Foram encontradas 26 questões.
Com base na leitura do poema a seguir, responda às questões 5 e 6.
Não vou mais lavar os pratos
Não vou mais lavar os pratos.
Nem vou limpar a poeira dos móveis.
Sinto muito. Comecei a ler. Abri outro dia um livro
e uma semana depois decidi.
Não levo mais o lixo para a lixeira. Nem arrumo
a bagunça das folhas que caem no quintal.
Sinto muito.
Depois de ler percebi
a estética dos pratos, a estética dos traços, a ética,
A estática.
Olho minhas mãos quando mudam a página
dos livros, mãos bem mais macias que antes
e sinto que posso começar a ser a todo instante.
Sinto.
Qualquer coisa.
Não vou mais lavar. Nem levar. Seus tapetes
para lavar a seco. Tenho os olhos rasos d’água.
Sinto muito. Agora que comecei a ler quero entender.
O porquê, por quê? e o porquê.
Existem coisas. Eu li, e li, e li. Eu até sorri.
E deixei o feijão queimar...
Olha que feijão sempre demora para ficar pronto.
Considere que os tempos são outros...
[...]
Depois de tantos anos alfabetizada, aprendi a ler.
Depois de tanto tempo juntos, aprendi a separar
meu tênis do seu sapato,
minha gaveta das suas gravatas,
meu perfume do seu cheiro.
Minha tela da sua moldura.
Sendo assim, não lavo mais nada, e olho a sujeira
no fundo do copo.
Sempre chega o momento
de sacudir,
de investir,
de traduzir.
Não lavo mais pratos.
Li a assinatura da minha lei áurea
escrita em negro maiúsculo,
em letras tamanho 18, espaço duplo.
(SOBRAL, Cristiane. Cadernos negros 23: poemas afro-brasileiros, 2000.Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-autoras/932-cristiane-sobral-nao-vou-mais-lavar-os-pratos. Acesso em: 12 jul.2020.)
Em “O porquê, por quê?”, é CORRETO identificar, respectivamente:
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Com base na leitura do poema a seguir, responda às questões 5 e 6.
Não vou mais lavar os pratos
Não vou mais lavar os pratos.
Nem vou limpar a poeira dos móveis.
Sinto muito. Comecei a ler. Abri outro dia um livro
e uma semana depois decidi.
Não levo mais o lixo para a lixeira. Nem arrumo
a bagunça das folhas que caem no quintal.
Sinto muito.
Depois de ler percebi
a estética dos pratos, a estética dos traços, a ética,
A estática.
Olho minhas mãos quando mudam a página
dos livros, mãos bem mais macias que antes
e sinto que posso começar a ser a todo instante.
Sinto.
Qualquer coisa.
Não vou mais lavar. Nem levar. Seus tapetes
para lavar a seco. Tenho os olhos rasos d’água.
Sinto muito. Agora que comecei a ler quero entender.
O porquê, por quê? e o porquê.
Existem coisas. Eu li, e li, e li. Eu até sorri.
E deixei o feijão queimar...
Olha que feijão sempre demora para ficar pronto.
Considere que os tempos são outros...
[...]
Depois de tantos anos alfabetizada, aprendi a ler.
Depois de tanto tempo juntos, aprendi a separar
meu tênis do seu sapato,
minha gaveta das suas gravatas,
meu perfume do seu cheiro.
Minha tela da sua moldura.
Sendo assim, não lavo mais nada, e olho a sujeira
no fundo do copo.
Sempre chega o momento
de sacudir,
de investir,
de traduzir.
Não lavo mais pratos.
Li a assinatura da minha lei áurea
escrita em negro maiúsculo,
em letras tamanho 18, espaço duplo.
(SOBRAL, Cristiane. Cadernos negros 23: poemas afro-brasileiros, 2000.Disponível em: http://www.letras.ufmg.br/literafro/24-textos-das-autoras/932-cristiane-sobral-nao-vou-mais-lavar-os-pratos. Acesso em: 12 jul.2020.)
