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Foram encontradas 4.230 questões.

1632679 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Para melhor compreenderem a nação e os cidadãos — nas suas origens, no seu devir colonial e, finalmente, soberano —, nossos pensadores avançam os olhos por todo o mapa do país, tomam emprestado lunetas e alcançam outras épocas e outras civilizações. Chamam a atenção para as grandes conquistas que foram feitas desde sempre, pelo mais anônimo dos índios e dos escravos, passando pelos lavradores, faiscadores, trabalhadores, funcionários públicos, profissionais liberais, latifundiários, capitães de indústria, e que tornaram o país uma das nações mais adiantadas da América Latina. Entretanto, também querem acercar-se das causas das injustiças sociais, combatê-las pelas armas da palavra, saber o porquê de tanta miséria e sofrimento por parte de um povo, apesar de tudo, trabalhador e sempre disposto a buscar a prosperidade e o progresso moral seja dos seus, seja da Nação. Brasil, o nosso “claro enigma”.

Idem, ibidem, p. XLVIII (com adaptações).

No texto II,

a correção gramatical e as relações de sentido do texto seriam preservadas se, no lugar de “seja (...) seja”, fosse empregado quer (...) quer ou ora (...) ora.

 

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1632328 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Para melhor compreenderem a nação e os cidadãos — nas suas origens, no seu devir colonial e, finalmente, soberano —, nossos pensadores avançam os olhos por todo o mapa do país, tomam emprestado lunetas e alcançam outras épocas e outras civilizações. Chamam a atenção para as grandes conquistas que foram feitas desde sempre, pelo mais anônimo dos índios e dos escravos, passando pelos lavradores, faiscadores, trabalhadores, funcionários públicos, profissionais liberais, latifundiários, capitães de indústria, e que tornaram o país uma das nações mais adiantadas da América Latina. Entretanto, também querem acercar-se das causas das injustiças sociais, combatê-las pelas armas da palavra, saber o porquê de tanta miséria e sofrimento por parte de um povo, apesar de tudo, trabalhador e sempre disposto a buscar a prosperidade e o progresso moral seja dos seus, seja da Nação. Brasil, o nosso “claro enigma”.

Idem, ibidem, p. XLVIII (com adaptações).

No texto II,

preservam-se a correção gramatical e as relações sintáticas e semânticas se, em lugar de “o porquê de”, for empregada a conjunção por que.

 

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1632323 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Para melhor compreenderem a nação e os cidadãos — nas suas origens, no seu devir colonial e, finalmente, soberano —, nossos pensadores avançam os olhos por todo o mapa do país, tomam emprestado lunetas e alcançam outras épocas e outras civilizações. Chamam a atenção para as grandes conquistas que foram feitas desde sempre, pelo mais anônimo dos índios e dos escravos, passando pelos lavradores, faiscadores, trabalhadores, funcionários públicos, profissionais liberais, latifundiários, capitães de indústria, e que tornaram o país uma das nações mais adiantadas da América Latina. Entretanto, também querem acercar-se das causas das injustiças sociais, combatê-las pelas armas da palavra, saber o porquê de tanta miséria e sofrimento por parte de um povo, apesar de tudo, trabalhador e sempre disposto a buscar a prosperidade e o progresso moral seja dos seus, seja da Nação. Brasil, o nosso “claro enigma”.

Idem, ibidem, p. XLVIII (com adaptações).

No texto II,

preservam-se os sentidos textuais, a correção gramatical e os mecanismos de coesão ao se substituir “e” por conquistas essas.

 

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1632322 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Para melhor compreenderem a nação e os cidadãos — nas suas origens, no seu devir colonial e, finalmente, soberano —, nossos pensadores avançam os olhos por todo o mapa do país, tomam emprestado lunetas e alcançam outras épocas e outras civilizações. Chamam a atenção para as grandes conquistas que foram feitas desde sempre, pelo mais anônimo dos índios e dos escravos, passando pelos lavradores, faiscadores, trabalhadores, funcionários públicos, profissionais liberais, latifundiários, capitães de indústria, e que tornaram o país uma das nações mais adiantadas da América Latina. Entretanto, também querem acercar-se das causas das injustiças sociais, combatê-las pelas armas da palavra, saber o porquê de tanta miséria e sofrimento por parte de um povo, apesar de tudo, trabalhador e sempre disposto a buscar a prosperidade e o progresso moral seja dos seus, seja da Nação. Brasil, o nosso “claro enigma”.

