Foram encontradas 355 questões.
Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10.
Cometa cruzará céu da Terra após 50 mil anos
O cometa C/2022 E3 (ZTF) cruzará novamente o céu
da Terra após 50 mil anos desde a última visita e poderá ser
visto a olho nu no final deste mês.
O pequeno corpo rochoso e gelado tem o diâmetro
5 de apenas um quilômetro e foi descoberto em março de
2022 pelo programa Zwicky Transient Facility (ZTF), que
opera o telescópio Samuel-Oschin no Observatório
Palomar, na Califórnia, Estados Unidos.
Há 50 mil anos, o C/2022 E3 (ZTF) visitou o interior
10 do sistema solar e passou perto da Terra. Ele foi detectado
novamente no caminho da órbita de Júpiter e passará nesta
semana perto do Sol.
Os astrônomos, que calcularam sua trajetória após
meses de observação, apontaram que ele atingirá seu peri-
15 hélio, o ponto mais próximo ao Sol, na próxima quinta-feira
(12).
Quando um cometa se aproxima do Sol, o gelo em
seu núcleo passa para o estado gasoso e libera uma longa
cauda que reflete a luz do astro-rei.
20 Esse brilhante fenômeno é o que será visto da Terra,
inicialmente no hemisfério norte, à medida que C/2022 E3
(ZTF) se aproxima.
O cometa brilhará em todo o seu esplendor
"quando estiver mais próximo da Terra", afirma o professor
25 de física do Instituto de Tecnologia da Califórnia, Thomas
Prince, que trabalha para a ZTF.
Entretanto, será menos espetacular que o cometa
Hale-Bopp (1997) ou o Neowise (2020), que foram muito
maiores.
30 O objeto espacial pode ser visto à noite com um
bom par de óculos ou mesmo a olho nu, desde que o céu
esteja claro, não haja poluição luminosa e o brilho da Lua
não incomode.
"Talvez tenhamos sorte e seja duas vezes mais
35 brilhante do que o esperado", arrisca o astrofísico do
Observatório de Paris-PSL, Nicolas Biver.
O melhor período de observação será o fim de
semana de 21 e 22 deste mês e a semana seguinte.
Durante esse período, ele passará entre as
40 constelações da Ursa Menor e da Ursa Maior. Mais tarde,
poderá ser visto no Hemisfério Sul para então partir para os
limites do sistema solar, onde provavelmente nasceu.
Segundo os modelos atuais, os cometas vêm ou do
cinturão de Kuiper, localizado para além da órbita de
45 Netuno, ou da nuvem de Oort, uma imensa área localizada
a quase um ano-luz do Sol, no limite de seu campo
gravitacional.
Esse cometa "vem inicialmente da nuvem de Oort",
de acordo com Biver ao considerar sua órbita. Desta vez,
50 ele provavelmente "sairá do sistema solar de uma vez por
todas", acrescenta ele.
Os preparativos para contemplá-lo estão
concluídos, e os cientistas esperam aprender um pouco
mais sobre a composição dos cometas, em especial graças
55 ao poderoso Telescópio Espacial James Webb.
"Iremos observar por todos os lados. Não é o cometa
do século, mas estamos felizes em poder ver cometas como
este a cada um ou dois anos, pois os consideramos vestígios
da formação do sistema solar", diz o astrofísico.
(https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/01/cometa-cruzara-ceu-da-terra-apos-50-mil-anos.shtml. 7.jan.2023)
Em relação à leitura do texto e suas possíveis inferências, analise as afirmativas a seguir:
I. A hipótese da procedência do cometa em questão é a nuvem de Oort.
II. O melhor período para observação do cometa é nos dias 21 e 22, no Hemisfério Sul.
III. A cauda de um cometa tem relação com a sua proximidade do Sol.
Assinale
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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10
Entenda a corrida pelo hidrogênio verde e por que o Brasil pode ser uma potência
O elemento mais abundante do universo vive uma
espécie de corrida do ouro. Com potencial para reduzir a
pegada ambiental de setores intensivos em carbono e
alavancar o processo de transição energética, o
5 hidrogênio é visto por muitos como o combustível do
futuro, com ares de superstar.
Mas não é todo tipo de hidrogênio que empolga o
mercado. O entusiasmo é pela versão sustentável –
chamada de hidrogênio verde – e cuja produção o Brasil
10 tem condições de liderar globalmente.
É que, embora exista em grande quantidade na
natureza, raramente ele é encontrado em sua forma
elementar. A extração precisa ser feita a partir de alguma
matéria-prima, que hoje é principalmente de origem
15 fóssil, como gás natural, petróleo ou carvão.
O hidrogênio verde (H2V), por sua vez, é derivado
da água, num processo de extração que usa energia
elétrica renovável para quebrar a molécula e separar o
hidrogênio gasoso do oxigênio.
20 Segundo a Agência Internacional de Energia,
apenas a substituição do hidrogênio "cinza" pelo verde
ajudaria a economizar cerca de 830 milhões de toneladas
de carbono por ano, o equivalente às emissões de Reino
Unido e Indonésia somadas.
25 Se considerar o potencial para substituir outros
combustíveis poluentes – na siderurgia e na aviação, por
exemplo –, o impacto positivo para o meio ambiente pode
ser ainda maior.
O problema é que as tecnologias de produção em
30 larga escala não estão 100% consolidadas. Além disso,
transportar hidrogênio é desafiador, pois exige que o
armazenamento seja feito em baixas temperaturas e alta
pressão, dificultando a logística.
No entanto, como o mercado é promissor,
35 empresas estão apostando no desenvolvimento da
indústria de H2V. Num momento em que a crise climática
se mistura com a crise energética na Europa, a corrida
ganhou senso de urgência.
Para o Brasil, o setor pode ser uma oportunidade.
40 O país tem condições de se tornar um dos principais
produtores e exportadores de hidrogênio verde, por
apresentar condições climáticas favoráveis à geração de
energia solar e eólica.
Atualmente, o Brasil é o terceiro país que mais
45 produz energia renovável no mundo, atrás apenas de EUA
e China. A alta oferta também coloca o país entre os mais
competitivos em termos de preço.
Um estudo da BloombergNEF projeta o Brasil como
um dos únicos capazes de oferecer hidrogênio verde a um
50 custo inferior a US$ 1 por quilo até 2030. Considerando o
longo prazo (2050), a cifra pode cair para US$ 0,55/kg.
Mas, para viabilizar esse cenário, o país precisará
investir alto na indústria, algo em torno de US$ 200
bilhões (R$ 1,04 trilhão) até 2040, segundo estimativas da
55 consultoria McKinsey.
Franceli Jodas, líder global de energia da
consultoria KPMG, diz que o Brasil já começou a se
movimentar nessa direção. Os projetos, ela ressalta, ainda
são pilotos, mas isso é algo que está acontecendo
60 globalmente.
"O hidrogênio verde é uma tecnologia nova e muito
cara. Ainda não é tão competitivo", afirma.
Segundo Jodas, é preciso passar por um período de
maturidade não só da tecnologia em si, mas de questões
65 de mercado internacional também. "Todo mundo quer
ser o grande exportador de hidrogênio verde, todos
querem atender às demandas de energia da Europa, mas
o fato é que precisamos de desenvolvimento tecnológico
ainda."
70 (...)
Atualmente, o Nordeste concentra a maior
movimentação em torno do H2V no Brasil. A região quer
se posicionar como um polo produtor, devido ao alto
potencial para geração de energia solar e eólica, além da
75 localização estratégica dos portos em relação ao mercado
europeu.
O Ceará é o estado com o maior número de
projetos já anunciados, mas Bahia, Pernambuco, Piauí e
Rio Grande do Norte vêm logo atrás.
