Foram encontradas 735 questões.
De acordo com a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/90), entende-se por saúde do trabalhador, para fins desta lei, um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho, abrangendo, dentre outras coisas:
Provas
A Lei número 7.498, de 25 de Junho de 1986, dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem, e dá outras providências. Assinale a alternativa que corresponde ao entendimento da definição do Enfermeiro segundo está lei.
Provas
- SUSLei 8.080/1990: Lei Orgânica da SaúdeSistema Único de SaúdeArts. 8º ao 14-B: Organização, Direção e Gestão
Os artigos 196 a 200 da Constituição Federal de 1988 tratam do direito à saúde no Brasil e estabelecem diretrizes para a organização e funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS). Sobre os citados artigos, assinale a alternativa correta.
Provas
Sobre os princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde – SUS, assinale a alternativa correta.
Provas
Texto para as questões de 1 a 15.
AS INSTITUIÇÕES E O PRÊMIO NOBEL
1 Acemoglu, Robinson e Johnson ganharam o Prêmio Nobel de Economia neste ano. Em
2001, eles explicaram o atraso dos países em relação aos países ricos com a tese de que os
países que se atrasaram não foram colônias de povoamento como foram os Estados Unidos
ou a Austrália. Estavam em parte corretos, porque essa foi a tese clássica de Caio Prado
5 Júnior. Não discutirei aqui esse trabalho.
Em 2005, eles "descobriram" que o atraso dos países periféricos em relação aos países
centrais poderia ser explicado pelo fato de suas instituições não terem garantido suficientemente
a propriedade e os contratos e, assim, haverem desestimulado os empresários a investir.
Estavam, neste caso, errados.
10 Afirmar a importância de boas instituições para o desenvolvimento é a mesma coisa que
dizer que a água é importante. É óbvio que as instituições – as normas que organizam a vida
social – são fundamentais.
A questão real não é essa, mas sim se faz sentido usar as instituições para explicar o
atraso em vez de considerar as estruturas sociais, como eles fizeram sem saber no trabalho
15 anterior. Elas nos dizem, no caso do atraso, se o país teve uma colonização de povoamento
ou de exploração mercantil, como nos países latino-americanos.
Nos primeiros, formou-se logo uma classe média e a evolução para o capitalismo foi
quase natural, enquanto nos países periféricos o caráter tradicional da sociedade e a condição
colonial ou dependente se mantiveram por muito tempo; no caso da dependência, até agora.
20 Nos dizem qual foi o peso do escravismo em cada sociedade.
O que os novos nóbeis de Economia – ou a escola novo-institucionalista à qual pertencem
– subestimam é que as instituições são endógenas. Elas dependem das estruturas sociais;
elas mudam conforme mudam essas estruturas.
A partir do livro de 1990 de Douglas North, "Instituições, Mudança Institucional
25 e Desempenho Econômico", o institucionalismo se transformou em uma teoria de
desenvolvimento. Surgiu, não por acaso, em torno de 1980.
Foi nesse momento que os Estados Unidos e os demais países ricos fizeram a "virada
neoliberal" e perceberam que as instituições eram uma forma muito mais cômoda de explicar
o atraso da periferia. Dessa maneira, a nova escola livrava-se não apenas de questões
30 estruturais mais difíceis de mudar, mas também do imperialismo ao qual os países periféricos
foram e continuam sendo submetidos.
A tese novo-institucionalista da propriedade e dos contratos parece verdadeira à primeira
vista, mas realmente não faz sentido.
Tomando-se como referência os primeiros anos do século 19: como seria possível
35 comparar países em que a estrutura social era tradicional e a população em grande parte
indígena ou descendente de escravos com a estrutura social de países como os Estados
Unidos ou a Austrália?
Dar importância às instituições sem considerar as estruturas tornou mais fácil para o
centro neoliberal definir o que os países periféricos deveriam fazer. Bastaria fazer as reformas
40 institucionais – privatizar, desregular, liberalizar – e tudo seria resolvido.
