Magna Concursos

Foram encontradas 40 questões.

2300532 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS
Provas:
Futebol na ponta da língua
Thais Paiva
Ao fim de seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, em 1988, Jânio Quadros respondeu à especulação em torno de seu futuro eleitoral com uma atitude à altura da excentricidade pela qual ficou conhecido. Mandou pendurar na porta de seu gabinete um par de chuteiras. O recado era claro ( ) desistia da carreira política. A encenação de Jânio ilustra como termos e expressões outrora restritos ao universo do futebol ( ) entranharam-se no cotidiano dos brasileiros. Se, originalmente, a expressão “pendurar as chuteiras” era usada para referir-se aos jogadores que encerravam suas atividades no futebol ( ) com a popularização e o enraizamento cultural do esporte, passou a ser sinônimo de desistência e aposentadoria em diferentes contextos.
O “futebolês” ( ) ou a terminologia utilizada no meio futebolístico por jogadores, técnicos, imprensa e torcedores, trouxe inúmeras contribuições para a linguagem coloquial no Brasil. Originou neologismos e expressões como “tirar o time de campo”, “encher a bola”, “jogar para o time”, “marcar contra” e “jogar limpo”, entre outros. Para os falantes do português brasileiro, fica claro, por exemplo, que algo “aos 45 do segundo tempo” é de última hora; que, se “a marcação está cerrada”, é porque a pressão é grande, e que alguém que “só pisa na bola” não é digno de confiança.
A prática globalizada do futebol determinou o surgimento de uma variante linguística, dotada de vocabulário particular, a qual se incorpora em todas as camadas da população. O futebol ocupa um espaço de destaque no discurso da vida cotidiana, mesmo para aqueles que não demonstram o menor interesse por esse esporte”, aponta João Machado de Queiroz na tese de doutorado Vocabulário do Futebol na Mídia Impressa: O Glossário da Bola, realizada pela Unesp –Assis. Muitas das inovações linguísticas surgiram a fim de designar eventos que aconteciam dentro de campo e que não encontravam respaldo nos dicionários. Foi o caso do verbo “pipocar”, uma analogia ao desempenho de um jogador que evita o confronto direto com algum adversário para não se machucar, pulando feito milho na panela. “Esse termo já está incorporado à nossa linguagem coloquial. Ouvem-se fora do contexto futebolístico frases como ‘ele não responde a nenhuma pergunta, está sempre pipocando’. A linguagem do futebol sofre todos os fenômenos linguísticos do idioma comum e, da mesma forma, pode servir de expressão criativa em qualquer narrativa”, explica Luiz Cesar S. F., professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor dos livros Dicionário Futebolês – Português (Ed. Francisco Alves/Ed. Lance, 2006) e Futebol Falado: A dramática linguagem figurada do futebol (Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, 2010). A própria bola, protagonista do esporte, recebeu as mais variadas nomenclaturas (pelota, redonda, maricota, belezura, meu bem, menina e gorduchinha, entre outras), revelando seu lugar de destaque e afetividade na vida do povo. Costumamos nomear as coisas a partir da importância que damos a elas e da relevância que elas têm ou adquirem em nosso cotidiano. Alguns desses itens podem ganhar uma multiplicidade de representações linguísticas, a fim de caracterizar diferentes contextos em que precisam ser representados.
Com o objetivo de catalogar esse vocabulário, o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre o Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens) da USP está elaborando o Dicionário de Futebolês, que logo estará disponível para consulta online. O glossário será dividido em duas partes: a primeira, bilíngue (português-inglês), com fraseologias atuais do esporte, e a segunda, apenas em português, com termos históricos. “O objetivo é que o dicionário possa facilitar a compreensão dos menos familiarizados com o futebol, ajudar torcedores e imprensa durante a Copa do Mundo e auxiliar as pesquisas acadêmicas sobre o tema”, explica Sabrina Marques, pesquisadora responsável pelo projeto. Além dos neologismos, a linguagem do futebol é repleta de sentidos figurados, com destaque para a guerra e o erotismo. Segundo Marques, o jogo de futebol, assim como todas as modalidades esportivas de competição, traz em si um componente cristalizado em torno do conceito do agón – termo grego que designava o local dos jogos de luta e, por extensão, os combates físicos entre dois oponentes. “Não é de se estranhar, portanto, que inúmeros termos belicistas estejam presentes no vocabulário esportivo, especialmente no futebol, como são os casos de artilheiro, matar a jogada, capitão da equipe, comandante, fuzilar o goleiro e mandar uma bomba contra o gol”.
A influência do universo bélico também é perceptível em outras línguas, como no inglês, em que existem mais de 40 formas de dizer ‘fazer um gol’, e todas elas utilizam verbos que remetem à ação de violência, como explodir, martelar, pregar. Já o sociólogo Antônio Jorge G. diz que a bola, no futebol, assume o significado do sexo feminino, ou seja, “é o objeto em que fica implícito o desafio da conquista e do controle por parte dos jogadores”. Logo, não é de se estranhar que o bom jogador seja aquele que tem intimidade com a bola e que esta tenha recebido tantos apelidos femininos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/na-ponta-da-lingua/
No período a seguir, substituíram-se os trechos sublinhados por outros com vocabulário diferente. Assinale a alternativa que preserva a correção linguística e o sentido desta construção.
“A prática globalizada do futebol determinou o surgimento de uma variante linguística, dotada de vocabulário particular, a qual se incorpora em todas as camadas da população.”
