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2466272 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Visita a Jean-Paul Sartre

Os estudantes do velho Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, do Rio, querem levar uma peça de Sartre, Morts sans Sépulture, sem pagar os direitos. O pedido vem às mãos de Roberto Assumpção, secretário da embaixada, que lida com as coisas culturais. Ele escreve a Sartre e recebe logo a resposta, marcando rendez-vous: meio-dia e meia, no apartamento do escritor. Vou também, como penetra. (...)

Sartre mora na esquina da rue de l’Abbaye, num quarto andar aonde se ascende por uma escada meio escura, em caracol. Esse solteirão de 45 anos vive com sua mãe, e tem um apartamento bem-arranjado. Eu melhoraria de estilo se escrevesse como ele, nesse pequeno escritório cheio de livros, com duas janelas dando para o largo: à esquerda, a torre da igreja, à direita, o Deux Magots. (...)

À primeira vista, o dono da casa lembra Portinari; um Portinari que fosse mais forte e mais rústico. Esse parisiense que deriva da Borgonha e da Alsácia tem alguma coisa de camponês do Norte. É vermelho, tem a pele grosseira e os cabelos cor de palha suja. Os pedaços de costeleta que passam sob os ganchos dos óculos já embranqueceram. É impossível saber se está falando com Roberto Assumpção ou comigo, pois cada olho fixa um de nós, formando um ângulo de 45 graus; mas parece que o esquerdo, que fixa o diplomata, é que está com a razão. (...)

Estava escrevendo quando nos recebeu: explica-me que está acabando seu estudo sobre Jean Genet. Tem em sua frente uma edição de luxo de Notre-Dame-des-Fleurs. Automaticamente reparo nos dois livros que tem sobre a mesa: um é Platão, outro de Mallarmé.

É claro que tem prazer em que os estudantes levem sua peça; faz questão de escrever a eles uma carta, dando licença e agradecendo. Roberto lhe fala sobre o interesse que sua obra desperta no Brasil. Já tem notícia disso, e teve um convite de São Paulo para visitar nosso país. “Este ano foi impossível, mas vou dar um jeito de ir no ano que vem.” Conta que o adido cultural francês em São Paulo lhe prometeu mandar a tradução do ensaio de um escritor brasileiro para publicar na Les Temps Modernes, a sua revista. Não se lembra do nome do escritor.

Faz pergunta sobre nosso país. Diz que tem boa impressão dele pelo que lhe contaram Camus, Barrault e outros amigos. Um povo que tem caráter próprio e muita efervescência cultural. Não tem o ar de dizer gentilezas e parece exprimir uma curiosidade sincera. Digo-lhe que, na linguagem do Rio, “existencialismo” tem um sentido não muito austero e lembra mais Chiquita Bacana do que S⌀ren Kierkegaard. Ri: não é apenas no Brasil, é no mundo; isso começou aqui no quartier e — nota — os adversários fingem levar a sério essa legenda de “imoralismo” da doutrina.

Rubem Braga. Visita a Jean-Paul Sartre [crônica de 20/11/1950]. In: Retratos parisienses. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013, 2.ª ed., p.115-7
(com adaptações).

Com relação às ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) o item a seguir.

O cronista brasileiro comenta que melhoraria seu estilo literário se escrevesse não apenas no ambiente do filósofo francês, mas também se consultasse os livros de Platão e de Mallarmé que estavam sobre a mesa de Jean-Paul Sartre no momento do encontro.

 

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2466190 Ano: 2013
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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This text refers to question.

It is one of the most pressing questions of our time: what is the relationship between financial and environmental meltdown? Are the two crises the same thing, needing to be dealt with together? Or do we, as even some business leaders suggest, have to fix the environment before we can fix the economy? A slew of books, ebooks, pamphlets and journals are tackling this thorny question.

You might expect a strong “yes” from the greens to fixing the environment ahead of the economy. And in The Environmental Debt: The hidden costs of a changing global economy, long-time Greenpeace activist Amy Larkin does make a cogent argument for this. The high costs of coping with extreme weather, pollution and declining resources are, she says, catching up with capitalism. Our carefree attitude to the “externalities” of wealth generation has run up an environmental debt that is loading unsustainable financial debt on us all.

But environmentalists are not the only ones making the link. In Wall Street and the City, there is similar talk that the worst fears of environmentalists are coming to pass. As shortages of natural resources push up prices, a looming resource crunch is manifested in market meltdown.