Há ainda a considerar que em países de renda média é comum haver instituições mais
modernas e adequadas do que nos países em desenvolvimento. Nós, por exemplo, temos a
regulamentação dos medicamentos genéricos que poucos países ricos têm. Na Grã-Bretanha,
a obtenção de documentos é mais demorada do que no Brasil. Nos Estados Unidos, o uso de
45 armas de fogo é permitido senão incentivado.
Mudar as instituições é fácil, mudar as estruturas é mais difícil, e o país se livrar do
imperialismo é mais difícil ainda. Muito mais fácil é realizar as reformas neoliberais,
principalmente a completa liberalização comercial e financeira. O centro não quer o
desenvolvimento da periferia; ele não quer que esta produza bens com mão de obra barata
50 para com ele concorrer e quer manter a troca desigual entre manufaturas e commodities.
Sim, as instituições, assim como a água, são importantes. É impossível viver sem elas,
mas assim como por trás da água estão as nascentes, por trás das instituições estão as
estruturas econômicas e sociais.
Luiz Carlos Bresser Pereira.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/11/as-instituicoes-e-o-premio-nobel.shtml. Acesso em: 6 nov. 2024.
Nos Estados Unidos, o uso de armas de fogo é permitido senão incentivado. (L.44-45)
A palavra em destaque no período acima apresenta valor semântico de
Provas
Texto para as questões de 1 a 15.
AS INSTITUIÇÕES E O PRÊMIO NOBEL
1 Acemoglu, Robinson e Johnson ganharam o Prêmio Nobel de Economia neste ano. Em
2001, eles explicaram o atraso dos países em relação aos países ricos com a tese de que os
países que se atrasaram não foram colônias de povoamento como foram os Estados Unidos
ou a Austrália. Estavam em parte corretos, porque essa foi a tese clássica de Caio Prado
5 Júnior. Não discutirei aqui esse trabalho.
Em 2005, eles "descobriram" que o atraso dos países periféricos em relação aos países
centrais poderia ser explicado pelo fato de suas instituições não terem garantido suficientemente
a propriedade e os contratos e, assim, haverem desestimulado os empresários a investir.
Estavam, neste caso, errados.
10 Afirmar a importância de boas instituições para o desenvolvimento é a mesma coisa que
dizer que a água é importante. É óbvio que as instituições – as normas que organizam a vida
social – são fundamentais.
A questão real não é essa, mas sim se faz sentido usar as instituições para explicar o
atraso em vez de considerar as estruturas sociais, como eles fizeram sem saber no trabalho
15 anterior. Elas nos dizem, no caso do atraso, se o país teve uma colonização de povoamento
ou de exploração mercantil, como nos países latino-americanos.
Nos primeiros, formou-se logo uma classe média e a evolução para o capitalismo foi
quase natural, enquanto nos países periféricos o caráter tradicional da sociedade e a condição
colonial ou dependente se mantiveram por muito tempo; no caso da dependência, até agora.
20 Nos dizem qual foi o peso do escravismo em cada sociedade.
O que os novos nóbeis de Economia – ou a escola novo-institucionalista à qual pertencem
– subestimam é que as instituições são endógenas. Elas dependem das estruturas sociais;
elas mudam conforme mudam essas estruturas.
A partir do livro de 1990 de Douglas North, "Instituições, Mudança Institucional
25 e Desempenho Econômico", o institucionalismo se transformou em uma teoria de
desenvolvimento. Surgiu, não por acaso, em torno de 1980.
Foi nesse momento que os Estados Unidos e os demais países ricos fizeram a "virada
neoliberal" e perceberam que as instituições eram uma forma muito mais cômoda de explicar
o atraso da periferia. Dessa maneira, a nova escola livrava-se não apenas de questões
30 estruturais mais difíceis de mudar, mas também do imperialismo ao qual os países periféricos
foram e continuam sendo submetidos.
A tese novo-institucionalista da propriedade e dos contratos parece verdadeira à primeira
vista, mas realmente não faz sentido.