Idem, ibidem, p. XLVIII (com adaptações).

No texto II,

a substituição de “para as” por das altera as relações semânticas entre “atenção” e “grandes conquistas”.

 

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1632317 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Para melhor compreenderem a nação e os cidadãos — nas suas origens, no seu devir colonial e, finalmente, soberano —, nossos pensadores avançam os olhos por todo o mapa do país, tomam emprestado lunetas e alcançam outras épocas e outras civilizações. Chamam a atenção para as grandes conquistas que foram feitas desde sempre, pelo mais anônimo dos índios e dos escravos, passando pelos lavradores, faiscadores, trabalhadores, funcionários públicos, profissionais liberais, latifundiários, capitães de indústria, e que tornaram o país uma das nações mais adiantadas da América Latina. Entretanto, também querem acercar-se das causas das injustiças sociais, combatê-las pelas armas da palavra, saber o porquê de tanta miséria e sofrimento por parte de um povo, apesar de tudo, trabalhador e sempre disposto a buscar a prosperidade e o progresso moral seja dos seus, seja da Nação. Brasil, o nosso “claro enigma”.

Idem, ibidem, p. XLVIII (com adaptações).

No texto II,

o emprego do infinitivo flexionado em “compreenderem” é opcional, assim como o infinitivo não- flexionado em “acercar-se” (R.10) poderia ser substituído por sua forma flexionada.

 

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1632316 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Texto I

Em nosso acervo crítico, às palavras duras de Joaquim Nabuco em O Abolicionismo se somam as palavras não menos ásperas de Euclides da Cunha em Os Sertões, denunciando o crime que estava sendo cometido pelas nossas forças armadas contra o sertanejo, em nome de um ideário republicano que não chegava a apreender em toda a sua extensão. Temos as palavras candentes de Manuel Bonfim que, em A América Latina, revela o modo como a Europa paralisou pelo parasitismo o desejo de luta pela civilização que alicerçava o ideal de todos os latino-americanos. Temos as anotações frias de uma leitura moderna de testamentos dos séculos XVI e XVII, por meio das quais Alcântara Machado, no desconcertante livro Vida e Morte do Bandeirante, descobre mais a pobreza e a honestidade dos primeiros brasileiros do que o luxo e a pompa de uma sociedade européia transplantada como tal para os trópicos. Temos a palavra desiludida de um aristocrata, Paulo Prado, que, inconformado com o modo como foi constituída a sociedade brasileira, confessa a sua tristeza e a do povo seu compatriota no Retrato do Brasil que esboça com elegância e enfado.Temos a palavra educada pela pedra de Graciliano Ramos, pondo a descoberto flagelos que nos perturbam até os nossos dias: a migração nordestina para os centros industriais, a seca, os sem-terra. Vidas Secas — pode haver título mais simbólico? Temos a voz macia e acolchoada de um grande estilista, Gilberto Freyre, que soube, como nenhum outro, compreender a contribuição cultural dos africanos, os mais sofridos de todos os brasileiros, para a constituição de uma sociedade patriarcal híbrida nos trópicos. Temos a voz ríspida e erudita de um pensador, Sérgio Buarque, que, sem desprezar a tranquilidade com que o homem brasileiro foi tecendo o seu destino histórico, soube estabelecer os princípios inquestionáveis da nossa identidade política, social e cultural no belo e comovente Raízes do Brasil. Temos a voz doutrinária do nosso primeiro grande pensador marxista, Caio Prado Júnior, que, por meio de uma interpretação econômica da situação do Brasil no contexto do mercantilismo internacional, formula em Formação do Brasil Contemporâneo questões que só poderiam ser resolvidas revolucionariamente. Temos a voz pacífica de um homem humilde, Florestan Fernandes, que, graças aos próprios esforços, alçou-se à condição de mestre de mestres e de homem político brilhante e destemido. É essa voz que flagra uma dada realidade brasileira (a revolução burguesa) que surge no século XIX, em inevitável decorrência de um processo de transformação básico na nossa História, ocasionado pela Independência. E a essas palavras de fogo podem se somar palavras mais simpáticas, ternas na sua compreensão da colonização portuguesa nos trópicos, enraizadas que estão nos grandes feitos de indivíduos extraordinários que aqui souberam desenvolver, de maneira auto-suficiente, micro-sociedades estáveis e rendosas. É o caso de Oliveira Viana e do seu livro Populações Meridionais do Brasil.