Paul Donovan and Julie Hudson, economists for the Swiss bank UBS, agree. They argue that “there is a second credit crunch”, an environmental one. By ransacking global resources and enfeebling ecosystems, the authors say, we are drawing down environmental credit as surely as reckless spending on a credit card draws down financial credit. The two crunches have “a symbiotic relationship”, they argue: “The party has to stop.”

The synergies between financial and environmental crunches may be complex, but at root, many economists argue that reckless consumption, driven by easy credit, helped fuel financial crisis. Environmentalists agree that the same consumer binge drove up environmental debt.
F. Pearce. What do we fix first – environment or economy? Newscientist. July 8th, 2013 (adapted).
Based on the text, judge if the item below are right (C) or wrong (E).

Amy Larkin believes the worldwide scarcity of resources is affecting the world’s economy.
 

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2465959 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Textos para a questão.

Texto I


A civilização deu uma importância extraordinária à escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só pensamos nesse seu aspecto. É preciso não perder de vista, porém, que lhe há ao lado, mais antiga, mais básica, uma expressão oral.

A rigor, a linguagem escrita não passa de um sucedâneo, de um ersatz da fala. Esta é que abrange a comunicação linguística em sua totalidade, pressupondo, além da significação dos vocábulos e das frases, a entoação, os elementos subsidiários da mímica, incluindo-se aí o jogo fisionômico. Por isso, para bem se compreender a natureza e o funcionamento da linguagem humana, é preciso partir da apreciação da linguagem oral e examinar, em seguida, a escrita como uma espécie de linguagem mutilada, cuja eficiência depende da maneira por que conseguimos obviar à falta inevitável de determinados elementos expressivos.

Joaquim Mattoso Câmara Jr. Manual de expressão oral e escrita. 27.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.

Texto II

A palavra falada é imediata, local e geral. Quando falamos, falamos para ser ouvidos imediatamente, com quem está ali ao pé de nós, e de modo a que sejamos facilmente entendidos dele, que sabemos quem é, ou calculamos que sabemos, e que pode ser toda a gente, devendo nós pois falar como se fosse qualquer. A palavra escrita é mediata, longínqua e particular. Quando escrevemos, dirigimo-nos a quem não nos vai ouvir, que é ler, logo; a quem não está ao pé de nós; a quem poderá entender-nos e não a quem tem que entender-nos, tendo nós pois primeiro que o entender a ele.

Em resumo, a palavra falada é um fenômeno social, a escrita um fenômeno cultural; a palavra falada um fenômeno democrático, a escrita um aristocrático. São diferentes em substância: são pois forçosamente diferentes os seus respectivos meios e fins. (…)

Na palavra falada, temos que ser, em absoluto, do nosso tempo e lugar; não podemos falar como Vieira, pois nos arriscamos ou ao ridículo ou à incompreensão. Não podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio.

A palavra escrita, ao contrário, não é para quem a ouve, busca quem a ouça; escolhe quem a entenda, e não se subordina a quem a escolhe.

Fernando Pessoa. A língua portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-7 e 72.

Em relação ao vocabulário empregado nos textos I e II, julgue (C ou E) o próximo item.

No texto II, a relação entre os adjetivos “democrático” (l.6), referindo-se à “palavra falada” (l.6), e “aristocrático” (l.7), relativo à “palavra escrita,” é de antonímia, estando ambos os vocábulos empregados em sentido conotativo.

 

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2465946 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Conta Darcy Ribeiro (1996) que, entre os índios Urubu-Kaapor, a Cobra Grande engolia muita gente e precisou ser morta. “Antes de morrer, teve um sobressalto. Se levantou, subiu e foi bater no céu. Ficou lá a sombra dela. É a Via Láctea, que até hoje a gente vê. Depois, caiu lá de cima, com grande barulho. Veio bater no chão, acabou com a mata toda naquele lugar; só deixou um buraco. Agora é o mar Paraná-Ramiú.” Darcy, com o jeito que lhe era característico, exclama: “Não é uma beleza? Aqui, o sangue de uma Cobra gigantesca deu origem à Via Láctea e ao Avô-Mar!”

Lux Vidal. A Cobra Grande: uma introdução à cosmologia dos povos indígenas do Uaçá e Baixo Oiapoque – Amapá. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 2009, p. 28-30 (com adaptações). , p. 35 (com adaptações).

Julgue (C ou E) o item seguinte, relativo a aspectos gramaticais do texto acima.

A referência do sujeito elíptico da oração ‘É a Via Láctea’ (l.2) é a expressão ‘a sombra dela’ (l.2), que funciona como sujeito da oração ‘Ficou lá a sombra dela’ (l.2).

