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Sotaques da resistência
A TV e o rádio bem que forçam, o preconceito regional não dá folga, mas a variedade de sotaques no Brasil está longe de correr risco de extinção. Quem garante são os especialistas em linguagem. O falar brasileiro sofre, é verdade, a pressão imposta pelas normas prestigiadas do idioma, de caráter conservador e uniforme. A expansão dos meios de comunicação de massa, sabe-se, atua a favor de uma unidade linguística, com programas de TV (algumas novelas, por exemplo), que suprimem as nuances autênticas dos falantes e compõem “personagens regionais”, com um modo de falar que pretende ser “típico” mas acaba por ser irreal.
Os linguistas avaliam, no entanto, que nem a força da mídia nem o prestígio do padrão idiomático têm sido capazes de conter a diversidade do falar brasileiro. Apesar de reforçar preconceitos e distorcer dialetos regionais, a mídia não chega a produzir uma homogeneidade nos falares nacionais.
Falar uma única língua num território de dimensões continentais faz parte do imaginário de nossa identidade nacional. Mas até que ponto resiste essa unidade linguística brasileira? É certo que o português falado no Norte seja compreendido no Sudeste, mas a diversidade de sotaques mostra que, se falamos o mesmo idioma, nós o falamos diferentemente.
De onde vêm essas diferenças? Historicamente, as variações de pronúncia, entonação e ritmo observadas no Brasil espelham a expansão heterogênea do português desde a colonização do país. Tupi-guarani, iorubá, banto, castelhano, holandês, francês, árabe, italiano, inglês são alguns dos idiomas que influenciaram a variação existente no português daqui. Herdeiros de uma sociedade estratificada, como a portuguesa, teríamos herdado também o juízo de valor sobre a linguagem. Muitas maneiras de falar seriam estigmatizadas ou discriminadas por denunciar procedência social e nível cultural do falante. É assim que, muitas vezes, o falar alheio causa estranhamento ou é considerado “inferior”, “feio”, “pior”.
Na verdade, muita pesquisa precisa ser feita antes que se possa dizer algo de definitivo sobre os diferentes falares do Brasil.
(Isadora Marques. Revista Língua Portuguesa. Junho de 2007, pp. 22-28. Adaptado).
De acordo com o Texto, podemos afirmar que as línguas:
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Sotaques da resistência
A TV e o rádio bem que forçam, o preconceito regional não dá folga, mas a variedade de sotaques no Brasil está longe de correr risco de extinção. Quem garante são os especialistas em linguagem. O falar brasileiro sofre, é verdade, a pressão imposta pelas normas prestigiadas do idioma, de caráter conservador e uniforme. A expansão dos meios de comunicação de massa, sabe-se, atua a favor de uma unidade linguística, com programas de TV (algumas novelas, por exemplo), que suprimem as nuances autênticas dos falantes e compõem “personagens regionais”, com um modo de falar que pretende ser “típico” mas acaba por ser irreal.
Os linguistas avaliam, no entanto, que nem a força da mídia nem o prestígio do padrão idiomático têm sido capazes de conter a diversidade do falar brasileiro. Apesar de reforçar preconceitos e distorcer dialetos regionais, a mídia não chega a produzir uma homogeneidade nos falares nacionais.
Falar uma única língua num território de dimensões continentais faz parte do imaginário de nossa identidade nacional. Mas até que ponto resiste essa unidade linguística brasileira? É certo que o português falado no Norte seja compreendido no Sudeste, mas a diversidade de sotaques mostra que, se falamos o mesmo idioma, nós o falamos diferentemente.
De onde vêm essas diferenças? Historicamente, as variações de pronúncia, entonação e ritmo observadas no Brasil espelham a expansão heterogênea do português desde a colonização do país. Tupi-guarani, iorubá, banto, castelhano, holandês, francês, árabe, italiano, inglês são alguns dos idiomas que influenciaram a variação existente no português daqui. Herdeiros de uma sociedade estratificada, como a portuguesa, teríamos herdado também o juízo de valor sobre a linguagem. Muitas maneiras de falar seriam estigmatizadas ou discriminadas por denunciar procedência social e nível cultural do falante. É assim que, muitas vezes, o falar alheio causa estranhamento ou é considerado “inferior”, “feio”, “pior”.
Na verdade, muita pesquisa precisa ser feita antes que se possa dizer algo de definitivo sobre os diferentes falares do Brasil.
(Isadora Marques. Revista Língua Portuguesa. Junho de 2007, pp. 22-28. Adaptado).