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2300531 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS
Provas:
Futebol na ponta da língua
Thais Paiva
Ao fim de seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, em 1988, Jânio Quadros respondeu à especulação em torno de seu futuro eleitoral com uma atitude à altura da excentricidade pela qual ficou conhecido. Mandou pendurar na porta de seu gabinete um par de chuteiras. O recado era claro ( ) desistia da carreira política. A encenação de Jânio ilustra como termos e expressões outrora restritos ao universo do futebol ( ) entranharam-se no cotidiano dos brasileiros. Se, originalmente, a expressão “pendurar as chuteiras” era usada para referir-se aos jogadores que encerravam suas atividades no futebol ( ) com a popularização e o enraizamento cultural do esporte, passou a ser sinônimo de desistência e aposentadoria em diferentes contextos.
O “futebolês” ( ) ou a terminologia utilizada no meio futebolístico por jogadores, técnicos, imprensa e torcedores, trouxe inúmeras contribuições para a linguagem coloquial no Brasil. Originou neologismos e expressões como “tirar o time de campo”, “encher a bola”, “jogar para o time”, “marcar contra” e “jogar limpo”, entre outros. Para os falantes do português brasileiro, fica claro, por exemplo, que algo “aos 45 do segundo tempo” é de última hora; que, se “a marcação está cerrada”, é porque a pressão é grande, e que alguém que “só pisa na bola” não é digno de confiança.
“A prática globalizada do futebol determinou o surgimento de uma variante linguística, dotada de vocabulário particular, a qual se incorpora em todas as camadas da população. O futebol ocupa um espaço de destaque no discurso da vida cotidiana, mesmo para aqueles que não demonstram o menor interesse por esse esporte”, aponta João Machado de Queiroz na tese de doutorado Vocabulário do Futebol na Mídia Impressa: O Glossário da Bola, realizada pela Unesp –Assis. Muitas das inovações linguísticas surgiram a fim de designar eventos que aconteciam dentro de campo e que não encontravam respaldo nos dicionários. Foi o caso do verbo “pipocar”, uma analogia ao desempenho de um jogador que evita o confronto direto com algum adversário para não se machucar, pulando feito milho na panela. “Esse termo já está incorporado à nossa linguagem coloquial. Ouvem-se fora do contexto futebolístico frases como ‘ele não responde a nenhuma pergunta, está sempre pipocando’. A linguagem do futebol sofre todos os fenômenos linguísticos do idioma comum e, da mesma forma, pode servir de expressão criativa em qualquer narrativa”, explica Luiz Cesar S. F., professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor dos livros Dicionário Futebolês – Português (Ed. Francisco Alves/Ed. Lance, 2006) e Futebol Falado: A dramática linguagem figurada do futebol (Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, 2010). A própria bola, protagonista do esporte, recebeu as mais variadas nomenclaturas (pelota, redonda, maricota, belezura, meu bem, menina e gorduchinha, entre outras), revelando seu lugar de destaque e afetividade na vida do povo. Costumamos nomear as coisas a partir da importância que damos a elas e da relevância que elas têm ou adquirem em nosso cotidiano. Alguns desses itens podem ganhar uma multiplicidade de representações linguísticas, a fim de caracterizar diferentes contextos em que precisam ser representados.
Com o objetivo de catalogar esse vocabulário, o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre o Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens) da USP está elaborando o Dicionário de Futebolês, que logo estará disponível para consulta online. O glossário será dividido em duas partes: a primeira, bilíngue (português-inglês), com fraseologias atuais do esporte, e a segunda, apenas em português, com termos históricos. “O objetivo é que o dicionário possa facilitar a compreensão dos menos familiarizados com o futebol, ajudar torcedores e imprensa durante a Copa do Mundo e auxiliar as pesquisas acadêmicas sobre o tema”, explica Sabrina Marques, pesquisadora responsável pelo projeto. Além dos neologismos, a linguagem do futebol é repleta de sentidos figurados, com destaque para a guerra e o erotismo. Segundo Marques, o jogo de futebol, assim como todas as modalidades esportivas de competição, traz em si um componente cristalizado em torno do conceito do agón – termo grego que designava o local dos jogos de luta e, por extensão, os combates físicos entre dois oponentes. “Não é de se estranhar, portanto, que inúmeros termos belicistas estejam presentes no vocabulário esportivo, especialmente no futebol, como são os casos de artilheiro, matar a jogada, capitão da equipe, comandante, fuzilar o goleiro e mandar uma bomba contra o gol”.
A influência do universo bélico também é perceptível em outras línguas, como no inglês, em que existem mais de 40 formas de dizer ‘fazer um gol’, e todas elas utilizam verbos que remetem à ação de violência, como explodir, martelar, pregar. Já o sociólogo Antônio Jorge G. diz que a bola, no futebol, assume o significado do sexo feminino, ou seja, “é o objeto em que fica implícito o desafio da conquista e do controle por parte dos jogadores”. Logo, não é de se estranhar que o bom jogador seja aquele que tem intimidade com a bola e que esta tenha recebido tantos apelidos femininos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/na-ponta-da-lingua/
Assinale a alternativa que NÃO apresenta três vocábulos com dígrafo.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2300530 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS
Provas:
Futebol na ponta da língua
Thais Paiva
Ao fim de seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, em 1988, Jânio Quadros respondeu à especulação em torno de seu futuro eleitoral com uma atitude à altura da excentricidade pela qual ficou conhecido. Mandou pendurar na porta de seu gabinete um par de chuteiras. O recado era claro ( ) desistia da carreira política. A encenação de Jânio ilustra como termos e expressões outrora restritos ao universo do futebol ( ) entranharam-se no cotidiano dos brasileiros. Se, originalmente, a expressão “pendurar as chuteiras” era usada para referir-se aos jogadores que encerravam suas atividades no futebol ( ) com a popularização e o enraizamento cultural do esporte, passou a ser sinônimo de desistência e aposentadoria em diferentes contextos.
