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3181664 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: HCPA
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Instrução: As questões 09 a 15 referem-se ao texto abaixo.

  1. No pós-guerra e por toda a década de 1950, é muito
  2. comum que as moças de classe média que trabalham
  3. ou estudam interrompam essas atividades com o casa-
  4. mento. Como observou o sociólogo Emílio Willems em
  5. 1954: “apesar do fato de que as mulheres podem,
  6. agora, escolher entre várias possibilidades profissio-
  7. nais, ainda há poucas mulheres, no Brasil, que seguem
  8. alguma carreira”. Para a maioria esmagadora delas, o
  9. casamento está em primeiro plano e nem estudos nem
  10. profissão fazem com que ele seja adiado ou rejeitado.
  11. Ao longo dos Anos Dourados, é comum ouvir que carreira
  12. e matrimônio são inconciliáveis. As mulheres encon-
  13. tram muitas barreiras ao tentar prosseguir com os
  14. estudos universitários ou investir em uma profissão.
  15. Invariavelmente, seu trabalho profissional será consi-
  16. derado bem menos relevante que o do chefe da família.
  17. Pais e maridos de classe média chegam ____ se
  18. envergonhar por terem filhas ou esposa trabalhando
  19. fora do lar. Outros, porém, diante das pressões econô-
  20. micas, deixam de fazer objeções ____ que suas mulheres
  21. tenham empregos que não o de professora, e não só
  22. permitem o trabalho das filhas solteiras como muitas
  23. vezes o incentivam. Assim, várias moças dessa classe
  24. social entram no mercado de trabalho “para ajudar a
  25. família” nas questões financeiras, e outras, simples-
  26. mente para adquirir maior independência. Porém, nos
  27. anos 1950, é bem mais difícil encontrar mulheres casa-
  28. das dessa classe social trabalhando fora; é preferível
  29. que elas se dediquem inteiramente ao lar e “se preser-
  30. vem da rua”.
  31. O controle exercido por maridos, pais e irmãos
  32. sobre as mulheres diminui consideravelmente quando
  33. elas trabalham fora de casa. Contudo, ou por isso
  34. mesmo, elas devem cuidar de sua reputação compor-
  35. tando-se de maneira ____ não “reduzir as oportunidades
  36. para o casamento” ou desagradar o marido. Observando
  37. suas contemporâneas, Emílio Willems alerta contra con-
  38. clusões apressadas, como a de que “as mulheres brasilei-
  39. ras gozam ou desejam gozar o grau de liberdade que é
  40. comum em outras partes do Ocidente”.
  41. As mudanças que vão se operando na sociedade
  42. nos 15 anos que se seguem ao término da Segunda
  43. Guerra Mundial afetam, de vários modos, as relações
  44. de gênero estabelecidas. Ao lado da emancipação
  45. feminina em curso convivem — nem sempre pacifica-
  46. mente, nem sempre em estado de guerra —, visões
  47. tradicionais dos papéis masculinos e femininos. Algu-
  48. mas instituições conservadoras colocam restrições ____
  49. dedicação ao estudo e _____ profissionalização das
  50. mulheres. Já o cinema, embora divulgue um modelo
  51. tradicional de esposa, também traz imagens de países
  52. estrangeiros (EUA, França, Itália, etc.) em que a parti-
  53. cipação feminina no mercado de trabalho é vista com
  54. maior naturalidade.
  55. A classe média acabará aceitando e valorizando o
  56. trabalho feminino fora de casa, afinal o capitalismo, os
  57. novos padrões de consumo e a “modernidade”, além
  58. da emancipação (convicta ou não) de muitas mulheres,
  59. exigem que assim seja. Mas num percurso acidentado
  60. e cheio de obstáculos.

Adaptado de: PINSKY, C. B. Mulheres dos anos dourados. São

Paulo: Contexto, 2014.

Considere as seguintes afirmações.

I - No primeiro parágrafo, a autora argumenta que mulheres de classe média, na década de 1950, enfrentam dificuldades para manter seus estudos ou profissão, e estes acabam sendo interrompidos pelo matrimônio.

II - No segundo parágrafo, a autora argumenta que, no final dos anos 1950, torna-se aceitável pela sociedade que as mulheres busquem um trabalho ou sigam carreira acadêmica, em especial as mulheres casadas.