São poucos os países do Novo Mundo que podem ostentar pensadores com esse conhecimento e erudição, livros meditados e escritos com tanta fibra e coragem, com esse transbordante amor pelo Brasil que não se confunde com as declarações apaixonadas, retóricas e inócuas dos aventureiros da primeira e da última hora, que buscam agradar os poderosos do momento.

Silviano Santiago. In: Intérpretes do Brasil, vol. I, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. XLVII-XLVIII (com adaptações

Tendo o texto I por referência inicial, julgue o item seguinte.

Deduz-se, da leitura do texto, que o Brasil, apesar de sua dimensão territorial e populacional, produziu bem menos obras explicativas sobre sua trajetória do que outros países latino-americanos.

 

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1628588 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Texto I

Em nosso acervo crítico, às palavras duras de Joaquim Nabuco em O Abolicionismo se somam as palavras não menos ásperas de Euclides da Cunha em Os Sertões, denunciando o crime que estava sendo cometido pelas nossas forças armadas contra o sertanejo, em nome de um ideário republicano que não chegava a apreender em toda a sua extensão. Temos as palavras candentes de Manuel Bonfim que, em A América Latina, revela o modo como a Europa paralisou pelo parasitismo o desejo de luta pela civilização que alicerçava o ideal de todos os latino-americanos. Temos as anotações frias de uma leitura moderna de testamentos dos séculos XVI e XVII, por meio das quais Alcântara Machado, no desconcertante livro Vida e Morte do Bandeirante, descobre mais a pobreza e a honestidade dos primeiros brasileiros do que o luxo e a pompa de uma sociedade européia transplantada como tal para os trópicos. Temos a palavra desiludida de um aristocrata, Paulo Prado, que, inconformado com o modo como foi constituída a sociedade brasileira, confessa a sua tristeza e a do povo seu compatriota no Retrato do Brasil que esboça com elegância e enfado.Temos a palavra educada pela pedra de Graciliano Ramos, pondo a descoberto flagelos que nos perturbam até os nossos dias: a migração nordestina para os centros industriais, a seca, os sem-terra. Vidas Secas — pode haver título mais simbólico? Temos a voz macia e acolchoada de um grande estilista, Gilberto Freyre, que soube, como nenhum outro, compreender a contribuição cultural dos africanos, os mais sofridos de todos os brasileiros, para a constituição de uma sociedade patriarcal híbrida nos trópicos. Temos a voz ríspida e erudita de um pensador, Sérgio Buarque, que, sem desprezar a tranquilidade com que o homem brasileiro foi tecendo o seu destino histórico, soube estabelecer os princípios inquestionáveis da nossa identidade política, social e cultural no belo e comovente Raízes do Brasil. Temos a voz doutrinária do nosso primeiro grande pensador marxista, Caio Prado Júnior, que, por meio de uma interpretação econômica da situação do Brasil no contexto do mercantilismo internacional, formula em Formação do Brasil Contemporâneo questões que só poderiam ser resolvidas revolucionariamente. Temos a voz pacífica de um homem humilde, Florestan Fernandes, que, graças aos próprios esforços, alçou-se à condição de mestre de mestres e de homem político brilhante e destemido. É essa voz que flagra uma dada realidade brasileira (a revolução burguesa) que surge no século XIX, em inevitável decorrência de um processo de transformação básico na nossa História, ocasionado pela Independência. E a essas palavras de fogo podem se somar palavras mais simpáticas, ternas na sua compreensão da colonização portuguesa nos trópicos, enraizadas que estão nos grandes feitos de indivíduos extraordinários que aqui souberam desenvolver, de maneira auto-suficiente, micro-sociedades estáveis e rendosas. É o caso de Oliveira Viana e do seu livro Populações Meridionais do Brasil.

