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Bate-papo é telepatia

Antes do advento da internet, “bate-papo” signifi-

cava conversa informal entre duas ou mais pessoas,

em visitas e encontros de corpo e voz presentes.

Um casal de mãos dadas na rua. Uma discussão

animada de bar. Ou, no máximo, à distância, por te-

lefone, no fim do dia, para contar as últimas, falar mal

dos outros ou se indignar com os preços do chuchu e

o resultado do futebol.

Por cartas não se batia papo: no máximo, troca-

vam-se correspondências, impressões, declarações,

notícias da vida. As respostas demoravam dias, se-

manas, meses. Poesia agônica. Extravios. Grandes

verdades e mentiras.

A internet e o e-mail mudaram o ritmo: a troca de

mensagens mais rápida logo permitiu que as “cartas”

pudessem ser curtas, tão curtas quanto frases, tão di-

retas quanto falas, tão sucintas quanto uma palavra,

uma sílaba, um sinal de interjeição.

Ou, mesmo, o vazio, reticente. [...]

Foi no ambiente de e-mails que surgiram os pri-

meiros bate-papos eletrônicos exclusivamente textu-

ais, em grande escala, trazendo toda uma nova gama

de esferas informacionais.

As novas senhoras da mensagem eram palavras

divorciadas de entonação e de expressão, com alto

grau de ambiguidade, mas com intensidade e fre-

quência ilimitadas: a qualquer hora do dia inicia-se,

interrompe-se, termina-se ou continua-se uma con-

versa.[...]

Mas é nas ferramentas de conversa instantânea

das redes sociais (e também nos torpedos de celu-

lar) que, creio, está acontecendo o fenômeno mais

interessante e surpreendente das comunicações in-

terpessoais dos dias de hoje. Certas trocas de infor-

mação, principalmente entre duas pessoas, estão se

transformando, na prática, em formas concretas de

telepatia.

Não que ocorra a transmissão direta de pensa-

mento, energética, via moléculas de ar, entre dois

cérebros emissores de ondas. É mais uma telepatia

lato sensu e aleatória, no sentido de que a probabi-

lidade de o conteúdo transmitido ser semelhante ao

fluxo de pensamento naquela troca sequencial de

informações é altíssima.

Pois, nessas horas, a velocidade frenética com

que se escreve o que vai à mente não deixa muito

espaço para elaboração, censura, reflexão, autoexa-

mes ou juízos de causa-efeito.

O superego fica assim sufocado e o inconsciente

começa a surgir em torrente, a despeito da vontade

do emissor. Este se vê engendrado numa espécie de

fusão com o outro, que se verte num espelho invisí-

vel, e vice-versa, quando o caminho for de mão dupla

confessional.

Assim, vidas inteiras, segredos íntimos, pensa-

mentos transcendentes, temores de momento, impul-

sos inesperados, insights são comerciados em pou-

cos minutos, entre pessoas que mal se conhecem. O

ritmo é muito semelhante ao da associação livre de

ideias, só que o intuito expresso não é o de uma ses-

são de análise nem de um processo formal de escrita

instantânea.

Não é estética, não é arte, que se busca, embora

ela possa estar presente na malha egoica obsessiva

e narcisista que ali se estabelece. É apenas uma von-

tade de conversar convertida em espanto, tempesta-

de, revelação.

A sensação após essas catarses repentinas (às

vezes em série) é de um alívio alienado de si: é pos-

sível até que o emissor sequer se lembre da maioria

das coisas que disse ou para quantas pessoas, e que

o mesmo ocorra com o receptor.

Se o mesmo estiver numa vibração igual, pro-

duzem-se verdadeiros milagres de aconselhamento

e fenômenos epifânicos. [...]

BLOCH, Arnaldo. Bate-papo é telepatia. O Globo, Rio de Janeiro, 2º Caderno. 09 jun. 2012, p.10. Adaptado.

De acordo com a norma-padrão o pronome se pode ser deslocado para depois do verbo destacado em:
 

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Enunciado 3602594-1
Abaixo estão destacadas algumas palavras retiradas do texto.


Em que frase a palavra é empregada mantendo tanto o sentido quanto a classe de palavra?
 

