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Entre as dimensões da qualidade do atendimento, a mais determinante para a aproximação, de imediato, entre o cidadão e o atendente é:
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Disciplina: Administração Financeira e Orçamentária
Banca: IBAM
Orgão: CAU-RJ
O princípio orçamentário do equilíbrio está expresso na seguinte alternativa:
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XXXXX Nº , DE 2020
De PLENÁRIO, sobre o Projeto de Lei nº 2.630, de 2020, do Senador Alessandro Vieira, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.
(...)
I – XXXXXX
(...)
A proposição é composta por 31 artigos, divididos em seis capítulos.
O Capítulo I trata das disposições preliminares, e, em essência, determina que:
a) a lei estabelece diretrizes e mecanismos de transparência para aplicações de redes sociais e de serviços de mensageria privada na internet, para desestimular abusos ou manipulação com potencial para causar danos (art. 1º);
(...)
Ainda no Capítulo I, são estabelecidas algumas definições (art. 4º), merecendo destaque as seguintes:
d) desinformação: conteúdo, em parte ou no todo, inequivocamente falso ou enganoso, passível de verificação, colocado fora de contexto, manipulado ou forjado, com potencial para causar danos individuais ou coletivos, ressalvado o ânimo humorístico ou de paródia;
(...)
O Capítulo VI trata das disposições finais.
(...)
II – XXXXXX
Como se verifica, o projeto apresenta dois eixos principais: o combate à desinformação, tratado no Capítulo II, e a transparência em relação a conteúdos patrocinados, objeto do Capítulo III.
Com relação ao combate à desinformação, a compatibilidade do projeto com as garantias constitucionais à liberdade de expressão exige estudo detalhado. Também a manutenção do sigilo das comunicações demanda avaliação criteriosa.
Nesse sentido, inicialmente, deve-se avaliar o próprio conceito do termo “desinformação”, que remete a “conteúdo (…) inequivocamente falso ou enganoso, passível de verificação (…), com potencial para causar danos (…)”.
A definição adotada, aparentemente, volta-se especificamente para conteúdo que reporte fatos que possam ser verificados. Manifestações de opiniões, trabalhos intelectuais, doutrinas religiosas, convicções políticas ou filosóficas, em princípio, não seriam verificáveis e, consequentemente, não poderiam sequer ser classificadas como informação ou desinformação.
(...)
Disponível em: https://legis.senado.leg.br.
Na seção II do documento, apresenta-se uma polêmica em relação ao conceito do termo “desinformação”.
Essa polêmica diz respeito ao seguinte aspecto do conceito:
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XXXXX Nº , DE 2020
De PLENÁRIO, sobre o Projeto de Lei nº 2.630, de 2020, do Senador Alessandro Vieira, que institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet.
(...)
I – XXXXXX
(...)
A proposição é composta por 31 artigos, divididos em seis capítulos.
O Capítulo I trata das disposições preliminares, e, em essência, determina que:
a) a lei estabelece diretrizes e mecanismos de transparência para aplicações de redes sociais e de serviços de mensageria privada na internet, para desestimular abusos ou manipulação com potencial para causar danos (art. 1º);
(...)
Ainda no Capítulo I, são estabelecidas algumas definições (art. 4º), merecendo destaque as seguintes:
d) desinformação: conteúdo, em parte ou no todo, inequivocamente falso ou enganoso, passível de verificação, colocado fora de contexto, manipulado ou forjado, com potencial para causar danos individuais ou coletivos, ressalvado o ânimo humorístico ou de paródia;
(...)
O Capítulo VI trata das disposições finais.
(...)
II – XXXXXX
Como se verifica, o projeto apresenta dois eixos principais: o combate à desinformação, tratado no Capítulo II, e a transparência em relação a conteúdos patrocinados, objeto do Capítulo III.
Com relação ao combate à desinformação, a compatibilidade do projeto com as garantias constitucionais à liberdade de expressão exige estudo detalhado. Também a manutenção do sigilo das comunicações demanda avaliação criteriosa.
