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Paciente ABC, masculino, cinco anos, com história de queixa de dores abdominais, episódios de diarreia há pelo menos 15 dias. Há cerca de dois dias é admitido em um serviço de pronto-atendimento com queixa de piora da dor abdominal, constipação e anurese. Ao exame físico, a criança estava magra, com sinais e sintomas sugestivos de desnutrição. Na admissão, apresentava temperatura de 37,9°C, frequência respiratória de 22rpm e frequência cardíaca de 96bpm. Na anamnese, o paciente apresentava abdômen com contorno escuro no hipocôndrio direito, doloroso à pressão. A genitora nega investigação prévia de verminoses ou outras infecções intestinais ou uso de qualquer medicação. Foi realizado raio-X e evidenciada massa (Figura A) e o paciente foi encaminhado para laparotomia exploratória em que constataram-se múltiplas estruturas cilíndricas amarelo-esbranquiçadas, totalizando uma massa com peso de 540g (Figura B).

Figura A: Raio-X abdominal evidenciando alças dilatadas do intestino delgado.

Figura B: Extração de vermes durante uma enterotomia.
Acerca dos achados clínicos, cirúrgicos e radiológicos, analisar os itens abaixo:
I. Considerando as evidências apresentadas, o quadro clínico e demais achados cirúrgicos e radiológicos sugerem obstrução parasitária causada por um helminto. A localização da obstrução e as características estruturais do parasita são sugestivas de ascaridíase ou tricuríase, sobretudo, em razão do mecanismo de ação mecânica e obstrutiva que podem ser ocasionados por esses nematoides.
II. O patógeno evidenciado a partir da laparotomia exploratória é um verme cilíndrico cuja infestação pode acarretar desnutrição, fadiga, anemia, obstrução intestinal e, até mesmo, sinais e sintomas respiratórios relacionados ao ciclo de Loss e eventos decorrentes deste, como pneumonia eosinofílica.
III. Em se tratando da pesquisa laboratorial através do exame parasitológico de fezes, a identificação de cistos e larvas rabditoides, em pelo menos três amostras colhidas em dias alternados, é uma alternativa para o diagnóstico. Tais estruturas parasitárias podem ser identificadas através de técnicas de concentração e, até mesmo, quantificadas por métodos laboratoriais como Kato-Katz, por exemplo.
IV. Além da intervenção cirúrgica, recomenda-se que o tratamento do paciente pode ser realizado com antibióticos de amplo espectro, além de anti-helmínticos (Mebendazol, 100mg, 2 vezes ao dia, durante 3 dias consecutivos, por exemplo). O tratamento extensivo a familiares e escolares próximos ao doente, além de medidas de saneamento, educação em saúde e vigilância são estratégias úteis no controle da parasitose.
Estão CORRETOS:
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A colestase neonatal (CN) é resultante da redução da síntese ou de bloqueio (intra ou extra-hepático) da excreção dos componentes biliares para o intestino delgado, que tem início nos primeiros 30 dias de vida e se manifesta clinicamente com icterícia, colúria, hipocolia ou acolia fecal. Sobre essa condição clínica, analisar os itens abaixo:
I. Toda colestase neonatal representa uma urgência em gastroenterologia, portanto, solicitar avaliação da gastroenterologia/hepatologia clínica sempre que um paciente com essas características der entrada no hospital.
II. Na investigação de colestase neonatal, dosagens laboratoriais de lactato, amônia, cromatografia de aminoácidos, galactose 1-fosfato uridiltransferase, succinilacetona e pesquisa de ácidos orgânicos na urina são testes úteis para se estabelecer a etiologia metabólica da CN.
III. No diagnóstico diferencial e para se confirmar a síndrome de Zellweger, recomenda-se a realização de raio-X de coluna vertebral para avaliar vértebras em asa de borboleta e ecocardiograma.
IV. O tratamento da colestase neonatal geralmente é direcionado e específico, sempre que disponível. Deve-se tratar as manifestações que podem estar associadas, como cardiopatia na síndrome de Alagille e diarreia na colestase intra-hepática familiar progressiva.
Estão CORRETOS:
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As doenças inflamatórias intestinais (DII) constituem um grupo de alterações crônicas no trato digestório, de gravidades variáveis, caracterizadas por inflamação crônica, principalmente no intestino, sendo representadas pela doença de Crohn (DC), colite ulcerativa e a colite indeterminada ou não classificada. A prevalência dessas doenças tem aumentado nas últimas décadas, em todas as faixas etárias, podendo ser considerado um problema de saúde pública, sendo que cerca de 25% dessas doenças apresentarão manifestações clínicas iniciais na faixa etária pediátrica.
