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Desde a chegada da esquadra de Cabral à costa brasileira até quase duzentos anos depois não há a menção do nome de nenhuma mulher em nossa História oficial. Há referências a paixões de europeus por índias, aos contatos voluptuosos com a mulher exótica; há a menção de que os jesuítas solicitaram ao rei que mandasse para cá mulheres aptas ao casamento e vieram as órfãs, para constituírem a família de “pai soturno, mulher submissa e filhos aterrados”. Vieram as prostitutas, as feiticeiras, as criminosas, as adúlteras, vieram as negras para a escravidão e para o ranger dos catres.
Vemos a mulher fazendo pudim, a mulher parindo, a mulher servindo ao homem, o comportamento da mulher controlado nos seus atos mais recônditos pelas normas aterrorizantes do Santo Ofício ou pelo receituário escolástico que interditava a posição mulier super virum por ser oposta à superioridade ativa dos machos. A Inquisição formou algumas de nossas características de introversão, doçura e em nós marcou a noção do pecado. Revela alguns dos costumes secretos das mulheres de antigamente, as que fomos outrora, das quais temos quase sempre apenas um nome vago, uma data de nascimento, casamento e morte. Padre Vieira achava que as mulheres deviam sair de casa em apenas três ocasiões: para o batismo, para o casamento e o próprio enterro. E, macilentas, esverdinhadas, foi o que fizemos durante séculos. É o que parece dizer a História.
MIRANDA, Ana. Ser mulher. Disponível em: <http://xoomer.virgilio.it/leonildoc/mulher.htm>. Acesso em 28/11/2016 (fragmento).
Em todo texto está implícita uma intencionalidade discursiva, levando o seu autor a optar por determinados elementos, enfatizando uns ou outros. Isso resulta no que se denomina função da linguagem. No texto acima, pode-se afirmar que há a predominância da função
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O ENGENHEIRO
A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
Superfícies, tênis, um copo de água.
O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.
(Em certas tardes nós subíamos
ao edifício. A cidade diária,
como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro.)
A água, o vento, a claridade
de um lado o rio, no alto as nuvens,
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.
(MELO NETO, João Cabral de, Serial e Antes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.)
O assunto “Regência” representa a relação, principalmente, de dois termos. Um é regente, e o outro, regido, numa frase.
Observando a relação entre o termo regente e o regido, das frases destacadas do poema em questão, é correto afirmar que:
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Desde a chegada da esquadra de Cabral à costa brasileira até quase duzentos anos depois não há a menção do nome de nenhuma mulher em nossa História oficial. Há referências a paixões de europeus por índias, aos contatos voluptuosos com a mulher exótica; há a menção de que os jesuítas solicitaram ao rei [A] que mandasse para cá mulheres aptas ao casamento [B] e vieram as órfãs, para constituírem a família de “pai soturno, mulher submissa e filhos aterrados”. Vieram as prostitutas, as feiticeiras, as criminosas, as adúlteras, vieram as negras para a escravidão e para o ranger dos catres. [C]
Vemos a mulher fazendo pudim, a mulher parindo, a mulher servindo ao homem, o comportamento da mulher controlado nos seus atos mais recônditos pelas normas aterrorizantes do Santo Ofício ou pelo receituário escolástico que interditava a posição mulier super virum por ser oposta à superioridade ativa dos machos. [D] A Inquisição formou algumas de nossas características de introversão, doçura e em nós marcou a noção do pecado. Revela alguns dos costumes secretos das mulheres de antigamente, as que fomos outrora, das quais temos quase sempre apenas um nome vago, uma data de nascimento, casamento e morte. Padre Vieira achava que as mulheres deviam sair de casa em apenas três ocasiões: para o batismo, para o casamento e o próprio enterro. E, macilentas, esverdinhadas, foi o que fizemos durante séculos [E]. É o que parece dizer a História.
MIRANDA, Ana. Ser mulher. Disponível em: <http://xoomer.virgilio.it/leonildoc/mulher.htm>. Acesso em 28/11/2016 (fragmento).
Cada oração que compõe um período composto, na sua relação com as demais, desempenha uma função específica.
