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O desenvolvimento e a utilização dos programas leitores de telas possibilitou que as pessoas cegas tivessem maior acesso à informação, o que interferiu na sua formação escolar, acadêmica e profissional, no acesso ao livro didático, à produção científica, artística e cultural. No que se refere a tais leitores de tela, pode-se dizer:
I - O Virtual Vision foi desenvolvido em 1997 pela Micropower com modelos de processamento de linguagem natural. É hoje o único software de leitura de telas desenvolvido nacionalmente capaz de funcionar sobre os aplicativos mais comuns utilizados na maior parte dos computadores. Utiliza o sistema operacional Windows e reconhece Word, Excel, internet Explorer, Outlook, Skype, entre outros. É um aplicativo de tecnologia de síntese de voz, um leitor de telas capaz de informar aos usuários quais os controles (botão, lista, menu....) estão ativos.
II - O Jaws é um programa de auxílio para deficientes visuais, composto por um sistema de leitura de telas exibidas no computador e sintetizador de voz para reconhecimento de comandos efetuados por parte do usuário. A própria instalação do aplicativo é inteiramente falada. O Jaws facilita o acesso para pessoas com limitações visuais, pois lê o conteúdo exibido na tela do computador. O programa oferece alguns comandos úteis que servem como atalhos para facilitar o uso de programas, edição de documentos e leituras de páginas da internet. O Jaws trabalha em ambiente Windows e executa sua função no Microsoft Office, Internet Explorer, Corel Word perfect, Adobe Acrobat Reader, entre outros.
III - Livre, gratuito, portátil, leve e de código aberto, o NVDA permite que a pessoa com deficiência visual navegue na internet, utilize as ferramentas do Windows, envie e-mails, acesse sites de relacionamentos, etc...
IV - O Orca é um ampliador e leitor de tela que possui muitas funções que o diferencia dos demais quanto à resposta para o usuário com cegueira ou baixa visão. Este programa possibilita o acesso aos textos e imagens na tela do computador, sustentada por outros recursos de acessibilidade, usabilidade e adaptabilidade, proporcionando às pessoas com deficiência visual o acesso às informações digitalizadas, bem como a possibilidade de navegar com autonomia pela web. Vale destacar que o Orca opera com o sistema Windows.
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Acerca da Lei que instituiu os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (Lei nº 11.892/08), assinale a opção correta sobre a estrutura organizacional dos Institutos Federais:
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Seca
Era hora do almoço dos trabalhadores. Enquanto os homens comiam lá dentro, o fazendeiro velho sentava-se na rede do alpendre, à frente de casa espiando o sol no céu, que tinia como vidro; procurando desviar os olhos da água do açude, lá além, que dentro de mais um mês estaria virada em lama.
Os dois cabras se aproximaram sem que ele pressentisse. Era um alto e um baixo; o baixo grosso e escuro, vestido numa camisa de algodãozinho encardido. O alto era alourado e não se podia dizer que estivesse vestido de coisa nenhuma, porque era farrapo só. O grosso na mão trazia um couro de cabra, ainda pingando sangue, esfolado que fora fazia pouco. E nem tirou o caco de chapéu da cabeça, nem salvou ao menos.
O velho até se assustou e bruscamente se pôs a cavalo na rede, a escutar a voz grossa e áspera, tal e qual quem falava:
— Cidadão, vim lhe vender este couro de bode.
Aquele “cidadão”, assim desabrido, já dizia tudo. Ninguém chega de boa tenção em terreno alheio sem dar bom-dia, e tratando o dono da casa de cidadão. Assim, o fazendeiro achou melhor fingir que não ouvira — e foi-se pondo de pé.
— O quê? Que é que você quer?
O homem escuro botou o couro em cima do parapeito e o sangue escorreu num fio pela cal da parede:
— Estou arranchado com a minha família debaixo daquele juazeiro grande, ali. Essa cabra passou perto — não sei de quem era. Matei, e a mulher está cozinhando a carne para se comer. Agora, o couro — o senhor ou me dá dinheiro por ele, ou me dá farinha.
— E de quem é essa cabra? É minha? Quem lhe deu ordem para matar?
O velho estava tão furioso que o dedo dele, espetado no ar, tremia. E o loureba esfarrapado chegou perto e deu sua risadinha:
— Ninguém perguntou a ela o nome do dono...
Mas o outro, sempre sério, olhou o velho na cara:
— Matei com ordem da fome. O senhor quer ordem melhor?
Nesse meio, os homens que almoçavam lá dentro escutaram as vozes alteradas e vieram ver o que havia. Eram uns doze — foram aparecendo pelo oitão da casa, de um em um, e se abriram em redor dos estranhos no terreiro.
