Foram encontradas 120 questões.
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
- Interpretação de TextosAnálise de Estruturas Linguísticas
- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
Antes do grande salto da medicina e da cirurgia, o
hospital atendia pobres: era uma obra de assistência pública.
Com a crescente sofisticação dos exames e dos tratamentos,
o hospital se tornou o templo da medicina, o único lugar em
que é realmente possível cuidar dos doentes de maneira
científica, pondo a seu serviço todos os recursos terapêuticos
modernos. Assim, os doentes emigram de suas casas para o
hospital: é para lá que a pessoa precisa ir para ser bem
atendida, caso esteja verdadeiramente doente. É para lá
também que ela precisa ir quando não quer correr o risco de
nenhuma complicação, por exemplo, no parto: antes de
1940, a imensa maioria das mulheres fazia o parto em casa;
hoje, quase todos os partos são realizados na maternidade.
Dessa forma, o cuidado com o corpo ameaçado escapa à
esfera privada: instituições públicas se encarregam
literalmente dele, no sentido não só financeiro, mas também
material e afetivo.
Pela primeira vez na história da humanidade, agora as
pessoas nascem e morrem em um hospital. A preocupação
com a eficiência, somada às dificuldades das famílias em se
encarregar desses fatos, faz com que os momentos
fundamentais da existência, os mais profundamente ligados
à vida e à identidade, sejam retirados do âmbito familiar, do
quadro doméstico, embora espaçoso, e transferidos para o
cenário asséptico e funcional, mas anônimo, do hospital.
Subitamente, a enfermaria comum parece cruel e
insuportável; boa para indivíduos recolhidos por caridade,
que nem sempre tinham um teto, ela constitui para nossos
contemporâneos, acostumados a ter seu próprio quarto e
que se sentem angustiados com a doença, uma espécie de
arcaísmo bárbaro e desumano. De uns vinte anos para cá,
vastos canteiros de obras vêm reformando os antigos centros
hospitalares, substituindo as enfermarias coletivas por
quartos individuais ou, pelo menos, por quartos de poucos
leitos.
Assim, a reivindicação do direito individual à própria
vida privada, para além da vida familiar, encontra sua
derradeira consumação nesses hospitais modernos,
compostos de um mosaico de quartos individuais, onde
pessoas solitárias deslizam discretamente para a morte,
fazendo de conta que ignoram o fato para não perturbar seus
parentes...
Antoine Prost. As políticas públicas de Saúde. In: História da Vida Privada, 5: Da Primeira Guerra a nossos dias / organização Antoine Prost, Gérard Vincent; tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2009 (com adaptações)
Considerando os aspectos linguísticos do texto e as ideias nele expressas, julgue os itens de 1 a 10.
Provas
Caderno Container