No poema, o duplo processo de mobilização, ao mesmo tempo pragmático e subjetivo, que o ato de leitura provoca sobre a autora, é confirmado, RESPECTIVAMENTE, pelos seguintes fatores:
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- Interpretação de TextosInferência Textual
- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosVariação da LinguagemTemas e Figuras
A questão 4 é relativa ao cartum que segue.

(ITURRUSGARAI, Adão. Folha de São Paulo. 17/05/2020. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/cartum/cartunsdiarios/#17/5/2020. Acesso em: 11 jul.2020. Adaptado.)
A frase “Essa é a sua opinião!”, proferida pelo personagem que está à direita, remete a:
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- MorfologiaConjunçõesClassificação das ConjunçõesConjunções CoordenativasConjunções coordenativas adversativas
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 3.
A empregada doméstica e a desigualdade de raça e gênero
Em uma palestra na Universidade Federal da Bahia no ano de 2017, a ativista de direitos humanos norte-americana Angela Davis declarou: quando uma mulher negra se move, toda a estrutura da sociedade se move com ela. Por “estrutura”, ela se refere à base da pirâmide social capitalista, lugar comumente ocupado por mulheres negras, pelo menos desde o início da colonização europeia e da escravização de povos africanos. Nesse sentido, a luta contra o racismo não pode ser dissociada da revisão dessa estrutura piramidal como padrão do nosso sistema econômico-social. É difícil imaginar uma sociedade saudável enquanto houver a dominação de uma classe sobre outra, de uma raça sobre outra ou de um gênero sobre outro. Por esse motivo, os movimentos antirracista, feminista e de classe precisam apoiar-se. No fim, todos lutam contra um inimigo em comum: o patriarcado capitalista.
[...]
Conforme a filósofa Djamila Ribeiro, enquanto mulheres brancas são vistas como frágeis, mulheres negras são tidas como detentoras de uma grande habilidade para suportar a dor física e emocional, motivo pelo qual não foram poupadas dos castigos cruéis e degradantes da escravidão. Quando mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto, ex-escravas negras reivindicavam ainda condições básicas de dignidade. Muito antes de mulheres brancas conquistarem espaço para trabalhar, mulheres negras já tinham sua força de trabalho massivamente explorada.
No Brasil, onde nunca houve uma política oficial de segregação racial (na direção oposta ao que ocorreu nos EUA e na África do Sul, por exemplo), as camadas que formam os grupos raciais são mais difíceis de identificar. A promoção da miscigenação e a ausência de leis determinando direitos diferentes para negros e brancos dá a falsa impressão de que no Brasil o racismo é mais brando ou até inexistente. Alguns dados históricos, no entanto, desmistificam essa ideia. O Brasil é o país que mais recebeu escravos nas Américas e foi o último a abolir a escravidão, em 1888. Logo, o racismo está nas bases da formação da sociedade brasileira. De acordo com dados de 2019, cerca de 56% da população do país é negra, ou seja, mais da metade. Por outro lado, pessoas negras estão muito longe de ser a maioria nas universidades e nos cargos de poder. Além disso, uma pessoa negra é assassinada a cada 23 minutos no Brasil. Enquanto a Constituição determina que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, a hierarquia piramidal da sociedade brasileira insiste em mostrar o contrário.
A desigualdade racial é ainda mais marcante quando analisada sob o enfoque de gênero. O abismo vai além dos âmbitos educacionais e laborais, mas passa também pelas tarefas mais básicas do cotidiano. Lógico seria se cada um fosse responsável por lavar o seu próprio banheiro. Na prática, porém, quase sempre há uma mulher negra encarregada desse serviço. Que todos limpem os próprios banheiros pode parecer uma ideia simples de pôr em prática. Contudo, ela implica uma mudança cultural radical. É muito comum que nas casas das famílias brasileiras de classe média e rica (em sua grande maioria formadas por pessoas brancas) haja uma empregada que trabalha diariamente encarregando-se dos serviços domésticos. Em geral, a empregada faz todo o serviço de limpeza e cozinha, além de cuidar das crianças. Ela geralmente ganha um salário mínimo ou não muito mais do que isso. Ela geralmente é negra.
