Foram encontradas 182 questões.
Nos países novos, nas terras ainda sem tipo étnico absolutamente definido, onde o sentimento d’Arte é silvícola, local, banalizado, deve ser espantoso, estupendo o esforço, a batalha formidável de um temperamento fatalizado pelo sangue e que traz consigo, além da condição inviável do meio, a qualidade fisiológica de pertencer, de proceder de uma raça que a ditadora ciência d’hipóteses(b) negou em absoluto para as funções do Entendimento e, principalmente, do entendimento artístico da palavra escrita.
Deus meu! Por uma questão banal de química biológica do pigmento ficam alguns mais rebeldes e curiosos fósseis preocupados(d), a ruminar primitivas erudições, perdidos e atropelados pelas longas galerias submarinas de uma sabedoria infinita, esmagadora, irrevogável! (...)
Ah! Esta minúscula humanidade(d), torcida, enroscada, assaltando as almas com a ferocidade de animais bravios, de garras aguçadas e dentes rijos de carnívoro, é que não pode compreender-me.
Sim! Tu(e) é que não podes entender-me, não podes irradiar, convulsionar-te nestes efeitos com os arcaísmos duros da tua compreensão, com a carcaça paleontológica do Bom Senso(a).
Cruz e Sousa. Emparedado. In: Obra completa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1961, p. 659-60 (com adaptações).
Com relação às ideias desenvolvidas no texto acima, assinale a opção correta.
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Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras:
olhos colados aos vidros,
mulheres e homens à espreita,
caras disformes de insônia,
vigiando as ações alheias.
Pelas gretas das janelas,
pelas frestas das esteiras,
agudas setas atiram
a inveja e a maledicência.
Palavras conjeturadas
oscilam no ar de surpresa,
como peludas aranhas
na gosma das teias densas,
rápidas e envenenadas,
engenhosas, sorrateiras.
Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
brilham fardas e casacas,
junto com batinas pretas.
Uns são reinóis, uns, mazombos;
e pensam de mil maneiras;
mas citam Vergílio e Horácio,
e refletem, e argumentam,
falam de minas e impostos,
de lavras e de fazendas,
de ministros e rainhas
e das colônias inglesas.
Atrás de portas fechadas,
à luz de velas acesas,
entre sigilo e espionagem,
acontece a Inconfidência.
E diz o Vigário ao Poeta:
“Escreva-me aquela letra
do versinho de Vergílio...”
E dá-lhe o papel e a pena.
E diz o Poeta ao Vigário,
com dramática prudência:
“Tenha meus dedos cortados,
antes que tal verso escrevam...”
LIBERDADE, AINDA QUE TARDE,
ouve-se em redor da mesa.
E a bandeira já está viva,
e sobe, na noite imensa.
E os seus tristes inventores
já são réus — pois se atreveram
a falar em Liberdade
(que ninguém sabe o que seja).
E a vizinhança não dorme:
murmura, imagina, inventa.
Não fica bandeira escrita,
mas fica escrita a sentença.
Cecília Meireles. Romanceiro da Inconfidência. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1977, p. 450-2 (com adaptações) .
Com relação às ideias e às estruturas linguísticas do texto acima, julgue (C ou E) o item a seguir.
Nos dois primeiros versos, o eu lírico alude ao sigilo dos inconfidentes por meio de paradoxo e sinestesia.
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Texto para a questão.
Poucos depoimentos eu tenho lido mais emocionantes que o artigo-reportagem de Oscar Niemeyer sobre sua experiência em Brasília. Para quem conhece apenas o arquiteto, o artigo poderá passar por uma defesa em causa própria — o revide normal de um pai que sai de sua mansidão costumeira para ir brigar por um filho em quem querem bater. Mas, para quem conhece o homem, o artigo assume proporções dramáticas. Pois Oscar é não só o avesso do causídico, como um dos seres mais antiautopromocionais que já conheci em minha vida.
Sua modéstia não é, como de comum, uma forma infame de vaidade. Ela não tem nada a ver com o conhecimento realista — que Oscar tem — de seu valor profissional e de suas possibilidades. É a modéstia dos criadores verdadeiramente integrados com a vida, dos que sabem que não há tempo a perder, é preciso construir a beleza e a felicidade no mundo, por isso mesmo que, no indivíduo, é tudo tão frágil e precário.