São poucos os países do Novo Mundo que podem ostentar pensadores com esse conhecimento e erudição, livros meditados e escritos com tanta fibra e coragem, com esse transbordante amor pelo Brasil que não se confunde com as declarações apaixonadas, retóricas e inócuas dos aventureiros da primeira e da última hora, que buscam agradar os poderosos do momento.

Silviano Santiago. In: Intérpretes do Brasil, vol. I, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. XLVII-XLVIII (com adaptações

Tendo o texto I por referência inicial, julgue o item seguinte.

Vidas Secas, de Graciliano Ramos, é exemplo de literatura que, para além de suas qualidades intrínsecas, transforma-se em instrumento de denúncia social, ao descrever cenários e personagens envolvidos pela miséria e pela injustiça.

 

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1625311 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Texto I

Em nosso acervo crítico, às palavras duras de Joaquim Nabuco em O Abolicionismo se somam as palavras não menos ásperas de Euclides da Cunha em Os Sertões, denunciando o crime que estava sendo cometido pelas nossas forças armadas contra o sertanejo, em nome de um ideário republicano que não chegava a apreender em toda a sua extensão. Temos as palavras candentes de Manuel Bonfim que, em A América Latina, revela o modo como a Europa paralisou pelo parasitismo o desejo de luta pela civilização que alicerçava o ideal de todos os latino-americanos. Temos as anotações frias de uma leitura moderna de testamentos dos séculos XVI e XVII, por meio das quais Alcântara Machado, no desconcertante livro Vida e Morte do Bandeirante, descobre mais a pobreza e a honestidade dos primeiros brasileiros do que o luxo e a pompa de uma sociedade européia transplantada como tal para os trópicos. Temos a palavra desiludida de um aristocrata, Paulo Prado, que, inconformado com o modo como foi constituída a sociedade brasileira, confessa a sua tristeza e a do povo seu compatriota no Retrato do Brasil que esboça com elegância e enfado.Temos a palavra educada pela pedra de Graciliano Ramos, pondo a descoberto flagelos que nos perturbam até os nossos dias: a migração nordestina para os centros industriais, a seca, os sem-terra. Vidas Secas — pode haver título mais simbólico? Temos a voz macia e acolchoada de um grande estilista, Gilberto Freyre, que soube, como nenhum outro, compreender a contribuição cultural dos africanos, os mais sofridos de todos os brasileiros, para a constituição de uma sociedade patriarcal híbrida nos trópicos. Temos a voz ríspida e erudita de um pensador, Sérgio Buarque, que, sem desprezar a tranquilidade com que o homem brasileiro foi tecendo o seu destino histórico, soube estabelecer os princípios inquestionáveis da nossa identidade política, social e cultural no belo e comovente Raízes do Brasil. Temos a voz doutrinária do nosso primeiro grande pensador marxista, Caio Prado Júnior, que, por meio de uma interpretação econômica da situação do Brasil no contexto do mercantilismo internacional, formula em Formação do Brasil Contemporâneo questões que só poderiam ser resolvidas revolucionariamente. Temos a voz pacífica de um homem humilde, Florestan Fernandes, que, graças aos próprios esforços, alçou-se à condição de mestre de mestres e de homem político brilhante e destemido. É essa voz que flagra uma dada realidade brasileira (a revolução burguesa) que surge no século XIX, em inevitável decorrência de um processo de transformação básico na nossa História, ocasionado pela Independência. E a essas palavras de fogo podem se somar palavras mais simpáticas, ternas na sua compreensão da colonização portuguesa nos trópicos, enraizadas que estão nos grandes feitos de indivíduos extraordinários que aqui souberam desenvolver, de maneira auto-suficiente, micro-sociedades estáveis e rendosas. É o caso de Oliveira Viana e do seu livro Populações Meridionais do Brasil.

São poucos os países do Novo Mundo que podem ostentar pensadores com esse conhecimento e erudição, livros meditados e escritos com tanta fibra e coragem, com esse transbordante amor pelo Brasil que não se confunde com as declarações apaixonadas, retóricas e inócuas dos aventureiros da primeira e da última hora, que buscam agradar os poderosos do momento.