80 Segundo Joaquim Rolim, coordenador de energia
na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), o
estado possui mais de 24 memorandos de entendimento
feitos com empresas nacionais e estrangeiras, o que
representa uma sinalização de investimento superior a
85 US$ 29,7 bilhões (R$ 154,9 bilhões).
"Nós temos condições de produzir no Brasil, no
Nordeste e, particularmente, no Ceará, o hidrogênio
verde mais barato do mundo", diz Rolim, acrescentando
que a complementaridade da produção de energia eólica
90 e solar é um fator diferencial da região.
Mas é na Bahia que a primeira fábrica de H2V está
sendo construída. Em julho de 2022, a Unigel anunciou o
projeto, com investimento inicial de US$ 120 milhões (R$
626 milhões). A usina ficará no Polo Industrial de Camaçari
95 e deve entrar em operação até o final de 2023.
Luiz Felipe Fustaino, diretor-executivo da Unigel,
explica que o interesse da companhia na indústria está na
amônia verde, que é um dos subprodutos do H2V.
A empresa atua no setor químico e petroquímico, e
100 é grande consumidora do composto, que hoje é produzido
principalmente através da sintetização do gás natural.
Após assumir as fábricas de fertilizantes da
Petrobras, em 2020, a Unigel passou a ser produtora de
amônia e viu que fazia sentido entrar no mercado de
105 hidrogênio verde.
Segundo Fustaino, a usina na Bahia vai converter
todo o H2V em amônia, que pode ser usada como fonte
de energia, combustível marítimo e para a fabricação de
fertilizantes e acrílicos com menor pegada de carbono. No
110 entanto, o produto também pode ajudar a resolver uma
dificuldade técnica relevante: o transporte e
armazenamento.
"Hidrogênio é um gás extremamente volátil. Para
armazená-lo, é preciso que a temperatura esteja na casa
115 de -300°C ou sob muita pressão. Já a amônia é um
produto mais fácil", diz. "Então transporta-se a amônia e
o cliente reverte o processo."
A expectativa é que no fim de 2023, a Unigel já
tenha a usina pronta para fabricar as primeiras toneladas
120 de hidrogênio verde. A previsão inicial é produzir 10 mil
toneladas por ano, que serão convertidas em 60 mil
toneladas de amônia verde. A segunda fase prevê
expandir a produção em dez vezes.
(...)
(Thiago Bethônico. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/01/entenda-acorrida-pelo-hidrogenio-verde-e-por-que-o-brasil-pode-ser-uma-potencia.shtml.
10.jan.2023)
No entanto, como o mercado é promissor, empresas estão apostando no desenvolvimento da indústria de H2V. (L.34-36)
A circunstância indicada pelo segmento sublinhado no período acima é de
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Entenda a corrida pelo hidrogênio verde e por que o Brasil pode ser uma potência
O elemento mais abundante do universo vive uma
espécie de corrida do ouro. Com potencial para reduzir a
pegada ambiental de setores intensivos em carbono e
alavancar o processo de transição energética, o
5 hidrogênio é visto por muitos como o combustível do
futuro, com ares de superstar.
Mas não é todo tipo de hidrogênio que empolga o
mercado. O entusiasmo é pela versão sustentável –
chamada de hidrogênio verde – e cuja produção o Brasil
10 tem condições de liderar globalmente.
É que, embora exista em grande quantidade na
natureza, raramente ele é encontrado em sua forma
elementar. A extração precisa ser feita a partir de alguma
matéria-prima, que hoje é principalmente de origem
15 fóssil, como gás natural, petróleo ou carvão.
O hidrogênio verde (H2V), por sua vez, é derivado
da água, num processo de extração que usa energia
elétrica renovável para quebrar a molécula e separar o
hidrogênio gasoso do oxigênio.
20 Segundo a Agência Internacional de Energia,
apenas a substituição do hidrogênio "cinza" pelo verde
ajudaria a economizar cerca de 830 milhões de toneladas
de carbono por ano, o equivalente às emissões de Reino
Unido e Indonésia somadas.
25 Se considerar o potencial para substituir outros
combustíveis poluentes – na siderurgia e na aviação, por
exemplo –, o impacto positivo para o meio ambiente pode
ser ainda maior.
O problema é que as tecnologias de produção em
30 larga escala não estão 100% consolidadas. Além disso,
transportar hidrogênio é desafiador, pois exige que o
armazenamento seja feito em baixas temperaturas e alta
pressão, dificultando a logística.
No entanto, como o mercado é promissor,
35 empresas estão apostando no desenvolvimento da
indústria de H2V. Num momento em que a crise climática
se mistura com a crise energética na Europa, a corrida
ganhou senso de urgência.
Para o Brasil, o setor pode ser uma oportunidade.
40 O país tem condições de se tornar um dos principais
produtores e exportadores de hidrogênio verde, por
apresentar condições climáticas favoráveis à geração de
energia solar e eólica.
Atualmente, o Brasil é o terceiro país que mais
45 produz energia renovável no mundo, atrás apenas de EUA
e China. A alta oferta também coloca o país entre os mais
competitivos em termos de preço.
Um estudo da BloombergNEF projeta o Brasil como
um dos únicos capazes de oferecer hidrogênio verde a um
50 custo inferior a US$ 1 por quilo até 2030. Considerando o
longo prazo (2050), a cifra pode cair para US$ 0,55/kg.
Mas, para viabilizar esse cenário, o país precisará
investir alto na indústria, algo em torno de US$ 200
bilhões (R$ 1,04 trilhão) até 2040, segundo estimativas da
55 consultoria McKinsey.
Franceli Jodas, líder global de energia da
consultoria KPMG, diz que o Brasil já começou a se
movimentar nessa direção. Os projetos, ela ressalta, ainda
são pilotos, mas isso é algo que está acontecendo
60 globalmente.
"O hidrogênio verde é uma tecnologia nova e muito
cara. Ainda não é tão competitivo", afirma.
Segundo Jodas, é preciso passar por um período de
maturidade não só da tecnologia em si, mas de questões
65 de mercado internacional também. "Todo mundo quer
ser o grande exportador de hidrogênio verde, todos
querem atender às demandas de energia da Europa, mas
o fato é que precisamos de desenvolvimento tecnológico
ainda."
70 (...)
Atualmente, o Nordeste concentra a maior
movimentação em torno do H2V no Brasil. A região quer
se posicionar como um polo produtor, devido ao alto
potencial para geração de energia solar e eólica, além da
75 localização estratégica dos portos em relação ao mercado
europeu.
O Ceará é o estado com o maior número de
projetos já anunciados, mas Bahia, Pernambuco, Piauí e
Rio Grande do Norte vêm logo atrás.
80 Segundo Joaquim Rolim, coordenador de energia
na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), o
estado possui mais de 24 memorandos de entendimento
feitos com empresas nacionais e estrangeiras, o que
representa uma sinalização de investimento superior a
85 US$ 29,7 bilhões (R$ 154,9 bilhões).
"Nós temos condições de produzir no Brasil, no
Nordeste e, particularmente, no Ceará, o hidrogênio
verde mais barato do mundo", diz Rolim, acrescentando
que a complementaridade da produção de energia eólica
90 e solar é um fator diferencial da região.
Mas é na Bahia que a primeira fábrica de H2V está
sendo construída. Em julho de 2022, a Unigel anunciou o
projeto, com investimento inicial de US$ 120 milhões (R$
626 milhões). A usina ficará no Polo Industrial de Camaçari
95 e deve entrar em operação até o final de 2023.
