Foram encontradas 75 questões.
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 2, para responder às questões de 9 a 18.
TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho
de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
“Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para outro, comer, beber, dormir e cantar.” (linha 7)
De acordo com a passagem do texto, a vida do passarinho era
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TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho
de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
“Passarinho bobo. (...) pois passarinho de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...” (linha 33)
A fala do dono do passarinho demonstra que ele
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TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho
de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Assinale a opção em que a expressão destacada pode ser associada à ideia de prudência:
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TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho
de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Em “Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava dependurada.” (linha 25), a expressão destacada sugere
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TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho
de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Marque a alternativa que NÃO justifica a afirmativa abaixo:
“Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança.” (linha 4)
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TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho
de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
A palavra destacada encontra-se no sentido figurado em:
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Disciplina: Português
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- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Dissertativo-argumentativoEstratégias Argumentativas
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TEXTO 2
PASSARINHO ENGAIOLADO
(Rubem Alves)
1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era
que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos
funcionários públicos.
Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito
5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos
aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na
alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para
outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da
segurança da gaiola...
10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.
Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.
Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!
Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco
de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no
15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se
se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro
dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de
seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu
mostrando a língua.
20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda
pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,
que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.
A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com
ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.
25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava
dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em
árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos
meninos com seus estilingues, no dia seguinte.
Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar
30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a
porta ainda estava aberta.
Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:
– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho
de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...
(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)
Marque a opção que apresenta um trecho em que há uma comparação:
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Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 1, para responder às questões de 1 a 8.
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
1 Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
5 Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
10 O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
15– Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
20 Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
25 Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
30 ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
Assinale o item que apresenta características de lenda, gênero do texto “A Mensagem dos Pássaros”.
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Disciplina: Português
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 1, para responder às questões de 1 a 8.
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
1 Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
5 Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
10 O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
15– Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
20 Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
25 Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
30 ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
Leia a seguinte passagem retirada do texto:
“– Está bem – conformou-se a pobre ave.
– Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.” (linha 12)
Assinale o item que apresenta a verdadeira intenção do pássaro falante:
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Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 1, para responder às questões de 1 a 8.
TEXTO 1
LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”
1 Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um
pássaro falante.
O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.
5 Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de
ingrato:
– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.
Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:
– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?
10 O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.
– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.
– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.
O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a
sua preciosa ave:
15– Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui
até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me
disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se
entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em
seguida, caíram mortos no chão.
20 Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a
cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.
O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um
efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma
mesa.
25 Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela
aberta, longe do alcance do dono.
– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia
entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam
que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu
30 ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!
(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).
Irredutível ao apelo do pássaro para que fosse junto com ele na viagem, o dono fez-lhe a seguinte proposta:
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