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Bate-papo é telepatia

Antes do advento da internet, “bate-papo” signifi-

cava conversa informal entre duas ou mais pessoas,

em visitas e encontros de corpo e voz presentes.

Um casal de mãos dadas na rua. Uma discussão

animada de bar. Ou, no máximo, à distância, por te-

lefone, no fim do dia, para contar as últimas, falar mal

dos outros ou se indignar com os preços do chuchu e

o resultado do futebol.

Por cartas não se batia papo: no máximo, troca-

vam-se correspondências, impressões, declarações,

notícias da vida. As respostas demoravam dias, se-

manas, meses. Poesia agônica. Extravios. Grandes

verdades e mentiras.

A internet e o e-mail mudaram o ritmo: a troca de

mensagens mais rápida logo permitiu que as “cartas”

pudessem ser curtas, tão curtas quanto frases, tão di-

retas quanto falas, tão sucintas quanto uma palavra,

uma sílaba, um sinal de interjeição.

Ou, mesmo, o vazio, reticente. [...]

Foi no ambiente de e-mails que surgiram os pri-

meiros bate-papos eletrônicos exclusivamente textu-

ais, em grande escala, trazendo toda uma nova gama

de esferas informacionais.

As novas senhoras da mensagem eram palavras

divorciadas de entonação e de expressão, com alto

grau de ambiguidade, mas com intensidade e fre-

quência ilimitadas: a qualquer hora do dia inicia-se,

interrompe-se, termina-se ou continua-se uma con-

versa.[...]

Mas é nas ferramentas de conversa instantânea

das redes sociais (e também nos torpedos de celu-

lar) que, creio, está acontecendo o fenômeno mais

interessante e surpreendente das comunicações in-

terpessoais dos dias de hoje. Certas trocas de infor-

mação, principalmente entre duas pessoas, estão se

transformando, na prática, em formas concretas de

telepatia.

Não que ocorra a transmissão direta de pensa-

mento, energética, via moléculas de ar, entre dois

cérebros emissores de ondas. É mais uma telepatia

lato sensu e aleatória, no sentido de que a probabi-

lidade de o conteúdo transmitido ser semelhante ao

fluxo de pensamento naquela troca sequencial de

informações é altíssima.

Pois, nessas horas, a velocidade frenética com

que se escreve o que vai à mente não deixa muito

espaço para elaboração, censura, reflexão, autoexa-

mes ou juízos de causa-efeito.

O superego fica assim sufocado e o inconsciente

começa a surgir em torrente, a despeito da vontade

do emissor. Este se vê engendrado numa espécie de

fusão com o outro, que se verte num espelho invisí-

vel, e vice-versa, quando o caminho for de mão dupla

confessional.

Assim, vidas inteiras, segredos íntimos, pensa-

mentos transcendentes, temores de momento, impul-

sos inesperados, insights são comerciados em pou-

cos minutos, entre pessoas que mal se conhecem. O

ritmo é muito semelhante ao da associação livre de

ideias, só que o intuito expresso não é o de uma ses-

são de análise nem de um processo formal de escrita

instantânea.

Não é estética, não é arte, que se busca, embora

ela possa estar presente na malha egoica obsessiva

e narcisista que ali se estabelece. É apenas uma von-

tade de conversar convertida em espanto, tempesta-

de, revelação.

A sensação após essas catarses repentinas (às

vezes em série) é de um alívio alienado de si: é pos-

sível até que o emissor sequer se lembre da maioria

das coisas que disse ou para quantas pessoas, e que

o mesmo ocorra com o receptor.

Se o mesmo estiver numa vibração igual, pro-

duzem-se verdadeiros milagres de aconselhamento

e fenômenos epifânicos. [...]

BLOCH, Arnaldo. Bate-papo é telepatia. O Globo, Rio de Janeiro, 2º Caderno. 09 jun. 2012, p.10. Adaptado.

O texto provoca reflexão acerca do sentido de telepatia. No texto, o conceito de telepatia
 

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Texto I

Envases sí, envases no….

