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Da fala ao grunhido
(...) Outro dia, ouvi um professor de português afirmar que, em matéria de idioma, não existe certo nem errado, ou seja, tudo está certo. Tanto faz dizer “nós vamos” como “nós vai”.
Ouço isso e penso: que sujeito bacana, tão modesto que é capaz de sugerir que seu saber de nada vale. Mas logo me indago: será que ele pensa isso mesmo ou está posando de bacana, de avançadinho?
E se faço essa pergunta é porque me parece incongruente alguém cuja profissão é ensinar o idioma afirmar que não há erros. Se está certo dizer “dois mais dois é cinco”, então a regra gramatical, que determina a concordância do verbo com o sujeito, não vale. E, se não vale essa nem nenhuma outra ─ uma vez que tudo está certo ─, não há por que ensinar a língua.
A conclusão inevitável é que o professor deveria mudar de profissão porque, se acredita que as regras não valem, não há o que ensinar.
Mas esse vale-tudo é só no campo do idioma, não se adota nos demais campos do conhecimento. Não vejo um professor de medicina afirmando que a tuberculose não é doença, mas um modo diferente de saúde, e que o melhor para o pulmão é fumar charutos.
É verdade que ninguém morre por falar errado, mas, certamente, dizendo “nós vai” e desconhecendo as normas da língua, nunca entrará para a universidade, como entrou o nosso professor.
Devo concluir que gente pobre tem mesmo que falar errado, não estudar, não conhecer ciência e literatura? Ou isso é uma espécie de democratismo que confunde opinião crítica com preconceito?
As minorias, que eram injustamente discriminadas no passado, agora estão acima do bem e do mal. Discordar disso é preconceituoso e reacionário.
E, assim como para essa gente avançada não existe certo nem errado, não posso estranhar que a locutora da televisão diga “as milhares de pessoas” ou “estudou sobre as questões” ou “debateu sobre as alternativas” em vez de “os milhares de pessoas”, “estudou as questões” e “debateu as alternativas”.
A palavra “sobre” virou uma mania dos locutores de televisão, que a usam como regência de todos os verbos e em todas as ocasiões imagináveis.
Sei muito bem que a língua muda com o passar do tempo e que, por isso mesmo, o português de hoje não é igual ao de Camões e nem mesmo ao de Machado de Assis, bem mais próximo de nós.
12. Uma coisa, porém, é usar certas palavras com significados diferentes, construir frases de outro modo ou mudar a regência de certos verbos. Coisa muito distinta é falar contra a lógica natural do idioma ou simplesmente cometer erros gramaticais primários.
Mas a impressão que tenho é de que estou malhando em ferro frio. De que adianta escrever essas coisas que escrevo aqui se a televisão continuará a difundir a fala errada cem vezes por hora para milhões de telespectadores?
Pode o leitor alegar que a época é outra, mais dinâmica, e que a globalização tende a misturar as línguas como nunca ocorreu antes. Isso de falar correto é coisa velha, e o que importa é que as pessoas se entendam, ainda que apenas grunhindo.
GULLAR, Ferreira. Da fala ao grunhido. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br>. Acesso em: 28 set. 2013.
Nesse texto, Ferreira Gullar comunica principalmente que:
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Confidência do itabirano
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
ANDRADE, Carlos Drummond de. Confidência do itabirano. Disponível em: <http://www.casadobruxo.com.br>. Acesso em: 28 set. 2013.
Avalie as seguintes proposições:
(I) A terra natal do poeta deixou marcas em sua interioridade, em seu modo de ser.
(II) A forma pronominal presente no primeiro verso da quarta estrofe denuncia que a fala do poeta é dirigida a alguém.
(III) O último verso, em relação ao anterior, expressa uma contradição.
(IV) A condição de funcionário público explica o fato de o poeta ter se esquecido totalmente de sua terra natal.
Avaliadas as proposições, aponte a alternativa CORRETA.
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Observe a charge:

Fonte: Disponível em: <http://www.josubarroso.com/2010/10/burocracia.html>. Acesso em: 28 set. 2013.