Tomando-se como referência os primeiros anos do século 19: como seria possível
35 comparar países em que a estrutura social era tradicional e a população em grande parte
indígena ou descendente de escravos com a estrutura social de países como os Estados
Unidos ou a Austrália?
Dar importância às instituições sem considerar as estruturas tornou mais fácil para o
centro neoliberal definir o que os países periféricos deveriam fazer. Bastaria fazer as reformas
40 institucionais – privatizar, desregular, liberalizar – e tudo seria resolvido.
Há ainda a considerar que em países de renda média é comum haver instituições mais
modernas e adequadas do que nos países em desenvolvimento. Nós, por exemplo, temos a
regulamentação dos medicamentos genéricos que poucos países ricos têm. Na Grã-Bretanha,
a obtenção de documentos é mais demorada do que no Brasil. Nos Estados Unidos, o uso de
45 armas de fogo é permitido senão incentivado.
Mudar as instituições é fácil, mudar as estruturas é mais difícil, e o país se livrar do
imperialismo é mais difícil ainda. Muito mais fácil é realizar as reformas neoliberais,
principalmente a completa liberalização comercial e financeira. O centro não quer o
desenvolvimento da periferia; ele não quer que esta produza bens com mão de obra barata
50 para com ele concorrer e quer manter a troca desigual entre manufaturas e commodities.
Sim, as instituições, assim como a água, são importantes. É impossível viver sem elas,
mas assim como por trás da água estão as nascentes, por trás das instituições estão as
estruturas econômicas e sociais.
Luiz Carlos Bresser Pereira.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/11/as-instituicoes-e-o-premio-nobel.shtml. Acesso em: 6 nov. 2024.
Dar importância às instituições sem considerar as estruturas tornou mais fácil para o centro neoliberal definir o que os países periféricos deveriam fazer. (L.38-39)
No período acima, há
Provas
- SintaxeTermos Integrantes da OraçãoComplementos VerbaisObjeto Indireto
- SintaxeTermos Acessórios e IndependentesTermos AcessóriosAdjunto Adnominal
- SintaxeTermos Acessórios e IndependentesTermos AcessóriosAdjunto Adverbial
Texto para as questões de 1 a 15.
AS INSTITUIÇÕES E O PRÊMIO NOBEL
1 Acemoglu, Robinson e Johnson ganharam o Prêmio Nobel de Economia neste ano. Em
2001, eles explicaram o atraso dos países em relação aos países ricos com a tese de que os
países que se atrasaram não foram colônias de povoamento como foram os Estados Unidos
ou a Austrália. Estavam em parte corretos, porque essa foi a tese clássica de Caio Prado
5 Júnior. Não discutirei aqui esse trabalho.
Em 2005, eles "descobriram" que o atraso dos países periféricos em relação aos países
centrais poderia ser explicado pelo fato de suas instituições não terem garantido suficientemente
a propriedade e os contratos e, assim, haverem desestimulado os empresários a investir.
Estavam, neste caso, errados.
10 Afirmar a importância de boas instituições para o desenvolvimento é a mesma coisa que
dizer que a água é importante. É óbvio que as instituições – as normas que organizam a vida
social – são fundamentais.
A questão real não é essa, mas sim se faz sentido usar as instituições para explicar o
atraso em vez de considerar as estruturas sociais, como eles fizeram sem saber no trabalho
15 anterior. Elas nos dizem, no caso do atraso, se o país teve uma colonização de povoamento
ou de exploração mercantil, como nos países latino-americanos.
Nos primeiros, formou-se logo uma classe média e a evolução para o capitalismo foi
quase natural, enquanto nos países periféricos o caráter tradicional da sociedade e a condição
colonial ou dependente se mantiveram por muito tempo; no caso da dependência, até agora.
20 Nos dizem qual foi o peso do escravismo em cada sociedade.
O que os novos nóbeis de Economia – ou a escola novo-institucionalista à qual pertencem
– subestimam é que as instituições são endógenas. Elas dependem das estruturas sociais;
elas mudam conforme mudam essas estruturas.