O “futebolês” ( ) ou a terminologia utilizada no meio futebolístico por jogadores, técnicos, imprensa e torcedores, trouxe inúmeras contribuições para a linguagem coloquial no Brasil. Originou neologismos e expressões como “tirar o time de campo”, “encher a bola”, “jogar para o time”, “marcar contra” e “jogar limpo”, entre outros. Para os falantes do português brasileiro, fica claro, por exemplo, que algo “aos 45 do segundo tempo” é de última hora; que, se “a marcação está cerrada”, é porque a pressão é grande, e que alguém que “só pisa na bola” não é digno de confiança.
“A prática globalizada do futebol determinou o surgimento de uma variante linguística, dotada de vocabulário particular, a qual se incorpora em todas as camadas da população. O futebol ocupa um espaço de destaque no discurso da vida cotidiana, mesmo para aqueles que não demonstram o menor interesse por esse esporte”, aponta João Machado de Queiroz na tese de doutorado Vocabulário do Futebol na Mídia Impressa: O Glossário da Bola, realizada pela Unesp –Assis. Muitas das inovações linguísticas surgiram a fim de designar eventos que aconteciam dentro de campo e que não encontravam respaldo nos dicionários. Foi o caso do verbo “pipocar”, uma analogia ao desempenho de um jogador que evita o confronto direto com algum adversário para não se machucar, pulando feito milho na panela. “Esse termo já está incorporado à nossa linguagem coloquial. Ouvem-se fora do contexto futebolístico frases como ‘ele não responde a nenhuma pergunta, está sempre pipocando’. A linguagem do futebol sofre todos os fenômenos linguísticos do idioma comum e, da mesma forma, pode servir de expressão criativa em qualquer narrativa”, explica Luiz Cesar S. F., professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor dos livros Dicionário Futebolês – Português (Ed. Francisco Alves/Ed. Lance, 2006) e Futebol Falado: A dramática linguagem figurada do futebol (Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, 2010). A própria bola, protagonista do esporte, recebeu as mais variadas nomenclaturas (pelota, redonda, maricota, belezura, meu bem, menina e gorduchinha, entre outras), revelando seu lugar de destaque e afetividade na vida do povo. Costumamos nomear as coisas a partir da importância que damos a elas e da relevância que elas têm ou adquirem em nosso cotidiano. Alguns desses itens podem ganhar uma multiplicidade de representações linguísticas, a fim de caracterizar diferentes contextos em que precisam ser representados.
Com o objetivo de catalogar esse vocabulário, o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre o Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens) da USP está elaborando o Dicionário de Futebolês, que logo estará disponível para consulta online. O glossário será dividido em duas partes: a primeira, bilíngue (português-inglês), com fraseologias atuais do esporte, e a segunda, apenas em português, com termos históricos. “O objetivo é que o dicionário possa facilitar a compreensão dos menos familiarizados com o futebol, ajudar torcedores e imprensa durante a Copa do Mundo e auxiliar as pesquisas acadêmicas sobre o tema”, explica Sabrina Marques, pesquisadora responsável pelo projeto. Além dos neologismos, a linguagem do futebol é repleta de sentidos figurados, com destaque para a guerra e o erotismo. Segundo Marques, o jogo de futebol, assim como todas as modalidades esportivas de competição, traz em si um componente cristalizado em torno do conceito do agón – termo grego que designava o local dos jogos de luta e, por extensão, os combates físicos entre dois oponentes. “Não é de se estranhar, portanto, que inúmeros termos belicistas estejam presentes no vocabulário esportivo, especialmente no futebol, como são os casos de artilheiro, matar a jogada, capitão da equipe, comandante, fuzilar o goleiro e mandar uma bomba contra o gol”.
A influência do universo bélico também é perceptível em outras línguas, como no inglês, em que existem mais de 40 formas de dizer ‘fazer um gol’, e todas elas utilizam verbos que remetem à ação de violência, como explodir, martelar, pregar. Já o sociólogo Antônio Jorge G. diz que a bola, no futebol, assume o significado do sexo feminino, ou seja, “é o objeto em que fica implícito o desafio da conquista e do controle por parte dos jogadores”. Logo, não é de se estranhar que o bom jogador seja aquele que tem intimidade com a bola e que esta tenha recebido tantos apelidos femininos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/na-ponta-da-lingua/
Analise as seguintes assertivas sobre o texto e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Depreende-se do texto que Jânio Quadros ficou conhecido como uma figura excêntrica, ou seja, um sujeito de atitudes inusitadas.
( ) É inegável que a nossa língua adquiriu um vocabulário com sentido metafórico ligado ao futebol, constituído de palavras e expressões que podem ser reconhecidas por qualquer nativo independentemente de apreciar ou não esse esporte.
( ) João Machado de Queiroz, Luiz César S. F. e Sabrina Marques são pesquisadores responsáveis pelo Dicionário de Futebolês, primeira obra a catalogar o vocabulário relacionado ao futebol.