Silviano Santiago. In: Intérpretes do Brasil, vol. I, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. XLVII-XLVIII (com adaptações

Tendo o texto I por referência inicial, julgue o item seguinte.

Casa Grande e Senzala, a despeito de sua reconhecida importância como marco da moderna sociologia brasileira, padece de uma falha comum a obras dessa natureza, escritas na primeira metade do século XX: ao superdimensionar a influência portuguesa na formação do Brasil, omite o papel desempenhado pelos africanos na constituição da nacionalidade brasileira.

 

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1613914 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: Câm. Deputados

Texto I

Em nosso acervo crítico, às palavras duras de Joaquim Nabuco em O Abolicionismo se somam as palavras não menos ásperas de Euclides da Cunha em Os Sertões, denunciando o crime que estava sendo cometido pelas nossas forças armadas contra o sertanejo, em nome de um ideário republicano que não chegava a apreender em toda a sua extensão. Temos as palavras candentes de Manuel Bonfim que, em A América Latina, revela o modo como a Europa paralisou pelo parasitismo o desejo de luta pela civilização que alicerçava o ideal de todos os latino-americanos. Temos as anotações frias de uma leitura moderna de testamentos dos séculos XVI e XVII, por meio das quais Alcântara Machado, no desconcertante livro Vida e Morte do Bandeirante, descobre mais a pobreza e a honestidade dos primeiros brasileiros do que o luxo e a pompa de uma sociedade européia transplantada como tal para os trópicos. Temos a palavra desiludida de um aristocrata, Paulo Prado, que, inconformado com o modo como foi constituída a sociedade brasileira, confessa a sua tristeza e a do povo seu compatriota no Retrato do Brasil que esboça com elegância e enfado.Temos a palavra educada pela pedra de Graciliano Ramos, pondo a descoberto flagelos que nos perturbam até os nossos dias: a migração nordestina para os centros industriais, a seca, os sem-terra. Vidas Secas — pode haver título mais simbólico? Temos a voz macia e acolchoada de um grande estilista, Gilberto Freyre, que soube, como nenhum outro, compreender a contribuição cultural dos africanos, os mais sofridos de todos os brasileiros, para a constituição de uma sociedade patriarcal híbrida nos trópicos. Temos a voz ríspida e erudita de um pensador, Sérgio Buarque, que, sem desprezar a tranquilidade com que o homem brasileiro foi tecendo o seu destino histórico, soube estabelecer os princípios inquestionáveis da nossa identidade política, social e cultural no belo e comovente Raízes do Brasil. Temos a voz doutrinária do nosso primeiro grande pensador marxista, Caio Prado Júnior, que, por meio de uma interpretação econômica da situação do Brasil no contexto do mercantilismo internacional, formula em Formação do Brasil Contemporâneo questões que só poderiam ser resolvidas revolucionariamente. Temos a voz pacífica de um homem humilde, Florestan Fernandes, que, graças aos próprios esforços, alçou-se à condição de mestre de mestres e de homem político brilhante e destemido. É essa voz que flagra uma dada realidade brasileira (a revolução burguesa) que surge no século XIX, em inevitável decorrência de um processo de transformação básico na nossa História, ocasionado pela Independência. E a essas palavras de fogo podem se somar palavras mais simpáticas, ternas na sua compreensão da colonização portuguesa nos trópicos, enraizadas que estão nos grandes feitos de indivíduos extraordinários que aqui souberam desenvolver, de maneira auto-suficiente, micro-sociedades estáveis e rendosas. É o caso de Oliveira Viana e do seu livro Populações Meridionais do Brasil.

São poucos os países do Novo Mundo que podem ostentar pensadores com esse conhecimento e erudição, livros meditados e escritos com tanta fibra e coragem, com esse transbordante amor pelo Brasil que não se confunde com as declarações apaixonadas, retóricas e inócuas dos aventureiros da primeira e da última hora, que buscam agradar os poderosos do momento.

Silviano Santiago. In: Intérpretes do Brasil, vol. I, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. XLVII-XLVIII (com adaptações

Tendo o texto I por referência inicial, julgue o item seguinte.

