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A Fenomenologia de Husserl desenvolve o conceito de Epoché, que significa a suspensão do juízo, não para
negar as elaborações da razão, mas para que não recaia numa espécie de fixação do objeto pelo recorte da
sua apresentação fenomenológica. Assim, Husserl busca levar a sua fenomenologia ao encontro do eu, que é
o sujeito da epoché, para que assim se possa estabelecer, mediante a filosofia do ego, como centro constitutivo
de toda a subjetividade, o nível da consciência que é base para
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A Pólis não é apenas a Cidade-Estado no sentido geográfico e demográfico, mas é a unidade espiritual de
formação do cidadão, enquanto indivíduo moral não separado do todo, do cosmos que ela é, de modo que a
vida pública é vida ética e a escolha do modo de vida é a manifestação das virtudes que orientam essa vida. A
ética dos antigos gregos busca relacionar de maneira inseparável a condução da vida pública com os princípios
morais que a orientam e, para tal, em relação a essa vivência integrada, na boa disposição entre as coisas
necessárias e as coisas passageiras, o indivíduo moral é o mesmo que o indivíduo político e desenvolve no
contexto da sua práxis a
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O pensamento político do filósofo paduano Marsílio, na sua obra O Defensor da Paz, antecipa em alguns
séculos a reflexão política sobre a necessidade da centralidade do poder para configurar o governo na forma
de um Estado. Para o autor, o elemento estruturante dessa configuração do poder é a constituição do Reino
mediante as suas partes, sendo o governo a parts principans (a parte principal) da qual todas as outras
extraem a sua natureza, inclusive o poder religioso. Só é possível a um Reino estabelecer-se em vista da sua
finalidade se o poder nele exercido for unificado e centralizado em torno da sua causa final, que é a paz.
Assim, o Rei governa em vista da finalidade própria e exigida pela razão para haver um governo e as partes
subordinadas a esse poder, não intervindo nas relações que não competem à sua natureza, mas
constituindo-se em harmonia e obediência ao governante
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Por meio da realidade inteligível, que no pensamento de Santo Agostinho é o modo como Deus cria e dispõe
todas as coisas segundo uma ordem, a realidade material é disposta de acordo com a forma que Deus lhe
confere e, mesmo na diversidade das formas, ela permite elevar a inteligência a Deus, ao Deus uno, por que é
dele que provém toda a forma que dá à matéria a harmonia, ou seja, a beleza. A beleza, portanto, reserva em
si um conteúdo inteligível, que é a forma como Deus dispõe aquilo que ele cria, e uma realidade material, a
diversidade que forma o todo, sem que haja confusão e indistinção entre as coisas na sua profunda
diversidade. A ideia de beleza elaborada por Santo Agostinho, base para compreender como a arte imita a
natureza e a natureza é a forma da Ideia de Deus para o que é realidade material, desenvolveu a noção de
criação Ex Nihilo, pois a beleza expressa o modo como Deus cria a partir da ideia, a qual confere às coisas e à
sua
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O pensamento político de Maquiavel desenvolve uma filosofia do poder, do exercício do poder desvinculado do
exercício ético, de modo que a sua teoria política não é sobre como deve ser o poder, mas sobre como é o
poder e que isso exige do princípe a sabedoria e o trato para lidar com as suas exigências. Assim, o soberano
é aquele que estabelece a dinâmica do Estado como a do poder mantido e preservado em torno de si,
independente se o Principado tenha sido uma conquista recente ou por sucessão estabelecida, o principado
hereditário. Para tal, o autor desenvolve os conceitos de Virtù e de Fortuna, e ambos são fundamentais para a
compreensão da natureza do Estado e a sua relação com a história. Em ambos os conceitos, o tema do poder
é central e também o modo como se governa. O fato que, segundo o autor, leva Reinos a surgirem ou a
desaparecem, assim como os seus soberanos, é que os principados conquistados pela Virtù, em relação aos
que se conquistam pela Fortuna são
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- A Política
- Filosofia e a Grécia Antiga
- Platão e o Mundo das Ideias
- Filosofia PolíticaA Política Grega (A República de Platão e a Política de Aristóteles)
Na obra A República, Platão desenvolve a sua filosofia sobre a Cidade Ideal e a sua relação com a Justiça.
