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Texto II
Estirou as pernas, encostou as carnes doídas ao muro. Se lhe tivessem dado tempo, ele teria explicado tudo direitinho. Mas pegado de surpresa, embatucara. Quem não ficaria azuretado com semelhante despropósito? Não queria capacitar-se de que a malvadez tivesse sido para ele. Havia engano, provavelmente o amarelo o confundira com outro. Não era senão isso.
Então por que um sem-vergonha desodeiro se arrelia, bota-se um cabra na cadeia, dá-se pancada nele? Sabia perfeitamente que era assim, acostumara-se a todas as violências, a todas as injustiças. E aos conhecidos que dormiram no tronco e aguentavam cipó de boi oferecia consolações: — "Tenha paciência. Apanhar do governo não é desfeita."
Mas agora rangia os dentes, soprava. Merecia castigo?
— An!
E, por mais que forcejasse, não se convencia de que o soldado amarelo fosse governo. Governo coisa distante e perfeita, não podia errar. O soldado amarelo estava ali perto, além da grade, era fraco e ruim, jogava na esteira com os matutos e provocava-os depois. O governo não devia consentir tão grande safadeza.
Afinal, para que serviam os soldados amarelos? Deu um pontapé na parede, gritou enfurecido. Para que serviam os soldados amarelos? Os outros presos remexeram-se, o carcereiro chegou à grade, e Fabiano acalmou-se:
— Bem, bem. Não há nada não.
Havia muitas coisas. Ele não podia explicá-las, mas havia. Fossem perguntar a seu Tomás da bolandeira, que lia livros e sabia onde tinha as ventas. Seu Tomás da bolandeira contaria aquela história. Ele, Fabiano, um bruto não contava nada. Só queria voltar junto de sinhá Vitória, deitar-se na cama de varas. Por que vinham bulir com um homem que só queria descansar? Deviam bulir com os outros.
— An!
Estava tudo errado.
Graciliano Ramos. Vidas Secas. Rio de janeiro. Record 2005,
"Se lhe tivessem dado tempo, ele teria explicado tudo direitinho"
Com relação à frase acima, assinale a alternativa incorreta.
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Texto III
Nas últimas décadas, a proliferação de enclaves fortificados vem criando um novo modelo de segregação espacial e transformando a qualidade da vida pública em muitas cidades ao redor do mundo. Enclaves fortificados são espaços, privatizados, fechados e monitorados para residência, consumo, lazer ou trabalho. Esses espaços encontram no medo da violência uma de suas principais justificativas e vêm atraindo cada vez mais aqueles que preferem abandonar a tradicional esfera pública das ruas para os pobres, os "marginais" e os sem-teto. Enclaves fortificados geram cidades fragmentadas em que é difícil manter os princípios básicos de livre circulação e aberta dos espaços públicos que serviram de fundamento para a estruturação das cidades modernas, (...)
A segregação urbana contemporânea é complementar à questão da violência urbana. Por um lado, o medo do crime é usado para legitimar medidas progressivas de segurança e vigilância. Por outro lado, a produção cada vez mais intensa de falsas a respeito do crime passa a ser o contexto no qual os habitantes geram e fazem circular estereótipos, classificando diferentes grupos sociais como perigosos e, portanto, como grupos a serem temidos e evitados. As falas cotidianas a respeito do crime funcionam na base de elaborações acerca do bem e do mal, e ao alinhas os grupos sociais a um ou outro desses pólos simbolicamente irreconciliáveis, criam diferenças rígidas entre esses grupos, além de fazer aumentar o temor daqueles colocados no lado do mal. Essas falas contribuem para a construção de separações inflexíveis que são, nesse sentido, análogas aos muros que se multiplicam na cidade. Impõem fronteiras rígidas. Assim, uma das consequências de morar em cidades segregadas por enclaves e marcadas pelo medo do crime é que, ao mesmo tempo que diminui o contato entre pessoas de grupos diferentes, as diferenças sociais são percebidas com maior frigidez e a proximidade de estranhos é vista como perigosa. Em cidades de muros e medos, as desigualdades e as distâncias sociais são produzidas e reforçadas a cada passo.
Teresa Pires do Rio Caldeira. Enclaves fortificados: a nova segregação urbana. In: Novos Estudos Cebrap, mar/1997 (com
Quanto ás normas de regência e concordância, assinale a alternativa que contém a frase inteiramente correta.
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Texto III
Nas últimas décadas, a proliferação de enclaves fortificados vem criando um novo modelo de segregação espacial e transformando a qualidade da vida pública em muitas cidades ao redor do mundo. Enclaves fortificados são espaços, privatizados, fechados e monitorados para residência, consumo, lazer ou trabalho. Esses espaços encontram no medo da violência uma de suas principais justificativas e vêm atraindo cada vez mais aqueles que preferem abandonar a tradicional esfera pública das ruas para os pobres, os "marginais" e os sem-teto. Enclaves fortificados geram cidades fragmentadas em que é difícil manter os princípios básicos de livre circulação e aberta dos espaços públicos que serviram de fundamento para a estruturação das cidades modernas, (...)