( ) O esporte de competição costuma gerar um campo lexical relacionado ao vocabulário de guerra; o futebol (não só brasileiro) também tem esse vocabulário e, talvez por ser uma das paixões nacionais, costuma ter, em nosso país, também palavras e expressões do universo erótico.
( ) É fato que o universo vocabular do futebol, relacionado a termos bélicos ou sugestivos de violência – como artilheiro, atacante, arena, entre outros – justifica-se pelo caráter extremamente agressivo desse esporte.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2300529 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS
Provas:
Futebol na ponta da língua
Thais Paiva
Ao fim de seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, em 1988, Jânio Quadros respondeu à especulação em torno de seu futuro eleitoral com uma atitude à altura da excentricidade pela qual ficou conhecido. Mandou pendurar na porta de seu gabinete um par de chuteiras. O recado era claro ( ) desistia da carreira política. A encenação de Jânio ilustra como termos e expressões outrora restritos ao universo do futebol ( ) entranharam-se no cotidiano dos brasileiros. Se, originalmente, a expressão “pendurar as chuteiras” era usada para referir-se aos jogadores que encerravam suas atividades no futebol ( ) com a popularização e o enraizamento cultural do esporte, passou a ser sinônimo de desistência e aposentadoria em diferentes contextos.
O “futebolês” ( ) ou a terminologia utilizada no meio futebolístico por jogadores, técnicos, imprensa e torcedores, trouxe inúmeras contribuições para a linguagem coloquial no Brasil. Originou neologismos e expressões como “tirar o time de campo”, “encher a bola”, “jogar para o time”, “marcar contra” e “jogar limpo”, entre outros. Para os falantes do português brasileiro, fica claro, por exemplo, que algo “aos 45 do segundo tempo” é de última hora; que, se “a marcação está cerrada”, é porque a pressão é grande, e que alguém que “só pisa na bola” não é digno de confiança.
“A prática globalizada do futebol determinou o surgimento de uma variante linguística, dotada de vocabulário particular, a qual se incorpora em todas as camadas da população. O futebol ocupa um espaço de destaque no discurso da vida cotidiana, mesmo para aqueles que não demonstram o menor interesse por esse esporte”, aponta João Machado de Queiroz na tese de doutorado Vocabulário do Futebol na Mídia Impressa: O Glossário da Bola, realizada pela Unesp –Assis. Muitas das inovações linguísticas surgiram a fim de designar eventos que aconteciam dentro de campo e que não encontravam respaldo nos dicionários. Foi o caso do verbo “pipocar”, uma analogia ao desempenho de um jogador que evita o confronto direto com algum adversário para não se machucar, pulando feito milho na panela. “Esse termo já está incorporado à nossa linguagem coloquial. Ouvem-se fora do contexto futebolístico frases como ‘ele não responde a nenhuma pergunta, está sempre pipocando’. A linguagem do futebol sofre todos os fenômenos linguísticos do idioma comum e, da mesma forma, pode servir de expressão criativa em qualquer narrativa”, explica Luiz Cesar S. F., professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor dos livros Dicionário Futebolês – Português (Ed. Francisco Alves/Ed. Lance, 2006) e Futebol Falado: A dramática linguagem figurada do futebol (Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, 2010). A própria bola, protagonista do esporte, recebeu as mais variadas nomenclaturas (pelota, redonda, maricota, belezura, meu bem, menina e gorduchinha, entre outras), revelando seu lugar de destaque e afetividade na vida do povo. Costumamos nomear as coisas a partir da importância que damos a elas e da relevância que elas têm ou adquirem em nosso cotidiano. Alguns desses itens podem ganhar uma multiplicidade de representações linguísticas, a fim de caracterizar diferentes contextos em que precisam ser representados.
Com o objetivo de catalogar esse vocabulário, o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre o Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens) da USP está elaborando o Dicionário de Futebolês, que logo estará disponível para consulta online. O glossário será dividido em duas partes: a primeira, bilíngue (português-inglês), com fraseologias atuais do esporte, e a segunda, apenas em português, com termos históricos. “O objetivo é que o dicionário possa facilitar a compreensão dos menos familiarizados com o futebol, ajudar torcedores e imprensa durante a Copa do Mundo e auxiliar as pesquisas acadêmicas sobre o tema”, explica Sabrina Marques, pesquisadora responsável pelo projeto. Além dos neologismos, a linguagem do futebol é repleta de sentidos figurados, com destaque para a guerra e o erotismo. Segundo Marques, o jogo de futebol, assim como todas as modalidades esportivas de competição, traz em si um componente cristalizado em torno do conceito do agón – termo grego que designava o local dos jogos de luta e, por extensão, os combates físicos entre dois oponentes. “Não é de se estranhar, portanto, que inúmeros termos belicistas estejam presentes no vocabulário esportivo, especialmente no futebol, como são os casos de artilheiro, matar a jogada, capitão da equipe, comandante, fuzilar o goleiro e mandar uma bomba contra o gol”.