 

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2465832 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Como estranhar que haja aqui, sobrenadando em toda expressão, um ânimo nacional?... Brasileiro... Brasil...! Por que não no amar, constante, bem explicitamente, dolorosa, ou voluptuosamente, como à essência de mim mesmo, e à vida a que me pego?... Chamem-me latino, ocidental... O que me está na voz percebida e entendida será isto mesmo, pois que só traduz insuficiência de expressão, para uma mentalidade e um tom de sentimento jamais encontrados nas muitas páginas que li e nas gentes estranhas com quem tratei. De fato, procurei nutrir o espírito e ter matéria de pensamento a par do meu século; camadas e camadas se depositaram, assim, sobre a mente primitiva. Mas, quando me vem o momento de pensar pensamento realmente meu e, sobretudo, quando me fala o recôndito sentimento, encontro-me com o nódulo do meu ser, fórmula de mim mesmo, em que me reconheço desde que se me iluminou a consciência: a alma banalmente simples e, por isso, intensa e livre, a mesma em que vivi a vida sincera e estuante de ontem, única — inteira e completa, de quando afrontava a experiência na solidez de perfeita unidade espiritual.

Ora, essa unidade, em que me reconheço, é aquilo mesmo que, na consciência, reflete a singela tradição nacional dos meus dias de infância e de adolescência. (...)

Manoel Bonfim. O Brasil na América. Rio de Janeiro: Topbooks, 1997, 2.ª edição, p. 28-9.

Com relação às ideias desenvolvidas no texto acima, assinale a opção correta.

 

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2465782 Ano: 2013
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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This text refers to question.
Taking a Cue From Bernanke a Little Too Far
Financial advisers have been fielding calls from shaken investors in recent weeks, particularly retirees, who are nervous that a bond market crash is on the horizon.

You can hardly blame them. Investors have been fleeing bonds in droves; a record $ 76.5 billion poured out of bond funds and exchange-traded funds since June. That exceeds the previous record, according to TrimTabs, when $ 41.8 billion streamed out of the funds in October 2008 and the financial crisis was in full force.

But the rush for the exits really means one thing: investors are betting that interest rates are about to begin their upward trajectory, something that’s been expected for several years now.

Their cue came from the Federal Reserve chairman, Ben Bernanke, who recently suggested that the economic recovery might allow the central bank to ease its efforts to stimulate the economy. That includes scaling back its bondbuying program beginning later this year.

So the big fear is that interest rates are poised to rise much further, driving down bond prices; the two move in opposite directions.

A Barclays index tracking a broad swath of investment-grade bonds lost 3.77 percent from the beginning of May through Thursday, according to Morningstar. United States government notes with maturities of 10 years or longer, however, lost an average of 10.8 percent over the same period.

Making a bet on interest rates is no different from trying to predict the next big drop in stocks, or jumping into the market when it appears to be poised to surge higher. These sort of emotional moves are exactly why research shows that investors’ returns tend to trail the broader market.

And it’s also why many financial advisers suggest ignoring the noise, as long as you have a smart assortment of bond funds that will provide stability when stocks inevitably tumble once again.

“It’s a futile game to base portfolio moves on interest rate guesses,” said Milo Benningfield, a financial adviser in San Francisco. “We don’t have to look any further than highly regarded Pimco manager Bill Gross, whose horrible interest rate bet against Treasuries in 2011 landed him in the bottom 15 percent of fund managers in his category that year. Investors should take a strategic approach designed around the reason they hold bonds — and then sit tight whenever hedge funds and other institutions shake the ground around them.”

The main reason longer-term investors hold bonds, of course, is to provide a steadying force. And though today’s lower yields provide less of a cushion — the 10-year Treasury is yielding about 2.5 percent — bonds still remain the best, if imperfect, foil to stocks.

“The role of bonds in a portfolio has always been to be a ballast or a diversifier to equity risk,” said Francis Kinniry, a principal in the Vanguard Investment Strategy Group. “And that is very true today. Yields are low, but this is what a bear market in bonds looks like.”
Internet: <www.nytimes.com> (adapted).
Regarding the text, judge if the item below are right (C) or wrong (E).

In the sentence “United States government notes with maturities of 10 years or longer, however, lost an average of 10.8 percent over the same period.” (l.12-13), the adverb “however” may be moved to the beginning of the sentence without interfering in the meaning.
 

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2465578 Ano: 2013
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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This text refers to question.

