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Respondida
No curso de processo falimentar, apurou-se que os administradores da sociedade empresária falida praticaram atos reiterados de gestão temerária, contrários ao interesse social, com assunção de riscos excessivos, ausência de controles internos e
operações que contribuíram decisivamente para o estado de insolvência. Diante disso, o administrador judicial, com a concordância do Ministério Público, requereu a responsabilização pessoal dos administradores pelos prejuízos causados à massa
falida. Considerando a Lei nº 11.101/2005, a disciplina da responsabilidade dos administradores e o entendimento consolidado
do STJ, assinale a alternativa correta.
Respondida
Em processo de falência regularmente decretada de sociedade empresária do ramo industrial, o Ministério Público Estadual,
após a formação do termo legal, requereu a decretação de ineficácia de determinados atos praticados pelo falido nesse período,
bem como a responsabilização civil dos administradores, sob o fundamento de que tais condutas teriam sido praticadas com
abuso de poder, desvio de finalidade e fraude contra credores, em prejuízo da ordem econômica e do interesse público. A defesa
sustentou a ilegitimidade ativa do Ministério Público, afirmando que, após a decretação da falência, sua atuação restringir-se-ia
à condição de custos legis , sem poderes para formulação de pedidos autônomos, especialmente após as alterações promovidas
pela Lei nº 14.112/2020. À luz da Lei nº 11.101/2005, com as alterações introduzidas pela Lei nº 14.112/2020, bem como da
jurisprudência consolidada do STF e do STJ, assinale a alternativa correta.
A
O Ministério Público, no âmbito do processo falimentar, atua exclusivamente como fiscal da ordem jurídica, sendo-lhe
vedada a prática de qualquer ato postulatório próprio, inclusive o requerimento de decretação de ineficácia de atos praticados no termo legal ou a responsabilização de administradores, sob pena de violação ao princípio dispositivo.
B
Embora o Ministério Público detenha legitimidade para requerer a decretação da falência, sua atuação posterior à sentença
falencial limita-se à emissão de pareceres obrigatórios, não lhe sendo conferido poder para provocar o Judiciário quanto à
ineficácia de atos ou à responsabilização de administradores, matérias reservadas ao administrador judicial e aos credores.
C
A atuação postulatória do Ministério Público na falência depende de prévia provocação do administrador judicial, não sendo
admissível iniciativa própria, sob pena de ofensa à paridade de armas entre os sujeitos do processo concursal.
D
A Lei nº 14.112/2020, ao reformar a Lei de Falências, suprimiu a legitimidade do Ministério Público para qualquer atuação
ativa no processo falimentar, restringindo sua intervenção a hipóteses excepcionais expressamente previstas em lei.
E
O Ministério Público possui legitimidade para intervir ativamente no processo falimentar e formular requerimentos destinados à tutela da ordem jurídica, do interesse público e da higidez do procedimento, inclusive para postular a decretação de
ineficácia de atos praticados no termo legal e a responsabilização de administradores, especialmente quando presentes
indícios de fraude, abuso ou violação à lei.
Respondida
Com o advento da Lei nº 14.230/2021, o sistema de responsabilização por atos de improbidade administrativa sofreu profundas alterações, especialmente no que tange ao elemento subjetivo da conduta, ao regime de prescrição e à possibilidade
de celebração de acordos. À luz da tese fixada pelo STF no Tema 1199 de Repercussão Geral, bem como das disposições
vigentes sobre o inquérito civil e o Acordo de Não Persecução Cível (ANPC), assinale a alternativa correta.
A
O Acordo de Não Persecução Cível (ANPC) constitui direito subjetivo do investigado por ato de improbidade administrativa; assim, caso o Ministério Público recuse imotivadamente a propositura do acordo, poderá o Poder Judiciário, provocado
pela defesa, suprir a vontade do órgão ministerial e homologar o ajuste, aplicando analogicamente o art. 28 do CPP para
remessa ao Procurador-Geral apenas em caso de recusa fundamentada na ausência de requisitos objetivos.