A influência do universo bélico também é perceptível em outras línguas, como no inglês, em que existem mais de 40 formas de dizer ‘fazer um gol’, e todas elas utilizam verbos que remetem à ação de violência, como explodir, martelar, pregar. Já o sociólogo Antônio Jorge G. diz que a bola, no futebol, assume o significado do sexo feminino, ou seja, “é o objeto em que fica implícito o desafio da conquista e do controle por parte dos jogadores”. Logo, não é de se estranhar que o bom jogador seja aquele que tem intimidade com a bola e que esta tenha recebido tantos apelidos femininos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/na-ponta-da-lingua/
As palavras a seguir foram extraídas do texto. Assinale a alternativa que contém apenas palavras formadas por sufixação.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2300528 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS
Provas:
Futebol na ponta da língua
Thais Paiva
Ao fim de seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, em 1988, Jânio Quadros respondeu à especulação em torno de seu futuro eleitoral com uma atitude à altura da excentricidade pela qual ficou conhecido. Mandou pendurar na porta de seu gabinete um par de chuteiras. O recado era claro ( ) desistia da carreira política. A encenação de Jânio ilustra como termos e expressões outrora restritos ao universo do futebol ( ) entranharam-se no cotidiano dos brasileiros. Se, originalmente, a expressão “pendurar as chuteiras” era usada para referir-se aos jogadores que encerravam suas atividades no futebol ( ) com a popularização e o enraizamento cultural do esporte, passou a ser sinônimo de desistência e aposentadoria em diferentes contextos.
O “futebolês” ( ) ou a terminologia utilizada no meio futebolístico por jogadores, técnicos, imprensa e torcedores, trouxe inúmeras contribuições para a linguagem coloquial no Brasil. Originou neologismos e expressões como “tirar o time de campo”, “encher a bola”, “jogar para o time”, “marcar contra” e “jogar limpo”, entre outros. Para os falantes do português brasileiro, fica claro, por exemplo, que algo “aos 45 do segundo tempo” é de última hora; que, se “a marcação está cerrada”, é porque a pressão é grande, e que alguém que “só pisa na bola” não é digno de confiança.
“A prática globalizada do futebol determinou o surgimento de uma variante linguística, dotada de vocabulário particular, a qual se incorpora em todas as camadas da população. O futebol ocupa um espaço de destaque no discurso da vida cotidiana, mesmo para aqueles que não demonstram o menor interesse por esse esporte”, aponta João Machado de Queiroz na tese de doutorado Vocabulário do Futebol na Mídia Impressa: O Glossário da Bola, realizada pela Unesp –Assis. Muitas das inovações linguísticas surgiram a fim de designar eventos que aconteciam dentro de campo e que não encontravam respaldo nos dicionários. Foi o caso do verbo “pipocar”, uma analogia ao desempenho de um jogador que evita o confronto direto com algum adversário para não se machucar, pulando feito milho na panela. “Esse termo já está incorporado à nossa linguagem coloquial. Ouvem-se fora do contexto futebolístico frases como ‘ele não responde a nenhuma pergunta, está sempre pipocando’. A linguagem do futebol sofre todos os fenômenos linguísticos do idioma comum e, da mesma forma, pode servir de expressão criativa em qualquer narrativa”, explica Luiz Cesar S. F., professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor dos livros Dicionário Futebolês – Português (Ed. Francisco Alves/Ed. Lance, 2006) e Futebol Falado: A dramática linguagem figurada do futebol (Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, 2010). A própria bola, protagonista do esporte, recebeu as mais variadas nomenclaturas (pelota, redonda, maricota, belezura, meu bem, menina e gorduchinha, entre outras), revelando seu lugar de destaque e afetividade na vida do povo. Costumamos nomear as coisas a partir da importância que damos a elas e da relevância que elas têm ou adquirem em nosso cotidiano. Alguns desses itens podem ganhar uma multiplicidade de representações linguísticas, a fim de caracterizar diferentes contextos em que precisam ser representados.
Com o objetivo de catalogar esse vocabulário, o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre o Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens) da USP está elaborando o Dicionário de Futebolês, que logo estará disponível para consulta online. O glossário será dividido em duas partes: a primeira, bilíngue (português-inglês), com fraseologias atuais do esporte, e a segunda, apenas em português, com termos históricos. “O objetivo é que o dicionário possa facilitar a compreensão dos menos familiarizados com o futebol, ajudar torcedores e imprensa durante a Copa do Mundo e auxiliar as pesquisas acadêmicas sobre o tema”, explica Sabrina Marques, pesquisadora responsável pelo projeto. Além dos neologismos, a linguagem do futebol é repleta de sentidos figurados, com destaque para a guerra e o erotismo. Segundo Marques, o jogo de futebol, assim como todas as modalidades esportivas de competição, traz em si um componente cristalizado em torno do conceito do agón – termo grego que designava o local dos jogos de luta e, por extensão, os combates físicos entre dois oponentes. “Não é de se estranhar, portanto, que inúmeros termos belicistas estejam presentes no vocabulário esportivo, especialmente no futebol, como são os casos de artilheiro, matar a jogada, capitão da equipe, comandante, fuzilar o goleiro e mandar uma bomba contra o gol”.