A segregação urbana contemporânea é complementar à questão da violência urbana. Por um lado, o medo do crime é usado para legitimar medidas progressivas de segurança e vigilância. Por outro lado, a produção cada vez mais intensa de falsas a respeito do crime passa a ser o contexto no qual os habitantes geram e fazem circular estereótipos, classificando diferentes grupos sociais como perigosos e, portanto, como grupos a serem temidos e evitados. As falas cotidianas a respeito do crime funcionam na base de elaborações acerca do bem e do mal, e ao alinhas os grupos sociais a um ou outro desses pólos simbolicamente irreconciliáveis, criam diferenças rígidas entre esses grupos, além de fazer aumentar o temor daqueles colocados no lado do mal. Essas falas contribuem para a construção de separações inflexíveis que são, nesse sentido, análogas aos muros que se multiplicam na cidade. Impõem fronteiras rígidas. Assim, uma das consequências de morar em cidades segregadas por enclaves e marcadas pelo medo do crime é que, ao mesmo tempo que diminui o contato entre pessoas de grupos diferentes, as diferenças sociais são percebidas com maior frigidez e a proximidade de estranhos é vista como perigosa. Em cidades de muros e medos, as desigualdades e as distâncias sociais são produzidas e reforçadas a cada passo.
Teresa Pires do Rio Caldeira. Enclaves fortificados: a nova segregação urbana. In: Novos Estudos Cebrap, mar/1997 (com adaptações).
Assinale a alternativa incorreta acerca das idéias apresentadas no texto III.
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No lugar da sujeira visual, ocasionada em grande parte por pichações e cartazes de propagandas, entrarão em cena nas paradas de ônibus de Sobradinho II a mistura dos tons quentes e os temas recorrentes do grafite. Isso graças a mutirão realizado por cerca de 15 jovens da cidade, organizado para revitalizar os pontos e transformá-los em painéis de arte. A iniciativa é do Grupo Cultural Azulim, com a ajuda da administração Regional de Sobradinho II.
Fundado em 1994, o grupo Azulim desenvolve o Programa Jovem de Expressão, que oferece a que tem de 18 a 24 anos oficinas gratuitas de dança de rua, capoeira e grafite. "Queremos fortalecer o grafite como uma expressão artística. Desmitificar para a sociedade que não praticamos crime", ressalta um dos coordenados do grupo, Vinícius Rodrigues, 23 anos.
Todas as paradas de ônibus da cidade, num total de 14, serão pintadas, cada uma com o próprio tema: paz, liberdade, vida, sonho, dentre outros, informa Rodrigues. "Damos os temas a eles, que criam suas próprias mensagens", acrescenta o coordenador, que é responsável pela oficina de grafite há nove anos. "Temos que valorizar essa forma de arte e trazer para o nosso lado os pichadores", revela.
O papel da administração é de entregar aos artistas as paradas lavadas e todo o material necessário para a realização das obras de arte.
O mais importante para o grupo é transmitir a ideia de conscientização para a comunidade da cidade. Do total de paradas, já foram pintadas duas. "O retorno da população tem sido super positivo, tem agradecido muito a gente por isso. Outro ponto importante é que os jovens, muito deles ex-pinchadores, também estão impactados. Estão se sentindo parte da história da cidade", completa Rodrigues.
Em 1994, Sobradinho II não passava de um assentamento sem infra-estrutura, onde os jovens não tinham nada para fazer, além de jogar conversa fora. O presidente do grupo, Iranildo Gonçalves Moreira, então com 19 anos, trabalhava, mas, nas horas vagas, juntava-se ao grupo de amigos. Quase todos negros, eram chamados pelo apelido de "Azulim", em referência à sua cor.
Naquele ano, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) começou a cadastrar gangues de todo o Distrito Federal. Os amigos de Sobradinho II foram incluídos na categoria. "Fomos considerados criminosos. O preconceito imperava, as pessoas temiam a gente", a conta Iranildo. Alguns dos rapazes, principalmente os que não trabalhavam, chegaram a ser levados a delegacias e acusados de crimes que não haviam cometido. "Sofremos muita perseguição"
Para provar que não tinham qualquer envolvimento com gangues, os "azulim" começaram a realizar trabalhos sociais na cidade. Criaram grupos de dança e música, realizaram campanhas de arrecadação de alimentos, promoveram festas de Natal. Há oito anos, decidiram montar o Ong Grupo Cultural Azulim.
Cerrado Mix. Internet: <https://www.comuniweb.com.br>.
Acesso em 12/2/2008.
Assinale a alternativa na qual as partículas de relação completam, adequadamente e na ordem de ocorrência, as lacunas do seguinte período:
tenham se deparado com vários tipos de preconceito, os jovens do Grupo Cultural Azulim lutam alcançar seus ideais, suas convicções são mais firmes que os obstáculos.