Oscar não acredita em Papai do Céu, nem que estará um dia construindo brasílias angélicas nas verdes pastagens do Paraíso. Põe ele, como um verdadeiro homem, a felicidade do seu semelhante no aproveitamento das pastagens verdes da Terra; no exemplo do trabalho para o bem comum e na criação de condições urbanas e rurais, em estreita intercorrência, que estimulem e desenvolvam este nobre fim: fazer o homem feliz dentro do curto prazo que lhe foi dado para viver.
Eu acredito também nisso, e quando vejo aquilo em que creio refletido num depoimento como o de Oscar Niemeyer, velho e querido amigo, como não me emocionar?
Vinicius de Moraes. Para viver um grande amor. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1982, p. 134-5 (com adaptações).
Julgue (C ou E) o item a seguir, relativo às estruturas linguísticas do texto.
No texto, a linguagem foi empregada predominantemente em suas funções emotiva e poética.
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Texto para a questão.
Ainda que se soubessem todas as palavras de cada figura da Inconfidência, nem assim se poderia fazer com o seu simples registro uma composição da arte. A obra de arte não é feita de tudo — mas apenas de algumas coisas essenciais. A busca desse essencial expressivo é que constitui o trabalho do artista. Ele poderá dizer a mesma verdade do historiador, porém de outra maneira. Seus caminhos são outros, para atingir a comunicação. Há um problema de palavras. Um problema de ritmos. Um problema de composição. Grande parte de tudo isso se realiza, decerto, sem inteira consciência do artista. É a decorrência natural da sua constituição, da sua personalidade — por isso, tão difícil se torna quase sempre a um criador explicar a própria criação. No caso, porém, de um poema de mais objetividade, como o Romanceiro, muitas coisas podem ser explicadas, porque foram aprendidas, à proporção que ele se foi compondo.
Digo “que ele se foi compondo” e não “que foi sendo composto”, pois, na verdade, uma das coisas que pude observar melhor que nunca, ao realizá-lo, foi a maneira por que um tema encontra sozinho ou sozinho impõe seu ritmo, sua sonoridade, seu desenvolvimento, sua medida.
O Romanceiro foi construído tão sem normas preestabelecidas, tão à mercê de sua expressão natural que cada poema procurou a forma condizente com sua mensagem. A voz irreprimível dos fantasmas, que todos os artistas conhecem, vibra, porém, com certa docilidade, e submete-se à aprovação do poeta, como se realmente, a cada instante, lhe pedisse para ajustar seu timbre à audição do público. Porque há obras que existem apenas para o artista, desinteressadas de transmissão; outras que exigem essa transmissão e esperam que o artista se ponha a seu serviço, para alcançá-la. O Romanceiro é desta segunda espécie.
Quatro anos de quase completa solidão — numa renúncia total às mais sedutoras solicitações, entre livros de toda espécie relativos ao especializadamente século 18 — ainda pareceram curtos demais para uma obra que se desejava o menos imperfeita possível, porque se impunha, acima de tudo, o respeito por essas vozes que falavam, que se confessavam, que exigiam, quase, o registro da sua história.
E era uma história feita de coisas eternas e irredutíveis: de ouro, amor, liberdade, traições...
Mas porque esses grandiosos acontecimentos já vinham preparados de tempos mais antigos e foram o desfecho de um passado minuciosamente construído — era preciso iluminar esses caminhos anteriores, seguir o rastro do ouro que vai, a princípio como o fio de um colar, ligando cenas e personagens, até transformar-se em pesada cadeia que prende e imobiliza num destino doloroso.
Cecília Meireles. Como escrevi o Romanceiro da Inconfidência. In: Romanceiro da Inconfidência. 3.ª ed., Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005, p. XVI-XVII (com adaptações).
Acerca das ideias e das estruturas linguísticas do texto, extraído da obra de Cecília Meireles, na qual a autora explica a criação do Romanceiro da Inconfidência, julgue ( C ou E) o item que se segue.