Nenhuma cidade pode ser a ideal sem pensar o que é a justiça e o que constitui a sua natureza; como ela
orienta as paixões e a razão, gerando a virtude e assim situando cada pessoa mediante aquilo com que ela
pode contribuir na construção da cidade. Àqueles cuja virtude produz o saber das coisas práticas, cabe
assumi-las e as realizar, e, assim, a Justiça se conserva na Pólis. Àqueles cuja virtude é a disciplina militar,
compete-lhes a estratégia e a organização em tropas. É reservado àqueles que podem pensar a Justiça e
alcançam a sua ideia o governo da Cidade e a realização da Justiça mediante o bom e correto julgamento das
realidades. Sobre as realidades, Platão as distinguiu numa célebre alegoria, que está no Livro VII e que
recebeu o nome de Alegoria da Caverna. Nela, uma ideia é fundamental para a compreensão da distinção que
o filósofo faz dos tipos de alma que constituem o ser humano e lhe permite, mediante o seu exercício rigoroso,
contemplar as coisas à luz do sol e na sua falta, satisfazer-se à projeção das chamas da fogueira; essa ideia é
a de
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A presença da Filosofia como disciplina filosófica no currículo do Ensino Médio nunca esteve separada das
questões políticas de Educação para o Brasil. A supressão da sua presença no período da ditadura militar,
assim como a sua volta mediante a Lei de Diretrizes e Bases para a Educação, Lei 9394/96, dizem dos
projetos políticos em curso no país e também da oferta de conteúdos formativos às gerações em processo de
escolarização. Assim, compreende-se a implantação do chamado Novo Ensino Médio que, em nome e no
desejo de melhorar o sistema educacional do Brasil, trouxe a flexibilização de cargas horárias para os
currículos, mediante o interesse do público estudantil matriculado nas unidades escolares, oculta um problema
que tensiona a formação de professores e professoras de filosofia diante da
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O ser humano é o animal que traz consigo, pela linguagem, o acesso a si mesmo como humanidade, podendo
recorrer sempre a essa fonte de projeção de si para analisar aquilo que lhe antecedeu, mediante os seus
interesses e também mediante aquilo que lhe é apresentado como sendo do humano, esse animal separado
dos outros animais. A educação é o processo pelo qual esse ser retoma as ações e as figuras humanas
segundo o que elas fizeram e como contribuíram nesse processo ininterrupto. A filosofia por sua natureza de
amante da sabedoria, despertando o interesse do humano pelo conhecimento através do exercício do pensar,
busca contribuir para a realização desse processo educativo mediante o ensino pautado
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A finalidade da obra de arte é a contemplação do Belo e da Beleza, que se tornam uma só e mesma coisa. O
Belo e a Beleza se relacionam intimamente, indistintamente e substancialmente. Nessa estreita relação, a obra
de arte comunica e manifesta os espectros que o ser humano toma para a configuração do que pode ser visto,
manifesto, apreendido pelos sentidos. A estética é a capacidade de sentir pelos sentidos, da mesma forma que
é a construção da percepção, da comunicação e da representação de tudo o que o ser humano é capaz de
expressar. Essa abertura ao fenômeno humano mediada pela expressão estética traz consigo a tensão sobre
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Uma das definições clássicas de ética é a que trata da análise das ações humanas no sentido de como elas
favorecem (ou desfavorecem) a realização do ser humano tanto individualmente como coletivamente, enquanto
ideia de humanidade. Nessa definição de ética, a racionalidade é um ponto importante para desenvolver as
ideias de responsabilidade, participação (ou em que medida cada pessoa pode contribuir para o projeto
humano) e juízo moral com a reflexão sobre o impacto das nossas ações. Para que as necessidades temporais
não constituíssem um impeditivo à elaboração, por parte da racionalidade, de pressupostos de como agir, a
ciência moral voltou-se às excelências que a razão estabeleceu como sendo a sua forma e a sua força
(sustentação) na expressão da
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