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Texto para responder à questão.
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; eu a levaria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se eu fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as histórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em histórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura, vivemos experiências que não foram nossas e, então, elas passam a ser nossas. Lemos a história de um grande amor e experimentamos as alegrias e as dores de um grande amor. Lemos histórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda. Lemos biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
Rubem Alves. Ostra feliz não faz pérola. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008 (com adaptações).
Assinale a alternativa que interpreta adequadamente o texto.
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Texto para responder à questão.
Caro Rubem Braga,
Escrevo-lhe estas mal traçadas linhas para comemorar seu aniversário de 100 anos. Sei que me condenaria por este começo de artigo, pois você lutava contra os lugares-comuns da imprensa. Uma vez me disse que demitiria qualquer redator que usasse “O comboio ficou reduzido a um montão de ferros retorcidos”. Sei que, odiando lugares-comuns, você estaria rindo das homenagens que lhe prestam — velhinho com 100 anos sendo tratado como um ser especial, logo você que sempre quis ser um homem comum, sem lugar claro na vida. Você não tinha nada de ‘especial’, nenhum brilho ostensivo; você não falava muito e tinha a melancolia que lhe dava o posto de observação privilegiado para ver a vida correndo à sua volta ‘aos borbotões, a vida ávida e passageira’ (perdoe-me de novo.).
Vi você vendo o outono chegar a Botafogo dentro de um bonde, vi você vendo as estações do ano voando sobre Ipanema (desculpe as aliterações...), vi que você via a cidade por baixo das casas e edifícios, a praia dos tatuís hoje sumidos, o vento terral soprando nas praças, senti que você tinha uma saudade não sei de quê, uma nostalgia repassava suas crônicas, como em Tom Jobim, em Vinicius, numa época em que a literatura era importante, em que o Rio tinha a placidez baldia de uma paisagem vista de dentro.
Vi você em sua casa, numa festa pequena para amigos onde eu entrei sem ar (quem me levou?). Ali na varanda em frente de Ipanema estavam homens que eu temia — ídolos de minha juventude angustiada. Ali estavam tomando uísque o Vinicius de Moraes, você, Fernando Sabino e minha paixão literária máxima: João Cabral de Mello Neto, o gênio da poesia. Danuza Leão também estava. Todo mundo meio de porre, principalmente o João Cabral, que bebia mal e implicava com o Vinicius numa agridoce provocação, criticando-o por ter abandonado a poesia pela música popular. João Cabral odiava música, que lhe doía na cabeça como um barulho, estragando seu pensamento obsessivo, piorando suas horrendas dores de cabeça. João Cabral sacaneava: “Que negócio de ‘garota de Ipanema’, Vina, você é poeta!”. O Vinicius ficava puto, mas respondia conciliatório: “Para com isso, Joãozinho; deixa isso pra lá!”. O Cabral insistia: “Que tonga da milonga do caburetê que nada...”, a ponto de Danuza ralhar com ele: “Deixa de ser chato, João Cabral!”. Lembra disso, Rubem? Imagine minha emoção de jovem tiete ao assistir àquela briguinha íntima e mixa entre minhas estrelas. A honraria me sufocava.
Que pena que não lhes conheci mais intimamente, pois tinha medo de vocês — não me achava digno. Naquela época (início dos 70), havia tempo e energia para se discutir literatura. Hoje, neste tempo digital e veloz, ou temos o derrame de besteiras nas redes sociais ou porcarias de autoajuda nas listas de best-sellers.
Grande abraço e parabéns pelos 100 anos.
A.J.
Arnaldo Jabor. Internet: <www.estadao.com.br> (com adaptações). Acesso em 15/1/2013.
Considerando o trecho: “Você não tinha nada de ‘especial’, nenhum brilho ostensivo; você não falava muito e tinha a melancolia que lhe dava o posto de observação privilegiado para ver a vida correndo à sua volta ‘aos borbotões, a vida ávida e passageira’ (perdoe-me de novo.)” (linhas de 6 a 7), assinale a alternativa correta.
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Texto para responder à questão.
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; eu a levaria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se eu fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as histórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em histórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura, vivemos experiências que não foram nossas e, então, elas passam a ser nossas. Lemos a história de um grande amor e experimentamos as alegrias e as dores de um grande amor. Lemos histórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda. Lemos biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
Rubem Alves. Ostra feliz não faz pérola. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008 (com adaptações).
Assinale a alternativa que reescreve passagem do texto com preservação do sentido original e da correção gramatical segundo a norma-padrão.
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Texto para responder à questão.
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; eu a levaria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se eu fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as histórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em histórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura, vivemos experiências que não foram nossas e, então, elas passam a ser nossas. Lemos a história de um grande amor e experimentamos as alegrias e as dores de um grande amor. Lemos histórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda. Lemos biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
Rubem Alves. Ostra feliz não faz pérola. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008 (com adaptações).
Assinale a alternativa que interpreta adequadamente a ideia central do texto.
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Texto para responder à questão.