Por Natalia Lovecchio, partner y responsable

de FMCG (Fast Moving Consumer Goods)

de Loop Business Innovation

La mayor parte de los residuos que producimos están asociados a los envases de alimentos, bebidas y artículos de limpieza por lo que muchas marcas han comenzado a trabajar en la posibilidad de disminuir su impacto medioambiental.

Son conocidos los avances en el desarrollo de nuevos tipos de packaging, más respetuosos con el medio ambiente. Cada vez hay más iniciativas, productos y proyectos que utilizan envases con materiales reciclados e incluso de materiales naturales. Por ejemplo nuevos packagings para líquidos que utilizan 66% menos cantidad de plástico gracias a su exterior de fibras naturales prensadas. Propongo reflexionar sobre otra manera de enfrentar el tema: la venta a granel.

La venta a granel viene aumentando su presencia en grandes superficies donde convive con productos envasados de diferentes niveles de “premiumicidad”. La cadena Alcampo por ejemplo, hace tiempo que viene trabajando en este sentido, y de hecho, sus zonas de compras a granel son cada vez más populares.

A las marcas y distribuidores les cuesta aceptar esta tendencia, pero los consumidores venimos comprando de esta manera desde siempre. ¿Quién no ha comprado té o especies en un mercado? ¿Ha visitado las tiendas de venta de vino a granel? ¿Conoce las tiendas de comercio justo donde puedes comprar productos tan diferentes como café o detergente a granel?

Lo cierto es que aún no aparecen iniciativas que aúnen diferentes tipos de productos y procedencias. Quizá In.gredients, sea una de las primeras iniciativas de tienda zero packaging. La idea consiste en llevar tus propios envases: botella para la leche, huevera, bolsas de tela para frutas y verduras, bote para gel de baño. Por el momento es sólo un proyecto desarrollado en EEUU próximo a su lanzamiento. Cuando inaugure, será la primera tienda de comestibles libre de residuos provocado por los envases.

Lo interesante de analizar es cómo impactan éstas nuevas experiencias de consumo a las marcas. Actualmente es el envase el que identifica el contenido con una marca determinada. ¿Qué pasaría si el envase desaparece? ¿Están preparadas las marcas para vender sus productos a granel?

Disponible en:

<http://www.revistaesposible.org/envases- -si-envases-no>. Acceso en: 22 jun. 2012. Adaptado.

El Texto I es predominantemente argumentativo. Una estrategia típica que confirma dicha afirmación es el (la)

 

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Bate-papo é telepatia

Antes do advento da internet, “bate-papo” signifi-

cava conversa informal entre duas ou mais pessoas,

em visitas e encontros de corpo e voz presentes.

Um casal de mãos dadas na rua. Uma discussão

animada de bar. Ou, no máximo, à distância, por te-

lefone, no fim do dia, para contar as últimas, falar mal

dos outros ou se indignar com os preços do chuchu e

o resultado do futebol.

Por cartas não se batia papo: no máximo, troca-

vam-se correspondências, impressões, declarações,

notícias da vida. As respostas demoravam dias, se-

manas, meses. Poesia agônica. Extravios. Grandes

verdades e mentiras.

A internet e o e-mail mudaram o ritmo: a troca de

mensagens mais rápida logo permitiu que as “cartas”

pudessem ser curtas, tão curtas quanto frases, tão di-

retas quanto falas, tão sucintas quanto uma palavra,

uma sílaba, um sinal de interjeição.

Ou, mesmo, o vazio, reticente. [...]

Foi no ambiente de e-mails que surgiram os pri-

meiros bate-papos eletrônicos exclusivamente textu-

ais, em grande escala, trazendo toda uma nova gama

de esferas informacionais.

As novas senhoras da mensagem eram palavras

divorciadas de entonação e de expressão, com alto

grau de ambiguidade, mas com intensidade e fre-

quência ilimitadas: a qualquer hora do dia inicia-se,

interrompe-se, termina-se ou continua-se uma con-

versa.[...]

Mas é nas ferramentas de conversa instantânea

das redes sociais (e também nos torpedos de celu-

lar) que, creio, está acontecendo o fenômeno mais

interessante e surpreendente das comunicações in-

terpessoais dos dias de hoje. Certas trocas de infor-

mação, principalmente entre duas pessoas, estão se

transformando, na prática, em formas concretas de

telepatia.