No trecho “o rastro do ouro que vai, a princípio como o fio de um colar, ligando cenas e personagens, até transformar-se em pesada cadeia que prende e imobiliza num destino doloroso” (l.20-21), verifica-se gradativa intensificação das ações nele relatadas, expressa pelo emprego da locução com verbo no gerúndio e de preposição que denota limite, e, tal como ocorre no trecho “que falavam, que se confessavam, que exigiam, quase, o registro da sua história” (l.17), pela ordem em que se apresentam os núcleos verbais que constituem as orações adjetivas.
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It may not stir up international outrage like its semi namesake WikiLeaks, but Wikipedia sparks debate. The free online encyclopedia, which celebrates its tenth birthday on January 15th, is a symbol of unpaid collaboration and one of the most popular destinations on the Internet, attracting some 400m visitors a month. It also faces serious charges of elitism.
Wikipedia offers more than 17m articles in 247 languages. Every day thousands of people edit entries or add new ones in return for nothing more than the satisfaction of contributing to the stock of human knowledge. Wikipedia relies on its users’ generosity to fill its coffers as well as its pages. Recent visitors to the website were confronted with images of Jimmy Wales, a co-founder, and a request for donations. The campaign was annoying but effective, raising $ 16m in 50 days.
With its emphasis on bottom-up collaboration and the broad dissemination of knowledge, the online encyclopedia is in many ways an incarnation of the fundamental values of the web. But Wikipedia also reveals some of the pitfalls of the increasingly popular “crowdsourcing” model of content creation. One is maintaining accuracy. On the whole, Wikipedia’s system of peer reviewing does a reasonable job of policing facts. But it is vulnerable to vandalism. Several politicians and TV personalities have had their deaths announced in Wikipedia while they were still in fine fettle.
Some observers argue the site should start paying expert editors to produce and oversee content, and sell advertising to cover the cost. Problems with accuracy “are an inevitable consequence of a free-labour approach”, argues Alex Jannykhin, of WikiExperts, which advises organisations on how to create Wikipedia articles (the very existence of such outfits hints at Wikipedia’s importance, as well as its susceptibility to outside influence). The encyclopedia’s bosses retort that such concerns are overblown and that taking advertisers would dent its appeal to users.
It is possible to deduce from the text that Wikipedia resorted to an appeal for public monetary contributions.
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It may not stir up international outrage like its semi namesake WikiLeaks, but Wikipedia sparks debate. The free online encyclopedia, which celebrates its tenth birthday on January 15th, is a symbol of unpaid collaboration and one of the most popular destinations on the Internet, attracting some 400m visitors a month. It also faces serious charges of elitism.
Wikipedia offers more than 17m articles in 247 languages. Every day thousands of people edit entries or add new ones in return for nothing more than the satisfaction of contributing to the stock of human knowledge. Wikipedia relies on its users’ generosity to fill its coffers as well as its pages. Recent visitors to the website were confronted with images of Jimmy Wales, a co-founder, and a request for donations. The campaign was annoying but effective, raising $ 16m in 50 days.
With its emphasis on bottom-up collaboration and the broad dissemination of knowledge, the online encyclopedia is in many ways an incarnation of the fundamental values of the web. But Wikipedia also reveals some of the pitfalls of the increasingly popular “crowdsourcing” model of content creation. One is maintaining accuracy. On the whole, Wikipedia’s system of peer reviewing does a reasonable job of policing facts. But it is vulnerable to vandalism. Several politicians and TV personalities have had their deaths announced in Wikipedia while they were still in fine fettle.
Some observers argue the site should start paying expert editors to produce and oversee content, and sell advertising to cover the cost. Problems with accuracy “are an inevitable consequence of a free-labour approach”, argues Alex Jannykhin, of WikiExperts, which advises organisations on how to create Wikipedia articles (the very existence of such outfits hints at Wikipedia’s importance, as well as its susceptibility to outside influence). The encyclopedia’s bosses retort that such concerns are overblown and that taking advertisers would dent its appeal to users.
From the last paragraph, it is correct to infer that volunteer work is inherently slovenly and deceptive.
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Disciplina: Direito Processual do Trabalho
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta.
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Com relação ao século XIX e ao movimento liberal, julgue ( C ou E) o item que se segue.
Bastante singulares, os movimentos liberais dos jovens universitários na Alemanha, em 1820, arrefeceram-se ao longo do século XIX, em favor da superação do dilema entre unidade e liberalismo, como defendeu Bismarck na discussão sobre renúncia às liberdades parlamentares.
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