A partir do livro de 1990 de Douglas North, "Instituições, Mudança Institucional
25 e Desempenho Econômico", o institucionalismo se transformou em uma teoria de
desenvolvimento. Surgiu, não por acaso, em torno de 1980.
Foi nesse momento que os Estados Unidos e os demais países ricos fizeram a "virada
neoliberal" e perceberam que as instituições eram uma forma muito mais cômoda de explicar
o atraso da periferia. Dessa maneira, a nova escola livrava-se não apenas de questões
30 estruturais mais difíceis de mudar, mas também do imperialismo ao qual os países periféricos
foram e continuam sendo submetidos.
A tese novo-institucionalista da propriedade e dos contratos parece verdadeira à primeira
vista, mas realmente não faz sentido.
Tomando-se como referência os primeiros anos do século 19: como seria possível
35 comparar países em que a estrutura social era tradicional e a população em grande parte
indígena ou descendente de escravos com a estrutura social de países como os Estados
Unidos ou a Austrália?
Dar importância às instituições sem considerar as estruturas tornou mais fácil para o
centro neoliberal definir o que os países periféricos deveriam fazer. Bastaria fazer as reformas
40 institucionais – privatizar, desregular, liberalizar – e tudo seria resolvido.
Há ainda a considerar que em países de renda média é comum haver instituições mais
modernas e adequadas do que nos países em desenvolvimento. Nós, por exemplo, temos a
regulamentação dos medicamentos genéricos que poucos países ricos têm. Na Grã-Bretanha,
a obtenção de documentos é mais demorada do que no Brasil. Nos Estados Unidos, o uso de
45 armas de fogo é permitido senão incentivado.
Mudar as instituições é fácil, mudar as estruturas é mais difícil, e o país se livrar do
imperialismo é mais difícil ainda. Muito mais fácil é realizar as reformas neoliberais,
principalmente a completa liberalização comercial e financeira. O centro não quer o
desenvolvimento da periferia; ele não quer que esta produza bens com mão de obra barata
50 para com ele concorrer e quer manter a troca desigual entre manufaturas e commodities.
Sim, as instituições, assim como a água, são importantes. É impossível viver sem elas,
mas assim como por trás da água estão as nascentes, por trás das instituições estão as
estruturas econômicas e sociais.
Luiz Carlos Bresser Pereira.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/11/as-instituicoes-e-o-premio-nobel.shtml. Acesso em: 6 nov. 2024.
O centro não quer o desenvolvimento da periferia; ele não quer que esta produza bens com mão de obra barata para com ele concorrer e quer manter a troca desigual entre manufaturas e commodities. (L.48-50)
O termo grifado no período acima desempenha função sintática de
Provas
Texto para as questões de 1 a 15.
AS INSTITUIÇÕES E O PRÊMIO NOBEL
1 Acemoglu, Robinson e Johnson ganharam o Prêmio Nobel de Economia neste ano. Em
2001, eles explicaram o atraso dos países em relação aos países ricos com a tese de que os
países que se atrasaram não foram colônias de povoamento como foram os Estados Unidos
ou a Austrália. Estavam em parte corretos, porque essa foi a tese clássica de Caio Prado
5 Júnior. Não discutirei aqui esse trabalho.
Em 2005, eles "descobriram" que o atraso dos países periféricos em relação aos países
centrais poderia ser explicado pelo fato de suas instituições não terem garantido suficientemente
a propriedade e os contratos e, assim, haverem desestimulado os empresários a investir.
Estavam, neste caso, errados.
10 Afirmar a importância de boas instituições para o desenvolvimento é a mesma coisa que
dizer que a água é importante. É óbvio que as instituições – as normas que organizam a vida
social – são fundamentais.
A questão real não é essa, mas sim se faz sentido usar as instituições para explicar o
atraso em vez de considerar as estruturas sociais, como eles fizeram sem saber no trabalho
15 anterior. Elas nos dizem, no caso do atraso, se o país teve uma colonização de povoamento
ou de exploração mercantil, como nos países latino-americanos.
