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Foram encontradas 75 questões.

1504714 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte

INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 1 para responder às questões de 1 a 11.


TEXTO 1

COISAS QUE EU FARIA


1 Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas

mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma

paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com

Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de

5 Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros. (De noite, após um banho de cachoeira, leria

Proust).

Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue

e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de

financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a

10 Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.

Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria

gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer

em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a

gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017

15 por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.

Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao

vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a

Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows

americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes

20 incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me

levar para Guantánamo – o que vier primeiro.

Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito

sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.

Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria

25 com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,

iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).

Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria

canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,

quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas

30 atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu

sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as

alturas.


(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)


VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”


Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.

Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.

Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.

Engajado: empenhado, comprometido.

Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.

Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.

In loco: no lugar; no próprio local.

Contrita: constrangida; contida; arrependida.

Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.

Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.

Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.

A ideia de possibilidade, sugerida no título do texto “Coisas que eu faria”, está relacionada sintática e semanticamente

 

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1504713 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte

INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 1 para responder às questões de 1 a 11.


TEXTO 1

COISAS QUE EU FARIA


1 Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas

mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma

paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com

Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de

5 Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros. (De noite, após um banho de cachoeira, leria

Proust).

Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue

e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de

financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a

10 Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.

Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria

gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer

em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a

gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017

15 por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.

Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao

vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a

Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows

americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes

20 incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me

levar para Guantánamo – o que vier primeiro.

Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito

sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.

Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria

25 com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,

iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).

Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria

canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,

quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas

30 atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu

sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as

alturas.


(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)


VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”


Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.

Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.

Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.

Engajado: empenhado, comprometido.

Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.

Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.

In loco: no lugar; no próprio local.

Contrita: constrangida; contida; arrependida.

Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.

Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.

Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.

No texto “Coisas que eu faria”, o autor devaneia, sonha, imagina. O trecho a seguir que NÃO traduz o sonho do autor é:

 

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1504712 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte

INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 1 para responder às questões de 1 a 11.


TEXTO 1

COISAS QUE EU FARIA


1 Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas

mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma

paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com

Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de

5 Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros. (De noite, após um banho de cachoeira, leria

Proust).

Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue

e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de

financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a

10 Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.

Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria

gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer

em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a

gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017

15 por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.

Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao

vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a

Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows

americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes

20 incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me

levar para Guantánamo – o que vier primeiro.

Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito

sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.

Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria

25 com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,

iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).

Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria

canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,

quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas

30 atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu

sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as

alturas.


(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)


VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”


Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.

Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.

Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.

Engajado: empenhado, comprometido.

Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.

Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.

In loco: no lugar; no próprio local.

Contrita: constrangida; contida; arrependida.

Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.

Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.

Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.

Segundo o texto, a Instituição “Fulbright Farniente” financiaria o projeto de alguns candidatos, durante um ano de ociosidade, que só NÃO consistiria em

 

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1504711 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte

INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 1 para responder às questões de 1 a 11.


TEXTO 1

COISAS QUE EU FARIA


1 Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas

mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma

paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com

Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de

5 Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros. (De noite, após um banho de cachoeira, leria

Proust).

Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue

e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de

financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a

10 Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.

Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria

gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer

em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a

gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017

15 por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.

Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao

vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a

Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows

americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes

20 incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me

levar para Guantánamo – o que vier primeiro.

Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito

sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.

Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria

25 com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,

iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).

Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria

canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,

quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas

30 atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu

sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as

alturas.


(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)


VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”


Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.

Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.

Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.

Engajado: empenhado, comprometido.

Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.

Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.

In loco: no lugar; no próprio local.

Contrita: constrangida; contida; arrependida.

Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.

Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.

Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.

Observe o desejo do autor no trecho abaixo:

“Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo (...)” (l. 22)

A mesma ideia está contida em:

 

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1504710 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 1 para responder às questões de 1 a 11.


TEXTO 1

COISAS QUE EU FARIA


1 Se eu fosse um bilionário entediado, já tivesse bebido os vinhos mais caros, comido as trufas

mais raras, me hospedado em castelos e dado rolês em ônibus espaciais: compraria um sítio com uma

paisagem a perder de vista, compraria uma bazuca, encheria essa paisagem a perder de vista com

Fuscas, Brasílias, Del Reys [- e por que não -] Land Rovers a perder de vista; encheria um cálice de

5 Bourbon e passaria uma tarde inteira explodindo carros. (De noite, após um banho de cachoeira, leria

Proust).