Abaixo se apresentam orações que compõem, no texto de origem, períodos compostos, cuja função é apresentada na sequência. Todas as indicações estão corretas, à EXCEÇÃO de uma, que se apresenta na opção
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O SOLDADO AMARELO
Era um facão verdadeiro, sim senhor, movera-se como um raio cortando palmas de quipá. E estivera a pique de rachar o quengo de um sem-vergonha. Agora dormia na bainha rota, era um troço inútil, mas tinha sido uma arma. Se aquela coisa tivesse durado mais um segundo, o polícia estaria morto. Imaginou-o assim, caído, as pernas abertas, os bugalhos apavorados, um fio de sangue empastando-lhe os cabelos, formando um riacho entre os seixos da vereda. Muito bem! Ia arrastá-lo para dentro da caatinga, entregá-lo aos urubus. E não sentiria remorso. [A] Dormiria com a mulher, sossegado, na cama de varas. Depois gritaria aos meninos, que precisavam de criação. Era um homem, evidentemente [B].
Aprumou-se, fixou os olhos nos olhos do polícia, que se desviaram. Um homem. Besteira pensar que ia ficar murcho o resto da vida. Estava acabado? Não estava. Mas para que suprimir aquele doente que bambeava e só queria ir para baixo? Inutilizar-se por causa de uma fraqueza fardada que vadiava na feira e insultava os pobres! Não se inutilizava, não valia a pena inutilizar-se. Guardava a sua força. [C]
Vacilou e coçou a testa. Havia muitos bichinhos assim ruins [D], havia um horror de bichinhos assim fracos e ruins.
Afastou-se inquieto. Vendo-o acanalhado e ordeiro, o soldado ganhou coragem, avançou, pisou firme, perguntou o caminho. E Fabiano tirou o chapéu de couro. [E]
- Governo é governo.
Tirou o chapéu de couro, curvou-se e ensinou o caminho ao soldado amarelo.
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas.
Um enunciado de linguagem verbal é considerado uma oração quando ele possui um verbo. Pela Gramática Tradicional, a oração é composta por dois elementos essenciais: sujeito e predicado. Há orações, porém, construídas sem sujeito, porque seus verbos são considerados impessoais. É o que se pode verificar na oração apresentada na opção
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PSICÓLOGA DESTACA "DITADURA DA BELEZA" COMO CAUSA DE ANOREXIA ENTRE AS JOVENS
Especialista em transtorno alimentar, a doutora em Psicologia Joana de Vilhena Moraes participou hoje (17) de debate na Bolsa de Negócios Fashion Business, realizada paralelamente à feira Fashion Rio. O tema do debate foram os distúrbios como a anorexia, que afetam principalmente jovens em busca da carreira de manequim ou modelo. Desde o final do ano passado, pelo menos quatro jovens morreram no Brasil em consequência da anorexia. "A situação é alarmante, é mais um reflexo da cultura em que a gente vive, da atual ditadura da beleza", analisou a doutora. E acrescentou: "O sucesso das modelos contribui [II] para a percepção da obesidade [II] através de uma lente de aumento, gerando um horror à gordura. [...]”. [...] “Isso tudo se dá porque, socialmente, reforça-se a magreza como sinônimo de sucesso que, em última análise, vai levar o sujeito [V] a ter visibilidade, ser bem sucedido, rico e famoso”.[...]
GANDRA, Alana. Agência Brasil, Rio de Janeiro, 17 jan. 2007. Disponível em: <http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2007-01-17/psicologa-destaca-ditadura-da-belezacomo- causa-de-anorexia-entre-jovens>. Acesso em 07/11/2016.
Considere estas declarações acerca do texto e de seus elementos gramaticais:
I) As palavras “beleza” e “magreza” são redigidas com z por possuírem um sufixo formador de substantivo a partir de um adjetivo.
II) No texto, o verbo contribuir encontra-se no singular por se referir à palavra obesidade, enfatizando a ideia sugerida.
III) Há predominância de verbos empregados no pretérito perfeito, indicando o tempo passado, pelo fato de o texto abordar um assunto que há muito tempo já vem sendo discutido: a anorexia entre os jovens.
IV) As aspas no corpo do texto sinalizam a presença do discurso direto.
V) O substantivo sujeito, empregado no texto, exprime ideia de generalização do ser, uma vez que não particulariza o ato de uma ou outra pessoa.
