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Conta Darcy Ribeiro (1996) que, entre os índios Urubu-Kaapor, a Cobra Grande engolia muita gente e precisou ser morta. “Antes de morrer, teve um sobressalto. Se levantou, subiu e foi bater no céu. Ficou lá a sombra dela. É a Via Láctea, que até hoje a gente vê. Depois, caiu lá de cima, com grande barulho. Veio bater no chão, acabou com a mata toda naquele lugar; só deixou um buraco. Agora é o mar Paraná-Ramiú.” Darcy, com o jeito que lhe era característico, exclama: “Não é uma beleza? Aqui, o sangue de uma Cobra gigantesca deu origem à Via Láctea e ao Avô-Mar!”
Lux Vidal. A Cobra Grande: uma introdução à cosmologia dos povos indígenas do Uaçá e Baixo Oiapoque – Amapá. Rio de Janeiro: Museu do Índio, 2009, p. 28-30 (com adaptações). , p. 35 (com adaptações).
Julgue ( C ou E) o item s eguinte, relativo a aspectos gramaticais do texto acima.
Sem alteração de informação, o primeiro período do texto poderia ser reescrito da seguinte forma: Entre os índios Urubu-Kaapor, contou, em 1996, Darcy Ribeiro que a cobra-grande, porque engolia muita gente, morreu.
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You can hardly blame them. Investors have been fleeing bonds in droves; a record $ 76.5 billion poured out of bond funds and exchange-traded funds since June. That exceeds the previous record, according to TrimTabs, when $ 41.8 billion streamed out of the funds in October 2008 and the financial crisis was in full force.
But the rush for the exits really means one thing: investors are betting that interest rates are about to begin their upward trajectory, something that’s been expected for several years now.
Their cue came from the Federal Reserve chairman, Ben Bernanke, who recently suggested that the economic recovery might allow the central bank to ease its efforts to stimulate the economy. That includes scaling back its bondbuying program beginning later this year.
So the big fear is that interest rates are poised to rise much further, driving down bond prices; the two move in opposite directions.
A Barclays index tracking a broad swath of investment-grade bonds lost 3.77 percent from the beginning of May through Thursday, according to Morningstar. United States government notes with maturities of 10 years or longer, however, lost an average of 10.8 percent over the same period.
Making a bet on interest rates is no different from trying to predict the next big drop in stocks, or jumping into the market when it appears to be poised to surge higher. These sort of emotional moves are exactly why research shows that investors’ returns tend to trail the broader market.
And it’s also why many financial advisers suggest ignoring the noise, as long as you have a smart assortment of bond funds that will provide stability when stocks inevitably tumble once again.
“It’s a futile game to base portfolio moves on interest rate guesses,” said Milo Benningfield, a financial adviser in San Francisco. “We don’t have to look any further than highly regarded Pimco manager Bill Gross, whose horrible interest rate bet against Treasuries in 2011 landed him in the bottom 15 percent of fund managers in his category that year. Investors should take a strategic approach designed around the reason they hold bonds — and then sit tight whenever hedge funds and other institutions shake the ground around them.”
The main reason longer-term investors hold bonds, of course, is to provide a steadying force. And though today’s lower yields provide less of a cushion — the 10-year Treasury is yielding about 2.5 percent — bonds still remain the best, if imperfect, foil to stocks.
“The role of bonds in a portfolio has always been to be a ballast or a diversifier to equity risk,” said Francis Kinniry, a principal in the Vanguard Investment Strategy Group. “And that is very true today. Yields are low, but this is what a bear market in bonds looks like.”
According to at least one financial adviser, it’s naïve to correlate bonds with interest rates.