Se eu fosse um bilionário engajado, já tivesse investido na Amazônia e nas baleias, no Zimbábue

e no ozônio, na alfabetização, na fibra de coco e na energia solar: criaria uma bolsa sabática. Nada de

financiar pesquisas, estudos, livros, filmes como fazem essas incríveis instituições tipo a Fulbright, a

10 Ford, a antiga Vitae. A minha instituição financiaria um ano de ociosidade, seria a Fulbright Farniente.

Um candidato se proporia a assistir aos principais campeonatos mundiais in loco. Aprovado. Outro diria

gostar muito da luz da manhã e pediria para viajar pelo mundo por um ano, aproveitando o amanhecer

em Lisboa, no deserto de Atacama, no topo do Himalaia. Aprovado. Outra diria: “Eu e o Jurandir, a

gente gosta muito de massa, mas nunca “foi” pra Itália; então a gente “tava” pensando em passar 2017

15 por lá, comendo uns “macarrãozinho”(sic)”. “Tá” aqui o dinheiro, amiga.

Se eu fosse o presidente dos Estados Unidos, no discurso do Estado da União, televisionado ao

vivo para o mundo: começaria cantando “Mariana conta um/ Um conta Mariana/ É um é Ana/ Viva a

Mariana!”. Terminada a música, faria a cara mais contrita, pediria desculpas, diria “brincadeira, fellows

americans! Agora, falando sério” – e cantaria “Um elefante incomoda muita gente/ Dois elefantes

20 incomodam muito mais” até chegar a 58 elefantes ou até o Serviço Secreto cortar a transmissão e me

levar para Guantánamo – o que vier primeiro.

Se eu fosse um Deus altruísta: encarnava de novo e passava uns tempos resolvendo esse conflito

sobre o qual não se pode dizer que Ele (ou Eu) é (ou sou) inteiramente inocente.

Se eu fosse um Deus egoísta: “desencanaria” desse embaraço de uma vez por todas, encarnaria

25 com uma pinta de Leonardo Di Caprio e passaria a eternidade me esbaldando por aí. (Aos domingos,

iria para o meu sítio tomar Bourbon e explodir Del Reys).

Se eu fosse um Deus piadista: encarnaria como presidente de uma portentosa nação, cantaria

canções bem populares como “Mariana, conta um” e “Um elefante incomoda muita gente” e, então,

quando o Serviço Secreto tentasse dar sumiço em mim, sairia levitando sobre cabeças de congressistas

30 atônitos e sob os olhos esbugalhados de boa parte da população mundial, diria, com voz tonitruante: “Eu

sou aquele que é e tudo pode, ó fariseus!” E todos se curvariam. E eu, aos brados, voltaria para as

alturas.


(Adaptado de: PRATA, Antônio- colunista Folha de São Paulo. Disponível em: Acesso em: 10/07/2016)


VOCABULÁRIO – Texto: “COISAS QUE EU FARIA”


Trufas: cogumelo comestível; bombom aromatizado com conhaque.

Bazuca: lança-foguetes; arma que dispara granadas.

Proust: escritor francês; autor de “Em busca do tempo perdido”.

Engajado: empenhado, comprometido.

Bolsa sabática: bolsa de estudos para cursos no exterior.

Farniente: ociosidade agradável; fazer nada, ócio.

In loco: no lugar; no próprio local.

Contrita: constrangida; contida; arrependida.

Altruísta: aquele que se preocupa com o bem-estar e a felicidade alheios.

Tonitruante: com estrondo, muito ruidoso.

Fariseus: membros de um grupo judaico que vivia na estrita observância de preceitos religiosos; pessoas que seguem rigorosamente as formalidades de uma religião.

No texto “Coisas que eu faria”, Antônio Prata descreve, de maneira bem humorada, o que faria se pudesse assumir diferentes personalidades. Analisando as personalidades humanas e as divinas por ele delineadas, pode-se dizer que há, entre elas, a característica comum de

 

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1504709 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
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Observe, atentamente, a tirinha abaixo.

Enunciado 1504709-1

(Disponível em: http://www.tirasarmandinho.tumblr.com/post/115580057744/tirinha-original. Acesso em 22/09/2016.)

A partir da leitura da tirinha, é correto afirmar que

 

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1504708 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente os textos 1 e 2, para responder à questão 19.