(OLIVEIRA, Andreia H. Robert de. Site Justificando. 25/05/2020. Disponível em: https://www.justificando.com/2020/05/25/a-empregada-domestica-e-a-desigualdade-de-raca-e-genero/. Acesso em: 13 jul.2020. Adaptado.)
Marque a alternativa em que o conectivo em destaque NÃO apresenta função adversativa:
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Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 3.
A empregada doméstica e a desigualdade de raça e gênero
Em uma palestra na Universidade Federal da Bahia no ano de 2017, a ativista de direitos humanos norte-americana Angela Davis declarou: quando uma mulher negra se move, toda a estrutura da sociedade se move com ela. Por “estrutura”, ela se refere à base da pirâmide social capitalista, lugar comumente ocupado por mulheres negras, pelo menos desde o início da colonização europeia e da escravização de povos africanos. Nesse sentido, a luta contra o racismo não pode ser dissociada da revisão dessa estrutura piramidal como padrão do nosso sistema econômico-social. É difícil imaginar uma sociedade saudável enquanto houver a dominação de uma classe sobre outra, de uma raça sobre outra ou de um gênero sobre outro. Por esse motivo, os movimentos antirracista, feminista e de classe precisam apoiar-se. No fim, todos lutam contra um inimigo em comum: o patriarcado capitalista.
[...]
Conforme a filósofa Djamila Ribeiro, enquanto mulheres brancas são vistas como frágeis, mulheres negras são tidas como detentoras de uma grande habilidade para suportar a dor física e emocional, motivo pelo qual não foram poupadas dos castigos cruéis e degradantes da escravidão. Quando mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto, ex-escravas negras reivindicavam ainda condições básicas de dignidade. Muito antes de mulheres brancas conquistarem espaço para trabalhar, mulheres negras já tinham sua força de trabalho massivamente explorada.
No Brasil, onde nunca houve uma política oficial de segregação racial (na direção oposta ao que ocorreu nos EUA e na África do Sul, por exemplo), as camadas que formam os grupos raciais são mais difíceis de identificar. A promoção da miscigenação e a ausência de leis determinando direitos diferentes para negros e brancos dá a falsa impressão de que no Brasil o racismo é mais brando ou até inexistente. Alguns dados históricos, no entanto, desmistificam essa ideia. O Brasil é o país que mais recebeu escravos nas Américas e foi o último a abolir a escravidão, em 1888. Logo, o racismo está nas bases da formação da sociedade brasileira. De acordo com dados de 2019, cerca de 56% da população do país é negra, ou seja, mais da metade. Por outro lado, pessoas negras estão muito longe de ser a maioria nas universidades e nos cargos de poder. Além disso, uma pessoa negra é assassinada a cada 23 minutos no Brasil. Enquanto a Constituição determina que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, a hierarquia piramidal da sociedade brasileira insiste em mostrar o contrário.
A desigualdade racial é ainda mais marcante quando analisada sob o enfoque de gênero. O abismo vai além dos âmbitos educacionais e laborais, mas passa também pelas tarefas mais básicas do cotidiano. Lógico seria se cada um fosse responsável por lavar o seu próprio banheiro. Na prática, porém, quase sempre há uma mulher negra encarregada desse serviço. Que todos limpem os próprios banheiros pode parecer uma ideia simples de pôr em prática. Contudo, ela implica uma mudança cultural radical. É muito comum que nas casas das famílias brasileiras de classe média e rica (em sua grande maioria formadas por pessoas brancas) haja uma empregada que trabalha diariamente encarregando-se dos serviços domésticos. Em geral, a empregada faz todo o serviço de limpeza e cozinha, além de cuidar das crianças. Ela geralmente ganha um salário mínimo ou não muito mais do que isso. Ela geralmente é negra.
(OLIVEIRA, Andreia H. Robert de. Site Justificando. 25/05/2020. Disponível em: https://www.justificando.com/2020/05/25/a-empregada-domestica-e-a-desigualdade-de-raca-e-genero/. Acesso em: 13 jul.2020. Adaptado.)