Nos primeiros, formou-se logo uma classe média e a evolução para o capitalismo foi
quase natural, enquanto nos países periféricos o caráter tradicional da sociedade e a condição
colonial ou dependente se mantiveram por muito tempo; no caso da dependência, até agora.
20 Nos dizem qual foi o peso do escravismo em cada sociedade.
O que os novos nóbeis de Economia – ou a escola novo-institucionalista à qual pertencem
– subestimam é que as instituições são endógenas. Elas dependem das estruturas sociais;
elas mudam conforme mudam essas estruturas.
A partir do livro de 1990 de Douglas North, "Instituições, Mudança Institucional
25 e Desempenho Econômico", o institucionalismo se transformou em uma teoria de
desenvolvimento. Surgiu, não por acaso, em torno de 1980.
Foi nesse momento que os Estados Unidos e os demais países ricos fizeram a "virada
neoliberal" e perceberam que as instituições eram uma forma muito mais cômoda de explicar
o atraso da periferia. Dessa maneira, a nova escola livrava-se não apenas de questões
30 estruturais mais difíceis de mudar, mas também do imperialismo ao qual os países periféricos
foram e continuam sendo submetidos.
A tese novo-institucionalista da propriedade e dos contratos parece verdadeira à primeira
vista, mas realmente não faz sentido.
Tomando-se como referência os primeiros anos do século 19: como seria possível
35 comparar países em que a estrutura social era tradicional e a população em grande parte
indígena ou descendente de escravos com a estrutura social de países como os Estados
Unidos ou a Austrália?
Dar importância às instituições sem considerar as estruturas tornou mais fácil para o
centro neoliberal definir o que os países periféricos deveriam fazer. Bastaria fazer as reformas
40 institucionais – privatizar, desregular, liberalizar – e tudo seria resolvido.
Há ainda a considerar que em países de renda média é comum haver instituições mais
modernas e adequadas do que nos países em desenvolvimento. Nós, por exemplo, temos a
regulamentação dos medicamentos genéricos que poucos países ricos têm. Na Grã-Bretanha,
a obtenção de documentos é mais demorada do que no Brasil. Nos Estados Unidos, o uso de
45 armas de fogo é permitido senão incentivado.
Mudar as instituições é fácil, mudar as estruturas é mais difícil, e o país se livrar do
imperialismo é mais difícil ainda. Muito mais fácil é realizar as reformas neoliberais,
principalmente a completa liberalização comercial e financeira. O centro não quer o
desenvolvimento da periferia; ele não quer que esta produza bens com mão de obra barata
50 para com ele concorrer e quer manter a troca desigual entre manufaturas e commodities.
Sim, as instituições, assim como a água, são importantes. É impossível viver sem elas,
mas assim como por trás da água estão as nascentes, por trás das instituições estão as
estruturas econômicas e sociais.
Luiz Carlos Bresser Pereira.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/11/as-instituicoes-e-o-premio-nobel.shtml. Acesso em: 6 nov. 2024.
Elas nos dizem, no caso do atraso, se o país teve uma colonização de povoamento ou de exploração mercantil, como nos países latino-americanos. (L.15-16)
O termo em destaque no período acima se classifica como
Provas
Texto para as questões de 1 a 15.
AS INSTITUIÇÕES E O PRÊMIO NOBEL
1 Acemoglu, Robinson e Johnson ganharam o Prêmio Nobel de Economia neste ano. Em
2001, eles explicaram o atraso dos países em relação aos países ricos com a tese de que os
países que se atrasaram não foram colônias de povoamento como foram os Estados Unidos
ou a Austrália. Estavam em parte corretos, porque essa foi a tese clássica de Caio Prado
5 Júnior. Não discutirei aqui esse trabalho.
Em 2005, eles "descobriram" que o atraso dos países periféricos em relação aos países
centrais poderia ser explicado pelo fato de suas instituições não terem garantido suficientemente
a propriedade e os contratos e, assim, haverem desestimulado os empresários a investir.
Estavam, neste caso, errados.
