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Foram encontradas 80 questões.

1504852 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte

TEXTO 1

MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

!$ Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j !$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

Assinale a alternativa em que NÃO se registra uma nota de humor mesclada à ironia.

 

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1504851 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte

TEXTO 1

MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

$Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

Há, no texto 1, três ocorrências de parênteses:

I. “(que de certa forma coincidia como meio da minha trajetória de vida)”. (!$ l !$. 5 e 6)

II. “(ainda que fugazes)”. (!$ l !$. 12)

III. “(ufa!)”. (!$ l !$. 14)

Segundo a Gramática do Português Contemporâneo - Celso Cunha, empregam-se parênteses para intercalar/isolar uma:

1- explicação dada ou uma circunstância mencionada acidentalmente;

2- reflexão, um comentário à margem do que se afirma;

3- nota emocional, expressa geralmente em forma exclamativa ou interrogativa; e

4- oração intercalada com verbo declarativo.

Levando-se em conta os exemplos do texto 1, justificam estas três ocorrências os itens ressaltados em:

 

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1504850 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
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TEXTO 1

MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

$Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

Em “ ... soube , naquele momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar” (texto 1, !$ l !$. 1 e 2), o termo destacado estabelece a mesma relação sintática em:

 

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1504849 Ano: 2014
Disciplina: Português
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TEXTO 1

MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

$Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

Observe as informações de I a VI e marque, nos parênteses, V se a afirmativa for Verdadeira e F se a afirmativa for Falsa. Em seguida, encontre a alternativa que corresponde à sequência encontrada:

( ) Em “ esperar para ser feliz é um esporte que abandonei há tempos” (texto 1, !$ l !$. 27) – as duas expressões destacadas traduzem, no contexto, as ideias de finalidade e tempo, respectivamente.

( ) Há uma relação semântica (de significado) entre as expressões “dieta de felicidade” e “uso moderadíssimo da palavra quando”. (texto 1, !$ l !$. 27 e 28)

( ) Em “ Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é a manifestação suprema do intelecto humano” ( texto 2, !$ l !$. 1), a vírgula, após o vocábulo abstrato, coloca em destaque o aposto explicativo.

( ) Em “ Mas não é.” (texto 2,!$ l !$. 2), o vocábulo destacado tem valor aditivo: soma uma ideia em relação à outra.

( ) Em “ Ser feliz é uma questão de cálculo” (título – texto 2) e em “para avaliar periodicamente seu grau de satisfação” , os termos destacados exercem, sintaticamente, a mesma função.

( ) Em “ chegou à fórmula” e “acertou quais jogadores seriam felizes”, os termos destacados são complementos de verbos transitivos. (texto 2, !$ l !$. 9 e 10)

 

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1504848 Ano: 2014
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MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

!$ Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j !$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

Leia atentamente a charge de Calvin:

Enunciado 1504848-1

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A ideia existente no terceiro quadrinho só não se contrapõe à seguinte passagem do texto 1:

 

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1504847 Ano: 2014
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte

TEXTO 1

MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

!$ Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j !$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

Em 20/08/2014, a Revista Veja destacou, além do texto “Ser Feliz é uma Questão de Cálculo”, a seguinte manchete: “Filósofos e cientistas de todos os tempos celebram a importância da matemática como base e motor do conhecimento.”

Tendo em vista a proposta apresentada pelo Texto 2, analise as reflexões de cientistas e filósofos. A seguir, assinale a alternativa que NÃO está de acordo com o ponto de vista do texto em questão.

 

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1504846 Ano: 2014
Disciplina: Português
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TEXTO 1

MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

$Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

Leia os trechos abaixo, retiradas dos textos 1 e 2, respectivamente:

I. “... cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural.” (texto 1, !$ l !$. 16)

II. “A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro.” (texto 2, !$ l !$. 16 e 17)

Analise as afirmativas abaixo sobre os excertos apresentados:

1- Nos dois trechos, há uma expectativa quanto a satisfação/frustração em relação ao outro.

2- No trecho I, a felicidade deve ser um bem compartilhado.

3- No trecho II, o outro é considerado a variável primordial para elevar o nível de satisfação do ser humano.

Está(ão) correta(s):

 

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1504845 Ano: 2014
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TEXTO 1

MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

$Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

Leia o seguinte trecho do texto 1:

“Eu já suspeitava que a felicidade com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida”. (!$ l !$. 2 e 3)

No contexto, “dar o benefício da dúvida”, significa;

 

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1504844 Ano: 2014
Disciplina: Português
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TEXTO 1

MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

!$ Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j !$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

A ideia de que a felicidade deve ser vivida, todos os dias e paulatinamente, pode ser comprovada pela seguinte passagem do texto 1, EXCETO:

A passagem do texto que confirma a ideia contida nesse período é:

 

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1504843 Ano: 2014
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Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte

TEXTO 1

MINIMAMENTE FELIZ

1 A felicidade é a soma das pequenas felicidades. Li essa frase num outdoor em Paris e soube, naquele

momento, que meu conceito de felicidade tinha acabado de mudar. Eu já suspeitava que a felicidade

com letras maiúsculas não existia, mas dava a ela o benefício da dúvida. Afinal, desde que nos

entendemos por gente aprendemos a sonhar com essa felicidade no superlativo. Mas ali, vendo aquele

5 outdoor estrategicamente colocado no meio do meu caminho (que de certa forma coincidia com o meio

da minha trajetória de vida), tive certeza de que a felicidade, ao contrário do que nos ensinaram os

contos de fadas e os filmes de Hollywood, não é um estado mágico e duradouro.