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Cobra Norato
XXVIII
A floresta se avoluma
Movem-se espantalhos monstros
riscando sombras estranhas pelo chão
Árvores encapuzadas soltam fantasmas
com visagens do lá se vai
O luar amacia o mato sonolento
Lá adiante
o silêncio vai marchando com uma banda de música
Floresta ventríloqua brinca de cidade
Movem-se arbustos cúbicos
sob arcadas de samaúma
Palmeiras aneladas se abanam
Jaburus de monóculo namoram estrelas míopes
João Cutuca belisca árvores
Passa lá embaixo a escolta do Rei de Copas
Chegam de longe ruídos anônimos
O mato se acorda
Cipós fazem intrigas no alto dos galhos
Desatam-se em gargalhadinhas
Uma árvore telegrafou para outra:
psi psi psi
Desembarcam vozes de contrabando
Sapos soletram as leis da floresta
Lá em cima
um curió toca flauta
Estira-se o rio
O mato é um acompanhamento
Desfiam-se as distâncias
entre manchas de neblina
― Lá vai indo um navio, compadre!
Jaquirana-boia apita
Uma árvore abana adeus do alto de um galho
XXIX
― Escuta, compadre
O que se vê não é navio É a Cobra Grande
― Mas o casco de prata? As velas embojadas de vento?
Aquilo é a Cobra Grande
Quando começa a lua cheia ela aparece
Vem buscar moça que ainda não conheceu homem
A visagem vai se sumindo
pras bandas de Macapá
Neste silêncio de águas assustadas
parece que ainda ouço um soluço quebrando-se na noite
― Coitadinha da moça
Como será o nome dela?
Se eu pudesse ia assistir o casamento
― Casamento de Cobra Grande chama desgraça, compadre
Só se a gente arranjar mandinga de defunto
Ué! Então vamos
Lobisomem está de festa no cemitério
Raul Bopp. Cobra Norato. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 44-9.
A respeito das relações semântico-sintáticas no poema Cobra Norato, de Raul Bopp, julgue ( C ou E) o item subsequente.
Entre as expressões que compõem o campo semântico associado a floresta assombrada, imagem a que remete a leitura do fragmento apresentado, incluem-se: “espantalhos monstros” (v.2), “sombras estranhas” (v.3), “Árvores encapuzadas” (v.4), “fantasmas” (v.4), “visagens do lá se vai” (v.5), “Floresta ventríloqua” (v.9), “ruídos anônimos” (v.16).
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You can hardly blame them. Investors have been fleeing bonds in droves; a record $ 76.5 billion poured out of bond funds and exchange-traded funds since June. That exceeds the previous record, according to TrimTabs, when $ 41.8 billion streamed out of the funds in October 2008 and the financial crisis was in full force.
But the rush for the exits really means one thing: investors are betting that interest rates are about to begin their upward trajectory, something that’s been expected for several years now.
Their cue came from the Federal Reserve chairman, Ben Bernanke, who recently suggested that the economic recovery might allow the central bank to ease its efforts to stimulate the economy. That includes scaling back its bondbuying program beginning later this year.
So the big fear is that interest rates are poised to rise much further, driving down bond prices; the two move in opposite directions.
A Barclays index tracking a broad swath of investment-grade bonds lost 3.77 percent from the beginning of May through Thursday, according to Morningstar. United States government notes with maturities of 10 years or longer, however, lost an average of 10.8 percent over the same period.
Making a bet on interest rates is no different from trying to predict the next big drop in stocks, or jumping into the market when it appears to be poised to surge higher. These sort of emotional moves are exactly why research shows that investors’ returns tend to trail the broader market.
And it’s also why many financial advisers suggest ignoring the noise, as long as you have a smart assortment of bond funds that will provide stability when stocks inevitably tumble once again.
“It’s a futile game to base portfolio moves on interest rate guesses,” said Milo Benningfield, a financial adviser in San Francisco. “We don’t have to look any further than highly regarded Pimco manager Bill Gross, whose horrible interest rate bet against Treasuries in 2011 landed him in the bottom 15 percent of fund managers in his category that year. Investors should take a strategic approach designed around the reason they hold bonds — and then sit tight whenever hedge funds and other institutions shake the ground around them.”
The main reason longer-term investors hold bonds, of course, is to provide a steadying force. And though today’s lower yields provide less of a cushion — the 10-year Treasury is yielding about 2.5 percent — bonds still remain the best, if imperfect, foil to stocks.