III - No último parágrafo, a autora argumenta que, eventualmente, o trabalho fora de casa acaba sendo aceito e até mesmo valorizado pela classe média.

Quais estão corretas?

 

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3181663 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: HCPA
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Instrução: As questões 09 a 15 referem-se ao texto abaixo.

  1. No pós-guerra e por toda a década de 1950, é muito
  2. comum que as moças de classe média que trabalham
  3. ou estudam interrompam essas atividades com o casa-
  4. mento. Como observou o sociólogo Emílio Willems em
  5. 1954: “apesar do fato de que as mulheres podem,
  6. agora, escolher entre várias possibilidades profissio-
  7. nais, ainda há poucas mulheres, no Brasil, que seguem
  8. alguma carreira”. Para a maioria esmagadora delas, o
  9. casamento está em primeiro plano e nem estudos nem
  10. profissão fazem com que ele seja adiado ou rejeitado.
  11. Ao longo dos Anos Dourados, é comum ouvir que carreira
  12. e matrimônio são inconciliáveis. As mulheres encon-
  13. tram muitas barreiras ao tentar prosseguir com os
  14. estudos universitários ou investir em uma profissão.
  15. Invariavelmente, seu trabalho profissional será consi-
  16. derado bem menos relevante que o do chefe da família.
  17. Pais e maridos de classe média chegam ____ se
  18. envergonhar por terem filhas ou esposa trabalhando
  19. fora do lar. Outros, porém, diante das pressões econô-
  20. micas, deixam de fazer objeções ____ que suas mulheres
  21. tenham empregos que não o de professora, e não só
  22. permitem o trabalho das filhas solteiras como muitas
  23. vezes o incentivam. Assim, várias moças dessa classe
  24. social entram no mercado de trabalho “para ajudar a
  25. família” nas questões financeiras, e outras, simples-
  26. mente para adquirir maior independência. Porém, nos
  27. anos 1950, é bem mais difícil encontrar mulheres casa-
  28. das dessa classe social trabalhando fora; é preferível
  29. que elas se dediquem inteiramente ao lar e “se preser-
  30. vem da rua”.
  31. O controle exercido por maridos, pais e irmãos
  32. sobre as mulheres diminui consideravelmente quando
  33. elas trabalham fora de casa. Contudo, ou por isso
  34. mesmo, elas devem cuidar de sua reputação compor-
  35. tando-se de maneira ____ não “reduzir as oportunidades
  36. para o casamento” ou desagradar o marido. Observando
  37. suas contemporâneas, Emílio Willems alerta contra con-
  38. clusões apressadas, como a de que “as mulheres brasilei-
  39. ras gozam ou desejam gozar o grau de liberdade que é
  40. comum em outras partes do Ocidente”.
  41. As mudanças que vão se operando na sociedade
  42. nos 15 anos que se seguem ao término da Segunda
  43. Guerra Mundial afetam, de vários modos, as relações
  44. de gênero estabelecidas. Ao lado da emancipação
  45. feminina em curso convivem — nem sempre pacifica-
  46. mente, nem sempre em estado de guerra —, visões
  47. tradicionais dos papéis masculinos e femininos. Algu-
  48. mas instituições conservadoras colocam restrições ____
  49. dedicação ao estudo e _____ profissionalização das
  50. mulheres. Já o cinema, embora divulgue um modelo
  51. tradicional de esposa, também traz imagens de países
  52. estrangeiros (EUA, França, Itália, etc.) em que a parti-
  53. cipação feminina no mercado de trabalho é vista com
  54. maior naturalidade.
  55. A classe média acabará aceitando e valorizando o
  56. trabalho feminino fora de casa, afinal o capitalismo, os
  57. novos padrões de consumo e a “modernidade”, além
  58. da emancipação (convicta ou não) de muitas mulheres,
  59. exigem que assim seja. Mas num percurso acidentado
  60. e cheio de obstáculos.

Adaptado de: PINSKY, C. B. Mulheres dos anos dourados. São

Paulo: Contexto, 2014.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 17, 20, 35, 48 e 49.

 

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3181662 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: HCPA
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.

01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro

02. perguntou.

03. “Despedir de quem?”

04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.

05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”

06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.

07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as

08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por

09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim

10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia

11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar

12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os

13. outros, feito cigano.

14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta

15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra

16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha

17 uma história.

18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um

19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o

20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro

21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o

22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,

23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de

24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.