Luiz Felipe Fustaino, diretor-executivo da Unigel,
explica que o interesse da companhia na indústria está na
amônia verde, que é um dos subprodutos do H2V.
A empresa atua no setor químico e petroquímico, e
100 é grande consumidora do composto, que hoje é produzido
principalmente através da sintetização do gás natural.
Após assumir as fábricas de fertilizantes da
Petrobras, em 2020, a Unigel passou a ser produtora de
amônia e viu que fazia sentido entrar no mercado de
105 hidrogênio verde.
Segundo Fustaino, a usina na Bahia vai converter
todo o H2V em amônia, que pode ser usada como fonte
de energia, combustível marítimo e para a fabricação de
fertilizantes e acrílicos com menor pegada de carbono. No
110 entanto, o produto também pode ajudar a resolver uma
dificuldade técnica relevante: o transporte e
armazenamento.
"Hidrogênio é um gás extremamente volátil. Para
armazená-lo, é preciso que a temperatura esteja na casa
115 de -300°C ou sob muita pressão. Já a amônia é um
produto mais fácil", diz. "Então transporta-se a amônia e
o cliente reverte o processo."
A expectativa é que no fim de 2023, a Unigel já
tenha a usina pronta para fabricar as primeiras toneladas
120 de hidrogênio verde. A previsão inicial é produzir 10 mil
toneladas por ano, que serão convertidas em 60 mil
toneladas de amônia verde. A segunda fase prevê
expandir a produção em dez vezes.
(...)
(Thiago Bethônico. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/01/entenda-acorrida-pelo-hidrogenio-verde-e-por-que-o-brasil-pode-ser-uma-potencia.shtml.
10.jan.2023)
Assinale a alternativa em que, no texto, analisando o processo de formação da palavra como um todo, esteja indicada uma palavra que não tenha sido formada por composição.
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Entenda a corrida pelo hidrogênio verde e por que o Brasil pode ser uma potência
O elemento mais abundante do universo vive uma
espécie de corrida do ouro. Com potencial para reduzir a
pegada ambiental de setores intensivos em carbono e
alavancar o processo de transição energética, o
5 hidrogênio é visto por muitos como o combustível do
futuro, com ares de superstar.
Mas não é todo tipo de hidrogênio que empolga o
mercado. O entusiasmo é pela versão sustentável –
chamada de hidrogênio verde – e cuja produção o Brasil
10 tem condições de liderar globalmente.
É que, embora exista em grande quantidade na
natureza, raramente ele é encontrado em sua forma
elementar. A extração precisa ser feita a partir de alguma
matéria-prima, que hoje é principalmente de origem
15 fóssil, como gás natural, petróleo ou carvão.
O hidrogênio verde (H2V), por sua vez, é derivado
da água, num processo de extração que usa energia
elétrica renovável para quebrar a molécula e separar o
hidrogênio gasoso do oxigênio.
20 Segundo a Agência Internacional de Energia,
apenas a substituição do hidrogênio "cinza" pelo verde
ajudaria a economizar cerca de 830 milhões de toneladas
de carbono por ano, o equivalente às emissões de Reino
Unido e Indonésia somadas.
25 Se considerar o potencial para substituir outros
combustíveis poluentes – na siderurgia e na aviação, por
exemplo –, o impacto positivo para o meio ambiente pode
ser ainda maior.
O problema é que as tecnologias de produção em
30 larga escala não estão 100% consolidadas. Além disso,
transportar hidrogênio é desafiador, pois exige que o
armazenamento seja feito em baixas temperaturas e alta
pressão, dificultando a logística.
No entanto, como o mercado é promissor,
35 empresas estão apostando no desenvolvimento da
indústria de H2V. Num momento em que a crise climática
se mistura com a crise energética na Europa, a corrida
ganhou senso de urgência.
Para o Brasil, o setor pode ser uma oportunidade.
40 O país tem condições de se tornar um dos principais
produtores e exportadores de hidrogênio verde, por
apresentar condições climáticas favoráveis à geração de
energia solar e eólica.
Atualmente, o Brasil é o terceiro país que mais
45 produz energia renovável no mundo, atrás apenas de EUA
e China. A alta oferta também coloca o país entre os mais
competitivos em termos de preço.
Um estudo da BloombergNEF projeta o Brasil como
um dos únicos capazes de oferecer hidrogênio verde a um
50 custo inferior a US$ 1 por quilo até 2030. Considerando o
longo prazo (2050), a cifra pode cair para US$ 0,55/kg.
Mas, para viabilizar esse cenário, o país precisará
investir alto na indústria, algo em torno de US$ 200
bilhões (R$ 1,04 trilhão) até 2040, segundo estimativas da
55 consultoria McKinsey.
Franceli Jodas, líder global de energia da
consultoria KPMG, diz que o Brasil já começou a se
movimentar nessa direção. Os projetos, ela ressalta, ainda
são pilotos, mas isso é algo que está acontecendo
60 globalmente.
"O hidrogênio verde é uma tecnologia nova e muito
cara. Ainda não é tão competitivo", afirma.
Segundo Jodas, é preciso passar por um período de
maturidade não só da tecnologia em si, mas de questões
65 de mercado internacional também. "Todo mundo quer
ser o grande exportador de hidrogênio verde, todos
querem atender às demandas de energia da Europa, mas
o fato é que precisamos de desenvolvimento tecnológico
ainda."
70 (...)
Atualmente, o Nordeste concentra a maior
movimentação em torno do H2V no Brasil. A região quer
se posicionar como um polo produtor, devido ao alto
potencial para geração de energia solar e eólica, além da
75 localização estratégica dos portos em relação ao mercado
europeu.
O Ceará é o estado com o maior número de
projetos já anunciados, mas Bahia, Pernambuco, Piauí e
Rio Grande do Norte vêm logo atrás.
80 Segundo Joaquim Rolim, coordenador de energia
na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), o
estado possui mais de 24 memorandos de entendimento
feitos com empresas nacionais e estrangeiras, o que
representa uma sinalização de investimento superior a
85 US$ 29,7 bilhões (R$ 154,9 bilhões).
"Nós temos condições de produzir no Brasil, no
Nordeste e, particularmente, no Ceará, o hidrogênio
verde mais barato do mundo", diz Rolim, acrescentando
que a complementaridade da produção de energia eólica
90 e solar é um fator diferencial da região.
Mas é na Bahia que a primeira fábrica de H2V está
sendo construída. Em julho de 2022, a Unigel anunciou o
projeto, com investimento inicial de US$ 120 milhões (R$
626 milhões). A usina ficará no Polo Industrial de Camaçari
95 e deve entrar em operação até o final de 2023.
Luiz Felipe Fustaino, diretor-executivo da Unigel,
explica que o interesse da companhia na indústria está na
amônia verde, que é um dos subprodutos do H2V.
A empresa atua no setor químico e petroquímico, e
100 é grande consumidora do composto, que hoje é produzido
principalmente através da sintetização do gás natural.
Após assumir as fábricas de fertilizantes da
Petrobras, em 2020, a Unigel passou a ser produtora de
amônia e viu que fazia sentido entrar no mercado de
105 hidrogênio verde.
Segundo Fustaino, a usina na Bahia vai converter
todo o H2V em amônia, que pode ser usada como fonte
de energia, combustível marítimo e para a fabricação de
fertilizantes e acrílicos com menor pegada de carbono. No
110 entanto, o produto também pode ajudar a resolver uma
dificuldade técnica relevante: o transporte e
armazenamento.
"Hidrogênio é um gás extremamente volátil. Para
armazená-lo, é preciso que a temperatura esteja na casa
115 de -300°C ou sob muita pressão. Já a amônia é um
produto mais fácil", diz. "Então transporta-se a amônia e
o cliente reverte o processo."
