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Instrução: As questões 09 a 15 referem-se ao texto abaixo.
- No pós-guerra e por toda a década de 1950, é muito
- comum que as moças de classe média que trabalham
- ou estudam interrompam essas atividades com o casa-
- mento. Como observou o sociólogo Emílio Willems em
- 1954: “apesar do fato de que as mulheres podem,
- agora, escolher entre várias possibilidades profissio-
- nais, ainda há poucas mulheres, no Brasil, que seguem
- alguma carreira”. Para a maioria esmagadora delas, o
- casamento está em primeiro plano e nem estudos nem
- profissão fazem com que ele seja adiado ou rejeitado.
- Ao longo dos Anos Dourados, é comum ouvir que carreira
- e matrimônio são inconciliáveis. As mulheres encon-
- tram muitas barreiras ao tentar prosseguir com os
- estudos universitários ou investir em uma profissão.
- Invariavelmente, seu trabalho profissional será consi-
- derado bem menos relevante que o do chefe da família.
- Pais e maridos de classe média chegam ____ se
- envergonhar por terem filhas ou esposa trabalhando
- fora do lar. Outros, porém, diante das pressões econô-
- micas, deixam de fazer objeções ____ que suas mulheres
- tenham empregos que não o de professora, e não só
- permitem o trabalho das filhas solteiras como muitas
- vezes o incentivam. Assim, várias moças dessa classe
- social entram no mercado de trabalho “para ajudar a
- família” nas questões financeiras, e outras, simples-
- mente para adquirir maior independência. Porém, nos
- anos 1950, é bem mais difícil encontrar mulheres casa-
- das dessa classe social trabalhando fora; é preferível
- que elas se dediquem inteiramente ao lar e “se preser-
- vem da rua”.
- O controle exercido por maridos, pais e irmãos
- sobre as mulheres diminui consideravelmente quando
- elas trabalham fora de casa. Contudo, ou por isso
- mesmo, elas devem cuidar de sua reputação compor-
- tando-se de maneira ____ não “reduzir as oportunidades
- para o casamento” ou desagradar o marido. Observando
- suas contemporâneas, Emílio Willems alerta contra con-
- clusões apressadas, como a de que “as mulheres brasilei-
- ras gozam ou desejam gozar o grau de liberdade que é
- comum em outras partes do Ocidente”.
- As mudanças que vão se operando na sociedade
- nos 15 anos que se seguem ao término da Segunda
- Guerra Mundial afetam, de vários modos, as relações
- de gênero estabelecidas. Ao lado da emancipação
- feminina em curso convivem — nem sempre pacifica-
- mente, nem sempre em estado de guerra —, visões
- tradicionais dos papéis masculinos e femininos. Algu-
- mas instituições conservadoras colocam restrições ____
- dedicação ao estudo e _____ profissionalização das
- mulheres. Já o cinema, embora divulgue um modelo
- tradicional de esposa, também traz imagens de países
- estrangeiros (EUA, França, Itália, etc.) em que a parti-
- cipação feminina no mercado de trabalho é vista com
- maior naturalidade.
- A classe média acabará aceitando e valorizando o
- trabalho feminino fora de casa, afinal o capitalismo, os
- novos padrões de consumo e a “modernidade”, além
- da emancipação (convicta ou não) de muitas mulheres,
- exigem que assim seja. Mas num percurso acidentado
- e cheio de obstáculos.
Adaptado de: PINSKY, C. B. Mulheres dos anos dourados. São
Paulo: Contexto, 2014.
Considere as seguintes afirmações.
I - No primeiro parágrafo, a autora argumenta que mulheres de classe média, na década de 1950, enfrentam dificuldades para manter seus estudos ou profissão, e estes acabam sendo interrompidos pelo matrimônio.
II - No segundo parágrafo, a autora argumenta que, no final dos anos 1950, torna-se aceitável pela sociedade que as mulheres busquem um trabalho ou sigam carreira acadêmica, em especial as mulheres casadas.
III - No último parágrafo, a autora argumenta que, eventualmente, o trabalho fora de casa acaba sendo aceito e até mesmo valorizado pela classe média.
Quais estão corretas?
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Instrução: As questões 09 a 15 referem-se ao texto abaixo.
- No pós-guerra e por toda a década de 1950, é muito
- comum que as moças de classe média que trabalham
- ou estudam interrompam essas atividades com o casa-
- mento. Como observou o sociólogo Emílio Willems em
- 1954: “apesar do fato de que as mulheres podem,
- agora, escolher entre várias possibilidades profissio-
- nais, ainda há poucas mulheres, no Brasil, que seguem
- alguma carreira”. Para a maioria esmagadora delas, o
- casamento está em primeiro plano e nem estudos nem
- profissão fazem com que ele seja adiado ou rejeitado.