B
A norma mais benéfica da Lei nº 14.230/2021, que exige dolo específico para a configuração do ato de improbidade,
aplica-se retroativamente aos processos em curso, mas o ônus da prova se inverte automaticamente em desfavor do réu,
cabendo a este demonstrar, na fase instrutória remanescente, que agiu sem a intenção deliberada de violar a norma, sob
pena de manutenção da condenação com base na presunção de veracidade dos atos administrativos.
C
O novo regime de prescrição intercorrente introduzido pela Lei nº 14.230/2021 aplica-se aos processos em curso ajuizados
antes da vigência da nova lei; contudo, por força da modulação de efeitos realizada pelo STF, o termo inicial (dies a quo ) para
a contagem do prazo prescricional intercorrente é a data da publicação da Lei nº 14.230/2021, vedada a retroatividade para
alcançar períodos de inatividade processual anteriores à inovação legislativa.
D
A instauração do Inquérito Civil para apuração de ato de improbidade administrativa suspende o curso do prazo prescricional pelo prazo máximo de cento e oitenta dias corridos, voltando a correr pelo remanescente caso a ação civil pública
não seja proposta nesse interregno, sendo que a prescrição da sanção de improbidade acarreta, automaticamente, a
prescrição da pretensão de ressarcimento ao erário, conforme entendimento vinculante do STF.
E
A revogação da modalidade culposa do ato de improbidade administrativa pela Lei nº 14.230/2021 caracteriza abolitio criminis (ou abolitio illicit) com eficácia retroativa irrestrita; portanto, a nova norma deve ser aplicada inclusive aos processos
já transitados em julgado em fase de cumprimento de sentença, impondo-se a desconstituição do título executivo judicial
que condenou o agente por ato culposo de dano ao erário.
Respondida
Em relação à legitimidade ad causam , o objeto da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985) e o papel dos entes legitimados no
processo coletivo, assinale a alternativa correta.
A
A Defensoria Pública tem legitimidade para a propositura de ação civil pública, contudo, conforme entendimento do STF,
essa atuação restringe-se exclusivamente à defesa de direitos individuais homogêneos de pessoas comprovadamente
hipossuficientes, não possuindo legitimidade para a tutela de direitos difusos e coletivos em sentido estrito.
B
Caso o Ministério Público não seja o autor da ação civil pública, é obrigatória a sua atuação como fiscal da ordem jurídica
(custos legis ); todavia, se o Promotor de Justiça ajuizar a demanda como parte autora, torna-se desnecessária a designação de outro membro do Ministério Público para atuar como fiscal no mesmo processo.
C
As associações civis possuem legitimidade para propor ação civil pública, desde que constituídas há pelo menos um ano
e que incluam, entre suas finalidades institucionais, a proteção ao patrimônio público e social, ao meio ambiente, ao consumidor, entre outros; entretanto, o requisito da pré-constituição de um ano é absoluto e não admite dispensa judicial, sob
pena de violação ao princípio do juiz natural.
D
É cabível a ação civil pública para veicular pretensões que envolvam tributos, contribuições previdenciárias, o Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) ou outros fundos de natureza institucional cujos beneficiários podem ser individualmente determinados, dado o caráter universal da tutela coletiva.
E
Admite-se o litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União, do Distrito Federal e dos Estados na defesa dos
interesses e direitos de que cuida a Lei da Ação Civil Pública, sendo também permitida a atuação de associações legitimadas
em litisconsórcio com o Ministério Público.
Respondida
No âmbito do microssistema de tutela coletiva, a interação entre as normas da Lei da Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/1985),
o Código de Defesa do Consumidor e a legislação correlata gera debates complexos acerca da competência, da legitimidade
e, sobretudo, da extensão dos efeitos da sentença. Considerando o regramento da competência, a eficácia da coisa julgada
nas ações coletivas, a disciplina do inquérito civil e a prescrição contra a Fazenda Pública, à luz da jurisprudência atualizada
do STF e do STJ, assinale a alternativa correta.