Não que ocorra a transmissão direta de pensa-

mento, energética, via moléculas de ar, entre dois

cérebros emissores de ondas. É mais uma telepatia

lato sensu e aleatória, no sentido de que a probabi-

lidade de o conteúdo transmitido ser semelhante ao

fluxo de pensamento naquela troca sequencial de

informações é altíssima.

Pois, nessas horas, a velocidade frenética com

que se escreve o que vai à mente não deixa muito

espaço para elaboração, censura, reflexão, autoexa-

mes ou juízos de causa-efeito.

O superego fica assim sufocado e o inconsciente

começa a surgir em torrente, a despeito da vontade

do emissor. Este se vê engendrado numa espécie de

fusão com o outro, que se verte num espelho invisí-

vel, e vice-versa, quando o caminho for de mão dupla

confessional.

Assim, vidas inteiras, segredos íntimos, pensa-

mentos transcendentes, temores de momento, impul-

sos inesperados, insights são comerciados em pou-

cos minutos, entre pessoas que mal se conhecem. O

ritmo é muito semelhante ao da associação livre de

ideias, só que o intuito expresso não é o de uma ses-

são de análise nem de um processo formal de escrita

instantânea.

Não é estética, não é arte, que se busca, embora

ela possa estar presente na malha egoica obsessiva

e narcisista que ali se estabelece. É apenas uma von-

tade de conversar convertida em espanto, tempesta-

de, revelação.

A sensação após essas catarses repentinas (às

vezes em série) é de um alívio alienado de si: é pos-

sível até que o emissor sequer se lembre da maioria

das coisas que disse ou para quantas pessoas, e que

o mesmo ocorra com o receptor.

Se o mesmo estiver numa vibração igual, pro-

duzem-se verdadeiros milagres de aconselhamento

e fenômenos epifânicos. [...]

BLOCH, Arnaldo. Bate-papo é telepatia. O Globo, Rio de Janeiro, 2º Caderno. 09 jun. 2012, p.10. Adaptado.

O pronome,em relação ao verbo, desempenha o mesmo papel que se verifica em “se indignar"(L.7) em
 

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cava conversa informal entre duas ou mais pessoas,

em visitas e encontros de corpo e voz presentes.

Um casal de mãos dadas na rua. Uma discussão

animada de bar. Ou, no máximo, à distância, por te-

lefone, no fim do dia, para contar as últimas, falar mal

dos outros ou se indignar com os preços do chuchu e

o resultado do futebol.

Por cartas não se batia papo: no máximo, troca-

vam-se correspondências, impressões, declarações,

notícias da vida. As respostas demoravam dias, se-

manas, meses. Poesia agônica. Extravios. Grandes

verdades e mentiras.

A internet e o e-mail mudaram o ritmo: a troca de

mensagens mais rápida logo permitiu que as “cartas”

pudessem ser curtas, tão curtas quanto frases, tão di-

retas quanto falas, tão sucintas quanto uma palavra,

uma sílaba, um sinal de interjeição.

Ou, mesmo, o vazio, reticente. [...]

Foi no ambiente de e-mails que surgiram os pri-

meiros bate-papos eletrônicos exclusivamente textu-

ais, em grande escala, trazendo toda uma nova gama

de esferas informacionais.

As novas senhoras da mensagem eram palavras

divorciadas de entonação e de expressão, com alto

grau de ambiguidade, mas com intensidade e fre-

quência ilimitadas: a qualquer hora do dia inicia-se,

interrompe-se, termina-se ou continua-se uma con-

versa.[...]

Mas é nas ferramentas de conversa instantânea

das redes sociais (e também nos torpedos de celu-

lar) que, creio, está acontecendo o fenômeno mais

interessante e surpreendente das comunicações in-

terpessoais dos dias de hoje. Certas trocas de infor-

mação, principalmente entre duas pessoas, estão se

transformando, na prática, em formas concretas de

telepatia.