- Ao longo dos Anos Dourados, é comum ouvir que carreira
- e matrimônio são inconciliáveis. As mulheres encon-
- tram muitas barreiras ao tentar prosseguir com os
- estudos universitários ou investir em uma profissão.
- Invariavelmente, seu trabalho profissional será consi-
- derado bem menos relevante que o do chefe da família.
- Pais e maridos de classe média chegam ____ se
- envergonhar por terem filhas ou esposa trabalhando
- fora do lar. Outros, porém, diante das pressões econô-
- micas, deixam de fazer objeções ____ que suas mulheres
- tenham empregos que não o de professora, e não só
- permitem o trabalho das filhas solteiras como muitas
- vezes o incentivam. Assim, várias moças dessa classe
- social entram no mercado de trabalho “para ajudar a
- família” nas questões financeiras, e outras, simples-
- mente para adquirir maior independência. Porém, nos
- anos 1950, é bem mais difícil encontrar mulheres casa-
- das dessa classe social trabalhando fora; é preferível
- que elas se dediquem inteiramente ao lar e “se preser-
- vem da rua”.
- O controle exercido por maridos, pais e irmãos
- sobre as mulheres diminui consideravelmente quando
- elas trabalham fora de casa. Contudo, ou por isso
- mesmo, elas devem cuidar de sua reputação compor-
- tando-se de maneira ____ não “reduzir as oportunidades
- para o casamento” ou desagradar o marido. Observando
- suas contemporâneas, Emílio Willems alerta contra con-
- clusões apressadas, como a de que “as mulheres brasilei-
- ras gozam ou desejam gozar o grau de liberdade que é
- comum em outras partes do Ocidente”.
- As mudanças que vão se operando na sociedade
- nos 15 anos que se seguem ao término da Segunda
- Guerra Mundial afetam, de vários modos, as relações
- de gênero estabelecidas. Ao lado da emancipação
- feminina em curso convivem — nem sempre pacifica-
- mente, nem sempre em estado de guerra —, visões
- tradicionais dos papéis masculinos e femininos. Algu-
- mas instituições conservadoras colocam restrições ____
- dedicação ao estudo e _____ profissionalização das
- mulheres. Já o cinema, embora divulgue um modelo
- tradicional de esposa, também traz imagens de países
- estrangeiros (EUA, França, Itália, etc.) em que a parti-
- cipação feminina no mercado de trabalho é vista com
- maior naturalidade.
- A classe média acabará aceitando e valorizando o
- trabalho feminino fora de casa, afinal o capitalismo, os
- novos padrões de consumo e a “modernidade”, além
- da emancipação (convicta ou não) de muitas mulheres,
- exigem que assim seja. Mas num percurso acidentado
- e cheio de obstáculos.
Adaptado de: PINSKY, C. B. Mulheres dos anos dourados. São
Paulo: Contexto, 2014.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 17, 20, 35, 48 e 49.
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- Interpretação de TextosSubstituição/Reescritura de TextoReorganização e Reescrita de Orações e Períodos
Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro
02. perguntou.
03. “Despedir de quem?”
04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.
05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”
06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.
07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as
08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por
09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim
10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia
11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar
12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os
13. outros, feito cigano.
14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta
15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra
16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha
17 uma história.
18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um
19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o
20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro
21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o
22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,
23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de
24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.
25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com
26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o
27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou
28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-
29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum
30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí
31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo
32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o
33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.
34. “Nossa Senhora me ouviu”,
35. “Esse é dos bons,”
36. “Não precisa mais de médico.”
37. “O que foi?”, eu perguntei.
38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo
39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,
40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar
41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.
42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o
43. vizinho e do pai.
44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos
45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.
46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.
47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta
48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar
49. aí até amanhã.”
50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a
51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que
52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um
53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.
Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1993.
Assinale a alternativa que apresenta reescrita para o trecho como eu ele também resolveu corcovear, correr sozinho pela estrada (l. 28-29), sem que haja mudança de sentido entre o trecho original e o trecho modificado.
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro
02. perguntou.
03. “Despedir de quem?”
04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.
05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”
06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.
07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as
08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por
09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim
10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia
11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar
12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os
13. outros, feito cigano.
14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta
15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra
16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha
17 uma história.
18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um
19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o
20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro
21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o
22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,
23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de
24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.
25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com
26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o
27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou
28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-
29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum
30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí
31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo
32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o
33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.
34. “Nossa Senhora me ouviu”,
35. “Esse é dos bons,”
36. “Não precisa mais de médico.”
37. “O que foi?”, eu perguntei.
38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo
39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,
40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar
41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.
42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o
43. vizinho e do pai.
44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos
45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.
46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.