A identidade ideológica entre Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda e Caio Prado Júnior, três dos mais expressivos autores de obras clássicas sobre o Brasil lançadas nos anos 30, explica as semelhanças teóricas e metodológicas de seus trabalhos.

 

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1613910 Ano: 2002
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
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Texto I

Em nosso acervo crítico, às palavras duras de Joaquim Nabuco em O Abolicionismo se somam as palavras não menos ásperas de Euclides da Cunha em Os Sertões, denunciando o crime que estava sendo cometido pelas nossas forças armadas contra o sertanejo, em nome de um ideário republicano que não chegava a apreender em toda a sua extensão. Temos as palavras candentes de Manuel Bonfim que, em A América Latina, revela o modo como a Europa paralisou pelo parasitismo o desejo de luta pela civilização que alicerçava o ideal de todos os latino-americanos. Temos as anotações frias de uma leitura moderna de testamentos dos séculos XVI e XVII, por meio das quais Alcântara Machado, no desconcertante livro Vida e Morte do Bandeirante, descobre mais a pobreza e a honestidade dos primeiros brasileiros do que o luxo e a pompa de uma sociedade européia transplantada como tal para os trópicos. Temos a palavra desiludida de um aristocrata, Paulo Prado, que, inconformado com o modo como foi constituída a sociedade brasileira, confessa a sua tristeza e a do povo seu compatriota no Retrato do Brasil que esboça com elegância e enfado.Temos a palavra educada pela pedra de Graciliano Ramos, pondo a descoberto flagelos que nos perturbam até os nossos dias: a migração nordestina para os centros industriais, a seca, os sem-terra. Vidas Secas — pode haver título mais simbólico? Temos a voz macia e acolchoada de um grande estilista, Gilberto Freyre, que soube, como nenhum outro, compreender a contribuição cultural dos africanos, os mais sofridos de todos os brasileiros, para a constituição de uma sociedade patriarcal híbrida nos trópicos. Temos a voz ríspida e erudita de um pensador, Sérgio Buarque, que, sem desprezar a tranquilidade com que o homem brasileiro foi tecendo o seu destino histórico, soube estabelecer os princípios inquestionáveis da nossa identidade política, social e cultural no belo e comovente Raízes do Brasil. Temos a voz doutrinária do nosso primeiro grande pensador marxista, Caio Prado Júnior, que, por meio de uma interpretação econômica da situação do Brasil no contexto do mercantilismo internacional, formula em Formação do Brasil Contemporâneo questões que só poderiam ser resolvidas revolucionariamente. Temos a voz pacífica de um homem humilde, Florestan Fernandes, que, graças aos próprios esforços, alçou-se à condição de mestre de mestres e de homem político brilhante e destemido. É essa voz que flagra uma dada realidade brasileira (a revolução burguesa) que surge no século XIX, em inevitável decorrência de um processo de transformação básico na nossa História, ocasionado pela Independência. E a essas palavras de fogo podem se somar palavras mais simpáticas, ternas na sua compreensão da colonização portuguesa nos trópicos, enraizadas que estão nos grandes feitos de indivíduos extraordinários que aqui souberam desenvolver, de maneira auto-suficiente, micro-sociedades estáveis e rendosas. É o caso de Oliveira Viana e do seu livro Populações Meridionais do Brasil.

São poucos os países do Novo Mundo que podem ostentar pensadores com esse conhecimento e erudição, livros meditados e escritos com tanta fibra e coragem, com esse transbordante amor pelo Brasil que não se confunde com as declarações apaixonadas, retóricas e inócuas dos aventureiros da primeira e da última hora, que buscam agradar os poderosos do momento.

Silviano Santiago. In: Intérpretes do Brasil, vol. I, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000, p. XLVII-XLVIII (com adaptações

Tendo o texto I por referência inicial, julgue o item seguinte.

O esforço para se produzir obras que oferecessem uma “interpretação do Brasil”, centradas na tentativa de compreensão da realidade histórica que o país construiu desde o início da colonização, ajuda a compor o cenário conturbado e transformador dos anos 30 do século XX.

 

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