Está CORRETO o que se declara em
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O SOLDADO AMARELO
Era um facão verdadeiro, sim senhor, movera-se como um raio cortando palmas de quipá. E estivera a pique de rachar o quengo de um sem-vergonha. Agora dormia na bainha rota, era um troço inútil [A], mas tinha sido uma arma. Se aquela coisa tivesse durado mais um segundo, o polícia estaria morto. [B] Imaginou-o assim, caído, as pernas abertas, os bugalhos apavorados, um fio de sangue empastando-lhe os cabelos, formando um riacho entre os seixos da vereda. Muito bem! Ia arrastá-lo para dentro da caatinga, entregá-lo aos urubus. E não sentiria remorso. Dormiria com a mulher, sossegado, na cama de varas. [C] Depois gritaria aos meninos, que precisavam de criação. Era um homem, evidentemente.
Aprumou-se, fixou os olhos nos olhos do polícia, que se desviaram. Um homem. Besteira pensar que ia ficar murcho o resto da vida. [D] Estava acabado? Não estava. Mas para que suprimir aquele doente que bambeava e só queria ir para baixo? Inutilizar-se por causa de uma fraqueza fardada que vadiava na feira e insultava os pobres! Não se inutilizava, não valia a pena inutilizar-se. Guardava a sua força.
Vacilou e coçou a testa. Havia muitos bichinhos assim ruins, havia um horror de bichinhos assim fracos e ruins.
Afastou-se inquieto. [E] Vendo-o acanalhado e ordeiro, o soldado ganhou coragem, avançou, pisou firme, perguntou o caminho. E Fabiano tirou o chapéu de couro.
- Governo é governo.
Tirou o chapéu de couro, curvou-se e ensinou o caminho ao soldado amarelo.
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas.
No episódio apresentado, são predominantes os pensamentos do personagem. Para a composição do texto foram empregados diversos adjetivos, traduzindo o seu mundo interior.
Nos fragmentos apresentados, todos os adjetivos desempenham igual função sintática, EXCETO:
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O ENGENHEIRO
A luz, o sol, o ar livre
envolvem o sonho do engenheiro.
O engenheiro sonha coisas claras:
Superfícies, tênis, um copo de água.
O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.
(Em certas tardes nós subíamos
ao edifício. A cidade diária,
como um jornal que todos liam,
ganhava um pulmão de cimento e vidro.)
A água, o vento, a claridade
de um lado o rio, no alto as nuvens,
situavam na natureza o edifício
crescendo de suas forças simples.
(MELO NETO, João Cabral de, Serial e Antes. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997.)
O poeta João Cabral de Melo Neto se tornou um grande escritor brasileiro a partir de 1945. Escrevia, com muita concisão, sobre o mundo real, como é possível contatar na leitura de “O Engenheiro”.
Qual é a melhor assertiva abaixo que esclarece se esse texto é literário ou não?
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O SOLDADO AMARELO
Era um facão verdadeiro, sim senhor, movera-se como um raio cortando palmas de quipá. E estivera a pique de rachar o quengo de um sem-vergonha. [A] Agora dormia na bainha rota, era um troço inútil, mas tinha sido uma arma. Se aquela coisa tivesse durado mais um segundo, o polícia estaria morto. Imaginou-o assim, caído, as pernas abertas, os bugalhos apavorados, um fio de sangue empastando-lhe os cabelos [B], formando um riacho entre os seixos da vereda. Muito bem! Ia arrastá-lo para dentro da caatinga [C], entregá-lo aos urubus. E não sentiria remorso. Dormiria com a mulher, sossegado, na cama de varas. [D] Depois gritaria aos meninos, que precisavam de criação. Era um homem, evidentemente.
Aprumou-se, fixou os olhos nos olhos do polícia, que se desviaram. Um homem. Besteira pensar que ia ficar murcho o resto da vida. Estava acabado? Não estava. Mas para que suprimir aquele doente que bambeava e só queria ir para baixo? Inutilizar-se por causa de uma fraqueza fardada que vadiava na feira e insultava os pobres! Não se inutilizava, não valia a pena inutilizar-se. Guardava a sua força.
Vacilou e coçou a testa. Havia muitos bichinhos assim ruins, havia um horror de bichinhos assim fracos e ruins.
Afastou-se inquieto. Vendo-o acanalhado e ordeiro, o soldado ganhou coragem, avançou, pisou firme, perguntou o caminho. E Fabiano tirou o chapéu de couro.
- Governo é governo.
Tirou o chapéu de couro, curvou-se e ensinou o caminho ao soldado amarelo. [E]
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas.