10 Afirmar a importância de boas instituições para o desenvolvimento é a mesma coisa que
dizer que a água é importante. É óbvio que as instituições – as normas que organizam a vida
social – são fundamentais.
A questão real não é essa, mas sim se faz sentido usar as instituições para explicar o
atraso em vez de considerar as estruturas sociais, como eles fizeram sem saber no trabalho
15 anterior. Elas nos dizem, no caso do atraso, se o país teve uma colonização de povoamento
ou de exploração mercantil, como nos países latino-americanos.
Nos primeiros, formou-se logo uma classe média e a evolução para o capitalismo foi
quase natural, enquanto nos países periféricos o caráter tradicional da sociedade e a condição
colonial ou dependente se mantiveram por muito tempo; no caso da dependência, até agora.
20 Nos dizem qual foi o peso do escravismo em cada sociedade.
O que os novos nóbeis de Economia – ou a escola novo-institucionalista à qual pertencem
– subestimam é que as instituições são endógenas. Elas dependem das estruturas sociais;
elas mudam conforme mudam essas estruturas.
A partir do livro de 1990 de Douglas North, "Instituições, Mudança Institucional
25 e Desempenho Econômico", o institucionalismo se transformou em uma teoria de
desenvolvimento. Surgiu, não por acaso, em torno de 1980.
Foi nesse momento que os Estados Unidos e os demais países ricos fizeram a "virada
neoliberal" e perceberam que as instituições eram uma forma muito mais cômoda de explicar
o atraso da periferia. Dessa maneira, a nova escola livrava-se não apenas de questões
30 estruturais mais difíceis de mudar, mas também do imperialismo ao qual os países periféricos
foram e continuam sendo submetidos.
A tese novo-institucionalista da propriedade e dos contratos parece verdadeira à primeira
vista, mas realmente não faz sentido.
Tomando-se como referência os primeiros anos do século 19: como seria possível
35 comparar países em que a estrutura social era tradicional e a população em grande parte
indígena ou descendente de escravos com a estrutura social de países como os Estados
Unidos ou a Austrália?
Dar importância às instituições sem considerar as estruturas tornou mais fácil para o
centro neoliberal definir o que os países periféricos deveriam fazer. Bastaria fazer as reformas
40 institucionais – privatizar, desregular, liberalizar – e tudo seria resolvido.
Há ainda a considerar que em países de renda média é comum haver instituições mais
modernas e adequadas do que nos países em desenvolvimento. Nós, por exemplo, temos a
regulamentação dos medicamentos genéricos que poucos países ricos têm. Na Grã-Bretanha,
a obtenção de documentos é mais demorada do que no Brasil. Nos Estados Unidos, o uso de
45 armas de fogo é permitido senão incentivado.
Mudar as instituições é fácil, mudar as estruturas é mais difícil, e o país se livrar do
imperialismo é mais difícil ainda. Muito mais fácil é realizar as reformas neoliberais,
principalmente a completa liberalização comercial e financeira. O centro não quer o
desenvolvimento da periferia; ele não quer que esta produza bens com mão de obra barata
50 para com ele concorrer e quer manter a troca desigual entre manufaturas e commodities.
Sim, as instituições, assim como a água, são importantes. É impossível viver sem elas,
mas assim como por trás da água estão as nascentes, por trás das instituições estão as
estruturas econômicas e sociais.
Luiz Carlos Bresser Pereira.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/11/as-instituicoes-e-o-premio-nobel.shtml. Acesso em: 6 nov. 2024.
Seguindo a lógica textual do último parágrafo, é correto inferir que, na analogia estabelecida entre os elementos, a relação em cada par é de
Provas
Texto para as questões de 1 a 15.