A expectativa é que no fim de 2023, a Unigel já
tenha a usina pronta para fabricar as primeiras toneladas
120 de hidrogênio verde. A previsão inicial é produzir 10 mil
toneladas por ano, que serão convertidas em 60 mil
toneladas de amônia verde. A segunda fase prevê
expandir a produção em dez vezes.
(...)
(Thiago Bethônico. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/01/entenda-acorrida-pelo-hidrogenio-verde-e-por-que-o-brasil-pode-ser-uma-potencia.shtml.
10.jan.2023)
Segundo Jodas, é preciso passar por um período de maturidade não só da tecnologia em si, mas de questões de mercado internacional também. "Todo mundo quer ser o grande exportador de hidrogênio verde, todos querem atender às demandas de energia da Europa, mas o fato é que precisamos de desenvolvimento tecnológico ainda." (L.63-69)
Assinale a alternativa em que a fala de Jodas tenha sido corretamente transposta para o discurso indireto.
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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10
Entenda a corrida pelo hidrogênio verde e por que o Brasil pode ser uma potência
O elemento mais abundante do universo vive uma
espécie de corrida do ouro. Com potencial para reduzir a
pegada ambiental de setores intensivos em carbono e
alavancar o processo de transição energética, o
5 hidrogênio é visto por muitos como o combustível do
futuro, com ares de superstar.
Mas não é todo tipo de hidrogênio que empolga o
mercado. O entusiasmo é pela versão sustentável –
chamada de hidrogênio verde – e cuja produção o Brasil
10 tem condições de liderar globalmente.
É que, embora exista em grande quantidade na
natureza, raramente ele é encontrado em sua forma
elementar. A extração precisa ser feita a partir de alguma
matéria-prima, que hoje é principalmente de origem
15 fóssil, como gás natural, petróleo ou carvão.
O hidrogênio verde (H2V), por sua vez, é derivado
da água, num processo de extração que usa energia
elétrica renovável para quebrar a molécula e separar o
hidrogênio gasoso do oxigênio.
20 Segundo a Agência Internacional de Energia,
apenas a substituição do hidrogênio "cinza" pelo verde
ajudaria a economizar cerca de 830 milhões de toneladas
de carbono por ano, o equivalente às emissões de Reino
Unido e Indonésia somadas.
25 Se considerar o potencial para substituir outros
combustíveis poluentes – na siderurgia e na aviação, por
exemplo –, o impacto positivo para o meio ambiente pode
ser ainda maior.
O problema é que as tecnologias de produção em
30 larga escala não estão 100% consolidadas. Além disso,
transportar hidrogênio é desafiador, pois exige que o
armazenamento seja feito em baixas temperaturas e alta
pressão, dificultando a logística.
No entanto, como o mercado é promissor,
35 empresas estão apostando no desenvolvimento da
indústria de H2V. Num momento em que a crise climática
se mistura com a crise energética na Europa, a corrida
ganhou senso de urgência.
Para o Brasil, o setor pode ser uma oportunidade.
40 O país tem condições de se tornar um dos principais
produtores e exportadores de hidrogênio verde, por
apresentar condições climáticas favoráveis à geração de
energia solar e eólica.
Atualmente, o Brasil é o terceiro país que mais
45 produz energia renovável no mundo, atrás apenas de EUA
e China. A alta oferta também coloca o país entre os mais
competitivos em termos de preço.
Um estudo da BloombergNEF projeta o Brasil como
um dos únicos capazes de oferecer hidrogênio verde a um
50 custo inferior a US$ 1 por quilo até 2030. Considerando o
longo prazo (2050), a cifra pode cair para US$ 0,55/kg.
Mas, para viabilizar esse cenário, o país precisará
investir alto na indústria, algo em torno de US$ 200
bilhões (R$ 1,04 trilhão) até 2040, segundo estimativas da
55 consultoria McKinsey.
Franceli Jodas, líder global de energia da
consultoria KPMG, diz que o Brasil já começou a se
movimentar nessa direção. Os projetos, ela ressalta, ainda
são pilotos, mas isso é algo que está acontecendo
60 globalmente.
"O hidrogênio verde é uma tecnologia nova e muito
cara. Ainda não é tão competitivo", afirma.
Segundo Jodas, é preciso passar por um período de
maturidade não só da tecnologia em si, mas de questões
65 de mercado internacional também. "Todo mundo quer
ser o grande exportador de hidrogênio verde, todos
querem atender às demandas de energia da Europa, mas
o fato é que precisamos de desenvolvimento tecnológico
ainda."
70 (...)
Atualmente, o Nordeste concentra a maior
movimentação em torno do H2V no Brasil. A região quer
se posicionar como um polo produtor, devido ao alto
potencial para geração de energia solar e eólica, além da
75 localização estratégica dos portos em relação ao mercado
europeu.
O Ceará é o estado com o maior número de
projetos já anunciados, mas Bahia, Pernambuco, Piauí e
Rio Grande do Norte vêm logo atrás.
80 Segundo Joaquim Rolim, coordenador de energia
na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), o
estado possui mais de 24 memorandos de entendimento
feitos com empresas nacionais e estrangeiras, o que
representa uma sinalização de investimento superior a
85 US$ 29,7 bilhões (R$ 154,9 bilhões).
"Nós temos condições de produzir no Brasil, no
Nordeste e, particularmente, no Ceará, o hidrogênio
verde mais barato do mundo", diz Rolim, acrescentando
que a complementaridade da produção de energia eólica
90 e solar é um fator diferencial da região.
Mas é na Bahia que a primeira fábrica de H2V está
sendo construída. Em julho de 2022, a Unigel anunciou o
projeto, com investimento inicial de US$ 120 milhões (R$
626 milhões). A usina ficará no Polo Industrial de Camaçari
95 e deve entrar em operação até o final de 2023.
Luiz Felipe Fustaino, diretor-executivo da Unigel,
explica que o interesse da companhia na indústria está na
amônia verde, que é um dos subprodutos do H2V.
A empresa atua no setor químico e petroquímico, e
100 é grande consumidora do composto, que hoje é produzido
principalmente através da sintetização do gás natural.
Após assumir as fábricas de fertilizantes da
Petrobras, em 2020, a Unigel passou a ser produtora de
amônia e viu que fazia sentido entrar no mercado de
105 hidrogênio verde.
Segundo Fustaino, a usina na Bahia vai converter
todo o H2V em amônia, que pode ser usada como fonte
de energia, combustível marítimo e para a fabricação de
fertilizantes e acrílicos com menor pegada de carbono. No
110 entanto, o produto também pode ajudar a resolver uma
dificuldade técnica relevante: o transporte e
armazenamento.
"Hidrogênio é um gás extremamente volátil. Para
armazená-lo, é preciso que a temperatura esteja na casa
115 de -300°C ou sob muita pressão. Já a amônia é um
produto mais fácil", diz. "Então transporta-se a amônia e
o cliente reverte o processo."
A expectativa é que no fim de 2023, a Unigel já
tenha a usina pronta para fabricar as primeiras toneladas
120 de hidrogênio verde. A previsão inicial é produzir 10 mil
toneladas por ano, que serão convertidas em 60 mil
toneladas de amônia verde. A segunda fase prevê
expandir a produção em dez vezes.
(...)
(Thiago Bethônico. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/01/entenda-acorrida-pelo-hidrogenio-verde-e-por-que-o-brasil-pode-ser-uma-potencia.shtml.