25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com

26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o

27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou

28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-

29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum

30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí

31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo

32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o

33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.

34. “Nossa Senhora me ouviu”,

35. “Esse é dos bons,”

36. “Não precisa mais de médico.”

37. “O que foi?”, eu perguntei.

38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo

39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,

40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar

41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.

42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o

43. vizinho e do pai.

44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos

45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.

46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.

47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta

48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar

49. aí até amanhã.”

50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a

51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que

52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um

53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.

Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto

Alegre: Mercado Aberto, 1993.

Assinale a alternativa que apresenta reescrita para o trecho como eu ele também resolveu corcovear, correr sozinho pela estrada (l. 28-29), sem que haja mudança de sentido entre o trecho original e o trecho modificado.

 

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3181661 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: HCPA
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.

01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro

02. perguntou.

03. “Despedir de quem?”

04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.

05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”

06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.

07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as

08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por

09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim

10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia

11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar

12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os

13. outros, feito cigano.

14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta

15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra

16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha

17 uma história.

18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um

19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o

20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro

21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o

22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,

23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de

24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.

25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com

26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o

27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou

28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-

29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum

30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí

31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo

32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o

33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.

34. “Nossa Senhora me ouviu”,

35. “Esse é dos bons,”

36. “Não precisa mais de médico.”

37. “O que foi?”, eu perguntei.

38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo

39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,

40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar

41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.

42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o

43. vizinho e do pai.

44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos

45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.

46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.

47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta

48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar

49. aí até amanhã.”

50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a

51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que

52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um

53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.

Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto

Alegre: Mercado Aberto, 1993.

Várias passagens do texto apresentam sujeitos não expressos cuja referência pode ser recuperada pelo contexto. Assinale 1 nos parênteses com as formas verbais cujo sujeito se refere ao narrador do texto e 2 nos parênteses cujo sujeito se refere a outros personagens.

( ) pensei (l, 18).

( ) Tinha (l. 24).

( ) Saltei (l. 38).

( ) Sentei (l. 44).

( ) empurrou (l. 47).

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

 

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3181660 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: HCPA
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.

01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro

02. perguntou.

03. “Despedir de quem?”

04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.

05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”

06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.

07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as

08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por

09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim

10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia

11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar

12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os

13. outros, feito cigano.

14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta

15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra

16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha

17 uma história.

18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um

19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o

20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro

21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o

22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,

23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de

24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.

25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com

26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o

27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou

28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-

29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum

30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí

31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo

32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o

33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.

34. “Nossa Senhora me ouviu”,

35. “Esse é dos bons,”

36. “Não precisa mais de médico.”

37. “O que foi?”, eu perguntei.

38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo

39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,

40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar

41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.

42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o

43. vizinho e do pai.

44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos

45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.

46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.

47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta

48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar

49. aí até amanhã.”

50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a

51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que

52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um

53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.

Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto

Alegre: Mercado Aberto, 1993.

Se a palavra irmão (l. 11) estivesse no plural, quantas outras palavras na frase deveriam ser modificadas para fins de concordância?

 

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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.

01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro

02. perguntou.

03. “Despedir de quem?”

04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.

05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”

06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.

07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as

08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por

09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim

10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia

11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar

12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os

13. outros, feito cigano.

14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta

15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra

16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha

17 uma história.

18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um

19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o

20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro

21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o

22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,

23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de

24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.

25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com

26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o

27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou

28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-

29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum

30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí

31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo

32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o

33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.

34. “Nossa Senhora me ouviu”,

35. “Esse é dos bons,”

36. “Não precisa mais de médico.”

37. “O que foi?”, eu perguntei.

38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo

39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,

40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar

41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.

42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o

43. vizinho e do pai.

44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos

45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.

46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.

47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta

48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar

49. aí até amanhã.”

50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a

51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que

52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um

53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.

Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto

Alegre: Mercado Aberto, 1993.

Assinale a alternativa que apresenta uma ocorrência da partícula que que não seja um pronome relativo.

 

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Orgão: HCPA
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.

01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro

02. perguntou.

03. “Despedir de quem?”

04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.

05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”

06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.

07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as

08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por

09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim

10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia

11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar

12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os

13. outros, feito cigano.

14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta

15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra

16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha

17 uma história.