A
O Inquérito Civil, procedimento administrativo de natureza inquisitiva e facultativa, é condição de procedibilidade indispensável para o ajuizamento da Ação Civil Pública pelo Ministério Público; contudo, uma vez instaurado, o seu arquivamento
submete-se, necessariamente, ao crivo de homologação pelo Conselho Superior do Ministério Público (ou órgão colegiado
competente), não podendo o juiz, em caso de discordância quanto ao arquivamento, determinar diligências de ofício sem
a provocação do Parquet .
B
O Compromisso de Ajustamento de Conduta (TAC) constitui título executivo extrajudicial e, segundo a jurisprudência do
STJ, possui caráter liberatório absoluto, de modo que a sua celebração pelo órgão legitimado impede, por ocorrência de
falta de interesse de agir, a propositura de Ação Civil Pública subsequente que tenha o mesmo objeto e vise à tutela dos
mesmos direitos, ainda que o TAC esteja sendo integralmente cumprido.
C
Tratando-se de ação de ressarcimento ao erário fundada em ato de improbidade administrativa, o STF firmou entendimento
de que as ações são imprescritíveis em qualquer modalidade, seja o ato doloso ou culposo, em virtude da supremacia do
interesse público e do mandamento constitucional previsto no art. 37, § 5º, da CF, não se aplicando as regras do Decreto
nº 20.910/1932.
D
Em conformidade com a tese de Repercussão Geral fixada pelo STF (Tema 1075), é inconstitucional a delimitação dos
efeitos da sentença proferida em ação civil pública aos limites da competência territorial do órgão prolator, de modo que a
coisa julgada possui abrangência erga omnes ou ultra partes conforme os limites objetivos e subjetivos do que foi decidido,
e não com base na competência territorial do juízo.
E
A eficácia erga omnes da sentença proferida em ação civil pública é territorialmente limitada à competência do órgão prolator da decisão, conforme a literalidade do art. 16 da Lei nº 7.347/1985, devendo o autor propor a demanda na capital do
Estado ou no Distrito Federal caso deseje obter efeitos de abrangência nacional, sob pena de a decisão beneficiar apenas
os cidadãos da comarca do juízo sentenciante.
Respondida
Assinale a alternativa correta.
A
Conforme o disposto na Lei nº 13.140/2015, pode ser objeto de mediação o conflito que verse sobre direitos disponíveis
ou sobre direitos indisponíveis que admitam transação, devendo, neste último caso, o acordo ser homologado em juízo,
exigida a oitiva do Ministério Público.
B
Na disciplina da Lei nº 9.099/1995, o Ministério Público oficiará perante o Juizado Especial Cível sempre que for parte no
processo pessoa incapaz.
C
De acordo com a Lei nº 8.560/1992 e a jurisprudência consolidada do STJ, em ação de investigação de paternidade, a
recusa do réu em se submeter a exame de código genético (DNA) gerará a presunção juris et de jure de paternidade.
D
Ainda de acordo com a Lei nº 13.140/2015, a Advocacia Pública dos entes federativos poderá instaurar procedimento de
mediação coletiva de conflitos relacionados à prestação de serviços públicos, de cujas negociações deverá, necessariamente, participar o Ministério Público, constituindo o acordo assim obtido título executivo extrajudicial.
E
A Lei nº 13.140/2015, que regula a autocomposição de conflitos em que for parte pessoa jurídica de direito público, estatui
que não se incluem na competência das câmaras de prevenção e resolução administrativa de conflitos as controvérsias
que somente possam ser resolvidas por atos sujeitos a autorização do Poder Legislativo e a resolução de conflitos que
envolvam equilíbrio econômico-financeiro de contratos celebrados pela administração com particulares.
Respondida
Assinale a alternativa correta.