10.jan.2023)
Mas é na Bahia que a primeira fábrica de H2V está sendo construída. (L.91-92)
A respeito do período acima, analise as afirmativas a seguir:
I. O período é simples, uma oração absoluta.
II. Há uma locução verbal de voz passiva.
III. Há um pronome relativo.
Assinale
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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10
Entenda a corrida pelo hidrogênio verde e por que o Brasil pode ser uma potência
O elemento mais abundante do universo vive uma
espécie de corrida do ouro. Com potencial para reduzir a
pegada ambiental de setores intensivos em carbono e
alavancar o processo de transição energética, o
5 hidrogênio é visto por muitos como o combustível do
futuro, com ares de superstar.
Mas não é todo tipo de hidrogênio que empolga o
mercado. O entusiasmo é pela versão sustentável –
chamada de hidrogênio verde – e cuja produção o Brasil
10 tem condições de liderar globalmente.
É que, embora exista em grande quantidade na
natureza, raramente ele é encontrado em sua forma
elementar. A extração precisa ser feita a partir de alguma
matéria-prima, que hoje é principalmente de origem
15 fóssil, como gás natural, petróleo ou carvão.
O hidrogênio verde (H2V), por sua vez, é derivado
da água, num processo de extração que usa energia
elétrica renovável para quebrar a molécula e separar o
hidrogênio gasoso do oxigênio.
20 Segundo a Agência Internacional de Energia,
apenas a substituição do hidrogênio "cinza" pelo verde
ajudaria a economizar cerca de 830 milhões de toneladas
de carbono por ano, o equivalente às emissões de Reino
Unido e Indonésia somadas.
25 Se considerar o potencial para substituir outros
combustíveis poluentes – na siderurgia e na aviação, por
exemplo –, o impacto positivo para o meio ambiente pode
ser ainda maior.
O problema é que as tecnologias de produção em
30 larga escala não estão 100% consolidadas. Além disso,
transportar hidrogênio é desafiador, pois exige que o
armazenamento seja feito em baixas temperaturas e alta
pressão, dificultando a logística.
No entanto, como o mercado é promissor,
35 empresas estão apostando no desenvolvimento da
indústria de H2V. Num momento em que a crise climática
se mistura com a crise energética na Europa, a corrida
ganhou senso de urgência.
Para o Brasil, o setor pode ser uma oportunidade.
40 O país tem condições de se tornar um dos principais
produtores e exportadores de hidrogênio verde, por
apresentar condições climáticas favoráveis à geração de
energia solar e eólica.
Atualmente, o Brasil é o terceiro país que mais
45 produz energia renovável no mundo, atrás apenas de EUA
e China. A alta oferta também coloca o país entre os mais
competitivos em termos de preço.
Um estudo da BloombergNEF projeta o Brasil como
um dos únicos capazes de oferecer hidrogênio verde a um
50 custo inferior a US$ 1 por quilo até 2030. Considerando o
longo prazo (2050), a cifra pode cair para US$ 0,55/kg.
Mas, para viabilizar esse cenário, o país precisará
investir alto na indústria, algo em torno de US$ 200
bilhões (R$ 1,04 trilhão) até 2040, segundo estimativas da
55 consultoria McKinsey.
Franceli Jodas, líder global de energia da
consultoria KPMG, diz que o Brasil já começou a se
movimentar nessa direção. Os projetos, ela ressalta, ainda
são pilotos, mas isso é algo que está acontecendo
60 globalmente.
"O hidrogênio verde é uma tecnologia nova e muito
cara. Ainda não é tão competitivo", afirma.
Segundo Jodas, é preciso passar por um período de
maturidade não só da tecnologia em si, mas de questões
65 de mercado internacional também. "Todo mundo quer
ser o grande exportador de hidrogênio verde, todos
querem atender às demandas de energia da Europa, mas
o fato é que precisamos de desenvolvimento tecnológico
ainda."
70 (...)
Atualmente, o Nordeste concentra a maior
movimentação em torno do H2V no Brasil. A região quer
se posicionar como um polo produtor, devido ao alto
potencial para geração de energia solar e eólica, além da
75 localização estratégica dos portos em relação ao mercado
europeu.
O Ceará é o estado com o maior número de
projetos já anunciados, mas Bahia, Pernambuco, Piauí e
Rio Grande do Norte vêm logo atrás.
80 Segundo Joaquim Rolim, coordenador de energia
na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), o
estado possui mais de 24 memorandos de entendimento
feitos com empresas nacionais e estrangeiras, o que
representa uma sinalização de investimento superior a
85 US$ 29,7 bilhões (R$ 154,9 bilhões).
"Nós temos condições de produzir no Brasil, no
Nordeste e, particularmente, no Ceará, o hidrogênio
verde mais barato do mundo", diz Rolim, acrescentando
que a complementaridade da produção de energia eólica
90 e solar é um fator diferencial da região.
Mas é na Bahia que a primeira fábrica de H2V está
sendo construída. Em julho de 2022, a Unigel anunciou o
projeto, com investimento inicial de US$ 120 milhões (R$
626 milhões). A usina ficará no Polo Industrial de Camaçari
95 e deve entrar em operação até o final de 2023.
Luiz Felipe Fustaino, diretor-executivo da Unigel,
explica que o interesse da companhia na indústria está na
amônia verde, que é um dos subprodutos do H2V.
A empresa atua no setor químico e petroquímico, e
100 é grande consumidora do composto, que hoje é produzido
principalmente através da sintetização do gás natural.
Após assumir as fábricas de fertilizantes da
Petrobras, em 2020, a Unigel passou a ser produtora de
amônia e viu que fazia sentido entrar no mercado de
105 hidrogênio verde.
Segundo Fustaino, a usina na Bahia vai converter
todo o H2V em amônia, que pode ser usada como fonte
de energia, combustível marítimo e para a fabricação de
fertilizantes e acrílicos com menor pegada de carbono. No
110 entanto, o produto também pode ajudar a resolver uma
dificuldade técnica relevante: o transporte e
armazenamento.
"Hidrogênio é um gás extremamente volátil. Para
armazená-lo, é preciso que a temperatura esteja na casa
115 de -300°C ou sob muita pressão. Já a amônia é um
produto mais fácil", diz. "Então transporta-se a amônia e
o cliente reverte o processo."
A expectativa é que no fim de 2023, a Unigel já
tenha a usina pronta para fabricar as primeiras toneladas
120 de hidrogênio verde. A previsão inicial é produzir 10 mil
toneladas por ano, que serão convertidas em 60 mil
toneladas de amônia verde. A segunda fase prevê
expandir a produção em dez vezes.
(...)
(Thiago Bethônico. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/01/entenda-acorrida-pelo-hidrogenio-verde-e-por-que-o-brasil-pode-ser-uma-potencia.shtml.
10.jan.2023)
Mas, para viabilizar esse cenário, o país precisará investir alto na indústria, algo em torno de US$ 200 bilhões (R$ 1,04 trilhão) até 2040, segundo estimativas da consultoria McKinsey. (L.52-55)
O pronome sublinhado no segmento do texto acima desempenha papel
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Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10
Entenda a corrida pelo hidrogênio verde e por que o Brasil pode ser uma potência
O elemento mais abundante do universo vive uma
espécie de corrida do ouro. Com potencial para reduzir a
pegada ambiental de setores intensivos em carbono e
alavancar o processo de transição energética, o
5 hidrogênio é visto por muitos como o combustível do
futuro, com ares de superstar.
Mas não é todo tipo de hidrogênio que empolga o
mercado. O entusiasmo é pela versão sustentável –
chamada de hidrogênio verde – e cuja produção o Brasil
10 tem condições de liderar globalmente.
É que, embora exista em grande quantidade na
natureza, raramente ele é encontrado em sua forma
elementar. A extração precisa ser feita a partir de alguma
matéria-prima, que hoje é principalmente de origem
15 fóssil, como gás natural, petróleo ou carvão.