A influência do universo bélico também é perceptível em outras línguas, como no inglês, em que existem mais de 40 formas de dizer ‘fazer um gol’, e todas elas utilizam verbos que remetem à ação de violência, como explodir, martelar, pregar. Já o sociólogo Antônio Jorge G. diz que a bola, no futebol, assume o significado do sexo feminino, ou seja, “é o objeto em que fica implícito o desafio da conquista e do controle por parte dos jogadores”. Logo, não é de se estranhar que o bom jogador seja aquele que tem intimidade com a bola e que esta tenha recebido tantos apelidos femininos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/na-ponta-da-lingua/
Assinale a alternativa que apresenta uma versão modificada da frase Ouvem-se fora do contexto futebolístico frases como ‘ele não responde a nenhuma pergunta, está sempre pipocando’, mas sem alteração de seu significado literal e sem desvios gramaticais.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2300527 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS
Provas:
Futebol na ponta da língua
Thais Paiva
Ao fim de seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, em 1988, Jânio Quadros respondeu à especulação em torno de seu futuro eleitoral com uma atitude à altura da excentricidade pela qual ficou conhecido. Mandou pendurar na porta de seu gabinete um par de chuteiras. O recado era claro ( ) desistia da carreira política. A encenação de Jânio ilustra como termos e expressões outrora restritos ao universo do futebol ( ) entranharam-se no cotidiano dos brasileiros. Se, originalmente, a expressão “pendurar as chuteiras” era usada para referir-se aos jogadores que encerravam suas atividades no futebol ( ) com a popularização e o enraizamento cultural do esporte, passou a ser sinônimo de desistência e aposentadoria em diferentes contextos.
O “futebolês” ( ) ou a terminologia utilizada no meio futebolístico por jogadores, técnicos, imprensa e torcedores, trouxe inúmeras contribuições para a linguagem coloquial no Brasil. Originou neologismos e expressões como “tirar o time de campo”, “encher a bola”, “jogar para o time”, “marcar contra” e “jogar limpo”, entre outros. Para os falantes do português brasileiro, fica claro, por exemplo, que algo “aos 45 do segundo tempo” é de última hora; que, se “a marcação está cerrada”, é porque a pressão é grande, e que alguém que “só pisa na bola” não é digno de confiança.
“A prática globalizada do futebol determinou o surgimento de uma variante linguística, dotada de vocabulário particular, a qual se incorpora em todas as camadas da população. O futebol ocupa um espaço de destaque no discurso da vida cotidiana, mesmo para aqueles que não demonstram o menor interesse por esse esporte”, aponta João Machado de Queiroz na tese de doutorado Vocabulário do Futebol na Mídia Impressa: O Glossário da Bola, realizada pela Unesp –Assis. Muitas das inovações linguísticas surgiram a fim de designar eventos que aconteciam dentro de campo e que não encontravam respaldo nos dicionários. Foi o caso do verbo “pipocar”, uma analogia ao desempenho de um jogador que evita o confronto direto com algum adversário para não se machucar, pulando feito milho na panela. “Esse termo já está incorporado à nossa linguagem coloquial. Ouvem-se fora do contexto futebolístico frases como ‘ele não responde a nenhuma pergunta, está sempre pipocando’. A linguagem do futebol sofre todos os fenômenos linguísticos do idioma comum e, da mesma forma, pode servir de expressão criativa em qualquer narrativa”, explica Luiz Cesar S. F., professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor dos livros Dicionário Futebolês – Português (Ed. Francisco Alves/Ed. Lance, 2006) e Futebol Falado: A dramática linguagem figurada do futebol (Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, 2010). A própria bola, protagonista do esporte, recebeu as mais variadas nomenclaturas (pelota, redonda, maricota, belezura, meu bem, menina e gorduchinha, entre outras), revelando seu lugar de destaque e afetividade na vida do povo. Costumamos nomear as coisas a partir da importância que damos a elas e da relevância que elas têm ou adquirem em nosso cotidiano. Alguns desses itens podem ganhar uma multiplicidade de representações linguísticas, a fim de caracterizar diferentes contextos em que precisam ser representados.
Com o objetivo de catalogar esse vocabulário, o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre o Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens) da USP está elaborando o Dicionário de Futebolês, que logo estará disponível para consulta online. O glossário será dividido em duas partes: a primeira, bilíngue (português-inglês), com fraseologias atuais do esporte, e a segunda, apenas em português, com termos históricos. “O objetivo é que o dicionário possa facilitar a compreensão dos menos familiarizados com o futebol, ajudar torcedores e imprensa durante a Copa do Mundo e auxiliar as pesquisas acadêmicas sobre o tema”, explica Sabrina Marques, pesquisadora responsável pelo projeto. Além dos neologismos, a linguagem do futebol é repleta de sentidos figurados, com destaque para a guerra e o erotismo. Segundo Marques, o jogo de futebol, assim como todas as modalidades esportivas de competição, traz em si um componente cristalizado em torno do conceito do agón – termo grego que designava o local dos jogos de luta e, por extensão, os combates físicos entre dois oponentes. “Não é de se estranhar, portanto, que inúmeros termos belicistas estejam presentes no vocabulário esportivo, especialmente no futebol, como são os casos de artilheiro, matar a jogada, capitão da equipe, comandante, fuzilar o goleiro e mandar uma bomba contra o gol”.
A influência do universo bélico também é perceptível em outras línguas, como no inglês, em que existem mais de 40 formas de dizer ‘fazer um gol’, e todas elas utilizam verbos que remetem à ação de violência, como explodir, martelar, pregar. Já o sociólogo Antônio Jorge G. diz que a bola, no futebol, assume o significado do sexo feminino, ou seja, “é o objeto em que fica implícito o desafio da conquista e do controle por parte dos jogadores”. Logo, não é de se estranhar que o bom jogador seja aquele que tem intimidade com a bola e que esta tenha recebido tantos apelidos femininos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/na-ponta-da-lingua/
Assinale a alternativa INCORRETA quanto ao que se afirma a respeito do seguinte período do texto:
“Para os falantes do português brasileiro, fica claro, por exemplo, que algo “aos 45 do segundo tempo” é de última hora; que, se “a marcação está cerrada”, é porque a pressão é grande, e que alguém que “só pisa na bola” não é digno de confiança.”