Aí o velho se vendo garantido, começou a gritar:
— Na minha terra só eu dou ordem! Vocês são muito é atrevidos — me matarem o bicho e ainda me trazerem o couro pra vender, por desaforo! Chico Luís, veja aí de quem é o sinal dessa criação. O feitor largou a foice no chão, puxou as orelhas do couro, e virou-se achando graça para um dos companheiros: era a sua cabrinha, não era mesmo, compadre Augusto? Está aqui o sinal... O Augusto veio olhar também e ficou danado:
— Seus perversos, a cabra era da minha menina beber leite, estava de cabrito novo!
Mas o olho do homem escuro era feio e, se ele se assustara vendo-se cercado pelos cabras da fazenda, não deu parecença. O loureba é que virava a cara de um lado para o outro, procurando saída; ainda levou a mão ao quadril, tateou o cabo da faca — mas cada um dos homens tinha uma foice, um terçado, um ferro na mão.
Nesse pé o fazendeiro, para acabar com a história, resolveu mostrar bom coração; e gritou para o corredor:
— Menina! Manda aí uma cuia com um bocado de farinha!
Depois, retornando ao homem:
— Eu podia mandar prender vocês, para aprenderem a não matar bicho alheio! Mas têm crianças, não é? Tenho pena das crianças! Leve essa farinha, comam e tratem de ir embora. Daqui a uma hora quero o pé de juazeiro limpo e vocês na estrada. Podem ir!
O homem recebeu a cuia, não disse nada, saiu sem olhar para trás. O outro o acompanhou, meio temeroso, tirou ainda o chapéu em despedida, e pegou no passo do companheiro. O velho reclamava em voz alta — cabra desgraçado, além de fazer malfeito, recebe o favor e nem sequer abana o rabo.
Os trabalhadores, calados, acompanhavam com os olhos os dois estranhos que marchavam um atrás do outro, na direção do juazeiro, do qual só se avistava a copa alta ali no terreiro. Ninguém sabe o que pensavam; o dono da cabra deu de mão no couro e foi com ele para trás da casa.
Aí a sineta bateu e os homens saíram para o serviço. Passando pelo juazeiro, lá viram a família em redor do fogo, os meninos procurando pescar pedaços da carne que fervia numa lata. Mas o homem escuro, encostado ao tronco, via-os passar, de braços cruzados, sem baixar os olhos. Ainda foi o dono da cabra que baixou os seus; explicou depois que não gostava de briga.
MORALIDADE: Este caso aconteceu mesmo. Faz mais de trinta anos escrevi uma história de cabra morta por retirante, mas era diferente. Então, o homem sentia dor de consciência, e até se humilhou quando o dono do bicho morto o chamou de ladrão. Agora não é mais assim. Agora eles sabem que a fome dá um direito que passa por cima de qualquer direito dos outros. A moralidade da história é mesmo esta: tudo mudou, mudou muito. [29-06-1966]
QUEIROZ, Rachel de. Cenas brasileiras. São Paulo: Ática, 1997. p. 14-17. (Para gostar de ler).
Na crônica de Rachel de Queiroz, predominam os temas do(a):
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Em correspondência a ser endereçada ao reitor de um instituto federal, o pronome de tratamento que deverá ser utilizado, a partir de 1º de maio de 2019, é:
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Os pontos (356) são empregados como:
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Com relação a competência, casos de impedimento e suspeição, e atos no processo administrativo federal, nos termos da Lei nº 9.784/99, é correto afirmar que:
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A respeito da aplicação do Código Braille à Língua Portuguesa, é correto afirmar:
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O Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (Decreto Presidencial nº 6.583, de 29 de setembro de 2008), que referendou, no Brasil,novas regras ortográficas para os países de língua portuguesa signatários, promoveu alterações na acentuação de palavras. Considerando este novo acordo, em qual das alternativas abaixo o acento agudo foi empregado de forma errada?
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Em relação ao Regime Único dos Servidores Públicos Civis da União, nos termos da Lei 8.112/90, assinale a alternativa correta:
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Seca
Era hora do almoço dos trabalhadores. Enquanto os homens comiam lá dentro, o fazendeiro velho sentava-se na rede do alpendre, à frente de casa espiando o sol no céu, que tinia como vidro; procurando desviar os olhos da água do açude, lá além, que dentro de mais um mês estaria virada em lama.
Os dois cabras se aproximaram sem que ele pressentisse. Era um alto e um baixo; o baixo grosso e escuro, vestido numa camisa de algodãozinho encardido. O alto era alourado e não se podia dizer que estivesse vestido de coisa nenhuma, porque era farrapo só. O grosso na mão trazia um couro de cabra, ainda pingando sangue, esfolado que fora fazia pouco. E nem tirou o caco de chapéu da cabeça, nem salvou ao menos.