O hidrogênio verde (H2V), por sua vez, é derivado
da água, num processo de extração que usa energia
elétrica renovável para quebrar a molécula e separar o
hidrogênio gasoso do oxigênio.
20 Segundo a Agência Internacional de Energia,
apenas a substituição do hidrogênio "cinza" pelo verde
ajudaria a economizar cerca de 830 milhões de toneladas
de carbono por ano, o equivalente às emissões de Reino
Unido e Indonésia somadas.
25 Se considerar o potencial para substituir outros
combustíveis poluentes – na siderurgia e na aviação, por
exemplo –, o impacto positivo para o meio ambiente pode
ser ainda maior.
O problema é que as tecnologias de produção em
30 larga escala não estão 100% consolidadas. Além disso,
transportar hidrogênio é desafiador, pois exige que o
armazenamento seja feito em baixas temperaturas e alta
pressão, dificultando a logística.
No entanto, como o mercado é promissor,
35 empresas estão apostando no desenvolvimento da
indústria de H2V. Num momento em que a crise climática
se mistura com a crise energética na Europa, a corrida
ganhou senso de urgência.
Para o Brasil, o setor pode ser uma oportunidade.
40 O país tem condições de se tornar um dos principais
produtores e exportadores de hidrogênio verde, por
apresentar condições climáticas favoráveis à geração de
energia solar e eólica.
Atualmente, o Brasil é o terceiro país que mais
45 produz energia renovável no mundo, atrás apenas de EUA
e China. A alta oferta também coloca o país entre os mais
competitivos em termos de preço.
Um estudo da BloombergNEF projeta o Brasil como
um dos únicos capazes de oferecer hidrogênio verde a um
50 custo inferior a US$ 1 por quilo até 2030. Considerando o
longo prazo (2050), a cifra pode cair para US$ 0,55/kg.
Mas, para viabilizar esse cenário, o país precisará
investir alto na indústria, algo em torno de US$ 200
bilhões (R$ 1,04 trilhão) até 2040, segundo estimativas da
55 consultoria McKinsey.
Franceli Jodas, líder global de energia da
consultoria KPMG, diz que o Brasil já começou a se
movimentar nessa direção. Os projetos, ela ressalta, ainda
são pilotos, mas isso é algo que está acontecendo
60 globalmente.
"O hidrogênio verde é uma tecnologia nova e muito
cara. Ainda não é tão competitivo", afirma.
Segundo Jodas, é preciso passar por um período de
maturidade não só da tecnologia em si, mas de questões
65 de mercado internacional também. "Todo mundo quer
ser o grande exportador de hidrogênio verde, todos
querem atender às demandas de energia da Europa, mas
o fato é que precisamos de desenvolvimento tecnológico
ainda."
70 (...)
Atualmente, o Nordeste concentra a maior
movimentação em torno do H2V no Brasil. A região quer
se posicionar como um polo produtor, devido ao alto
potencial para geração de energia solar e eólica, além da
75 localização estratégica dos portos em relação ao mercado
europeu.
O Ceará é o estado com o maior número de
projetos já anunciados, mas Bahia, Pernambuco, Piauí e
Rio Grande do Norte vêm logo atrás.
80 Segundo Joaquim Rolim, coordenador de energia
na Fiec (Federação das Indústrias do Estado do Ceará), o
estado possui mais de 24 memorandos de entendimento
feitos com empresas nacionais e estrangeiras, o que
representa uma sinalização de investimento superior a
85 US$ 29,7 bilhões (R$ 154,9 bilhões).
"Nós temos condições de produzir no Brasil, no
Nordeste e, particularmente, no Ceará, o hidrogênio
verde mais barato do mundo", diz Rolim, acrescentando
que a complementaridade da produção de energia eólica
90 e solar é um fator diferencial da região.
Mas é na Bahia que a primeira fábrica de H2V está
sendo construída. Em julho de 2022, a Unigel anunciou o
projeto, com investimento inicial de US$ 120 milhões (R$
626 milhões). A usina ficará no Polo Industrial de Camaçari
95 e deve entrar em operação até o final de 2023.
Luiz Felipe Fustaino, diretor-executivo da Unigel,
explica que o interesse da companhia na indústria está na
amônia verde, que é um dos subprodutos do H2V.
A empresa atua no setor químico e petroquímico, e
100 é grande consumidora do composto, que hoje é produzido
principalmente através da sintetização do gás natural.
Após assumir as fábricas de fertilizantes da
Petrobras, em 2020, a Unigel passou a ser produtora de
amônia e viu que fazia sentido entrar no mercado de
105 hidrogênio verde.
Segundo Fustaino, a usina na Bahia vai converter
todo o H2V em amônia, que pode ser usada como fonte
de energia, combustível marítimo e para a fabricação de
fertilizantes e acrílicos com menor pegada de carbono. No
110 entanto, o produto também pode ajudar a resolver uma
dificuldade técnica relevante: o transporte e
armazenamento.
"Hidrogênio é um gás extremamente volátil. Para
armazená-lo, é preciso que a temperatura esteja na casa
115 de -300°C ou sob muita pressão. Já a amônia é um
produto mais fácil", diz. "Então transporta-se a amônia e
o cliente reverte o processo."
A expectativa é que no fim de 2023, a Unigel já
tenha a usina pronta para fabricar as primeiras toneladas
120 de hidrogênio verde. A previsão inicial é produzir 10 mil
toneladas por ano, que serão convertidas em 60 mil
toneladas de amônia verde. A segunda fase prevê
expandir a produção em dez vezes.
(...)
(Thiago Bethônico. https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2023/01/entenda-acorrida-pelo-hidrogenio-verde-e-por-que-o-brasil-pode-ser-uma-potencia.shtml.
10.jan.2023)
Em relação à leitura do texto e suas possíveis inferências, analise as afirmativas a seguir:
I. A motivação para a corrida urgente pelo hidrogênio verde se dá por questões climáticas.
II. O investimento da Unigel na produção da amônia suplanta o interesse na conversão do hidrogênio em hidrogênio verde.
III. Comercialmente, levando em conta armazenamento e logística, o hidrogênio verde apresenta entraves que a amônia dele resultante não apresenta.
Assinale
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- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de TextoReorganização e Reescrita de Orações e Períodos
Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10
O mamífero que não envelhece e pode ser a chave
para humanos vencerem o câncer
Não é segredo para ninguém que o rato-
toupeira-pelado – aquele roedor enrugado e quase
sem pelos, com longos dentes salientes – não é o
animal mais atraente do planeta.
5 Mas essas criaturas compensam sua pouca
beleza com uma série de características
extraordinárias que vêm chamando a atenção de
zoólogos e pesquisadores da medicina em todo o
mundo.
10 Apesar do seu pequeno tamanho (que varia de
7,6 a 33 cm), o rato-toupeira-pelado vive, em média,
30 anos. O roedor é resistente a doenças crônicas,
incluindo diabetes, e tem um notável sistema
reprodutor.
15 Eles também beneficiam o meio ambiente,
agindo como "engenheiros do ecossistema" e
aumentando a biodiversidade do solo ao cavar as tocas
onde fazem seus ninhos.
Imunes às dores e ao envelhecimento, essas
20 criaturas de aparência estranha vêm fascinando os
cientistas há muito tempo. Agora, as pesquisas estão
revelando que eles podem deter a chave para entender
uma série de condições humanas, como o câncer e o
envelhecimento.
25 Historicamente, estudamos os ratos e
camundongos para entender os segredos da biologia
humana. Mas os cientistas acreditam que o rato-
toupeira-pelado tem vantagens especiais para a
pesquisa médica.