Outro título que confirmaria a totalidade do Texto seria:
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Sotaques da resistência
A TV e o rádio bem que forçam, o preconceito regional não dá folga, mas a variedade de sotaques no Brasil está longe de correr risco de extinção. Quem garante são os especialistas em linguagem. O falar brasileiro sofre, é verdade, a pressão imposta pelas normas prestigiadas do idioma, de caráter conservador e uniforme. A expansão dos meios de comunicação de massa, sabe-se, atua a favor de uma unidade linguística, com programas de TV (algumas novelas, por exemplo), que suprimem as nuances autênticas dos falantes e compõem “personagens regionais”, com um modo de falar que pretende ser “típico” mas acaba por ser irreal.
Os linguistas avaliam, no entanto, que nem a força da mídia nem o prestígio do padrão idiomático têm sido capazes de conter a diversidade do falar brasileiro. Apesar de reforçar preconceitos e distorcer dialetos regionais, a mídia não chega a produzir uma homogeneidade nos falares nacionais.
Falar uma única língua num território de dimensões continentais faz parte do imaginário de nossa identidade nacional. Mas até que ponto resiste essa unidade linguística brasileira? É certo que o português falado no Norte seja compreendido no Sudeste, mas a diversidade de sotaques mostra que, se falamos o mesmo idioma, nós o falamos diferentemente.
De onde vêm essas diferenças? Historicamente, as variações de pronúncia, entonação e ritmo observadas no Brasil espelham a expansão heterogênea do português desde a colonização do país. Tupi-guarani, iorubá, banto, castelhano, holandês, francês, árabe, italiano, inglês são alguns dos idiomas que influenciaram a variação existente no português daqui. Herdeiros de uma sociedade estratificada, como a portuguesa, teríamos herdado também o juízo de valor sobre a linguagem. Muitas maneiras de falar seriam estigmatizadas ou discriminadas por denunciar procedência social e nível cultural do falante. É assim que, muitas vezes, o falar alheio causa estranhamento ou é considerado “inferior”, “feio”, “pior”.
Na verdade, muita pesquisa precisa ser feita antes que se possa dizer algo de definitivo sobre os diferentes falares do Brasil.
(Isadora Marques. Revista Língua Portuguesa. Junho de 2007, pp. 22-28. Adaptado).
O tema desenvolvido no Texto gira em torno da seguinte questão:
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Nordeste: mito e realidade
De modo geral, quase todos os problemas do Nordeste são atribuídos às adversidades climáticas, à ausência ou à escassez das chuvas. É comum ouvirmos dizer que as secas assolam, maltratam os nordestinos. Mas será que é isso mesmo o que acontece? Ou será que é só isso mesmo?
Não se podem negar os graves efeitos sociais e econômicos causados pela seca. Quando ela ocorre, o sertanejo observa, impotente, sua lavoura morrer, seu gado minguar, os pequenos rios secarem, ocasião em que sua “tragédia” é exibida para todo o Brasil e até mesmo para outros países pelos meios de comunicação.
Os poderes públicos, então, se manifestam anunciando, nos mesmos órgãos de imprensa, medidas que serão tomadas para combater a seca, projetos que serão executados a médio e longo prazos e a liberação de verbas que serão destinadas à distribuição de alimentos, água, remédios etc.
A cada nova catástrofe, a cada nova “calamidade pública” esse procedimento se repete. Mas essas medidas não solucionam o problema. Na próxima seca prolongada, tudo será igual ou pior, dependendo da sua intensidade e duração.
Acontece que os fenômenos naturais – que ocorrem independentemente da vontade dos homens – não justificam todo o peso que lhes é atribuído. A seca existe, sim. A pobreza no Nordeste, também. No entanto, não é possível estabelecer uma relação direta entre seca e pobreza.
Os problemas do Nordeste não se resumem à seca, fator tão divulgado e explorado, graças ao interesse de uma minoria preocupada apenas em tirar proveito de uma situação “aparentemente” criada pela natureza.
Para entendermos a problemática da região, é preciso que deixemos de lado as aparências e investiguemos as reais causas que produziram e produzem um Nordeste tão pobre, tão maltratado e com tantas injustiças e desigualdades sociais.
Ao colocarmos a seca como sua causa principal, estaremos deixando de lado as inegáveis vantagens econômicas e políticas que ela traz para alguns setores e estaremos reduzindo à mera fatalidade climática o subdesenvolvimento e a opressão.
A seca apenas acentua uma situação de injustiça historicamente criada.
(Yná Andrighetti. Nordeste: mito e realidade. São Paulo: Moderna, 1998, pp. 7-10. Adaptado.)
Observe: “A cada nova catástrofe, a cada nova ‘calamidade pública’ esse procedimento se repete”. A repetição do segmento sublinhado expressa uma função textual de:
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- ECAGeralDireitos Fundamentais (art. 7º ao 69)Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária (arts. 19 ao 52-D)Disposições Gerais (Art. 19 a 24)
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