O velho até se assustou e bruscamente se pôs a cavalo na rede, a escutar a voz grossa e áspera, tal e qual quem falava:
— Cidadão, vim lhe vender este couro de bode.
Aquele “cidadão”, assim desabrido, já dizia tudo. Ninguém chega de boa tenção em terreno alheio sem dar bom-dia, e tratando o dono da casa de cidadão. Assim, o fazendeiro achou melhor fingir que não ouvira — e foi-se pondo de pé.
— O quê? Que é que você quer?
O homem escuro botou o couro em cima do parapeito e o sangue escorreu num fio pela cal da parede:
— Estou arranchado com a minha família debaixo daquele juazeiro grande, ali. Essa cabra passou perto — não sei de quem era. Matei, e a mulher está cozinhando a carne para se comer. Agora, o couro — o senhor ou me dá dinheiro por ele, ou me dá farinha.
— E de quem é essa cabra? É minha? Quem lhe deu ordem para matar?
O velho estava tão furioso que o dedo dele, espetado no ar, tremia. E o loureba esfarrapado chegou perto e deu sua risadinha:
— Ninguém perguntou a ela o nome do dono...
Mas o outro, sempre sério, olhou o velho na cara:
— Matei com ordem da fome. O senhor quer ordem melhor?
Nesse meio, os homens que almoçavam lá dentro escutaram as vozes alteradas e vieram ver o que havia. Eram uns doze — foram aparecendo pelo oitão da casa, de um em um, e se abriram em redor dos estranhos no terreiro.
Aí o velho se vendo garantido, começou a gritar:
— Na minha terra só eu dou ordem! Vocês são muito é atrevidos — me matarem o bicho e ainda me trazerem o couro pra vender, por desaforo! Chico Luís, veja aí de quem é o sinal dessa criação. O feitor largou a foice no chão, puxou as orelhas do couro, e virou-se achando graça para um dos companheiros: era a sua cabrinha, não era mesmo, compadre Augusto? Está aqui o sinal... O Augusto veio olhar também e ficou danado:
— Seus perversos, a cabra era da minha menina beber leite, estava de cabrito novo!
Mas o olho do homem escuro era feio e, se ele se assustara vendo-se cercado pelos cabras da fazenda, não deu parecença. O loureba é que virava a cara de um lado para o outro, procurando saída; ainda levou a mão ao quadril, tateou o cabo da faca — mas cada um dos homens tinha uma foice, um terçado, um ferro na mão.
Nesse pé o fazendeiro, para acabar com a história, resolveu mostrar bom coração; e gritou para o corredor:
— Menina! Manda aí uma cuia com um bocado de farinha!
Depois, retornando ao homem:
— Eu podia mandar prender vocês, para aprenderem a não matar bicho alheio! Mas têm crianças, não é? Tenho pena das crianças! Leve essa farinha, comam e tratem de ir embora. Daqui a uma hora quero o pé de juazeiro limpo e vocês na estrada. Podem ir!
O homem recebeu a cuia, não disse nada, saiu sem olhar para trás. O outro o acompanhou, meio temeroso, tirou ainda o chapéu em despedida, e pegou no passo do companheiro. O velho reclamava em voz alta — cabra desgraçado, além de fazer malfeito, recebe o favor e nem sequer abana o rabo.
Os trabalhadores, calados, acompanhavam com os olhos os dois estranhos que marchavam um atrás do outro, na direção do juazeiro, do qual só se avistava a copa alta ali no terreiro. Ninguém sabe o que pensavam; o dono da cabra deu de mão no couro e foi com ele para trás da casa.
Aí a sineta bateu e os homens saíram para o serviço. Passando pelo juazeiro, lá viram a família em redor do fogo, os meninos procurando pescar pedaços da carne que fervia numa lata. Mas o homem escuro, encostado ao tronco, via-os passar, de braços cruzados, sem baixar os olhos. Ainda foi o dono da cabra que baixou os seus; explicou depois que não gostava de briga.
MORALIDADE: Este caso aconteceu mesmo. Faz mais de trinta anos escrevi uma história de cabra morta por retirante, mas era diferente. Então, o homem sentia dor de consciência, e até se humilhou quando o dono do bicho morto o chamou de ladrão. Agora não é mais assim. Agora eles sabem que a fome dá um direito que passa por cima de qualquer direito dos outros. A moralidade da história é mesmo esta: tudo mudou, mudou muito. [29-06-1966]
QUEIROZ, Rachel de. Cenas brasileiras. São Paulo: Ática, 1997. p. 14-17. (Para gostar de ler).
Da moralidade da crônica, deduz-se, segundo o argumento da cronista, que
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