30 O nome científico da espécie – Heterocephalus
glaber – significa essencialmente "coisa careca com
cabeça diferente".
O rato-toupeira-pelado é nativo dos ambientes
quentes e tropicais do nordeste da África. No seu
35 ambiente natural, eles vivem em grandes colônias
subterrâneas, formando um labirinto de túneis e
câmaras que se estende por uma área correspondente
a diversos campos de futebol.
As rígidas condições onde vivem os ratos-
40 toupeiras-pelados, com baixos níveis de oxigênio,
podem ser uma indicação de algumas das
características incomuns da sua espécie.
A maior parte da vida aeróbica enfrentaria
dificuldades para sobreviver nesses ambientes com
45 pouco oxigênio, mas o rato-toupeira-pelado é o animal
que tem a vida mais longa entre os roedores.
Enquanto um camundongo de porte similar
pode viver por dois anos, o rato-toupeira-pelado atinge
30 anos de vida ou mais. Se calcularmos em proporção
50 ao tamanho dos seres humanos, aproximadamente,
seria como se nós tivéssemos um primo enrugado
capaz de viver até 450 anos.
O rato-toupeira-pelado é encontrado nas áreas
selvagens do Quênia, Etiópia e da Somália. Ele vive em
55 colônias com cerca de 70 a 80 membros. Algumas
chegam a abrigar até 300 indivíduos.
São animais altamente sociais. Suas colônias são
chefiadas por uma rainha e seguem uma hierarquia
rígida.
60 Seus membros desempenham diferentes
funções. Existem, por exemplo, os que trazem as partes
subterrâneas das plantas, como bulbos, raízes e
tubérculos que eles comem, além de fezes.
A biologia da espécie é incrivelmente única. Os
65 ratos-toupeiras-pelados são considerados
"extremófilos", ou seja, eles conseguem sobreviver em
ambientes extremos embaixo da terra, segundo o
pesquisador Ewan St. John Smith, que estuda o sistema
nervoso sensorial na Universidade de Cambridge, no
70 Reino Unido.
Uma das suas características mais marcantes é
que é difícil dizer exatamente a idade de um rato-
toupeira-pelado, pois seus sinais de declínio físico são
limitados.
75 Enquanto os seres humanos podem ficar cada
vez mais enrugados, grisalhos ou suscetíveis a doenças
crônicas, "os sinais comuns de envelhecimento
esperados na maioria dos mamíferos realmente não
parecem acontecer" nesses roedores, segundo Smith.
80 Sua função cardíaca, composição do corpo, qualidade
dos ossos ou metabolismo não sofrem mudanças
significativas.
Na Universidade de Cambridge, a equipe de
Smith mantém cinco colônias, que abrigam cerca de
85 160 ratos-toupeiras-pelados em uma sala aquecida a
cerca de 30°C e umidade de 60%.
"Mantenho meus animais em Cambridge há 10
anos e nunca tive um sequer que morresse
simplesmente de causas naturais", afirma Smith. Ele
90 conta que, em cativeiro, as brigas entre os roedores
costumam ser a principal causa de morte.
Seu estilo de vida subterrâneo pode aumentar
suas chances de sobrevivência, protegendo as colônias
contra o frio, a chuva e os extremos climáticos. No
95 ambiente selvagem, a principal causa de morte são
seus predadores, como as cobras.
É um quadro muito diferente das causas comuns
de morte em seres humanos. "Um em cada dois
humanos provavelmente terá câncer", segundo Smith.
100 "Os ratos e os camundongos têm probabilidade similar
de desenvolver câncer, mas os ratos-toupeiras-pelados
quase nunca têm a doença – é muito raro."
(...)
(BBC NEWS BRASIL. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/01/o-mamifero-que-nao-envelhece-e-pode-ser-a-chave-para-humanos-vencerem-o-cancer.shtml. 7.jan.2023)
Existem, por exemplo, os que trazem as partes subterrâneas das plantas, como bulbos, raízes e tubérculos que eles comem, além de fezes. (L.61-63)
Assinale a alternativa em que a alteração do segmento sublinhado no período acima tenha sido feita de acordo com a norma culta. Não leve em conta possíveis alterações de sentido.
Provas
- MorfologiaEstrutura das PalavrasComposição
- MorfologiaEstrutura das PalavrasDerivaçãoDerivação prefixal
- MorfologiaEstrutura das PalavrasDerivaçãoDerivação sufixal
- MorfologiaEstrutura das PalavrasDerivaçãoDerivação parassintética (circunfixação)
Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10
O mamífero que não envelhece e pode ser a chave
para humanos vencerem o câncer
Não é segredo para ninguém que o rato-
toupeira-pelado – aquele roedor enrugado e quase
sem pelos, com longos dentes salientes – não é o
animal mais atraente do planeta.
5 Mas essas criaturas compensam sua pouca
beleza com uma série de características
extraordinárias que vêm chamando a atenção de
zoólogos e pesquisadores da medicina em todo o
mundo.
10 Apesar do seu pequeno tamanho (que varia de
7,6 a 33 cm), o rato-toupeira-pelado vive, em média,
30 anos. O roedor é resistente a doenças crônicas,
incluindo diabetes, e tem um notável sistema
reprodutor.
15 Eles também beneficiam o meio ambiente,
agindo como "engenheiros do ecossistema" e
aumentando a biodiversidade do solo ao cavar as tocas
onde fazem seus ninhos.
Imunes às dores e ao envelhecimento, essas
20 criaturas de aparência estranha vêm fascinando os
cientistas há muito tempo. Agora, as pesquisas estão
revelando que eles podem deter a chave para entender
uma série de condições humanas, como o câncer e o
envelhecimento.
25 Historicamente, estudamos os ratos e
camundongos para entender os segredos da biologia
humana. Mas os cientistas acreditam que o rato-
toupeira-pelado tem vantagens especiais para a
pesquisa médica.
30 O nome científico da espécie – Heterocephalus
glaber – significa essencialmente "coisa careca com
cabeça diferente".
O rato-toupeira-pelado é nativo dos ambientes
quentes e tropicais do nordeste da África. No seu
35 ambiente natural, eles vivem em grandes colônias
subterrâneas, formando um labirinto de túneis e
câmaras que se estende por uma área correspondente
a diversos campos de futebol.
As rígidas condições onde vivem os ratos-
40 toupeiras-pelados, com baixos níveis de oxigênio,
podem ser uma indicação de algumas das
características incomuns da sua espécie.
A maior parte da vida aeróbica enfrentaria
dificuldades para sobreviver nesses ambientes com
45 pouco oxigênio, mas o rato-toupeira-pelado é o animal
que tem a vida mais longa entre os roedores.
Enquanto um camundongo de porte similar
pode viver por dois anos, o rato-toupeira-pelado atinge
30 anos de vida ou mais. Se calcularmos em proporção
50 ao tamanho dos seres humanos, aproximadamente,
seria como se nós tivéssemos um primo enrugado
capaz de viver até 450 anos.
O rato-toupeira-pelado é encontrado nas áreas
selvagens do Quênia, Etiópia e da Somália. Ele vive em
55 colônias com cerca de 70 a 80 membros. Algumas
chegam a abrigar até 300 indivíduos.
São animais altamente sociais. Suas colônias são
chefiadas por uma rainha e seguem uma hierarquia
rígida.
60 Seus membros desempenham diferentes
funções. Existem, por exemplo, os que trazem as partes
subterrâneas das plantas, como bulbos, raízes e
tubérculos que eles comem, além de fezes.