Não que ocorra a transmissão direta de pensa-

mento, energética, via moléculas de ar, entre dois

cérebros emissores de ondas. É mais uma telepatia

lato sensu e aleatória, no sentido de que a probabi-

lidade de o conteúdo transmitido ser semelhante ao

fluxo de pensamento naquela troca sequencial de

informações é altíssima.

Pois, nessas horas, a velocidade frenética com

que se escreve o que vai à mente não deixa muito

espaço para elaboração, censura, reflexão, autoexa-

mes ou juízos de causa-efeito.

O superego fica assim sufocado e o inconsciente

começa a surgir em torrente, a despeito da vontade

do emissor. Este se vê engendrado numa espécie de

fusão com o outro, que se verte num espelho invisí-

vel, e vice-versa, quando o caminho for de mão dupla

confessional.

Assim, vidas inteiras, segredos íntimos, pensa-

mentos transcendentes, temores de momento, impul-

sos inesperados, insights são comerciados em pou-

cos minutos, entre pessoas que mal se conhecem. O

ritmo é muito semelhante ao da associação livre de

ideias, só que o intuito expresso não é o de uma ses-

são de análise nem de um processo formal de escrita

instantânea.

Não é estética, não é arte, que se busca, embora

ela possa estar presente na malha egoica obsessiva

e narcisista que ali se estabelece. É apenas uma von-

tade de conversar convertida em espanto, tempesta-

de, revelação.

A sensação após essas catarses repentinas (às

vezes em série) é de um alívio alienado de si: é pos-

sível até que o emissor sequer se lembre da maioria

das coisas que disse ou para quantas pessoas, e que

o mesmo ocorra com o receptor.

Se o mesmo estiver numa vibração igual, pro-

duzem-se verdadeiros milagres de aconselhamento

e fenômenos epifânicos. [...]

BLOCH, Arnaldo. Bate-papo é telepatia. O Globo, Rio de Janeiro, 2º Caderno. 09 jun. 2012, p.10. Adaptado.

É comum que palavras sejam empregadas fora de seu sentido usual. O seguinte trecho traz uma palavra que costuma ser usada com entidade humana, mas que foi empregada com entidade inanimada:
 

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cava conversa informal entre duas ou mais pessoas,

em visitas e encontros de corpo e voz presentes.

Um casal de mãos dadas na rua. Uma discussão

animada de bar. Ou, no máximo, à distância, por te-

lefone, no fim do dia, para contar as últimas, falar mal

dos outros ou se indignar com os preços do chuchu e

o resultado do futebol.

Por cartas não se batia papo: no máximo, troca-

vam-se correspondências, impressões, declarações,

notícias da vida. As respostas demoravam dias, se-

manas, meses. Poesia agônica. Extravios. Grandes

verdades e mentiras.

A internet e o e-mail mudaram o ritmo: a troca de

mensagens mais rápida logo permitiu que as “cartas”

pudessem ser curtas, tão curtas quanto frases, tão di-

retas quanto falas, tão sucintas quanto uma palavra,

uma sílaba, um sinal de interjeição.

Ou, mesmo, o vazio, reticente. [...]

Foi no ambiente de e-mails que surgiram os pri-

meiros bate-papos eletrônicos exclusivamente textu-

ais, em grande escala, trazendo toda uma nova gama

de esferas informacionais.

As novas senhoras da mensagem eram palavras

divorciadas de entonação e de expressão, com alto

grau de ambiguidade, mas com intensidade e fre-

quência ilimitadas: a qualquer hora do dia inicia-se,

interrompe-se, termina-se ou continua-se uma con-

versa.[...]

Mas é nas ferramentas de conversa instantânea

das redes sociais (e também nos torpedos de celu-

lar) que, creio, está acontecendo o fenômeno mais

interessante e surpreendente das comunicações in-

terpessoais dos dias de hoje. Certas trocas de infor-

mação, principalmente entre duas pessoas, estão se

transformando, na prática, em formas concretas de

telepatia.

Não que ocorra a transmissão direta de pensa-

mento, energética, via moléculas de ar, entre dois

cérebros emissores de ondas. É mais uma telepatia

lato sensu e aleatória, no sentido de que a probabi-

lidade de o conteúdo transmitido ser semelhante ao

fluxo de pensamento naquela troca sequencial de

informações é altíssima.