Aquele mito de que “os opostos se atraem” caiu por terra. De acordo com um estudo recente publicado na revista Personality and Social Psychology Bulletin, temos a tendência de procurar alguém parecido com a gente para se relacionar, seja amorosamente, seja por amizade, ou simplesmente para sentar perto em uma sala de reuniões. Procuramos algum traço em comum como, por exemplo, o comprimento do cabelo ou a cor, e até mesmo o uso de óculos.
Isso ocorre, segundo Anne Wilson, psicóloga da Universidade Wilfrid Laurier e coautora do estudo, porque achamos que os indivíduos que têm aparência mais próxima com a nossa também possam ter outras coisas em comum conosco. “As pessoas tendem a pensar que alguém que se parece um pouco mais com elas são mais propensas a pensar como elas. Mas a maioria dessas escolhas não são conscientes”, diz Wilson.
A pesquisadora e seus colegas realizaram quatro experimentos com estudantes universitários em várias situações, como uma sala de aula no primeiro dia de um curso, ambientes em que as pessoas esperavam em sofás e também pesquisas em que todos ficavam sentados ao redor de uma mesa. Em todos os casos, as pessoas sentaram-se perto de alguém com alguma característica semelhante. Para a pesquisadora, isso ajuda a explicar por que parece tão comum achar grupos de indivíduos que são tão parecidos entre si.
Internet: <http://revistagalileu.globo.com> (com adaptações).
Assinale a alternativa que reescreve passagens do texto segundo a norma-padrão.
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Texto para responder à questão.
Aquele mito de que “os opostos se atraem” caiu por terra. De acordo com um estudo recente publicado na revista Personality and Social Psychology Bulletin, temos a tendência de procurar alguém parecido com a gente para se relacionar, seja amorosamente, seja por amizade, ou simplesmente para sentar perto em uma sala de reuniões. Procuramos algum traço em comum como, por exemplo, o comprimento do cabelo ou a cor, e até mesmo o uso de óculos.
Isso ocorre, segundo Anne Wilson, psicóloga da Universidade Wilfrid Laurier e coautora do estudo, porque achamos que os indivíduos que têm aparência mais próxima com a nossa também possam ter outras coisas em comum conosco. “As pessoas tendem a pensar que alguém que se parece um pouco mais com elas são mais propensas a pensar como elas. Mas a maioria dessas escolhas não são conscientes”, diz Wilson.
A pesquisadora e seus colegas realizaram quatro experimentos com estudantes universitários em várias situações, como uma sala de aula no primeiro dia de um curso, ambientes em que as pessoas esperavam em sofás e também pesquisas em que todos ficavam sentados ao redor de uma mesa. Em todos os casos, as pessoas sentaram-se perto de alguém com alguma característica semelhante. Para a pesquisadora, isso ajuda a explicar por que parece tão comum achar grupos de indivíduos que são tão parecidos entre si.
Internet: <http://revistagalileu.globo.com> (com adaptações).
Quanto a pontos gramaticais relacionados ao texto, assinale a alternativa correta.
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Texto para responder à questão.
Caro Rubem Braga,
Escrevo-lhe estas mal traçadas linhas para comemorar seu aniversário de 100 anos. Sei que me condenaria por este começo de artigo, pois você lutava contra os lugares-comuns da imprensa. Uma vez me disse que demitiria qualquer redator que usasse “O comboio ficou reduzido a um montão de ferros retorcidos”. Sei que, odiando lugares-comuns, você estaria rindo das homenagens que lhe prestam — velhinho com 100 anos sendo tratado como um ser especial, logo você que sempre quis ser um homem comum, sem lugar claro na vida. Você não tinha nada de ‘especial’, nenhum brilho ostensivo; você não falava muito e tinha a melancolia que lhe dava o posto de observação privilegiado para ver a vida correndo à sua volta ‘aos borbotões, a vida ávida e passageira’ (perdoe-me de novo.).
Vi você vendo o outono chegar a Botafogo dentro de um bonde, vi você vendo as estações do ano voando sobre Ipanema (desculpe as aliterações...), vi que você via a cidade por baixo das casas e edifícios, a praia dos tatuís hoje sumidos, o vento terral soprando nas praças, senti que você tinha uma saudade não sei de quê, uma nostalgia repassava suas crônicas, como em Tom Jobim, em Vinicius, numa época em que a literatura era importante, em que o Rio tinha a placidez baldia de uma paisagem vista de dentro.
Vi você em sua casa, numa festa pequena para amigos onde eu entrei sem ar (quem me levou?). Ali na varanda em frente de Ipanema estavam homens que eu temia — ídolos de minha juventude angustiada. Ali estavam tomando uísque o Vinicius de Moraes, você, Fernando Sabino e minha paixão literária máxima: João Cabral de Mello Neto, o gênio da poesia. Danuza Leão também estava. Todo mundo meio de porre, principalmente o João Cabral, que bebia mal e implicava com o Vinicius numa agridoce provocação, criticando-o por ter abandonado a poesia pela música popular. João Cabral odiava música, que lhe doía na cabeça como um barulho, estragando seu pensamento obsessivo, piorando suas horrendas dores de cabeça. João Cabral sacaneava: “Que negócio de ‘garota de Ipanema’, Vina, você é poeta!”. O Vinicius ficava puto, mas respondia conciliatório: “Para com isso, Joãozinho; deixa isso pra lá!”. O Cabral insistia: “Que tonga da milonga do caburetê que nada...”, a ponto de Danuza ralhar com ele: “Deixa de ser chato, João Cabral!”. Lembra disso, Rubem? Imagine minha emoção de jovem tiete ao assistir àquela briguinha íntima e mixa entre minhas estrelas. A honraria me sufocava.