The Oxford Learner’s Dictionary defines diplomacy as “(…) the management of relations between countries (…) art of or skill in dealing with people; tact (…)”. Indeed it is the art of convincing others to perceive things your way, or at least to have second thoughts about theirs. It is the combination of logic and science on the one hand with the gift of proper language packaging and presentation necessary to convince others.

The power of language rests on the fact that it contains ideas: and ideas are, according to Plato, more enduring, indeed more permanent than matter. Ideas can be suppressed, or go underground but unlike a statue or any other material things they cannot be shattered. They can only be met and dealt with by other ideas. Historically it is the magic of words that bewitched, enthralled and sometimes intoxicated people and led them to great or mean deeds. The language of diplomacy, often like poetry, has the ability to move people from mood to mood. Whether demagogy or whether giving expression to noble ideologies, theories, or even religious creeds, ordinary language or that of diplomacy has a momentum and an inner driving force that is ageless.
K.S. Abu Jaber, Language and Diplomacy. In: J. Kurbalija; H. Slavi (Eds.) Language and Diplomacy, p. 53. Malta: DiploProjects, 2001.
According to the author,
 

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2465300 Ano: 2013
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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This text refers to question.

It is one of the most pressing questions of our time: what is the relationship between financial and environmental meltdown? Are the two crises the same thing, needing to be dealt with together? Or do we, as even some business leaders suggest, have to fix the environment before we can fix the economy? A slew of books, ebooks, pamphlets and journals are tackling this thorny question.

You might expect a strong “yes” from the greens to fixing the environment ahead of the economy. And in The Environmental Debt: The hidden costs of a changing global economy, long-time Greenpeace activist Amy Larkin does make a cogent argument for this. The high costs of coping with extreme weather, pollution and declining resources are, she says, catching up with capitalism. Our carefree attitude to the “externalities” of wealth generation has run up an environmental debt that is loading unsustainable financial debt on us all.

But environmentalists are not the only ones making the link. In Wall Street and the City, there is similar talk that the worst fears of environmentalists are coming to pass. As shortages of natural resources push up prices, a looming resource crunch is manifested in market meltdown.

Paul Donovan and Julie Hudson, economists for the Swiss bank UBS, agree. They argue that “there is a second credit crunch”, an environmental one. By ransacking global resources and enfeebling ecosystems, the authors say, we are drawing down environmental credit as surely as reckless spending on a credit card draws down financial credit. The two crunches have “a symbiotic relationship”, they argue: “The party has to stop.”

The synergies between financial and environmental crunches may be complex, but at root, many economists argue that reckless consumption, driven by easy credit, helped fuel financial crisis. Environmentalists agree that the same consumer binge drove up environmental debt.
F. Pearce. What do we fix first – environment or economy? Newscientist. July 8th, 2013 (adapted).
The sentence “By ransacking global (…) credit card draws down financial credit” (l.12-13) means that,
 

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2465285 Ano: 2013
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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Visita a Jean-Paul Sartre

Os estudantes do velho Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, do Rio, querem levar uma peça de Sartre, Morts sans Sépulture, sem pagar os direitos. O pedido vem às mãos de Roberto Assumpção, secretário da embaixada, que lida com as coisas culturais. Ele escreve a Sartre e recebe logo a resposta, marcando rendez-vous: meio-dia e meia, no apartamento do escritor. Vou também, como penetra. (...)

Sartre mora na esquina da rue de l’Abbaye, num quarto andar aonde se ascende por uma escada meio escura, em caracol. Esse solteirão de 45 anos vive com sua mãe, e tem um apartamento bem-arranjado. Eu melhoraria de estilo se escrevesse como ele, nesse pequeno escritório cheio de livros, com duas janelas dando para o largo: à esquerda, a torre da igreja, à direita, o Deux Magots. (...)

À primeira vista, o dono da casa lembra Portinari; um Portinari que fosse mais forte e mais rústico. Esse parisiense que deriva da Borgonha e da Alsácia tem alguma coisa de camponês do Norte. É vermelho, tem a pele grosseira e os cabelos cor de palha suja. Os pedaços de costeleta que passam sob os ganchos dos óculos já embranqueceram. É impossível saber se está falando com Roberto Assumpção ou comigo, pois cada olho fixa um de nós, formando um ângulo de 45 graus; mas parece que o esquerdo, que fixa o diplomata, é que está com a razão. (...)

Estava escrevendo quando nos recebeu: explica-me que está acabando seu estudo sobre Jean Genet. Tem em sua frente uma edição de luxo de Notre-Dame-des-Fleurs. Automaticamente reparo nos dois livros que tem sobre a mesa: um é Platão, outro de Mallarmé.