Nesse sentido, inicialmente, deve-se avaliar o próprio conceito do termo “desinformação”, que remete a “conteúdo (…) inequivocamente falso ou enganoso, passível de verificação (…), com potencial para causar danos (…)”.
A definição adotada, aparentemente, volta-se especificamente para conteúdo que reporte fatos que possam ser verificados. Manifestações de opiniões, trabalhos intelectuais, doutrinas religiosas, convicções políticas ou filosóficas, em princípio, não seriam verificáveis e, consequentemente, não poderiam sequer ser classificadas como informação ou desinformação.
(...)
Disponível em: https://legis.senado.leg.br.
ressalvado o ânimo humorístico ou de paródia; (seção I, item d)
O trecho em destaque expressa ideia de:
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INFLUENCIADORES DIGITAIS: UMA MERA ENCENAÇÃO SOCIAL?
Na obra Testemunha ocular, o historiador Peter Burke defende a ideia do uso das imagens como evidência histórica. Logo na introdução, ele pondera: “nos próximos anos, será interessante observar como os historiadores de uma geração exposta a computadores e televisão praticamente desde o nascimento, que sempre viveu num mundo saturado de imagens, vão enfocar a evidência visual em relação ao passado”.
Em 2001, quando o livro foi publicado, o ambiente virtual ainda não contava com ferramentas como o Instagram, que levaram a proliferação de imagens a patamares jamais imaginados. Se, nos termos de Burke, a saturação da nossa experiência de mundo por uma quantidade crescente de imagens é uma questão que se impôs na Era Moderna – com a invenção da imprensa e, mais tarde, com a popularização da fotografia –, origina-se também desse quadro um debate mais atual sobre o uso que estamos fazendo das imagens.
Um documentário recém-lançado pela HBO, Fake famous [“Famoso falso”], escrito e dirigido por Nick Bilton, traz reflexões instigantes nesse sentido. A produção gira em torno do universo dos influenciadores digitais e tem como argumento um experimento inusitado. Três anônimos são selecionados para conquistar fama instantânea nas redes sociais. São jovens na faixa dos vinte anos, que vislumbram na experiência a oportunidade de concretizar suas ambições. Enquanto ajuda-os na construção de uma imagem mais atraente para os padrões das redes, a produção do filme vai revelando os meios espúrios aos quais muitos usuários recorrem na busca incessante por engajamento.
Talvez não seja uma grande novidade, mas o documentário escancara a realidade da compra de seguidores (no caso, bots [“robôs”]), um dos meios mais comuns para simular um maior alcance das contas e impressionar marcas que buscam impulsionar a venda de seus produtos com a divulgação feita pelos influencers. Peter Burke bem nos lembra que “as tentações do realismo, mais exatamente a de tomar uma representação pela realidade, são particularmente sedutoras no que se refere a fotografias e retratos”. Em tempos remotos, já eram usuais representações artísticas que favoreciam as figuras retratadas. “Os modelos geralmente vestiam suas melhores roupas para serem pintados, de tal forma que os historiadores seriam desaconselhados a tratar retratos pintados como evidência do vestuário cotidiano”, acrescenta Burke. Ora, se artifícios como esses definem as imagens há tanto tempo, o que haveria de novo no comportamento visto hoje nas redes sociais?
Ao falar dos sistemas de convenções que sempre acompanharam a produção de retratos, o historiador sentencia: “as posturas e gestos dos modelos e os acessórios e objetos representados à sua volta seguem um padrão e estão frequentemente carregados de um sentido simbólico”. Se tomarmos como exemplo os antigos retratos da aristocracia, podemos entender, segundo essa lógica, que o reparo da aparência e o acréscimo de acessórios eram uma forma, portanto, de reafirmação simbólica de uma realidade já dada. Burke lembra como os governantes apareciam em armaduras e em vestes de coroação, no que lhes conferia maior dignidade.
Certamente, a imaginação humana permitiu que pessoas fossem retratadas de formas não totalmente equivalentes a suas existências concretas. No entanto, o que havia era mais um idealismo nas representações individuais do que aquilo que notamos hoje – a frequente falta de qualquer lastro com a realidade. Por um lado, é interessante reconhecer a democratização existente agora quanto à produção e à circulação de imagens. Por outro, é justamente a proliferação e o amplo alcance de distorções como as mostradas no documentário Fake famous que levam a um questionamento sobre o quanto não estamos presos a uma teia de artificialidade, regida ainda por relações mercadológicas nem sempre explícitas.