A
De acordo com a Lei de Alimentos (Lei nº 5.478/1968) e o entendimento consolidado do STF, ao credor é permitido comparecer pessoalmente ao juiz, sem a necessidade de assistência de advogado, expondo os fatos e fundamentos que
lastreiam seu pedido de alimentos. Após a audiência inicial da ação de alimentos, entretanto, é indispensável a presença
de profissional habilitado.
B
Na ação de alimentos, é vedada a requisição de informações sobre as declarações de bens e renda que o devedor houver
feito à Receita Federal, sob pena de malferimento ao princípio da inviolabilidade fiscal.
C
De acordo com a redação da Lei nº 1.060/1950, os benefícios da assistência judiciária compreendem todos os atos do
processo até decisão final do litígio, em todas as instâncias, excetuados os recursos aos Tribunais Superiores.
D
Conforme a Lei da Impenhorabilidade do Bem de Família (Lei nº 8.009/1990) e o entendimento consolidado do STJ, é
impenhorável o imóvel residencial do devedor, em que ele resida sozinho ou com sua família. Se esse mesmo imóvel for
locado a terceiros, entretanto, perde em qualquer hipótese a sua característica de impenhorabilidade.
E
A impenhorabilidade do bem de família é oponível em qualquer processo de execução civil, previdenciária, trabalhista ou
de outra natureza, exceto nas execuções fiscais.
Respondida
Assinale a alternativa correta.
A
De acordo com o disposto na Lei nº 12.016/2009, os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser
difusos, coletivos e individuais homogêneos. A sentença que conceder a ordem em mandado de segurança coletivo fará
coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante.
B
O mandado de segurança visa a proteger direito líquido e certo, porém, de acordo com a jurisprudência consolidada do
STF, a controvérsia sobre matéria de direito não impede a sua concessão.
C
O direito de requerer mandado de segurança extinguir-se-á decorridos cento e vinte dias, contados da prática do ato
impugnado.
D
A ação popular pode ser proposta por qualquer cidadão, visando a anular ato que cause prejuízo ao patrimônio público ou
de entidade de que o Estado participe, não sendo possível o seu manejo, porém, contra ato lesivo à moralidade administrativa, quando não se verifique dano ao erário.
E
Se o autor popular desistir da ação, serão publicados editais, ficando assegurado a qualquer cidadão promover
o prosseguimento do feito dentro do prazo de noventa dias, findo o qual, não se habilitando qualquer interessado, deverá,
obrigatoriamente, o membro do Ministério Público assumir a titularidade da ação popular.
Respondida
À luz do CPC, assinale a alternativa correta.
Respondida
Considerando a Política Nacional de Incentivo à Autocomposição no âmbito do Ministério Público e a Política Nacional de
Fomento à Atuação Resolutiva do Ministério Público brasileiro, assinale a alternativa correta.
A
A Política Nacional de Incentivo à Autocomposição afasta a possibilidade de utilização de convenções processuais
pelo Ministério Público, por se tratar de instrumento incompatível com a indisponibilidade dos interesses tutelados pela
Instituição.
B
A Política Nacional de Incentivo à Autocomposição tem por objetivo principal a redução do número de demandas judiciais
ajuizadas pelo Ministério Público, sendo irrelevante, para sua caracterização, a efetividade da solução alcançada ou o
atendimento das expectativas legítimas dos titulares dos direitos envolvidos.
C
A atuação resolutiva do Ministério Público limita-se à esfera extrajudicial, sendo incompatível com a utilização de instrumentos judiciais voltados à efetivação de direitos ou à imposição de sanções decorrentes de ilícitos.
D
A adoção de mecanismos de autocomposição pelo Ministério Público, como negociação, mediação ou conciliação, caracteriza atuação resolutiva ainda que o acordo celebrado não venha a ser implementado, desde que formalmente válido.
E
A atuação resolutiva do Ministério Público pode ocorrer tanto pela via extrajudicial quanto pela judicial, desde que resulte
na efetiva prevenção, solução ou reparação da lesão a direitos ou interesses tutelados, não se caracterizando como resolutiva a atuação que não produza resultados concretos socialmente relevantes.