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2300526 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS
Provas:
Futebol na ponta da língua
Thais Paiva
Ao fim de seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, em 1988, Jânio Quadros respondeu à especulação em torno de seu futuro eleitoral com uma atitude à altura da excentricidade pela qual ficou conhecido. Mandou pendurar na porta de seu gabinete um par de chuteiras. O recado era claro ( )!$ ^{I)} !$ desistia da carreira política. A encenação de Jânio ilustra como termos e expressões outrora restritos ao universo do futebol ( )!$ ^{II)} !$ entranharam-se no cotidiano dos brasileiros. Se, originalmente, a expressão “pendurar as chuteiras” era usada para referir-se aos jogadores que encerravam suas atividades no futebol ( )!$ ^{III)} !$ com a popularização e o enraizamento cultural do esporte, passou a ser sinônimo de desistência e aposentadoria em diferentes contextos.
O “futebolês” ( )!$ ^{IV)} !$ ou a terminologia utilizada no meio futebolístico por jogadores, técnicos, imprensa e torcedores, trouxe inúmeras contribuições para a linguagem coloquial no Brasil. Originou neologismos e expressões como “tirar o time de campo”, “encher a bola”, “jogar para o time”, “marcar contra” e “jogar limpo”, entre outros. Para os falantes do português brasileiro, fica claro, por exemplo, que algo “aos 45 do segundo tempo” é de última hora; que, se “a marcação está cerrada”, é porque a pressão é grande, e que alguém que “só pisa na bola” não é digno de confiança.
“A prática globalizada do futebol determinou o surgimento de uma variante linguística, dotada de vocabulário particular, a qual se incorpora em todas as camadas da população. O futebol ocupa um espaço de destaque no discurso da vida cotidiana, mesmo para aqueles que não demonstram o menor interesse por esse esporte”, aponta João Machado de Queiroz na tese de doutorado Vocabulário do Futebol na Mídia Impressa: O Glossário da Bola, realizada pela Unesp –Assis. Muitas das inovações linguísticas surgiram a fim de designar eventos que aconteciam dentro de campo e que não encontravam respaldo nos dicionários. Foi o caso do verbo “pipocar”, uma analogia ao desempenho de um jogador que evita o confronto direto com algum adversário para não se machucar, pulando feito milho na panela. “Esse termo já está incorporado à nossa linguagem coloquial. Ouvem-se fora do contexto futebolístico frases como ‘ele não responde a nenhuma pergunta, está sempre pipocando’. A linguagem do futebol sofre todos os fenômenos linguísticos do idioma comum e, da mesma forma, pode servir de expressão criativa em qualquer narrativa”, explica Luiz Cesar S. F., professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor dos livros Dicionário Futebolês – Português (Ed. Francisco Alves/Ed. Lance, 2006) e Futebol Falado: A dramática linguagem figurada do futebol (Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, 2010). A própria bola, protagonista do esporte, recebeu as mais variadas nomenclaturas (pelota, redonda, maricota, belezura, meu bem, menina e gorduchinha, entre outras), revelando seu lugar de destaque e afetividade na vida do povo. Costumamos nomear as coisas a partir da importância que damos a elas e da relevância que elas têm ou adquirem em nosso cotidiano. Alguns desses itens podem ganhar uma multiplicidade de representações linguísticas, a fim de caracterizar diferentes contextos em que precisam ser representados.
Com o objetivo de catalogar esse vocabulário, o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre o Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens) da USP está elaborando o Dicionário de Futebolês, que logo estará disponível para consulta online. O glossário será dividido em duas partes: a primeira, bilíngue (português-inglês), com fraseologias atuais do esporte, e a segunda, apenas em português, com termos históricos. “O objetivo é que o dicionário possa facilitar a compreensão dos menos familiarizados com o futebol, ajudar torcedores e imprensa durante a Copa do Mundo e auxiliar as pesquisas acadêmicas sobre o tema”, explica Sabrina Marques, pesquisadora responsável pelo projeto. Além dos neologismos, a linguagem do futebol é repleta de sentidos figurados, com destaque para a guerra e o erotismo. Segundo Marques, o jogo de futebol, assim como todas as modalidades esportivas de competição, traz em si um componente cristalizado em torno do conceito do agón – termo grego que designava o local dos jogos de luta e, por extensão, os combates físicos entre dois oponentes. “Não é de se estranhar, portanto, que inúmeros termos belicistas estejam presentes no vocabulário esportivo, especialmente no futebol, como são os casos de artilheiro, matar a jogada, capitão da equipe, comandante, fuzilar o goleiro e mandar uma bomba contra o gol”.
A influência do universo bélico também é perceptível em outras línguas, como no inglês, em que existem mais de 40 formas de dizer ‘fazer um gol’, e todas elas utilizam verbos que remetem à ação de violência, como explodir, martelar, pregar. Já o sociólogo Antônio Jorge G. diz que a bola, no futebol, assume o significado do sexo feminino, ou seja, “é o objeto em que fica implícito o desafio da conquista e do controle por parte dos jogadores”. Logo, não é de se estranhar que o bom jogador seja aquele que tem intimidade com a bola e que esta tenha recebido tantos apelidos femininos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/na-ponta-da-lingua/
Considere o que se afirma acerca dos sinais de pontuação que poderiam substituir os parênteses demarcados do texto.