JÚLIA CORRÊA
Adaptado de fronteiras.com, abril/2021.
A palavra “que” é um importante elemento de coesão textual, podendo, por exemplo, introduzir complementos verbais.
Isso ocorre em:
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INFLUENCIADORES DIGITAIS: UMA MERA ENCENAÇÃO SOCIAL?
Na obra Testemunha ocular, o historiador Peter Burke defende a ideia do uso das imagens como evidência histórica. Logo na introdução, ele pondera: “nos próximos anos, será interessante observar como os historiadores de uma geração exposta a computadores e televisão praticamente desde o nascimento, que sempre viveu num mundo saturado de imagens, vão enfocar a evidência visual em relação ao passado”.
Em 2001, quando o livro foi publicado, o ambiente virtual ainda não contava com ferramentas como o Instagram, que levaram a proliferação de imagens a patamares jamais imaginados. Se, nos termos de Burke, a saturação da nossa experiência de mundo por uma quantidade crescente de imagens é uma questão que se impôs na Era Moderna – com a invenção da imprensa e, mais tarde, com a popularização da fotografia –, origina-se também desse quadro um debate mais atual sobre o uso que estamos fazendo das imagens.
Um documentário recém-lançado pela HBO, Fake famous [“Famoso falso”], escrito e dirigido por Nick Bilton, traz reflexões instigantes nesse sentido. A produção gira em torno do universo dos influenciadores digitais e tem como argumento um experimento inusitado. Três anônimos são selecionados para conquistar fama instantânea nas redes sociais. São jovens na faixa dos vinte anos, que vislumbram na experiência a oportunidade de concretizar suas ambições. Enquanto ajuda-os na construção de uma imagem mais atraente para os padrões das redes, a produção do filme vai revelando os meios espúrios aos quais muitos usuários recorrem na busca incessante por engajamento.
Talvez não seja uma grande novidade, mas o documentário escancara a realidade da compra de seguidores (no caso, bots [“robôs”]), um dos meios mais comuns para simular um maior alcance das contas e impressionar marcas que buscam impulsionar a venda de seus produtos com a divulgação feita pelos influencers. Peter Burke bem nos lembra que “as tentações do realismo, mais exatamente a de tomar uma representação pela realidade, são particularmente sedutoras no que se refere a fotografias e retratos”. Em tempos remotos, já eram usuais representações artísticas que favoreciam as figuras retratadas. “Os modelos geralmente vestiam suas melhores roupas para serem pintados, de tal forma que os historiadores seriam desaconselhados a tratar retratos pintados como evidência do vestuário cotidiano”, acrescenta Burke. Ora, se artifícios como esses definem as imagens há tanto tempo, o que haveria de novo no comportamento visto hoje nas redes sociais?
Ao falar dos sistemas de convenções que sempre acompanharam a produção de retratos, o historiador sentencia: “as posturas e gestos dos modelos e os acessórios e objetos representados à sua volta seguem um padrão e estão frequentemente carregados de um sentido simbólico”. Se tomarmos como exemplo os antigos retratos da aristocracia, podemos entender, segundo essa lógica, que o reparo da aparência e o acréscimo de acessórios eram uma forma, portanto, de reafirmação simbólica de uma realidade já dada. Burke lembra como os governantes apareciam em armaduras e em vestes de coroação, no que lhes conferia maior dignidade.
Certamente, a imaginação humana permitiu que pessoas fossem retratadas de formas não totalmente equivalentes a suas existências concretas. No entanto, o que havia era mais um idealismo nas representações individuais do que aquilo que notamos hoje – a frequente falta de qualquer lastro com a realidade. Por um lado, é interessante reconhecer a democratização existente agora quanto à produção e à circulação de imagens. Por outro, é justamente a proliferação e o amplo alcance de distorções como as mostradas no documentário Fake famous que levam a um questionamento sobre o quanto não estamos presos a uma teia de artificialidade, regida ainda por relações mercadológicas nem sempre explícitas.