47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta
48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar
49. aí até amanhã.”
50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a
51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que
52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um
53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.
Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1993.
Várias passagens do texto apresentam sujeitos não expressos cuja referência pode ser recuperada pelo contexto. Assinale 1 nos parênteses com as formas verbais cujo sujeito se refere ao narrador do texto e 2 nos parênteses cujo sujeito se refere a outros personagens.
( ) pensei (l, 18).
( ) Tinha (l. 24).
( ) Saltei (l. 38).
( ) Sentei (l. 44).
( ) empurrou (l. 47).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro
02. perguntou.
03. “Despedir de quem?”
04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.
05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”
06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.
07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as
08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por
09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim
10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia
11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar
12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os
13. outros, feito cigano.
14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta
15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra
16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha
17 uma história.
18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um
19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o
20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro
21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o
22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,
23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de
24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.
25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com
26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o
27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou
28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-
29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum
30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí
31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo
32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o
33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.
34. “Nossa Senhora me ouviu”,
35. “Esse é dos bons,”
36. “Não precisa mais de médico.”
37. “O que foi?”, eu perguntei.
38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo
39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,
40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar
41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.
42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o
43. vizinho e do pai.
44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos
45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.
46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.
47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta
48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar
49. aí até amanhã.”
50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a
51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que
52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um
53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.
Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1993.
Se a palavra irmão (l. 11) estivesse no plural, quantas outras palavras na frase deveriam ser modificadas para fins de concordância?
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro
02. perguntou.
03. “Despedir de quem?”
04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.
05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”
06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.
07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as
08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por
09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim
10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia
11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar
12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os
13. outros, feito cigano.
14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta
15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra
16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha
17 uma história.
18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um
19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o
20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro
21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o
22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,
23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de
24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.
25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com
26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o
27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou
28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-
29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum
30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí
31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo
32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o
33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.
34. “Nossa Senhora me ouviu”,
35. “Esse é dos bons,”
36. “Não precisa mais de médico.”
37. “O que foi?”, eu perguntei.
38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo
39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,
40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar
41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.
42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o
43. vizinho e do pai.
44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos
45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.
46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.
47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta
48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar
49. aí até amanhã.”
50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a
51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que
52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um
53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.
Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1993.
Assinale a alternativa que apresenta uma ocorrência da partícula que que não seja um pronome relativo.
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- SintaxeTermos Essenciais da OraçãoPredicativo
- SintaxeTermos Integrantes da OraçãoComplementos VerbaisObjeto Direto
- SintaxeTermos Integrantes da OraçãoComplemento Nominal
Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro
02. perguntou.
03. “Despedir de quem?”
04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.
05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”
06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.
07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as
08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por
09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim
10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia
11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar
12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os
13. outros, feito cigano.
14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta
15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra
16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha
17 uma história.
18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um
19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o
20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro
21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o
22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,
23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de
24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.
25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com
26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o
27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou
28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-
29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum
30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí
31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo
32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o
33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.
34. “Nossa Senhora me ouviu”,
35. “Esse é dos bons,”
36. “Não precisa mais de médico.”
37. “O que foi?”, eu perguntei.
38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo
39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,
40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar
41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.
42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o
43. vizinho e do pai.
44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos
45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.
46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.
47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta
48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar
49. aí até amanhã.”
50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a
51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que
52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um
53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.
Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1993.
Considere as seguintes afirmações.
I - A expressão de quem (l. 03) desempenha a função sintática de complemento nominal.
II - A expressão o sol (l. 10) desempenha a função sintática de objeto direto.
III- A expressão cansado de viver (l. 23-24) desempenha a função sintática de predicativo.
Quais estão corretas?
Provas
Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro
02. perguntou.
03. “Despedir de quem?”
04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.
05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”
06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.
07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as
08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por
09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim
10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia
11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar
12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os
13. outros, feito cigano.
14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta
15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra
16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha
17 uma história.
18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um
19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o
20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro
21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o
22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,
23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de
24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.
25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com
26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o
27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou
28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-
29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum
30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí
31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo
32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o
33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.
34. “Nossa Senhora me ouviu”,
35. “Esse é dos bons,”
36. “Não precisa mais de médico.”
37. “O que foi?”, eu perguntei.
38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo
39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,
40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar
41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.
42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o
43. vizinho e do pai.
44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos
45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.
46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.
47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta
48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar
49. aí até amanhã.”
50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a
51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que
52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um
53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.
Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1993.
Assinale 1 ao lado dos pronomes que se referem ao narrador e 2 ao lado dos pronomes que não se referem ao narrador do texto.
( ) Você (l. 01).
( ) Eu (l. 05).
( ) ele (l. 05).