Um dos elementos de coesão utilizados na redação de um texto são as preposições, que podem exercer diversas funções. A opção que traz uma preposição na função de introduzir uma característica para o elemento que a antecede é
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O SOLDADO AMARELO
Era um facão verdadeiro, sim senhor, movera-se [III] como um raio cortando palmas de quipá. E estivera a pique de rachar o quengo de um sem-vergonha. Agora dormia na bainha rota, era um troço [IV] inútil, mas tinha sido uma arma [IV]. Se aquela coisa tivesse durado mais um segundo, o polícia estaria morto. Imaginou-o assim, caído, as pernas abertas, os bugalhos apavorados, um fio de sangue empastando-lhe os cabelos, formando um riacho entre os seixos da vereda. Muito bem! Ia [I] arrastá-lo para dentro da caatinga, entregá-lo aos urubus. E não sentiria remorso. Dormiria com a mulher, sossegado, na cama de varas. Depois gritaria aos meninos, que precisavam de criação. Era um homem, evidentemente.
Aprumou-se, fixou os olhos nos olhos do polícia, que se desviaram. Um homem. Besteira pensar que ia [I] ficar murcho o resto da vida. Estava acabado? Não estava. Mas para que suprimir aquele doente que bambeava e só queria ir para baixo? Inutilizar-se por causa de uma fraqueza fardada que vadiava na feira e insultava os pobres! Não se inutilizava, não valia a pena inutilizar-se. Guardava a sua força.
Vacilou e coçou a testa. Havia muitos bichinhos assim ruins, havia um horror de bichinhos assim fracos e ruins.
Afastou-se [II] inquieto. Vendo-o acanalhado e ordeiro, o soldado ganhou coragem, avançou, pisou firme, perguntou o caminho. E Fabiano tirou o chapéu de couro.
- Governo é governo.
Tirou o chapéu de couro, curvou-se e ensinou o caminho ao soldado amarelo.
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas.
Atente a essas considerações:
I) A forma verbal “ia” reflete o uso coloquial do verbo “ir” nessa situação de comunicação, forma habitual da fala, porém rejeitada pela gramática, que orienta o emprego da forma “iria”.
II) O pronome “se” empregado no texto expressa ideia de reflexividade para o verbo que o precede.
III) O verbo “mover” encontra-se devidamente flexionado no pretérito perfeito, por se referir a uma ação ocorrida no passado referente ao facão do personagem.
IV) O substantivo “arma” expressa uma função em oposição ao substantivo “troço” referindo-se ao objeto que no momento é descrito no texto.
Das assertivas acima, são consideradas CORRETAS as que se apresentam nos itens
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PARA QUE NINGUÉM A QUISESSE
Porque os homens olhavam demais para a sua mulher, mandou que descesse a bainha dos vestidos e parasse de se pintar. Apesar disso, sua beleza chamava a atenção [A], e ele foi obrigado a exigir que eliminasse os decotes, jogasse fora os sapatos de saltos altos. Dos armários tirou as roupas de seda, da gaveta tirou todas as joias. E vendo que, ainda assim, um ou outro olhar viril se acendia à passagem dela, pegou a tesoura e tosquiou-lhe os longos cabelos.
Agora podia viver descansado. [B] Ninguém a olhava duas vezes, homem nenhum se interessava por ela. Esquiva como um gato, não mais atravessava praças. E evitava sair.
Tão esquiva se fez, que ele foi deixando de ocupar-se dela, permitindo que fluísse em silêncio pelos cômodos [C], mimetizada com os móveis e as sombras. [D]
Uma fina saudade, porém, começou a alinhavar-se em seus dias. Não saudade da mulher. Mas do desejo inflamado que tivera por ela.
Então lhe trouxe um batom. No outro dia um corte de seda. À noite tirou do bolso uma rosa de cetim [E] para enfeitar-lhe o que restava dos cabelos.
Mas ela tinha desaprendido a gostar dessas coisas, nem pensava mais em lhe agradar. Largou o tecido numa gaveta, esqueceu o batom. E continuou andando pela casa de vestido de chita, enquanto a rosa desbotava sobre a cômoda.
Marina Colasanti
As palavras dispostas em uma oração assumem funções, a que denominamos de sintaxe. Abaixo se apresentam termos destacados, cuja função sintática está apresentada na sequência, porém em uma delas essa relação está INCORRETA, como se verifica em
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