Sobre achados ileocolonoscópicos ou histopatológicos associados à DC, analisar os itens abaixo:
I. Perda do padrão vascular.
II. Distribuição segmentar.
III. Presença de inflamação transmural.
IV. Friabilidade.
Estão CORRETOS:
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Um paciente pediátrico de 8 anos apresenta-se com história de disfagia, regurgitação de alimentos não digeridos e perda de peso. Exames endoscópicos e de imagem descartam obstrução mecânica ou estrutural. O profissional suspeita de um distúrbio de motilidade esofágica e considera o diagnóstico diferencial.
Neste paciente com suspeita de distúrbio de motilidade esofágica, o exame diagnóstico mais indicado para avaliar a função motora do esôfago é:
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No grupo pediátrico, as causas mais frequentes de hipertensão portal são a atresia biliar intra-hepática e a obstrução extra-hepática da veia porta (OEHVP).
São causas de hipertensão portal em crianças com fígado cirrótico:
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A atresia biliar tem distribuição universal e sua prevalência varia de acordo com a localização geográfica. Sua patogênese é complexa e incompletamente compreendida.
Sobre essa patologia, analisar os itens abaixo:
I. É a causa cirúrgica mais frequente de icterícia obstrutiva nos 2 primeiros anos de vida.
II. A cirurgia de Kasai, mesmo quando realizada tardiamente, restabelece o fluxo biliar e 100% dos pacientes não terão qualquer complicação futura.
III. É uma doença com prevalência de 1:500 nascimentos autossômica dominante causada por mutações nos genes JAG5 e no gene NOTCH7.
Está(ão) CORRETO(S):
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( ) A ultrassonografia transvaginal pode ser realizada e, caso apresente espessura endometrial ≥ 5mm, realizar investigação adicional por biópsia aspirativa ou histeroscopia (HSC) com biópsia.
( ) A HSC permite uma biópsia direcionada por meio da visualização direta da cavidade. Alternativas incluem a citologia endometrial, que só deve ser valorizada no caso de negatividade para células malignas, e a dilatação seguida de curetagem uterina.
( ) O procedimento para amostragem de endométrio pode ser realizado no consultório por aspiração com cânulas pequenas e flexíveis, cateter de Pipelle ou cureta de Novak. Esse método tem baixo custo e riscos mínimos, além de obter amostra satisfatória de todo o endométrio.
( ) A ultrassonografia transvaginal pode ser realizada, ainda que apresente espessura endometrial < 5mm e investigação adicional com biópsia negativa; caso a paciente apresentar SUA persistente, realizar investigação adicional por biópsia aspirativa ou histeroscopia (HSC) com biópsia.
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I. A principal causa da DHPN é a incompatibilidade do grupo sanguíneo Rh- antígeno D (cerca de 95%), que é um dos 50 antígenos do grupo Rh.
II. Quando o resultado do laboratório aparecer como “D fraco (Du)”, deve-se considerar Rh+; já quando mostrar “D parcial” e “DEL”, considera-se Rh-.
III. Quanto ao sistema ABO, em mães do grupo O com fetos do grupo A ou B, pode ocorrer anemia fetal de maneira relativamente frequente, com repercussões clínicas maiores ou necessidade de intervenção durante a gestação.
Está(ão) CORRETO(S):
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(1) Abortamento retido.
(2) Gestação anembrionária.
(3) Abortamento inevitável.
( ) É definido pela presença de um saco gestacional com diâmetro médio de 25mm ou mais que não contém embrião.
( ) Costuma vir associado à diminuição ou ao desaparecimento completo dos sintomas habituais do início da gestação.
( ) É a ocorrência de sangramento vaginal e dor abdominal associada à dilatação cervical, podendo também ocorrer exteriorização de líquido amniótico.
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I. Em indivíduos do sexo feminino, a falta de hormônio antimülleriano (AMH) permite a persistência dos ductos müllerianos. Esses ductos crescem no sentido caudal junto aos ductos mesonéfricos.
II. Com aproximadamente 10 semanas de gestação e durante sua migração caudal, as duas porções distais dos ductos müllerianos se aproximam na linha média e fundem-se antes mesmo de atingirem o seio urogenital. Os ductos fundidos formam um tubo, denominado canal útero-vaginal.
III. Em torno de 16 semanas, corpo e colo uterinos sofrem diferenciação, e a parede uterina se torna mais delgada. Inicialmente, o polo posterior do útero contém um septo na linha média que sofre dissolução para formar a cavidade uterina.
IV. A dissolução do septo uterino geralmente se completa em 20 semanas. As porções cranianas não fundidas dos ductos müllerianos se transformam nas tubas uterinas.
Estão CORRETOS:
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