( ) Ele (|. 30).
( ) Esse (I. 35).
( ) Te (l. 39).
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro
02. perguntou.
03. “Despedir de quem?”
04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.
05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”
06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.
07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as
08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por
09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim
10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia
11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar
12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os
13. outros, feito cigano.
14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta
15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra
16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha
17 uma história.
18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um
19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o
20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro
21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o
22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,
23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de
24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.
25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com
26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o
27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou
28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-
29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum
30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí
31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo
32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o
33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.
34. “Nossa Senhora me ouviu”,
35. “Esse é dos bons,”
36. “Não precisa mais de médico.”
37. “O que foi?”, eu perguntei.
38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo
39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,
40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar
41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.
42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o
43. vizinho e do pai.
44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos
45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.
46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.
47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta
48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar
49. aí até amanhã.”
50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a
51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que
52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um
53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.
Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1993.
Assinale V (verdadeiro) ou F (falso) nas afirmações a seguir.
( ) O texto conta a história de Pedro, que vive numa tapera na roça e começa a se lembrar de antigas histórias sobre o local.
( ) O narrador é o personagem central da história, e ele narra um episódio de sua vida que se passa no local que ele deixará no dia seguinte.
( ) O acidente sofrido provoca lapsos de memória no narrador, algo que o acompanha até a vida adulta.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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Instrução: As questões 01 a 08 referem-se ao texto abaixo.
01. “Você não vai lá na tapera se despedir?”, o Pedro
02. perguntou.
03. “Despedir de quem?”
04. O Pedro, naquela hora, parecia o avô Lindolfo.
05. “Eu vou”, ele continuou, “e vai ser agora mesmo.”
06. “Vou contigo”, eu disse e saltei da cama.
07. Nunca mais eu ia ver a tapera, nem chupar as
08. bergamotas e as laranjas que lá eram mais doces por
09. causa da terra gorda do canhadão. No outro dia, assim
10. que saía o sol, a gente pegava o estradão e se ia
11. embora. O meu irmão, tinha ajeitado tudo, era só armar
12. a nossa barraca e viver no acampamento, junto com os
13. outros, feito cigano.
14. Saímos de casa sem fazer barulho, pisando na ponta
15. dos pés. Era noite de lua cheia, de céu estrelado. Pra
16. mim, cada pedaço da estradinha de chão batido tinha
17 uma história.
18. “Aqui”, pensei, “aqui eu caí do Petiço, que era um
19. matungo velho e que nem prestava mais pra puxar o
20. arado.” Eu tinha ido em casa buscar água fresca pro
21. pessoal que estava na roça. Na volta, ia assobiando, o
22. cavalo andava no tranco lá dele, a rédea solta e tudo,
23. tão manso que ele era. O Petiço estava cansado de
24. viver. Tinha um olho cego e os cascos estropiados.
25. Essa minha mão direita segurava um pão de milho com
26. melado; a outra, o garrafão de água. Não se sabe o
27. que assustou o Petiço. Pode ser que um lagarto. Ou
28. uma cobra. Ou, como eu ele também resolveu corco-
29. vear, correr sozinho pela estrada sem peso nenhum
30. ? Ele empinou, eu tentei segurar as crinas, mas caí
31. de cabeça na estrada e desmaiei. Acordei um tempo
32. depois, na cama. Olhei pros lados e vi muita gente: o
33. pai, a mãe, as irmãs, o Pedro, os vizinhos.
34. “Nossa Senhora me ouviu”,
35. “Esse é dos bons,”
36. “Não precisa mais de médico.”
37. “O que foi?”, eu perguntei.
38. “O cavalo chegou na roça sozinho. Saltei no lombo
39. dele e me vim atrás de ti. Te encontrei no chão,
40. no meio do mato, meio que morto. Agora eu ia te levar
41. pra Pau-d'Arco pra ver um médico”, disse o pai.
42. “ a minha mão?”, perguntou Arnaldo, o
43. vizinho e do pai.
44. Sentei na cama e olhei pra mão dele e vi os dedos
45. grossos e as unhas sujas, a palma toda rachada.
46. “Vejo sim”, eu disse e fui me levantando.
47. “Não, senhor”, disse a mãe e me empurrou de volta
48. pro colchão. “Hoje não. Já é noite mesmo, pode ficar
49. aí até amanhã.”
50. Eu não lembrava do que tinha acontecido desde a
51. hora do tombo, antes do meio-dia, até a hora em que
52. acordei com todos eles ao redor da minha cama. Um
53. dia que saiu da minha cabeça foi esse.
Adaptado de: KIEFER, C. Quem faz gemer a terra. 3ª ed. Porto
Alegre: Mercado Aberto, 1993.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas das linhas 30, 39, 42 e 43.
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