O ponto de vista defendido pela autora é o de que:
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- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Narrativo
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Descritivo
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Injuntivo/Instrucional
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Dissertativo-expositivo
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Dissertativo-argumentativo
Leia o texto abaixo para responder às questões de 1 a 3.
A empregada doméstica e a desigualdade de raça e gênero
Em uma palestra na Universidade Federal da Bahia no ano de 2017, a ativista de direitos humanos norte-americana Angela Davis declarou: quando uma mulher negra se move, toda a estrutura da sociedade se move com ela. Por “estrutura”, ela se refere à base da pirâmide social capitalista, lugar comumente ocupado por mulheres negras, pelo menos desde o início da colonização europeia e da escravização de povos africanos. Nesse sentido, a luta contra o racismo não pode ser dissociada da revisão dessa estrutura piramidal como padrão do nosso sistema econômico-social. É difícil imaginar uma sociedade saudável enquanto houver a dominação de uma classe sobre outra, de uma raça sobre outra ou de um gênero sobre outro. Por esse motivo, os movimentos antirracista, feminista e de classe precisam apoiar-se. No fim, todos lutam contra um inimigo em comum: o patriarcado capitalista.
[...]
Conforme a filósofa Djamila Ribeiro, enquanto mulheres brancas são vistas como frágeis, mulheres negras são tidas como detentoras de uma grande habilidade para suportar a dor física e emocional, motivo pelo qual não foram poupadas dos castigos cruéis e degradantes da escravidão. Quando mulheres brancas lutavam pelo direito ao voto, ex-escravas negras reivindicavam ainda condições básicas de dignidade. Muito antes de mulheres brancas conquistarem espaço para trabalhar, mulheres negras já tinham sua força de trabalho massivamente explorada.
No Brasil, onde nunca houve uma política oficial de segregação racial (na direção oposta ao que ocorreu nos EUA e na África do Sul, por exemplo), as camadas que formam os grupos raciais são mais difíceis de identificar. A promoção da miscigenação e a ausência de leis determinando direitos diferentes para negros e brancos dá a falsa impressão de que no Brasil o racismo é mais brando ou até inexistente. Alguns dados históricos, no entanto, desmistificam essa ideia. O Brasil é o país que mais recebeu escravos nas Américas e foi o último a abolir a escravidão, em 1888. Logo, o racismo está nas bases da formação da sociedade brasileira. De acordo com dados de 2019, cerca de 56% da população do país é negra, ou seja, mais da metade. Por outro lado, pessoas negras estão muito longe de ser a maioria nas universidades e nos cargos de poder. Além disso, uma pessoa negra é assassinada a cada 23 minutos no Brasil. Enquanto a Constituição determina que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, a hierarquia piramidal da sociedade brasileira insiste em mostrar o contrário.
A desigualdade racial é ainda mais marcante quando analisada sob o enfoque de gênero. O abismo vai além dos âmbitos educacionais e laborais, mas passa também pelas tarefas mais básicas do cotidiano. Lógico seria se cada um fosse responsável por lavar o seu próprio banheiro. Na prática, porém, quase sempre há uma mulher negra encarregada desse serviço. Que todos limpem os próprios banheiros pode parecer uma ideia simples de pôr em prática. Contudo, ela implica uma mudança cultural radical. É muito comum que nas casas das famílias brasileiras de classe média e rica (em sua grande maioria formadas por pessoas brancas) haja uma empregada que trabalha diariamente encarregando-se dos serviços domésticos. Em geral, a empregada faz todo o serviço de limpeza e cozinha, além de cuidar das crianças. Ela geralmente ganha um salário mínimo ou não muito mais do que isso. Ela geralmente é negra.
(OLIVEIRA, Andreia H. Robert de. Site Justificando. 25/05/2020. Disponível em: https://www.justificando.com/2020/05/25/a-empregada-domestica-e-a-desigualdade-de-raca-e-genero/. Acesso em: 13 jul.2020. Adaptado.)
Quanto à tipologia, é CORRETO afirmar que o texto classifica-se como, predominantemente:
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