JÚLIA CORRÊA
Adaptado de fronteiras.com, abril/2021.
A leitura do texto indica a existência de um dilema contemporâneo no que diz respeito à circulação de imagens.
O par de palavras do texto que melhor representa tal dilema está apresentado em:
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INFLUENCIADORES DIGITAIS: UMA MERA ENCENAÇÃO SOCIAL?
Na obra Testemunha ocular, o historiador Peter Burke defende a ideia do uso das imagens como evidência histórica. Logo na introdução, ele pondera: “nos próximos anos, será interessante observar como os historiadores de uma geração exposta a computadores e televisão praticamente desde o nascimento, que sempre viveu num mundo saturado de imagens, vão enfocar a evidência visual em relação ao passado”.
Em 2001, quando o livro foi publicado, o ambiente virtual ainda não contava com ferramentas como o Instagram, que levaram a proliferação de imagens a patamares jamais imaginados. Se, nos termos de Burke, a saturação da nossa experiência de mundo por uma quantidade crescente de imagens é uma questão que se impôs na Era Moderna – com a invenção da imprensa e, mais tarde, com a popularização da fotografia –, origina-se também desse quadro um debate mais atual sobre o uso que estamos fazendo das imagens.
Um documentário recém-lançado pela HBO, Fake famous [“Famoso falso”], escrito e dirigido por Nick Bilton, traz reflexões instigantes nesse sentido. A produção gira em torno do universo dos influenciadores digitais e tem como argumento um experimento inusitado. Três anônimos são selecionados para conquistar fama instantânea nas redes sociais. São jovens na faixa dos vinte anos, que vislumbram na experiência a oportunidade de concretizar suas ambições. Enquanto ajuda-os na construção de uma imagem mais atraente para os padrões das redes, a produção do filme vai revelando os meios espúrios aos quais muitos usuários recorrem na busca incessante por engajamento.
Talvez não seja uma grande novidade, mas o documentário escancara a realidade da compra de seguidores (no caso, bots [“robôs”]), um dos meios mais comuns para simular um maior alcance das contas e impressionar marcas que buscam impulsionar a venda de seus produtos com a divulgação feita pelos influencers. Peter Burke bem nos lembra que “as tentações do realismo, mais exatamente a de tomar uma representação pela realidade, são particularmente sedutoras no que se refere a fotografias e retratos”. Em tempos remotos, já eram usuais representações artísticas que favoreciam as figuras retratadas. “Os modelos geralmente vestiam suas melhores roupas para serem pintados, de tal forma que os historiadores seriam desaconselhados a tratar retratos pintados como evidência do vestuário cotidiano”, acrescenta Burke. Ora, se artifícios como esses definem as imagens há tanto tempo, o que haveria de novo no comportamento visto hoje nas redes sociais?
Ao falar dos sistemas de convenções que sempre acompanharam a produção de retratos, o historiador sentencia: “as posturas e gestos dos modelos e os acessórios e objetos representados à sua volta seguem um padrão e estão frequentemente carregados de um sentido simbólico”. Se tomarmos como exemplo os antigos retratos da aristocracia, podemos entender, segundo essa lógica, que o reparo da aparência e o acréscimo de acessórios eram uma forma, portanto, de reafirmação simbólica de uma realidade já dada. Burke lembra como os governantes apareciam em armaduras e em vestes de coroação, no que lhes conferia maior dignidade.
Certamente, a imaginação humana permitiu que pessoas fossem retratadas de formas não totalmente equivalentes a suas existências concretas. No entanto, o que havia era mais um idealismo nas representações individuais do que aquilo que notamos hoje – a frequente falta de qualquer lastro com a realidade. Por um lado, é interessante reconhecer a democratização existente agora quanto à produção e à circulação de imagens. Por outro, é justamente a proliferação e o amplo alcance de distorções como as mostradas no documentário Fake famous que levam a um questionamento sobre o quanto não estamos presos a uma teia de artificialidade, regida ainda por relações mercadológicas nem sempre explícitas.