A biologia da espécie é incrivelmente única. Os
65 ratos-toupeiras-pelados são considerados
"extremófilos", ou seja, eles conseguem sobreviver em
ambientes extremos embaixo da terra, segundo o
pesquisador Ewan St. John Smith, que estuda o sistema
nervoso sensorial na Universidade de Cambridge, no
70 Reino Unido.
Uma das suas características mais marcantes é
que é difícil dizer exatamente a idade de um rato-
toupeira-pelado, pois seus sinais de declínio físico são
limitados.
75 Enquanto os seres humanos podem ficar cada
vez mais enrugados, grisalhos ou suscetíveis a doenças
crônicas, "os sinais comuns de envelhecimento
esperados na maioria dos mamíferos realmente não
parecem acontecer" nesses roedores, segundo Smith.
80 Sua função cardíaca, composição do corpo, qualidade
dos ossos ou metabolismo não sofrem mudanças
significativas.
Na Universidade de Cambridge, a equipe de
Smith mantém cinco colônias, que abrigam cerca de
85 160 ratos-toupeiras-pelados em uma sala aquecida a
cerca de 30°C e umidade de 60%.
"Mantenho meus animais em Cambridge há 10
anos e nunca tive um sequer que morresse
simplesmente de causas naturais", afirma Smith. Ele
90 conta que, em cativeiro, as brigas entre os roedores
costumam ser a principal causa de morte.
Seu estilo de vida subterrâneo pode aumentar
suas chances de sobrevivência, protegendo as colônias
contra o frio, a chuva e os extremos climáticos. No
95 ambiente selvagem, a principal causa de morte são
seus predadores, como as cobras.
É um quadro muito diferente das causas comuns
de morte em seres humanos. "Um em cada dois
humanos provavelmente terá câncer", segundo Smith.
100 "Os ratos e os camundongos têm probabilidade similar
de desenvolver câncer, mas os ratos-toupeiras-pelados
quase nunca têm a doença – é muito raro."
(...)
(BBC NEWS BRASIL. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/01/o-mamifero-que-nao-envelhece-e-pode-ser-a-chave-para-humanos-vencerem-o-cancer.shtml. 7.jan.2023)
A palavra “hierarquia” (L.58), em seu processo de formação, foi formada por
Provas
Leia atentamente o texto a seguir para responder às questões de 1 a 10
O mamífero que não envelhece e pode ser a chave
para humanos vencerem o câncer
Não é segredo para ninguém que o rato-
toupeira-pelado – aquele roedor enrugado e quase
sem pelos, com longos dentes salientes – não é o
animal mais atraente do planeta.
5 Mas essas criaturas compensam sua pouca
beleza com uma série de características
extraordinárias que vêm chamando a atenção de
zoólogos e pesquisadores da medicina em todo o
mundo.
10 Apesar do seu pequeno tamanho (que varia de
7,6 a 33 cm), o rato-toupeira-pelado vive, em média,
30 anos. O roedor é resistente a doenças crônicas,
incluindo diabetes, e tem um notável sistema
reprodutor.
15 Eles também beneficiam o meio ambiente,
agindo como "engenheiros do ecossistema" e
aumentando a biodiversidade do solo ao cavar as tocas
onde fazem seus ninhos.
Imunes às dores e ao envelhecimento, essas
20 criaturas de aparência estranha vêm fascinando os
cientistas há muito tempo. Agora, as pesquisas estão
revelando que eles podem deter a chave para entender
uma série de condições humanas, como o câncer e o
envelhecimento.
25 Historicamente, estudamos os ratos e
camundongos para entender os segredos da biologia
humana. Mas os cientistas acreditam que o rato-
toupeira-pelado tem vantagens especiais para a
pesquisa médica.
30 O nome científico da espécie – Heterocephalus
glaber – significa essencialmente "coisa careca com
cabeça diferente".
O rato-toupeira-pelado é nativo dos ambientes
quentes e tropicais do nordeste da África. No seu
35 ambiente natural, eles vivem em grandes colônias
subterrâneas, formando um labirinto de túneis e
câmaras que se estende por uma área correspondente
a diversos campos de futebol.
As rígidas condições onde vivem os ratos-
40 toupeiras-pelados, com baixos níveis de oxigênio,
podem ser uma indicação de algumas das
características incomuns da sua espécie.
A maior parte da vida aeróbica enfrentaria
dificuldades para sobreviver nesses ambientes com
45 pouco oxigênio, mas o rato-toupeira-pelado é o animal
que tem a vida mais longa entre os roedores.
Enquanto um camundongo de porte similar
pode viver por dois anos, o rato-toupeira-pelado atinge
30 anos de vida ou mais. Se calcularmos em proporção
50 ao tamanho dos seres humanos, aproximadamente,
seria como se nós tivéssemos um primo enrugado
capaz de viver até 450 anos.
O rato-toupeira-pelado é encontrado nas áreas
selvagens do Quênia, Etiópia e da Somália. Ele vive em
55 colônias com cerca de 70 a 80 membros. Algumas
chegam a abrigar até 300 indivíduos.
São animais altamente sociais. Suas colônias são
chefiadas por uma rainha e seguem uma hierarquia
rígida.
60 Seus membros desempenham diferentes
funções. Existem, por exemplo, os que trazem as partes
subterrâneas das plantas, como bulbos, raízes e
tubérculos que eles comem, além de fezes.
A biologia da espécie é incrivelmente única. Os
65 ratos-toupeiras-pelados são considerados
"extremófilos", ou seja, eles conseguem sobreviver em
ambientes extremos embaixo da terra, segundo o
pesquisador Ewan St. John Smith, que estuda o sistema
nervoso sensorial na Universidade de Cambridge, no
70 Reino Unido.
Uma das suas características mais marcantes é
que é difícil dizer exatamente a idade de um rato-
toupeira-pelado, pois seus sinais de declínio físico são
limitados.
75 Enquanto os seres humanos podem ficar cada
vez mais enrugados, grisalhos ou suscetíveis a doenças
crônicas, "os sinais comuns de envelhecimento
esperados na maioria dos mamíferos realmente não
parecem acontecer" nesses roedores, segundo Smith.
80 Sua função cardíaca, composição do corpo, qualidade
dos ossos ou metabolismo não sofrem mudanças
significativas.
Na Universidade de Cambridge, a equipe de
Smith mantém cinco colônias, que abrigam cerca de
85 160 ratos-toupeiras-pelados em uma sala aquecida a
cerca de 30°C e umidade de 60%.
"Mantenho meus animais em Cambridge há 10
anos e nunca tive um sequer que morresse
simplesmente de causas naturais", afirma Smith. Ele
90 conta que, em cativeiro, as brigas entre os roedores
costumam ser a principal causa de morte.
Seu estilo de vida subterrâneo pode aumentar
suas chances de sobrevivência, protegendo as colônias
contra o frio, a chuva e os extremos climáticos. No
95 ambiente selvagem, a principal causa de morte são
seus predadores, como as cobras.
É um quadro muito diferente das causas comuns
de morte em seres humanos. "Um em cada dois
humanos provavelmente terá câncer", segundo Smith.
100 "Os ratos e os camundongos têm probabilidade similar
de desenvolver câncer, mas os ratos-toupeiras-pelados
quase nunca têm a doença – é muito raro."
(...)
(BBC NEWS BRASIL. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/01/o-mamifero-que-nao-envelhece-e-pode-ser-a-chave-para-humanos-vencerem-o-cancer.shtml. 7.jan.2023)
Em “rato-toupeira-pelado” (L.1-2), grafou-se corretamente a palavra com hífen, seguindo as regras em vigência após a validação do Novo Acordo Ortográfico.
Assinale a alternativa em que isso não tenha ocorrido.
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