“The role of bonds in a portfolio has always been to be a ballast or a diversifier to equity risk,” said Francis Kinniry, a principal in the Vanguard Investment Strategy Group. “And that is very true today. Yields are low, but this is what a bear market in bonds looks like.”
The word “from” in the excerpt “Making a bet on interest rates is no different from trying to predict the next big drop in stocks, or jumping into the market when it appears to be poised to surge higher.” (l.14-15) may be replaced by the word then with no interference in the grammar correction of the sentence.
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Textos para a questão.
Texto I
A civilização deu uma importância extraordinária à escrita e, muitas vezes, quando nos referimos à linguagem, só pensamos nesse seu aspecto. É preciso não perder de vista, porém, que lhe há ao lado, mais antiga, mais básica, uma expressão oral.
A rigor, a linguagem escrita não passa de um sucedâneo, de um ersatz da fala. Esta é que abrange a comunicação linguística em sua totalidade, pressupondo, além da significação dos vocábulos e das frases, a entoação, os elementos subsidiários da mímica, incluindo-se aí o jogo fisionômico. Por isso, para bem se compreender a natureza e o funcionamento da linguagem humana, é preciso partir da apreciação da linguagem oral e examinar, em seguida, a escrita como uma espécie de linguagem mutilada, cuja eficiência depende da maneira por que conseguimos obviar à falta inevitável de determinados elementos expressivos.
Joaquim Mattoso Câmara Jr. Manual de expressão oral e escrita. 27.ª ed. Petrópolis: Vozes, 2010.
Texto II
A palavra falada é imediata, local e geral. Quando falamos, falamos para ser ouvidos imediatamente, com quem está ali ao pé de nós, e de modo a que sejamos facilmente entendidos dele, que sabemos quem é, ou calculamos que sabemos, e que pode ser toda a gente, devendo nós pois falar como se fosse qualquer. A palavra escrita é mediata, longínqua e particular. Quando escrevemos, dirigimo-nos a quem não nos vai ouvir, que é ler, logo; a quem não está ao pé de nós; a quem poderá entender-nos e não a quem tem que entender-nos, tendo nós pois primeiro que o entender a ele.
Em resumo, a palavra falada é um fenômeno social, a escrita um fenômeno cultural; a palavra falada um fenômeno democrático, a escrita um aristocrático. São diferentes em substância: são pois forçosamente diferentes os seus respectivos meios e fins. (…)
Na palavra falada, temos que ser, em absoluto, do nosso tempo e lugar; não podemos falar como Vieira, pois nos arriscamos ou ao ridículo ou à incompreensão. Não podemos pensar como Descartes, pois nos arriscamos ao tédio alheio.
A palavra escrita, ao contrário, não é para quem a ouve, busca quem a ouça; escolhe quem a entenda, e não se subordina a quem a escolhe.
Fernando Pessoa. A língua portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 1999, p. 56-7 e 72.
No que se refere a aspectos linguísticos dos textos I e II, assinale a opção correta.
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You can hardly blame them. Investors have been fleeing bonds in droves; a record $ 76.5 billion poured out of bond funds and exchange-traded funds since June. That exceeds the previous record, according to TrimTabs, when $ 41.8 billion streamed out of the funds in October 2008 and the financial crisis was in full force.
But the rush for the exits really means one thing: investors are betting that interest rates are about to begin their upward trajectory, something that’s been expected for several years now.
Their cue came from the Federal Reserve chairman, Ben Bernanke, who recently suggested that the economic recovery might allow the central bank to ease its efforts to stimulate the economy. That includes scaling back its bondbuying program beginning later this year.
So the big fear is that interest rates are poised to rise much further, driving down bond prices; the two move in opposite directions.
A Barclays index tracking a broad swath of investment-grade bonds lost 3.77 percent from the beginning of May through Thursday, according to Morningstar. United States government notes with maturities of 10 years or longer, however, lost an average of 10.8 percent over the same period.
Making a bet on interest rates is no different from trying to predict the next big drop in stocks, or jumping into the market when it appears to be poised to surge higher. These sort of emotional moves are exactly why research shows that investors’ returns tend to trail the broader market.