Que pena que não lhes conheci mais intimamente, pois tinha medo de vocês — não me achava digno. Naquela época (início dos 70), havia tempo e energia para se discutir literatura. Hoje, neste tempo digital e veloz, ou temos o derrame de besteiras nas redes sociais ou porcarias de autoajuda nas listas de best-sellers.
Grande abraço e parabéns pelos 100 anos.
A.J.
Arnaldo Jabor. Internet: <www.estadao.com.br> (com adaptações). Acesso em 15/1/2013.
É correto afirmar que
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Texto para responder à questão.
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; eu a levaria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se eu fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe contaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as histórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em histórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura, vivemos experiências que não foram nossas e, então, elas passam a ser nossas. Lemos a história de um grande amor e experimentamos as alegrias e as dores de um grande amor. Lemos histórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda. Lemos biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.
Rubem Alves. Ostra feliz não faz pérola. São Paulo: Planeta do Brasil, 2008 (com adaptações).
Assinale a alternativa que apresenta asserção correta quanto ao texto como um todo ou quanto a uma passagem do texto.
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Texto para responder à questão.
Caro Rubem Braga,
Escrevo-lhe estas mal traçadas linhas para comemorar seu aniversário de 100 anos. Sei que me condenaria por este começo de artigo, pois você lutava contra os lugares-comuns da imprensa. Uma vez me disse que demitiria qualquer redator que usasse “O comboio ficou reduzido a um montão de ferros retorcidos”. Sei que, odiando lugares-comuns, você estaria rindo das homenagens que lhe prestam — velhinho com 100 anos sendo tratado como um ser especial, logo você que sempre quis ser um homem comum, sem lugar claro na vida. Você não tinha nada de ‘especial’, nenhum brilho ostensivo; você não falava muito e tinha a melancolia que lhe dava o posto de observação privilegiado para ver a vida correndo à sua volta ‘aos borbotões, a vida ávida e passageira’ (perdoe-me de novo.).
Vi você vendo o outono chegar a Botafogo dentro de um bonde, vi você vendo as estações do ano voando sobre Ipanema (desculpe as aliterações...), vi que você via a cidade por baixo das casas e edifícios, a praia dos tatuís hoje sumidos, o vento terral soprando nas praças, senti que você tinha uma saudade não sei de quê, uma nostalgia repassava suas crônicas, como em Tom Jobim, em Vinicius, numa época em que a literatura era importante, em que o Rio tinha a placidez baldia de uma paisagem vista de dentro.
Vi você em sua casa, numa festa pequena para amigos onde eu entrei sem ar (quem me levou?). Ali na varanda em frente de Ipanema estavam homens que eu temia — ídolos de minha juventude angustiada. Ali estavam tomando uísque o Vinicius de Moraes, você, Fernando Sabino e minha paixão literária máxima: João Cabral de Mello Neto, o gênio da poesia. Danuza Leão também estava. Todo mundo meio de porre, principalmente o João Cabral, que bebia mal e implicava com o Vinicius numa agridoce provocação, criticando-o por ter abandonado a poesia pela música popular. João Cabral odiava música, que lhe doía na cabeça como um barulho, estragando seu pensamento obsessivo, piorando suas horrendas dores de cabeça. João Cabral sacaneava: “Que negócio de ‘garota de Ipanema’, Vina, você é poeta!”. O Vinicius ficava puto, mas respondia conciliatório: “Para com isso, Joãozinho; deixa isso pra lá!”. O Cabral insistia: “Que tonga da milonga do caburetê que nada...”, a ponto de Danuza ralhar com ele: “Deixa de ser chato, João Cabral!”. Lembra disso, Rubem? Imagine minha emoção de jovem tiete ao assistir àquela briguinha íntima e mixa entre minhas estrelas. A honraria me sufocava.
Que pena que não lhes conheci mais intimamente, pois tinha medo de vocês — não me achava digno. Naquela época (início dos 70), havia tempo e energia para se discutir literatura. Hoje, neste tempo digital e veloz, ou temos o derrame de besteiras nas redes sociais ou porcarias de autoajuda nas listas de best-sellers.
Grande abraço e parabéns pelos 100 anos.
A.J.
Arnaldo Jabor. Internet: <www.estadao.com.br> (com adaptações). Acesso em 15/1/2013.
Assinale a alternativa cujo trecho foi registrado inteiramente em linguagem formal.
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De acordo com o PMBOK, o desenvolvimento da estratégia de gerenciamento das partes interessadas pertence ao seguinte grupo de processos:
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