TEXTO 1

LENDA INDIANA: “A MENSAGEM DOS PÁSSAROS”


1 Era uma vez um homem que, viajando por um país distante, comprou de um mercador um

pássaro falante.

O homem levou a ave para casa e ali a tratou com todo cuidado, abrigando-a numa gaiola dourada, onde nunca lhe faltava água e comida.

5 Todos os dias o pássaro pedia ao dono que o soltasse, mas ele não o atendia, chamando-o de

ingrato:

– Eu lhe dou tudo o que há de melhor. Não vejo por que você quer voltar à selva de onde veio.

Um dia, o homem precisou viajar a trabalho. Antes de partir, disse ao pássaro:

– Vou passar pelo seu país. Quer que lhe traga alguma coisa?

10 O pássaro implorou que o levasse com ele, mas o dono foi inflexível.

– O máximo que posso fazer é levar notícias suas para seus irmãos pássaros.

– Está bem – conformou-se a pobre ave. – Diga-lhes apenas que moro numa gaiola dourada.

O homem despediu-se e partiu. Dias depois, voltou, parecendo muito abalado quando procurou a

sua preciosa ave:

15– Não sei como lhe contar, mas uma tragédia aconteceu. Imagine que, ao chegar ao seu país, fui

até a orla da floresta e chamei seus irmãos pássaros. Apareceram vários, e eu repeti a eles o que você me

disse. Não entendo que estranho malefício havia em sua mensagem, mas imediatamente eles se

entreolharam, reviraram os olhos e começaram a girar a cabeça, como se estivessem zonzos. Em

seguida, caíram mortos no chão.

20 Assim que o homem terminou seu relato, o pássaro falante começou a revirar os olhos, a girar a

cabeça e caiu, esticado como um pedaço de pau.

O homem se pôs a gritar e a lamentar, sem compreender como simples palavras pudessem ter um

efeito tão catastrófico. Pesaroso, abriu a gaiola e retirou o corpo do bichinho, pousando-o sobre uma

mesa.

25 Assim que se percebeu fora da gaiola, o pássaro abriu os olhos e voou rapidamente para a janela

aberta, longe do alcance do dono.

– Obrigado, amigo – disse ele. – Você não entendeu nem as minhas palavras, como poderia

entender uma mensagem sem palavras? Ao ouvirem que eu estava numa gaiola, eles compreenderam

que deveriam me dizer como escapar. E você transmitiu muito bem o recado. Fique com sua gaiola. Eu

30 ficarei com minha muito mais preciosa liberdade! Adeus!


(PLAMPLONA, Rosane. O homem que contava histórias. São Paulo: Brinque-Book, 2005 – p. 50-3).



TEXTO 2

PASSARINHO ENGAIOLADO

(Rubem Alves)


1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era

que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos

funcionários públicos.

Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito

5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos

aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na

alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para

outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da

segurança da gaiola...

10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.

Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!

Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco

de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no

15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se

se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro

dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de

seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu

mostrando a língua.

20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda

pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,

que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.

A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com

ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.

25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava

dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em

árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos

meninos com seus estilingues, no dia seguinte.

Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar

30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a

porta ainda estava aberta.

Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:

– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho

de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...


(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)

Relacionando-se os textos 1 e 2, “A mensagem dos pássaros” e “Passarinho engaiolado”, pode-se afirmar que

 

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1504707 Ano: 2016
Disciplina: Português
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 2, para responder às questões de 9 a 18.


TEXTO 2

PASSARINHO ENGAIOLADO

(Rubem Alves)


1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era

que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos

funcionários públicos.

Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito

5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos

aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na

alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para

outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da

segurança da gaiola...

10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.

Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!

Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco

de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no

15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se

se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro

dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de

seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu

mostrando a língua.

20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda

pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,

que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.

A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com

ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.

25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava

dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em

árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos

meninos com seus estilingues, no dia seguinte.

Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar

30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a

porta ainda estava aberta.

Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:

– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho

de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...


(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)

Depois de vivenciar algumas experiências fora da gaiola, o passarinho volta e encontra a porta aberta. Ele, então, tem a oportunidade de retornar à gaiola, mas não sem antes refletir sobre a condição de ser livre.

A afirmação que NÃO encontra relação com as reflexões feitas pelo passarinho é:

 

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1504706 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 2, para responder às questões de 9 a 18.


TEXTO 2

PASSARINHO ENGAIOLADO

(Rubem Alves)


1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era

que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos

funcionários públicos.

Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito

5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos

aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na

alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para

outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da

segurança da gaiola...

10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.

Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!

Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco

de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no

15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se

se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro

dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de

seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu

mostrando a língua.

20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda

pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,

que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.

A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com

ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.

25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava

dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em

árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos

meninos com seus estilingues, no dia seguinte.

Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar

30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a

porta ainda estava aberta.

Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:

– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho

de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...


(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)

Segundo Houaiss (HOUAISS, Antônio. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 366.), o vocábulo crepúsculo, empregado no sentido figurado significa: “3. fig. período que antecede o fim de algo, momento em que se percebe este fim; declínio, decadência.”

O passarinho sentiu-se triste com o crepúsculo porque

 

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1504705 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
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INSTRUÇÃO: Leia atentamente o texto 2, para responder às questões de 9 a 18.


TEXTO 2

PASSARINHO ENGAIOLADO

(Rubem Alves)


1 Dentro de uma linda gaiola vivia um passarinho. De sua vida, o mínimo que se poderia dizer era

que era segura e tranquila, como seguras e tranquilas são as vidas das pessoas bem casadas e dos

funcionários públicos.

Era monótona, é verdade. Mas a monotonia é o preço que se paga pela segurança. Não há muito

5 o que fazer dentro dos limites de uma gaiola, seja ela feita de arames de ferro ou de deveres. Os sonhos

aparecem, mas logo morrem, por não haver espaço para baterem suas asas. Só fica um grande buraco na

alma, que cada um enche como pode. Assim restava ao passarinho ficar pulando de um poleiro para

outro, comer, beber, dormir e cantar. O seu canto era aluguel que pagava ao seu dono pelo gozo da

segurança da gaiola...

10 ... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.

Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.

Ele poderia agora realizar todos os seus sonhos. Estava livre, livre, livre!

Saiu. Voou para o galho mais próximo. Olhou para baixo. Puxa! Como era alto. Sentiu um pouco

de tontura. Estava acostumado com o chão da gaiola, bem pertinho. Teve medo de cair. Agachou-se no

15 galho, para ter mais firmeza. Viu uma outra árvore mais distante. Teve vontade de ir até lá. Perguntou-se

se suas asas aguentariam. Elas não estavam acostumadas. O melhor seria não abusar, logo no primeiro

dia. Agarrou-se mais firmemente ainda. Nesse momento, um insetinho passou voando bem na frente de

seu bico. Chegara a hora. Esticou o pescoço o mais que pôde, mas o insetinho não era bobo. Sumiu

mostrando a língua.

20 – Ei, você! – era uma passarinha – Vamos voar juntos até o quintal do vizinho. Há uma linda

pimenteira, carregadinha de pimentas vermelhas. Deliciosas. Apenas é preciso prestar atenção no gato,

que anda por lá... Só o nome gato lhe deu arrepio. Disse para a passarinha que não gostava de pimentas.

A passarinha procurou outro companheiro. Ele preferiu ficar com fome. Chegou o fim da tarde e, com

ele, a tristeza do crepúsculo. A noite se aproximava.

25 Onde iria dormir? Lembrou-se do prego amigo, na parede da cozinha, onde a sua gaiola ficava

dependurada. Teve saudades dele. Teria de dormir num galho de árvore sem proteção. Gatos sobem em

árvores? Eles enxergam no escuro? E era preciso não esquecer os gambás. E tinha de pensar nos

meninos com seus estilingues, no dia seguinte.

Tremeu de medo. Nunca imaginara que a liberdade fosse tão complicada. Somente podem gozar

30 a liberdade aqueles que têm coragem. Ele não tinha. Teve saudades da gaiola. Voltou. Felizmente a

porta ainda estava aberta.

Nesse momento chegou o dono. Vendo a porta aberta disse:

– Passarinho bobo. Não viu que a porta estava aberta. Deve estar meio cego, pois passarinho

de verdade não fica em gaiola. Gosta mesmo é de voar...


(ALVES, Rubem – Teologia do Cotidiano – São Paulo: Olho d`água, 1994)

“... Ah! Se aquela maldita porta se abrisse.” (linha 10) Após esse pensamento, o desejo foi realizado: “Pois não é que, para surpresa sua, um dia o seu dono a esqueceu aberta.” (linha 11)

Esta situação pode ser relacionada ao seguinte dito popular:

 

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