O principal propósito comunicativo do chargista é:
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GOVERNO DO ESTADO DE ALAGOAS
Núcleo Regional de Piaçabuçu
Ofício nº 23/09
Piaçabuçu, 10 de agosto de 2009.
Ementa: Encaminha informações para análise.
Senhor Secretário,
Analisamos a proposta de Vossa Excelência para desativar o prédio da Escola Estadual “Innocência Stanganelli Pozzi”. Concordamos com a maioria dos argumentos. Cremos, entretanto, ser de nossa obrigação encaminhar outras informações para análise.
2. Sua sensibilidade aos anseios de nosso povo e sua retidão de caráter não lhe permitirão agir sob influência, e influenciá-lo não é nossa intenção. Apenas julgamos úteis as informações de que dispomos para uma análise de outros aspectos.
3. Rogamos, pois, a Vossa Excelência que mande analisar essas informações antes de tomar sua decisão final.
Respeitosamente,
Raymundo Severiano da Silva
Chefe do Núcleo
Anexos: Mapa da área de influência.
Projeção de matrículas para os próximos anos.
Manifesto da comunidade.
/TBR
FERREIRA, Reinaldo Mathias; LUPPI,
Rosaura de Araújo Ferreira. Correspondência comercial e oficial. 15. ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2011. p. 132.
Feita a leitura, avalie as seguintes afirmações:
(I) Observada a concordância com o pronome Vossa Excelência, o segundo parágrafo do ofício poderia também ser iniciado da seguinte forma: Vossa sensibilidade aos anseios de vosso povo e vossa retidão de caráter não vos permitirão agir sob influência, e influenciar-vos não é nossa intenção.
(II) Os anexos presentes no ofício permitem a nós, leitores, interpretar como uma delicadeza do autor do texto a afirmação de que não pretende influenciar o destinatário do ofício.
(III) Sem prejudicar o sentido do texto, podemos, no primeiro parágrafo, substituir entretanto por todavia e, no terceiro parágrafo, também sem prejudicar o sentido, podemos, em lugar de pois, escrever a forma portanto.
Avaliadas as afirmações, aponte a alternativa CORRETA.
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Instituto Federal do Sul de Minas
Mem. 118/DRH
Em 20 de setembro de 2013.
Ao Sr. Chefe do Departamento de Administração
Assunto: Instalação de microcomputadores
1. Nos termos do Plano Geral de informatização, solicito a Vossa Senhoria verificar a possibilidade de que sejam instalados três microcomputadores neste Departamento.
2. Sem descer a maiores detalhes técnicos, acrescento, apenas, que o ideal seria que o equipamento fosse dotado de disco rígido e de monitor padrão EGA. Quanto a programas, haveria necessidade de dois tipos: um processador de textos, e outro gerenciador de banco de dados.
3. O treinamento de pessoal para operação dos micros poderia ficar a cargo da Seção de Treinamento do Departamento de Modernização, cuja chefia já manifestou seu acordo a respeito.
4. Devo mencionar, por fim, que a informatização dos trabalhos deste Departamento ensejará racional distribuição de tarefas entre os servidores e, sobretudo, uma melhoria na qualidade dos serviços prestados.
Atenciosamente,
Luís Carlos de Freitas
Diretor do Departamento de Recursos Humanos
MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA
DA REPÚBLICA. 2. ed. rev. e atual. Brasília: Presidência da República, 2002. p. 18. Adaptado.
Feita a leitura, avalie as seguintes afirmações:
(I) O centésimo décimo oitavo memorando do Departamento de Recursos Humanos do Instituto Federal do Sul de Minas foi dirigido ao Departamento de Administração.
(II) O redator empregou a forma de tratamento Vossa Senhoria, mas poderia também – sem prejuízo das normas gramaticais e do protocolo do serviço público – substituí-la por Sua Senhoria.
(III) Na forma contracta neste (em + este, no primeiro parágrafo), o pronome este refere-se ao departamento do qual foi expedido o memorando.
(IV) Ao optar pelas formas de futuro do pretérito seria, haveria e poderia, o redator revela gentileza, polidez.