JÚLIA CORRÊA
Adaptado de fronteiras.com, abril/2021.
No entanto, o que havia era mais um idealismo nas representações individuais do que aquilo que notamos hoje – a frequente falta de qualquer lastro com a realidade. (6º parágrafo)
Mantendo a coerência com o texto e a frase citada, o trecho após o travessão poderia ser introduzido pelo seguinte marcador:
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INFLUENCIADORES DIGITAIS: UMA MERA ENCENAÇÃO SOCIAL?
Na obra Testemunha ocular, o historiador Peter Burke defende a ideia do uso das imagens como evidência histórica. Logo na introdução, ele pondera: “nos próximos anos, será interessante observar como os historiadores de uma geração exposta a computadores e televisão praticamente desde o nascimento, que sempre viveu num mundo saturado de imagens, vão enfocar a evidência visual em relação ao passado”.
Em 2001, quando o livro foi publicado, o ambiente virtual ainda não contava com ferramentas como o Instagram, que levaram a proliferação de imagens a patamares jamais imaginados. Se, nos termos de Burke, a saturação da nossa experiência de mundo por uma quantidade crescente de imagens é uma questão que se impôs na Era Moderna – com a invenção da imprensa e, mais tarde, com a popularização da fotografia –, origina-se também desse quadro um debate mais atual sobre o uso que estamos fazendo das imagens.
Um documentário recém-lançado pela HBO, Fake famous [“Famoso falso”], escrito e dirigido por Nick Bilton, traz reflexões instigantes nesse sentido. A produção gira em torno do universo dos influenciadores digitais e tem como argumento um experimento inusitado. Três anônimos são selecionados para conquistar fama instantânea nas redes sociais. São jovens na faixa dos vinte anos, que vislumbram na experiência a oportunidade de concretizar suas ambições. Enquanto ajuda-os na construção de uma imagem mais atraente para os padrões das redes, a produção do filme vai revelando os meios espúrios aos quais muitos usuários recorrem na busca incessante por engajamento.
Talvez não seja uma grande novidade, mas o documentário escancara a realidade da compra de seguidores (no caso, bots [“robôs”]), um dos meios mais comuns para simular um maior alcance das contas e impressionar marcas que buscam impulsionar a venda de seus produtos com a divulgação feita pelos influencers. Peter Burke bem nos lembra que “as tentações do realismo, mais exatamente a de tomar uma representação pela realidade, são particularmente sedutoras no que se refere a fotografias e retratos”. Em tempos remotos, já eram usuais representações artísticas que favoreciam as figuras retratadas. “Os modelos geralmente vestiam suas melhores roupas para serem pintados, de tal forma que os historiadores seriam desaconselhados a tratar retratos pintados como evidência do vestuário cotidiano”, acrescenta Burke. Ora, se artifícios como esses definem as imagens há tanto tempo, o que haveria de novo no comportamento visto hoje nas redes sociais?
Ao falar dos sistemas de convenções que sempre acompanharam a produção de retratos, o historiador sentencia: “as posturas e gestos dos modelos e os acessórios e objetos representados à sua volta seguem um padrão e estão frequentemente carregados de um sentido simbólico”. Se tomarmos como exemplo os antigos retratos da aristocracia, podemos entender, segundo essa lógica, que o reparo da aparência e o acréscimo de acessórios eram uma forma, portanto, de reafirmação simbólica de uma realidade já dada. Burke lembra como os governantes apareciam em armaduras e em vestes de coroação, no que lhes conferia maior dignidade.
Certamente, a imaginação humana permitiu que pessoas fossem retratadas de formas não totalmente equivalentes a suas existências concretas. No entanto, o que havia era mais um idealismo nas representações individuais do que aquilo que notamos hoje – a frequente falta de qualquer lastro com a realidade. Por um lado, é interessante reconhecer a democratização existente agora quanto à produção e à circulação de imagens. Por outro, é justamente a proliferação e o amplo alcance de distorções como as mostradas no documentário Fake famous que levam a um questionamento sobre o quanto não estamos presos a uma teia de artificialidade, regida ainda por relações mercadológicas nem sempre explícitas.