And it’s also why many financial advisers suggest ignoring the noise, as long as you have a smart assortment of bond funds that will provide stability when stocks inevitably tumble once again.
“It’s a futile game to base portfolio moves on interest rate guesses,” said Milo Benningfield, a financial adviser in San Francisco. “We don’t have to look any further than highly regarded Pimco manager Bill Gross, whose horrible interest rate bet against Treasuries in 2011 landed him in the bottom 15 percent of fund managers in his category that year. Investors should take a strategic approach designed around the reason they hold bonds — and then sit tight whenever hedge funds and other institutions shake the ground around them.”
The main reason longer-term investors hold bonds, of course, is to provide a steadying force. And though today’s lower yields provide less of a cushion — the 10-year Treasury is yielding about 2.5 percent — bonds still remain the best, if imperfect, foil to stocks.
“The role of bonds in a portfolio has always been to be a ballast or a diversifier to equity risk,” said Francis Kinniry, a principal in the Vanguard Investment Strategy Group. “And that is very true today. Yields are low, but this is what a bear market in bonds looks like.”
In the sentence “Their cue came from the Federal Reserve chairman, Ben Bernanke, who recently suggested that the economic recovery might allow the central bank to ease its efforts to stimulate the economy.” (l.8-9) the relative pronoun “who” may be replaced by whom in more formal contexts.
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Lendo provas de um poema
Com Rubem Braga, certa vez,
lia em provas Dois Parlamentos.
Na manhã ipanema e verão,
em volta do alto apartamento,
sem que carniça houvesse perto,
sem explicação, todo um elenco
de urubus se pôs a rondar
a cobertura, em voos pensos:
como se farejassem a morte
no texto que estávamos lendo
e se a inodora morte escrita
não fosse esconjuro mas treno
João Cabral de Melo Neto. In: Museu de tudo. Rio de Janeiro: José Olympio, 1975, p. 60 (com adaptações).
O urubu mobilizado
Durante as secas do Sertão, o urubu,
de urubu livre, passa a funcionário.
O urubu não retira, pois prevendo cedo
que lhe mobilizarão a técnica e o tacto,
cala os serviços prestados e diplomas,
que o enquadrariam num melhor salário,
e vai acolitar os empreiteiros da seca,
veterano, mas ainda com zelos de novato:
aviando com eutanásia o morto incerto,
ele, que no civil quer o morto claro.
Embora mobilizado, nesse urubu em ação
reponta logo o perfeito profissional.
No ar compenetrado, curvo e conselheiro,
no todo de guarda-chuva, na unção clerical,
com que age, embora em posto subalterno:
ele, um convicto profissional liberal.
João Cabral de Melo Neto. In: Poesias completas. Rio de Janeiro: Editora Sabiá, 1968, p. 12-3
(com adaptações).
Com relação aos textos acima — poemas de João Cabral de Melo Neto —, julgue (C ou E) o item subsequente.
No primeiro texto, o poeta demonstra apreensão ao perceber “um elenco de urubus” (v.6-7) a circular sobre a cobertura de um prédio e receia que as aves estejam indicando a iminente morte de um dos escritores, como em um presságio.
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Cobra Norato
XXVIII
A floresta se avoluma
Movem-se espantalhos monstros
riscando sombras estranhas pelo chão
Árvores encapuzadas soltam fantasmas
com visagens do lá se vai
O luar amacia o mato sonolento
Lá adiante
o silêncio vai marchando com uma banda de música
Floresta ventríloqua brinca de cidade
Movem-se arbustos cúbicos
sob arcadas de samaúma
Palmeiras aneladas se abanam
Jaburus de monóculo namoram estrelas míopes
João Cutuca belisca árvores
Passa lá embaixo a escolta do Rei de Copas
Chegam de longe ruídos anônimos
O mato se acorda
Cipós fazem intrigas no alto dos galhos
Desatam-se em gargalhadinhas
Uma árvore telegrafou para outra:
psi psi psi
Desembarcam vozes de contrabando
Sapos soletram as leis da floresta
Lá em cima
um curió toca flauta
Estira-se o rio
O mato é um acompanhamento
Desfiam-se as distâncias
entre manchas de neblina
― Lá vai indo um navio, compadre!