Pois, nessas horas, a velocidade frenética com

que se escreve o que vai à mente não deixa muito

espaço para elaboração, censura, reflexão, autoexa-

mes ou juízos de causa-efeito.

O superego fica assim sufocado e o inconsciente

começa a surgir em torrente, a despeito da vontade

do emissor. Este se vê engendrado numa espécie de

fusão com o outro, que se verte num espelho invisí-

vel, e vice-versa, quando o caminho for de mão dupla

confessional.

Assim, vidas inteiras, segredos íntimos, pensa-

mentos transcendentes, temores de momento, impul-

sos inesperados, insights são comerciados em pou-

cos minutos, entre pessoas que mal se conhecem. O

ritmo é muito semelhante ao da associação livre de

ideias, só que o intuito expresso não é o de uma ses-

são de análise nem de um processo formal de escrita

instantânea.

Não é estética, não é arte, que se busca, embora

ela possa estar presente na malha egoica obsessiva

e narcisista que ali se estabelece. É apenas uma von-

tade de conversar convertida em espanto, tempesta-

de, revelação.

A sensação após essas catarses repentinas (às

vezes em série) é de um alívio alienado de si: é pos-

sível até que o emissor sequer se lembre da maioria

das coisas que disse ou para quantas pessoas, e que

o mesmo ocorra com o receptor.

Se o mesmo estiver numa vibração igual, pro-

duzem-se verdadeiros milagres de aconselhamento

e fenômenos epifânicos. [...]

BLOCH, Arnaldo. Bate-papo é telepatia. O Globo, Rio de Janeiro, 2º Caderno. 09 jun. 2012, p.10. Adaptado.

No texto, a expressão às vezes(L.68-69) apresenta o sinal indicativo de crase. Na seguinte frase, o a deveria também apresentar esse sinal:
 

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Antes do advento da internet, “bate-papo” signifi-

cava conversa informal entre duas ou mais pessoas,

em visitas e encontros de corpo e voz presentes.

Um casal de mãos dadas na rua. Uma discussão

animada de bar. Ou, no máximo, à distância, por te-

lefone, no fim do dia, para contar as últimas, falar mal

dos outros ou se indignar com os preços do chuchu e

o resultado do futebol.

Por cartas não se batia papo: no máximo, troca-

vam-se correspondências, impressões, declarações,

notícias da vida. As respostas demoravam dias, se-

manas, meses. Poesia agônica. Extravios. Grandes

verdades e mentiras.

A internet e o e-mail mudaram o ritmo: a troca de

mensagens mais rápida logo permitiu que as “cartas”

pudessem ser curtas, tão curtas quanto frases, tão di-

retas quanto falas, tão sucintas quanto uma palavra,

uma sílaba, um sinal de interjeição.

Ou, mesmo, o vazio, reticente. [...]

Foi no ambiente de e-mails que surgiram os pri-

meiros bate-papos eletrônicos exclusivamente textu-

ais, em grande escala, trazendo toda uma nova gama

de esferas informacionais.

As novas senhoras da mensagem eram palavras

divorciadas de entonação e de expressão, com alto

grau de ambiguidade, mas com intensidade e fre-

quência ilimitadas: a qualquer hora do dia inicia-se,

interrompe-se, termina-se ou continua-se uma con-

versa.[...]

Mas é nas ferramentas de conversa instantânea

das redes sociais (e também nos torpedos de celu-

lar) que, creio, está acontecendo o fenômeno mais

interessante e surpreendente das comunicações in-

terpessoais dos dias de hoje. Certas trocas de infor-

mação, principalmente entre duas pessoas, estão se

transformando, na prática, em formas concretas de

telepatia.

Não que ocorra a transmissão direta de pensa-

mento, energética, via moléculas de ar, entre dois

cérebros emissores de ondas. É mais uma telepatia

lato sensu e aleatória, no sentido de que a probabi-

lidade de o conteúdo transmitido ser semelhante ao

fluxo de pensamento naquela troca sequencial de

informações é altíssima.