AS INSTITUIÇÕES E O PRÊMIO NOBEL
1 Acemoglu, Robinson e Johnson ganharam o Prêmio Nobel de Economia neste ano. Em
2001, eles explicaram o atraso dos países em relação aos países ricos com a tese de que os
países que se atrasaram não foram colônias de povoamento como foram os Estados Unidos
ou a Austrália. Estavam em parte corretos, porque essa foi a tese clássica de Caio Prado
5 Júnior. Não discutirei aqui esse trabalho.
Em 2005, eles "descobriram" que o atraso dos países periféricos em relação aos países
centrais poderia ser explicado pelo fato de suas instituições não terem garantido suficientemente
a propriedade e os contratos e, assim, haverem desestimulado os empresários a investir.
Estavam, neste caso, errados.
10 Afirmar a importância de boas instituições para o desenvolvimento é a mesma coisa que
dizer que a água é importante. É óbvio que as instituições – as normas que organizam a vida
social – são fundamentais.
A questão real não é essa, mas sim se faz sentido usar as instituições para explicar o
atraso em vez de considerar as estruturas sociais, como eles fizeram sem saber no trabalho
15 anterior. Elas nos dizem, no caso do atraso, se o país teve uma colonização de povoamento
ou de exploração mercantil, como nos países latino-americanos.
Nos primeiros, formou-se logo uma classe média e a evolução para o capitalismo foi
quase natural, enquanto nos países periféricos o caráter tradicional da sociedade e a condição
colonial ou dependente se mantiveram por muito tempo; no caso da dependência, até agora.
20 Nos dizem qual foi o peso do escravismo em cada sociedade.
O que os novos nóbeis de Economia – ou a escola novo-institucionalista à qual pertencem
– subestimam é que as instituições são endógenas. Elas dependem das estruturas sociais;
elas mudam conforme mudam essas estruturas.
A partir do livro de 1990 de Douglas North, "Instituições, Mudança Institucional
25 e Desempenho Econômico", o institucionalismo se transformou em uma teoria de
desenvolvimento. Surgiu, não por acaso, em torno de 1980.
Foi nesse momento que os Estados Unidos e os demais países ricos fizeram a "virada
neoliberal" e perceberam que as instituições eram uma forma muito mais cômoda de explicar
o atraso da periferia. Dessa maneira, a nova escola livrava-se não apenas de questões
30 estruturais mais difíceis de mudar, mas também do imperialismo ao qual os países periféricos
foram e continuam sendo submetidos.
A tese novo-institucionalista da propriedade e dos contratos parece verdadeira à primeira
vista, mas realmente não faz sentido.
Tomando-se como referência os primeiros anos do século 19: como seria possível
35 comparar países em que a estrutura social era tradicional e a população em grande parte
indígena ou descendente de escravos com a estrutura social de países como os Estados
Unidos ou a Austrália?
Dar importância às instituições sem considerar as estruturas tornou mais fácil para o
centro neoliberal definir o que os países periféricos deveriam fazer. Bastaria fazer as reformas
40 institucionais – privatizar, desregular, liberalizar – e tudo seria resolvido.
Há ainda a considerar que em países de renda média é comum haver instituições mais
modernas e adequadas do que nos países em desenvolvimento. Nós, por exemplo, temos a
regulamentação dos medicamentos genéricos que poucos países ricos têm. Na Grã-Bretanha,
a obtenção de documentos é mais demorada do que no Brasil. Nos Estados Unidos, o uso de
45 armas de fogo é permitido senão incentivado.
Mudar as instituições é fácil, mudar as estruturas é mais difícil, e o país se livrar do
imperialismo é mais difícil ainda. Muito mais fácil é realizar as reformas neoliberais,
principalmente a completa liberalização comercial e financeira. O centro não quer o
desenvolvimento da periferia; ele não quer que esta produza bens com mão de obra barata
50 para com ele concorrer e quer manter a troca desigual entre manufaturas e commodities.
Sim, as instituições, assim como a água, são importantes. É impossível viver sem elas,
mas assim como por trás da água estão as nascentes, por trás das instituições estão as
estruturas econômicas e sociais.
Luiz Carlos Bresser Pereira.
Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2024/11/as-instituicoes-e-o-premio-nobel.shtml. Acesso em: 6 nov. 2024.
Assinale a alternativa em que a palavra indicada apresente papel adjetivo.
Provas
Caderno Container