(V) Na forma contracta deste (de + este, no quarto parágrafo), o pronome este refere-se ao Departamento de Administração do Instituto Federal do Sul de Minas.
Avaliadas as afirmações, aponte a alternativa CORRETA.
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O uso de pronomes e locuções pronominais de tratamento tem larga tradição na língua portuguesa. De acordo com Said Ali, após serem incorporados ao português os pronomes latinos tu e vos, “como tratamento direto da pessoa ou pessoas a quem se dirigia a palavra”, passou-se a empregar, como expediente linguístico de distinção e de respeito, a segunda pessoa do plural no tratamento de pessoas de hierarquia superior. Prossegue o autor:
Outro modo de tratamento indireto consistiu em fingir que se dirigia a palavra a um atributo ou qualidade eminente da pessoa de categoria superior, e não a ela própria. Assim aproximavam-se os vassalos de seu rei com o tratamento de vossa mercê, vossa senhoria (...); assim usou-se o tratamento ducal de vossa excelência e adotaram-se na hierarquia eclesiástica vossa reverência, vossa paternidade, vossa eminência, vossa santidade.
A partir do final do século XVI, esse modo de tratamento indireto já estava em voga também para os ocupantes de certos cargos públicos. Vossa mercê evoluiu para vosmecê, e depois para o coloquial você. E o pronome vós, com o tempo, caiu em desuso. É dessa tradição que provém o atual emprego de pronomes de tratamento indireto como forma de dirigirmo-nos às autoridades civis, militares e eclesiásticas.
MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. 2. ed. rev. e atual. Brasília: Presidência da República, 2002. p. 9.
Da leitura do texto, NÃO concluímos que:
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Leia o trecho:
A fragmentação de frases “consiste em pontuar uma oração subordinada ou uma simples locução como se fosse uma frase completa”. Decorre da pontuação errada de uma frase simples. Embora seja usada como recurso estilístico na literatura, a fragmentação de frases deve ser evitada nos textos oficiais, pois muitas vezes dificulta a compreensão.
MANUAL DE REDAÇÃO
DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. 2. ed. rev. e atual. Brasília: Presidência da República, 2002. p. 50.
Nas alternativas seguintes, transcrevemos trechos de ofício retirado do Manual de redação da presidência da República. Em um dos casos apenas, modificamos o texto original de modo a registrar uma fragmentação de frases. Aponte essa ocorrência.
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Leia o trecho:
Ambígua é a frase ou oração que pode ser tomada em mais de um sentido. Como a clareza é requisito básico de todo texto oficial, deve-se atentar para as construções que possam gerar equívocos de compreensão. A ambiguidade decorre, em geral, da dificuldade de identificar-se a que palavra se refere um pronome que possui mais de um antecedente na terceira pessoa.
MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. 2. ed. rev. e atual. Brasília: Presidência da República, 2002. p. 52.
Aponte, agora, a construção que NÃO é ambígua.
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Leia o trecho:
A omissão de certos termos ao fazermos uma comparação, omissão própria da língua falada, deve ser evitada na língua escrita, pois compromete a clareza do texto: nem sempre é possível identificar, pelo contexto, qual o termo omitido. A ausência indevida de um termo pode impossibilitar o entendimento do sentido que se quer dar a uma frase (...)
MANUAL DE REDAÇÃO DA PRESIDÊNCIA
DA REPÚBLICA. 2. ed. rev. e atual. Brasília: Presidência da República, 2002. p. 51.
A impropriedade acima referida (“omissão de certos termos”) encontra-se somente na seguinte alternativa:
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Analise as afirmativas abaixo.
I) Ao enviar uma mensagem, através de um programa gerenciador de e-mail, pode-se utilizar a opção de cópia oculta, para que um determinado destinatário não seja visualizado pelos demais.
II) A extensão RAR é utilizada para compactação de arquivos.
III) Ao abrir uma nova janela anônima em um navegador, as informações digitadas não serão gravadas no cache, mas as páginas visitadas continuarão aparecendo normalmente no histórico.
Assinale a opção CORRETA.
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