Na vida real, o que existe é uma felicidade homeopática, distribuída em conta-gotas. Um pôr-do-sol

aqui, um beijo ali, uma xícara de café recém-coado, um livro que a gente não consegue fechar, um

10 homem que nos faz sonhar, uma amiga que nos faz rir. São situações e momentos que vamos

empilhando com o cuidado e a delicadeza que merecem alegrias de pequeno e médio porte e até

grandes (ainda que fugazes) alegrias.

'Eu contabilizo tudo de bom que me aparece', diz Fabiana, também adepta da felicidade homeopática.

'Se o zíper daquele vestido que eu adoro volta a fechar (ufa!) ou se pego um congestionamento muito

15 menor do que eu esperava, tenho consciência de que são momentos de felicidade e vivo cada segundo'.

Elis conta que cresceu esperando a felicidade com maiúsculas e na primeira pessoa do plural: 'Eu me

imaginava sempre com um homem lindo do lado, dizendo que me amava e me levando pra lugares

mágicos. Agora, viajando com frequência por causa de seu trabalho, ela descobriu que dá pra ser feliz

no singular: 'Quando estou na estrada dirigindo e ouvindo as músicas que eu amo, é um momento de

20 pura felicidade. Olho a paisagem, canto, sinto um bem-estar indescritível'.

Uma empresária que conheci recentemente me contou que estava falando e rindo sozinha quando o

marido chegou em casa. Assustado, ele perguntou com quem ela estava conversando: 'Comigo mesma',

respondeu. 'Adoro conversar com pessoas inteligentes'. Criada para viver grandes momentos, grandes

amores e aquela felicidade dos filmes, a empresária trocou os roteiros fantasiosos por prazeres mais

25 simples e aprendeu duas lições básicas: que podemos viver momentos ótimos mesmo não estando

acompanhadas e que não tem sentido esperar até que um fato mágico nos faça felizes.

Esperar para ser feliz, aliás, é um esporte que abandonei há tempos. E faz parte da minha 'dieta de

felicidade' o uso moderadíssimo da palavra 'quando'. Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega

Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um

30 emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos

distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje. Esperar o príncipe encantado, por exemplo, tem

coisa mais sem sentido? Mesmo porque quase sempre os súditos são mais interessantes do que os

príncipes; ou você acha que a Camilla Parker-Bowles está mais bem servida do que a Victoria

Beckham?

35 Como tantos já disseram tantas vezes, aproveitem o momento, amigos. E quem for ruim de contas

recorra à calculadora para ir somando as pequenas felicidades. Podem até dizer que nos falta ambição,

que essa soma de pequenas alegrias é uma operação matemática muito modesta para os nossos tempos.

Que digam. Melhor ser minimamente feliz várias vezes por dia do que viver eternamente em compasso

de espera.

(Disponível em: www.revistamarie-claire.globo.com/marieclaire.html)

TEXTO 2

SER FELIZ É QUESTÃO DE CÁLCULO

$Felicidade\left(t\right)=w_0+w_1\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}CR_j+w_2\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}EV_j+w_3\sum_{j=1}^t\gamma^{t-j}RPE_j$ ,

1 Forma suprema do pensamento abstrato, que, por sua vez, é manifestação suprema do intelecto humano,

a Matemática deveria ser a maneira mais eficiente de transmitir emoções. Mas não é. Embora os

professores de Matemática, às vezes, façam seus alunos chorar, ninguém se comove com uma equação

ou se alegra com um algoritmo. Mas essa fronteira pode estar começando a cair. Um grupo de

5 neurocientistas do University College de Londres acredita ter encontrado o que seria a fórmula

matemática da felicidade. Usando scanners cerebrais, os pesquisadores mediram a reação de um grupo

de pessoas diante de prêmios e recompensas obtidos num joguinho simples de computador. Munido dos

dados sobre em que momento da atividade elas mais registravam satisfação, aliados a outras variáveis,

um programa comparou expectativas e resultados e chegou à fórmula. Ela foi em seguida aplicada a

10 milhares de voluntários. Na maioria dos casos, a fórmula acertou quais jogadores sairiam “felizes” ou

“infelizes” do jogo. Nada muito sério ou ambicioso, o experimento londrino, no entanto, parece ser

capaz de descrever matematicamente a sensação de felicidade de curta duração. A equação da felicidade

do University College, em essência, define a satisfação em termos da comparação matemática entre a

expectativa da pessoa sobre algo e o que ela efetivamente obtém. Sempre que a expectativa é superada,

15 a pessoa sente algo parecido com o que chamamos felicidade. A equação da felicidade feita pelos

neurocientistas de Londres já está sendo aprimorada. A nova equação vai levar em conta a, talvez, mais

preponderante variável de satisfação ou frustração do ser humano: o outro. Os pesquisadores esperam

aprender a calcular o peso, na equação da felicidade, da comparação que cada um faz de suas próprias

conquistas em relação às dos amigos, parentes e vizinhos. Nem é preciso esperar o resultado. O peso vai

20 ser muito grande.

VEJA. São Paulo: Editora Abril; v. 34, n. 2387, ago 2014

Leia o seguinte trecho do texto 1:

“Aquela história de 'quando eu ganhar na Mega Sena', 'quando eu me casar', 'quando tiver filhos', 'quando meus filhos crescerem', 'quando eu tiver um emprego fabuloso' ou 'quando encontrar um homem que me mereça', tudo isso serve apenas para nos distrair e nos fazer esquecer da felicidade de hoje.” ( !$ l !$. 28 a 31)

O vocábulo “quando”, em destaque, sugere, no contexto:

 

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