Pois, nessas horas, a velocidade frenética com

que se escreve o que vai à mente não deixa muito

espaço para elaboração, censura, reflexão, autoexa-

mes ou juízos de causa-efeito.

O superego fica assim sufocado e o inconsciente

começa a surgir em torrente, a despeito da vontade

do emissor. Este se vê engendrado numa espécie de

fusão com o outro, que se verte num espelho invisí-

vel, e vice-versa, quando o caminho for de mão dupla

confessional.

Assim, vidas inteiras, segredos íntimos, pensa-

mentos transcendentes, temores de momento, impul-

sos inesperados, insights são comerciados em pou-

cos minutos, entre pessoas que mal se conhecem. O

ritmo é muito semelhante ao da associação livre de

ideias, só que o intuito expresso não é o de uma ses-

são de análise nem de um processo formal de escrita

instantânea.

Não é estética, não é arte, que se busca, embora

ela possa estar presente na malha egoica obsessiva

e narcisista que ali se estabelece. É apenas uma von-

tade de conversar convertida em espanto, tempesta-

de, revelação.

A sensação após essas catarses repentinas (às

vezes em série) é de um alívio alienado de si: é pos-

sível até que o emissor sequer se lembre da maioria

das coisas que disse ou para quantas pessoas, e que

o mesmo ocorra com o receptor.

Se o mesmo estiver numa vibração igual, pro-

duzem-se verdadeiros milagres de aconselhamento

e fenômenos epifânicos. [...]

BLOCH, Arnaldo. Bate-papo é telepatia. O Globo, Rio de Janeiro, 2º Caderno. 09 jun. 2012, p.10. Adaptado.

Dentre os trechos transcritos abaixo, qual deles apresenta, no texto, uma gradação decrescente?
 

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Bate-papo é telepatia

Antes do advento da internet, “bate-papo” signifi-

cava conversa informal entre duas ou mais pessoas,

em visitas e encontros de corpo e voz presentes.

Um casal de mãos dadas na rua. Uma discussão

animada de bar. Ou, no máximo, à distância, por te-

lefone, no fim do dia, para contar as últimas, falar mal

dos outros ou se indignar com os preços do chuchu e

o resultado do futebol.

Por cartas não se batia papo: no máximo, troca-

vam-se correspondências, impressões, declarações,

notícias da vida. As respostas demoravam dias, se-

manas, meses. Poesia agônica. Extravios. Grandes

verdades e mentiras.

A internet e o e-mail mudaram o ritmo: a troca de

mensagens mais rápida logo permitiu que as “cartas”

pudessem ser curtas, tão curtas quanto frases, tão di-

retas quanto falas, tão sucintas quanto uma palavra,

uma sílaba, um sinal de interjeição.

Ou, mesmo, o vazio, reticente. [...]

Foi no ambiente de e-mails que surgiram os pri-

meiros bate-papos eletrônicos exclusivamente textu-

ais, em grande escala, trazendo toda uma nova gama

de esferas informacionais.

As novas senhoras da mensagem eram palavras

divorciadas de entonação e de expressão, com alto

grau de ambiguidade, mas com intensidade e fre-

quência ilimitadas: a qualquer hora do dia inicia-se,

interrompe-se, termina-se ou continua-se uma con-

versa.[...]

Mas é nas ferramentas de conversa instantânea

das redes sociais (e também nos torpedos de celu-

lar) que, creio, está acontecendo o fenômeno mais

interessante e surpreendente das comunicações in-

terpessoais dos dias de hoje. Certas trocas de infor-

mação, principalmente entre duas pessoas, estão se

transformando, na prática, em formas concretas de

telepatia.

Não que ocorra a transmissão direta de pensa-

mento, energética, via moléculas de ar, entre dois

cérebros emissores de ondas. É mais uma telepatia

lato sensu e aleatória, no sentido de que a probabi-

lidade de o conteúdo transmitido ser semelhante ao

fluxo de pensamento naquela troca sequencial de

informações é altíssima.

Pois, nessas horas, a velocidade frenética com

que se escreve o que vai à mente não deixa muito

espaço para elaboração, censura, reflexão, autoexa-

mes ou juízos de causa-efeito.