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No lugar da sujeira visual, ocasionada em grande parte por pichações e cartazes de propagandas, entrarão em cena nas paradas de ônibus de Sobradinho II a mistura dos tons quentes e os temas recorrentes do grafite. Isso graças a mutirão realizado por cerca de 15 jovens da cidade, organizado para revitalizar os pontos e transformá-los em painéis de arte. A iniciativa é do Grupo Cultural Azulim, com a ajuda da administração Regional de Sobradinho II.
Fundado em 1994, o grupo Azulim desenvolve o Programa Jovem de Expressão, que oferece a que tem de 18 a 24 anos oficinas gratuitas de dança de rua, capoeira e grafite. "Queremos fortalecer o grafite como uma expressão artística. Desmitificar para a sociedade que não praticamos crime", ressalta um dos coordenados do grupo, Vinícius Rodrigues, 23 anos.
Todas as paradas de ônibus da cidade, num total de 14, serão pintadas, cada uma com o próprio tema: paz, liberdade, vida, sonho, dentre outros, informa Rodrigues. "Damos os temas a eles, que criam suas próprias mensagens", acrescenta o coordenador, que é responsável pela oficina de grafite há nove anos. "Temos que valorizar essa forma de arte e trazer para o nosso lado os pichadores", revela.
O papel da administração é de entregar aos artistas as paradas lavadas e todo o material necessário para a realização das obras de arte.
O mais importante para o grupo é transmitir a ideia de conscientização para a comunidade da cidade. Do total de paradas, já foram pintadas duas. "O retorno da população tem sido super positivo, tem agradecido muito a gente por isso. Outro ponto importante é que os jovens, muito deles ex-pinchadores, também estão impactados. Estão se sentindo parte da história da cidade", completa Rodrigues.
Em 1994, Sobradinho II não passava de um assentamento sem infra-estrutura, onde os jovens não tinham nada para fazer, além de jogar conversa fora. O presidente do grupo, Iranildo Gonçalves Moreira, então com 19 anos, trabalhava, mas, nas horas vagas, juntava-se ao grupo de amigos. Quase todos negros, eram chamados pelo apelido de "Azulim", em referência à sua cor.
Naquele ano, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) começou a cadastrar gangues de todo o Distrito Federal. Os amigos de Sobradinho II foram incluídos na categoria. "Fomos considerados criminosos. O preconceito imperava, as pessoas temiam a gente", a conta Iranildo. Alguns dos rapazes, principalmente os que não trabalhavam, chegaram a ser levados a delegacias e acusados de crimes que não haviam cometido. "Sofremos muita perseguição"
Para provar que não tinham qualquer envolvimento com gangues, os "azulim" começaram a realizar trabalhos sociais na cidade. Criaram grupos de dança e música, realizaram campanhas de arrecadação de alimentos, promoveram festas de Natal. Há oito anos, decidiram montar o Ong Grupo Cultural Azulim.
Cerrado Mix. Internet: <https://www.comuniweb.com.br>.
Acesso em 12/2/2008.
É possível identificar no texto VI marcas de coloquialidade, como as expressões assinaladas em:
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Texto I
Violência não é uma expressão apenas descritiva ou neutra, ela já toma partido, se engaja na própria definição do ato ou do autor. O emprego socialmente denunciador da palavra violência, por isso, tende a reter através dos tempos um significado duro!$ ^{c)} !$, que, em última análise, não pode ser negociado ou atenuado!$ ^{c)} !$: o de um ato que viola (do latim violens) a integridade de um indivíduo que não lhe permite a reação e que, portanto, transforma-o em mero objeto, em uma coisa qualquer a que se pode fazer o que se quiser.
A violência urbana diz respeito a uma multiplicidade de eventos (que nem sempre apontam para o significado mais forte da expressão violência) que parece vinculados ao modo de vida das grandes metrópoles na modernidade. Esses eventos podem reunir, na mesma denominação geral, motivações muito distintas, desde vandalismos, desordens públicas, motins e saques até ações criminosas individuais de diferentes tipos, inclusive as não-internacionais como as provocadas por negligência ou consumo excessivo de álcool ou outras drogas. Além disso, a expressão violência urbana tenta dar um significado mais sociológico e menos criminal a esses eventos, interligando-os a causas mais complexas e a motivações muito variadas, em uma abordagem que preconiza a necessidade de não desvincular esses eventos da complexidade de estilos de vida e situações existentes em uma grande metrópole.
Duas abordagens diferentes se completam, mas não devem ser misturadas: em uma, toma-se posição e acusa-se a violência indesejada. Nela, o uso de expressões denunciadoras é normal e esperado: é o caso de editoriais da imprensa, de cartas de leitores, de manifestações políticas, de discursos ideológicos; na outra abordagem, procura-se colocar entre parênteses a denúncia e a emoção e examinar-se o assunto com o máximo de isenção e compreensão possível, visando não a racionalizá-lo ou defendê-lo, mas a explicá-lo com recurso ás disciplinas científico-humanas que o estudam.
Michel Misse. Da violência de nossos dias. Internet
<https;// www.unicrio.org.br> Acesso em 13/2/2008 (com adaptações).
Com base no texto I, assinale a alternativa correta.
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