimento das lacunas tracejadas do texto, levando em conta o uso da crase.

I. A lacuna da linha 13 deve ser preenchida por as, pois uma preposição não é exigida pelo substantivo ‘realidade’.

II. Na linha 24, a lacuna deve ser preenchida por às. Entretanto, caso a palavra ‘ideias’ fosse alterada por ‘pensamentos’, não haveria condições para o uso da crase.

III. A lacuna da linha 32 deve ser preenchida por à, pois a palavra ‘início’ deve sempre ser seguida por uma preposição.

IV. Na linha 35, a lacuna deve ser preenchida por à, visto o verbo ‘recuperar’ ser transitivo indireto.

Quais estão INCORRETAS?

 

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3217240 Ano: 2014
Disciplina: Direitos Humanos
Banca: FUNDATEC
Orgão: CAGE-RS
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Ao realizar um processo seletivo para admissão de um novo colaborador, os gestores da empresa Fato Novo Serviços de Portaria Ltda. deparam-se com a situação na qual um determinado candidato, embora fosse mestiço, declarou-se negro. Diante dessa situação, torna-se necessário os gestores observarem o que preconiza o § 3º do Art. 1º Estatuto Estadual da Igualdade Racial do Rio Grande do Sul, o qual orienta que o candidato, ao declarar-se

 

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