O superego fica assim sufocado e o inconsciente

começa a surgir em torrente, a despeito da vontade

do emissor. Este se vê engendrado numa espécie de

fusão com o outro, que se verte num espelho invisí-

vel, e vice-versa, quando o caminho for de mão dupla

confessional.

Assim, vidas inteiras, segredos íntimos, pensa-

mentos transcendentes, temores de momento, impul-

sos inesperados, insights são comerciados em pou-

cos minutos, entre pessoas que mal se conhecem. O

ritmo é muito semelhante ao da associação livre de

ideias, só que o intuito expresso não é o de uma ses-

são de análise nem de um processo formal de escrita

instantânea.

Não é estética, não é arte, que se busca, embora

ela possa estar presente na malha egoica obsessiva

e narcisista que ali se estabelece. É apenas uma von-

tade de conversar convertida em espanto, tempesta-

de, revelação.

A sensação após essas catarses repentinas (às

vezes em série) é de um alívio alienado de si: é pos-

sível até que o emissor sequer se lembre da maioria

das coisas que disse ou para quantas pessoas, e que

o mesmo ocorra com o receptor.

Se o mesmo estiver numa vibração igual, pro-

duzem-se verdadeiros milagres de aconselhamento

e fenômenos epifânicos. [...]

BLOCH, Arnaldo. Bate-papo é telepatia. O Globo, Rio de Janeiro, 2º Caderno. 09 jun. 2012, p.10. Adaptado.

O verbo que está conjugado no mesmo tempo e modo de for, como no trecho “quando o caminho for de mão dupla confessional" (L. 53-54) é
 

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Texto I

Envases sí, envases no….

Por Natalia Lovecchio, partner y responsable

de FMCG (Fast Moving Consumer Goods)

de Loop Business Innovation

La mayor parte de los residuos que producimos están asociados a los envases de alimentos, bebidas y artículos de limpieza por lo que muchas marcas han comenzado a trabajar en la posibilidad de disminuir su impacto medioambiental.

Son conocidos los avances en el desarrollo de nuevos tipos de packaging, más respetuosos con el medio ambiente. Cada vez hay más iniciativas, productos y proyectos que utilizan envases con materiales reciclados e incluso de materiales naturales. Por ejemplo nuevos packagings para líquidos que utilizan 66% menos cantidad de plástico gracias a su exterior de fibras naturales prensadas. Propongo reflexionar sobre otra manera de enfrentar el tema: la venta a granel.

La venta a granel viene aumentando su presencia en grandes superficies donde convive con productos envasados de diferentes niveles de “premiumicidad”. La cadena Alcampo por ejemplo, hace tiempo que viene trabajando en este sentido, y de hecho, sus zonas de compras a granel son cada vez más populares.

A las marcas y distribuidores les cuesta aceptar esta tendencia, pero los consumidores venimos comprando de esta manera desde siempre. ¿Quién no ha comprado té o especies en un mercado? ¿Ha visitado las tiendas de venta de vino a granel? ¿Conoce las tiendas de comercio justo donde puedes comprar productos tan diferentes como café o detergente a granel?

Lo cierto es que aún no aparecen iniciativas que aúnen diferentes tipos de productos y procedencias. Quizá In.gredients, sea una de las primeras iniciativas de tienda zero packaging. La idea consiste en llevar tus propios envases: botella para la leche, huevera, bolsas de tela para frutas y verduras, bote para gel de baño. Por el momento es sólo un proyecto desarrollado en EEUU próximo a su lanzamiento. Cuando inaugure, será la primera tienda de comestibles libre de residuos provocado por los envases.

Lo interesante de analizar es cómo impactan éstas nuevas experiencias de consumo a las marcas. Actualmente es el envase el que identifica el contenido con una marca determinada. ¿Qué pasaría si el envase desaparece? ¿Están preparadas las marcas para vender sus productos a granel?

Disponible en:

<http://www.revistaesposible.org/envases- -si-envases-no>. Acceso en: 22 jun. 2012. Adaptado.

Natalia Lovecchio discute en el Texto I el (la)

 

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