18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um

19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o

20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro

21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o

22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,

23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de

24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.

25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com

26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o

27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou

28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-

29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum

30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí

31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo

32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o

33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.

34. “Nossa Senhora me ouviu”,

35. “Esse é dos bons,”

36. “Não precisa mais de médico.”

37. “O que foi?”, eu perguntei.

38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo

39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,

40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar

41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.

42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o

43. vizinho e do pai.

44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos

45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.

46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.

47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta

48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar

49. aí até amanhã.”

50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a

51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que

52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um

53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.

Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto

Alegre: Mercado Aberto, 1993.

Considere as seguintes afirmações.

I - A expressão de quem (l. 03) desempenha a função sintática de complemento nominal.

II - A expressão o sol (l. 10) desempenha a função sintática de objeto direto.

III- A expressão cansado de viver (l. 23-24) desempenha a função sintática de predicativo.

Quais estão corretas?

 

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3181657 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: HCPA
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.

01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro

02. perguntou.

03. “Despedir de quem?”

04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.

05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”

06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.

07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as

08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por

09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim

10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia

11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar

12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os

13. outros, feito cigano.

14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta

15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra

16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha

17 uma história.

18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um

19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o

20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro

21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o

22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,

23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de

24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.

25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com

26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o

27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou

28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-

29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum

30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí

31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo

32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o

33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.

34. “Nossa Senhora me ouviu”,

35. “Esse é dos bons,”

36. “Não precisa mais de médico.”

37. “O que foi?”, eu perguntei.

38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo

39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,

40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar

41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.

42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o

43. vizinho e do pai.

44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos

45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.

46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.

47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta

48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar

49. aí até amanhã.”

50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a

51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que

52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um

53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.

Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto

Alegre: Mercado Aberto, 1993.

Assinale 1 ao lado dos pronomes que se referem ao narrador e 2 ao lado dos pronomes que não se referem ao narrador do texto.

( ) Você (l. 01).

( ) Eu (l. 05).

( ) ele (l. 05).

( ) Ele (|. 30).

( ) Esse (I. 35).

( ) Te (l. 39).

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

 

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3181656 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: HCPA
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.

01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro

02. perguntou.

03. “Despedir de quem?”

04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.

05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”

06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.

07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as

08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por

09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim

10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia

11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar

12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os

13. outros, feito cigano.

14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta

15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra

16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha

17 uma história.

18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um

19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o

20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro

21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o

22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,

23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de

24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.

25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com

26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o

27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou

28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-

29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum

30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí

31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo

32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o

33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.

34. “Nossa Senhora me ouviu”,

35. “Esse é dos bons,”

36. “Não precisa mais de médico.”

37. “O que foi?”, eu perguntei.

38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo

39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,

40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar

41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.

42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o

43. vizinho e do pai.

44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos

45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.

46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.

47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta

48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar

49. aí até amanhã.”

50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a

51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que

52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um

53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.

Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto

Alegre: Mercado Aberto, 1993.

Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir.

( ) O texto conta a história de Pedro, que vive numa tapera na roça e começa a se lembrar de antigas histórias sobre o local.

( ) O narrador é o personagem central da história, e ele narra um episódio de sua vida que se passa no local que ele deixará no dia seguinte.

( ) O acidente sofrido provoca lapsos de memória no narrador, algo que o acompanha até a vida adulta.

A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é

 

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3181655 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFRGS
Orgão: HCPA
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.

01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro

02. perguntou.

03. “Despedir de quem?”

04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.

05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”

06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.

07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as

08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por

09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim

10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia

11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar

12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os

13. outros, feito cigano.

14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta

15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra

16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha

17 uma história.

18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um

19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o

20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro

21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o

22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,

23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de

24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.

25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com

26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o

27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou

28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-

29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum

30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí

31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo

32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o

33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.

34. “Nossa Senhora me ouviu”,

35. “Esse é dos bons,”

36. “Não precisa mais de médico.”

37. “O que foi?”, eu perguntei.

38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo

39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,

40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar

41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.

42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o

43. vizinho e do pai.

44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos

45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.

46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.

47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta

48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar

49. aí até amanhã.”

50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a

51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que

52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um

53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.

Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto

Alegre: Mercado Aberto, 1993.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 30, 39, 42 e 43.

 

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