Jaquirana-boia apita
Uma árvore abana adeus do alto de um galho
XXIX
― Escuta, compadre
O que se vê não é navio É a Cobra Grande
― Mas o casco de prata? As velas embojadas de vento?
Aquilo é a Cobra Grande
Quando começa a lua cheia ela aparece
Vem buscar moça que ainda não conheceu homem
A visagem vai se sumindo
pras bandas de Macapá
Neste silêncio de águas assustadas
parece que ainda ouço um soluço quebrando-se na noite
― Coitadinha da moça
Como será o nome dela?
Se eu pudesse ia assistir o casamento
― Casamento de Cobra Grande chama desgraça, compadre
Só se a gente arranjar mandinga de defunto
Ué! Então vamos
Lobisomem está de festa no cemitério
Raul Bopp. Cobra Norato. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 44-9.
A respeito das relações semântico-sintáticas no poema Cobra Norato, de Raul Bopp, julgue (C ou E) o item subsequente.
A liberdade do poeta no emprego dos sinais de pontuação é evidenciada, por exemplo, no trecho entre os versos 46 e 49, em que não é marcada a mudança de interlocutor no diálogo apresentado.
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The Oxford Learner’s Dictionary defines diplomacy as “(…) the management of relations between countries (…) art of or skill in dealing with people; tact (…)”. Indeed it is the art of convincing others to perceive things your way, or at least to have second thoughts about theirs. It is the combination of logic and science on the one hand with the gift of proper language packaging and presentation necessary to convince others.
The power of language rests on the fact that it contains ideas: and ideas are, according to Plato, more enduring, indeed more permanent than matter. Ideas can be suppressed, or go underground but unlike a statue or any other material things they cannot be shattered. They can only be met and dealt with by other ideas. Historically it is the magic of words that bewitched, enthralled and sometimes intoxicated people and led them to great or mean deeds. The language of diplomacy, often like poetry, has the ability to move people from mood to mood. Whether demagogy or whether giving expression to noble ideologies, theories, or even religious creeds, ordinary language or that of diplomacy has a momentum and an inner driving force that is ageless.
The pronoun “they” (l.5) refers to “Ideas” (l.5).
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No romance Vidas Secas, é crucial o enfezamento do narrador com palavras que não remetem a coisas e atos verazes. A palavra escrita, por exemplo, sob cujo limiar se exprimem Fabiano e os seus, é, para o sertanejo, causa de angústia e de opressão. É a cifra misteriosa rabiscada na caderneta do patrão, são aquelas letras taxativas que se impõem na hora do acerto de contas com o cabra.
Lembro o que diz Paulo Honório, em São Bernardo, e Luís da Silva, em Angústia, sobre o caráter safado das palavras pedantes e das estreias literárias que se exibem nas vitrinas como as prostitutas de rua. A palavra escrita sofre um processo que lhe movem a economia e a moral da pobreza.
Volto ao narrador. Este olha de cima, da História brasileira já conhecida, o destino do seu vaqueiro: sair de um ciclo, que ao retirante parece apenas natural, e rumar para alguma cidade grande do Sul, onde, faça chuva ou faça sol, precisa-se de mão de obra barata.
O historiador, que está, de algum modo, à frente dos acontecimentos, vê as etapas do processo. O sonho do vaqueiro e as fantasias que ele projeta no seu Eldorado do Sul se dizem, primeiro, no discurso mental de Fabiano e, depois, na interpretação que lhes dá o narrador.
O sonho, decifrado como ilusão, acorda na história meridiana do novo proletariado e revela a sua essência de cativeiro: chegariam a uma terra civilizada, mas ficariam presos nela.
Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crítica literária e ideologia. São Paulo: Ática, 1988, p. 12-13 (com adaptações).
Em relação ao texto acima, assinale a opção correta.
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Caderno Container