JÚLIA CORRÊA
Adaptado de fronteiras.com, abril/2021.
O título do livro citado no texto, Testemunha ocular, é uma metáfora, pois contém uma comparação implícita.
Com base na leitura do texto, a comparação é feita entre os conteúdos da expressão contida no título e da seguinte palavra:
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INFLUENCIADORES DIGITAIS: UMA MERA ENCENAÇÃO SOCIAL?
Na obra Testemunha ocular, o historiador Peter Burke defende a ideia do uso das imagens como evidência histórica. Logo na introdução, ele pondera: “nos próximos anos, será interessante observar como os historiadores de uma geração exposta a computadores e televisão praticamente desde o nascimento, que sempre viveu num mundo saturado de imagens, vão enfocar a evidência visual em relação ao passado”.
Em 2001, quando o livro foi publicado, o ambiente virtual ainda não contava com ferramentas como o Instagram, que levaram a proliferação de imagens a patamares jamais imaginados. Se, nos termos de Burke, a saturação da nossa experiência de mundo por uma quantidade crescente de imagens é uma questão que se impôs na Era Moderna – com a invenção da imprensa e, mais tarde, com a popularização da fotografia –, origina-se também desse quadro um debate mais atual sobre o uso que estamos fazendo das imagens.
Um documentário recém-lançado pela HBO, Fake famous [“Famoso falso”], escrito e dirigido por Nick Bilton, traz reflexões instigantes nesse sentido. A produção gira em torno do universo dos influenciadores digitais e tem como argumento um experimento inusitado. Três anônimos são selecionados para conquistar fama instantânea nas redes sociais. São jovens na faixa dos vinte anos, que vislumbram na experiência a oportunidade de concretizar suas ambições. Enquanto ajuda-os na construção de uma imagem mais atraente para os padrões das redes, a produção do filme vai revelando os meios espúrios aos quais muitos usuários recorrem na busca incessante por engajamento.
Talvez não seja uma grande novidade, mas o documentário escancara a realidade da compra de seguidores (no caso, bots [“robôs”]), um dos meios mais comuns para simular um maior alcance das contas e impressionar marcas que buscam impulsionar a venda de seus produtos com a divulgação feita pelos influencers. Peter Burke bem nos lembra que “as tentações do realismo, mais exatamente a de tomar uma representação pela realidade, são particularmente sedutoras no que se refere a fotografias e retratos”. Em tempos remotos, já eram usuais representações artísticas que favoreciam as figuras retratadas. “Os modelos geralmente vestiam suas melhores roupas para serem pintados, de tal forma que os historiadores seriam desaconselhados a tratar retratos pintados como evidência do vestuário cotidiano”, acrescenta Burke. Ora, se artifícios como esses definem as imagens há tanto tempo, o que haveria de novo no comportamento visto hoje nas redes sociais?
Ao falar dos sistemas de convenções que sempre acompanharam a produção de retratos, o historiador sentencia: “as posturas e gestos dos modelos e os acessórios e objetos representados à sua volta seguem um padrão e estão frequentemente carregados de um sentido simbólico”. Se tomarmos como exemplo os antigos retratos da aristocracia, podemos entender, segundo essa lógica, que o reparo da aparência e o acréscimo de acessórios eram uma forma, portanto, de reafirmação simbólica de uma realidade já dada. Burke lembra como os governantes apareciam em armaduras e em vestes de coroação, no que lhes conferia maior dignidade.
Certamente, a imaginação humana permitiu que pessoas fossem retratadas de formas não totalmente equivalentes a suas existências concretas. No entanto, o que havia era mais um idealismo nas representações individuais do que aquilo que notamos hoje – a frequente falta de qualquer lastro com a realidade. Por um lado, é interessante reconhecer a democratização existente agora quanto à produção e à circulação de imagens. Por outro, é justamente a proliferação e o amplo alcance de distorções como as mostradas no documentário Fake famous que levam a um questionamento sobre o quanto não estamos presos a uma teia de artificialidade, regida ainda por relações mercadológicas nem sempre explícitas.
JÚLIA CORRÊA
Adaptado de fronteiras.com, abril/2021.