É claro que tem prazer em que os estudantes levem sua peça; faz questão de escrever a eles uma carta, dando licença e agradecendo. Roberto lhe fala sobre o interesse que sua obra desperta no Brasil. Já tem notícia disso, e teve um convite de São Paulo para visitar nosso país. “Este ano foi impossível, mas vou dar um jeito de ir no ano que vem.” Conta que o adido cultural francês em São Paulo lhe prometeu mandar a tradução do ensaio de um escritor brasileiro para publicar na Les Temps Modernes, a sua revista. Não se lembra do nome do escritor.

Faz pergunta sobre nosso país. Diz que tem boa impressão dele pelo que lhe contaram Camus, Barrault e outros amigos. Um povo que tem caráter próprio e muita efervescência cultural. Não tem o ar de dizer gentilezas e parece exprimir uma curiosidade sincera. Digo-lhe que, na linguagem do Rio, “existencialismo” tem um sentido não muito austero e lembra mais Chiquita Bacana do que S⌀ren Kierkegaard. Ri: não é apenas no Brasil, é no mundo; isso começou aqui no quartier e — nota — os adversários fingem levar a sério essa legenda de “imoralismo” da doutrina.

Rubem Braga. Visita a Jean-Paul Sartre [crônica de 20/11/1950]. In: Retratos parisienses. Rio de Janeiro: José Olympio, 2013, 2.ª ed., p.115-7
(com adaptações).

Com relação às ideias desenvolvidas no texto acima, julgue (C ou E) o item a seguir.

Rubem Braga informa que, como Jean-Paul Sartre foi evasivo durante boa parte da conversa, não foi possível saber com que interlocutor ele falava sobre seus trabalhos literários.

 

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2460333 Ano: 2013
Disciplina: Inglês (Língua Inglesa)
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: IRB
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This text refers to question.
Taking a Cue From Bernanke a Little Too Far
Financial advisers have been fielding calls from shaken investors in recent weeks, particularly retirees, who are nervous that a bond market crash is on the horizon.

You can hardly blame them. Investors have been fleeing bonds in droves; a record $ 76.5 billion poured out of bond funds and exchange-traded funds since June. That exceeds the previous record, according to TrimTabs, when $ 41.8 billion streamed out of the funds in October 2008 and the financial crisis was in full force.

But the rush for the exits really means one thing: investors are betting that interest rates are about to begin their upward trajectory, something that’s been expected for several years now.

Their cue came from the Federal Reserve chairman, Ben Bernanke, who recently suggested that the economic recovery might allow the central bank to ease its efforts to stimulate the economy. That includes scaling back its bondbuying program beginning later this year.

So the big fear is that interest rates are poised to rise much further, driving down bond prices; the two move in opposite directions.

A Barclays index tracking a broad swath of investment-grade bonds lost 3.77 percent from the beginning of May through Thursday, according to Morningstar. United States government notes with maturities of 10 years or longer, however, lost an average of 10.8 percent over the same period.

Making a bet on interest rates is no different from trying to predict the next big drop in stocks, or jumping into the market when it appears to be poised to surge higher. These sort of emotional moves are exactly why research shows that investors’ returns tend to trail the broader market.

And it’s also why many financial advisers suggest ignoring the noise, as long as you have a smart assortment of bond funds that will provide stability when stocks inevitably tumble once again.

“It’s a futile game to base portfolio moves on interest rate guesses,” said Milo Benningfield, a financial adviser in San Francisco. “We don’t have to look any further than highly regarded Pimco manager Bill Gross, whose horrible interest rate bet against Treasuries in 2011 landed him in the bottom 15 percent of fund managers in his category that year. Investors should take a strategic approach designed around the reason they hold bonds — and then sit tight whenever hedge funds and other institutions shake the ground around them.”

The main reason longer-term investors hold bonds, of course, is to provide a steadying force. And though today’s lower yields provide less of a cushion — the 10-year Treasury is yielding about 2.5 percent — bonds still remain the best, if imperfect, foil to stocks.

“The role of bonds in a portfolio has always been to be a ballast or a diversifier to equity risk,” said Francis Kinniry, a principal in the Vanguard Investment Strategy Group. “And that is very true today. Yields are low, but this is what a bear market in bonds looks like.”
Internet: <www.nytimes.com> (adapted).
The words “poised” (l.10) and “yields” (l.22 e 25) mean, respectively,
 

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