No texto, o ponto de vista do historiador Peter Burke aponta para um problema que pode decorrer do uso da imagem como evidência histórica.
Esse dilema está exposto no seguinte trecho:
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INFLUENCIADORES DIGITAIS: UMA MERA ENCENAÇÃO SOCIAL?
Na obra Testemunha ocular, o historiador Peter Burke defende a ideia do uso das imagens como evidência histórica. Logo na introdução, ele pondera: “nos próximos anos, será interessante observar como os historiadores de uma geração exposta a computadores e televisão praticamente desde o nascimento, que sempre viveu num mundo saturado de imagens, vão enfocar a evidência visual em relação ao passado”.
Em 2001, quando o livro foi publicado, o ambiente virtual ainda não contava com ferramentas como o Instagram, que levaram a proliferação de imagens a patamares jamais imaginados. Se, nos termos de Burke, a saturação da nossa experiência de mundo por uma quantidade crescente de imagens é uma questão que se impôs na Era Moderna – com a invenção da imprensa e, mais tarde, com a popularização da fotografia –, origina-se também desse quadro um debate mais atual sobre o uso que estamos fazendo das imagens.
Um documentário recém-lançado pela HBO, Fake famous [“Famoso falso”], escrito e dirigido por Nick Bilton, traz reflexões instigantes nesse sentido. A produção gira em torno do universo dos influenciadores digitais e tem como argumento um experimento inusitado. Três anônimos são selecionados para conquistar fama instantânea nas redes sociais. São jovens na faixa dos vinte anos, que vislumbram na experiência a oportunidade de concretizar suas ambições. Enquanto ajuda-os na construção de uma imagem mais atraente para os padrões das redes, a produção do filme vai revelando os meios espúrios aos quais muitos usuários recorrem na busca incessante por engajamento.
Talvez não seja uma grande novidade, mas o documentário escancara a realidade da compra de seguidores (no caso, bots [“robôs”]), um dos meios mais comuns para simular um maior alcance das contas e impressionar marcas que buscam impulsionar a venda de seus produtos com a divulgação feita pelos influencers. Peter Burke bem nos lembra que “as tentações do realismo, mais exatamente a de tomar uma representação pela realidade, são particularmente sedutoras no que se refere a fotografias e retratos”. Em tempos remotos, já eram usuais representações artísticas que favoreciam as figuras retratadas. “Os modelos geralmente vestiam suas melhores roupas para serem pintados, de tal forma que os historiadores seriam desaconselhados a tratar retratos pintados como evidência do vestuário cotidiano”, acrescenta Burke. Ora, se artifícios como esses definem as imagens há tanto tempo, o que haveria de novo no comportamento visto hoje nas redes sociais?
Ao falar dos sistemas de convenções que sempre acompanharam a produção de retratos, o historiador sentencia: “as posturas e gestos dos modelos e os acessórios e objetos representados à sua volta seguem um padrão e estão frequentemente carregados de um sentido simbólico”. Se tomarmos como exemplo os antigos retratos da aristocracia, podemos entender, segundo essa lógica, que o reparo da aparência e o acréscimo de acessórios eram uma forma, portanto, de reafirmação simbólica de uma realidade já dada. Burke lembra como os governantes apareciam em armaduras e em vestes de coroação, no que lhes conferia maior dignidade.
Certamente, a imaginação humana permitiu que pessoas fossem retratadas de formas não totalmente equivalentes a suas existências concretas. No entanto, o que havia era mais um idealismo nas representações individuais do que aquilo que notamos hoje – a frequente falta de qualquer lastro com a realidade. Por um lado, é interessante reconhecer a democratização existente agora quanto à produção e à circulação de imagens. Por outro, é justamente a proliferação e o amplo alcance de distorções como as mostradas no documentário Fake famous que levam a um questionamento sobre o quanto não estamos presos a uma teia de artificialidade, regida ainda por relações mercadológicas nem sempre explícitas.
JÚLIA CORRÊA
Adaptado de fronteiras.com, abril/2021.
Para defender sua tese acerca dos usos da imagem, a autora emprega o seguinte recurso central de organização do argumento:
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