I. Pode-se usar o sinal de dois pontos no lugar dos parênteses.
II. Deveria haver vírgula no lugar dos parênteses.
III. O emprego de vírgula é obrigatório no lugar dos parênteses.
IV. Não se deve empregar pontuação alguma no lugar dos parênteses.
Quais estão corretas?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
2300525 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: FUNDATEC
Orgão: Pref. Bom Jesus-RS
Provas:
Futebol na ponta da língua
Thais Paiva
Ao fim de seu segundo mandato como prefeito de São Paulo, em 1988, Jânio Quadros respondeu à especulação em torno de seu futuro eleitoral com uma atitude altura da excentricidade ficou conhecido. Mandou pendurar na porta de seu gabinete um par de chuteiras. O recado era claro ( ) desistia da carreira política. A encenação de Jânio ilustra como termos e expressões outrora restritos ao universo do futebol ( ) entranharam-se no cotidiano dos brasileiros. Se, originalmente, a expressão “pendurar as chuteiras” era usada para referir-se jogadores que encerravam suas atividades no futebol ( ) com a popularização e o enraizamento cultural do esporte, passou a ser sinônimo de desistência e aposentadoria em diferentes contextos.
O “futebolês” ( ) ou a terminologia utilizada no meio futebolístico por jogadores, técnicos, imprensa e torcedores, trouxe inúmeras contribuições para a linguagem coloquial no Brasil. Originou neologismos e expressões como “tirar o time de campo”, “encher a bola”, “jogar para o time”, “marcar contra” e “jogar limpo”, entre outros. Para os falantes do português brasileiro, fica claro, por exemplo, que algo “aos 45 do segundo tempo” é de última hora; que, se “a marcação está cerrada”, é porque a pressão é grande, e que alguém que “só pisa na bola” não é digno de confiança.
“A prática globalizada do futebol determinou o surgimento de uma variante linguística, dotada de vocabulário particular, a qual se incorpora em todas as camadas da população. O futebol ocupa um espaço de destaque no discurso da vida cotidiana, mesmo para aqueles que não demonstram o menor interesse por esse esporte”, aponta João Machado de Queiroz na tese de doutorado Vocabulário do Futebol na Mídia Impressa: O Glossário da Bola, realizada pela Unesp –Assis. Muitas das inovações linguísticas surgiram a fim de designar eventos que aconteciam dentro de campo e que não encontravam respaldo nos dicionários. Foi o caso do verbo “pipocar”, uma analogia ao desempenho de um jogador que evita o confronto direto com algum adversário para não se machucar, pulando feito milho na panela. “Esse termo já está incorporado à nossa linguagem coloquial. Ouvem-se fora do contexto futebolístico frases como ‘ele não responde a nenhuma pergunta, está sempre pipocando’. A linguagem do futebol sofre todos os fenômenos linguísticos do idioma comum e, da mesma forma, pode servir de expressão criativa em qualquer narrativa”, explica Luiz Cesar S. F., professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e autor dos livros Dicionário Futebolês – Português (Ed. Francisco Alves/Ed. Lance, 2006) e Futebol Falado: A dramática linguagem figurada do futebol (Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, 2010). A própria bola, protagonista do esporte, recebeu as mais variadas nomenclaturas (pelota, redonda, maricota, belezura, meu bem, menina e gorduchinha, entre outras), revelando seu lugar de destaque e afetividade na vida do povo. Costumamos nomear as coisas a partir da importância que damos a elas e da relevância que elas têm ou adquirem em nosso cotidiano. Alguns desses itens podem ganhar uma multiplicidade de representações linguísticas, a fim de caracterizar diferentes contextos em que precisam ser representados.
Com o objetivo de catalogar esse vocabulário, o Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas sobre o Futebol e Modalidades Lúdicas (Ludens) da USP está elaborando o Dicionário de Futebolês, que logo estará disponível para consulta online. O glossário será dividido em duas partes: a primeira, bilíngue (português-inglês), com fraseologias atuais do esporte, e a segunda, apenas em português, com termos históricos. “O objetivo é que o dicionário possa facilitar a compreensão dos menos familiarizados com o futebol, ajudar torcedores e imprensa durante a Copa do Mundo e auxiliar as pesquisas acadêmicas sobre o tema”, explica Sabrina Marques, pesquisadora responsável pelo projeto. Além dos neologismos, a linguagem do futebol é repleta de sentidos figurados, com destaque para a guerra e o erotismo. Segundo Marques, o jogo de futebol, assim como todas as modalidades esportivas de competição, traz em si um componente cristalizado em torno do conceito do agón – termo grego que designava o local dos jogos de luta e, por extensão, os combates físicos entre dois oponentes. “Não é de se estranhar, portanto, que inúmeros termos belicistas estejam presentes no vocabulário esportivo, especialmente no futebol, como são os casos de artilheiro, matar a jogada, capitão da equipe, comandante, fuzilar o goleiro e mandar uma bomba contra o gol”.
A influência do universo bélico também é perceptível em outras línguas, como no inglês, existem mais de 40 formas de dizer ‘fazer um gol’, e todas elas utilizam verbos que remetem à ação de violência, como explodir, martelar, pregar. Já o sociólogo Antônio Jorge G. diz que a bola, no futebol, assume o significado do sexo feminino, ou seja, “é o objeto em que fica implícito o desafio da conquista e do controle por parte dos jogadores”. Logo, não é de se estranhar que o bom jogador seja aquele que tem intimidade com a bola e que esta tenha recebido tantos apelidos femininos.
Texto adaptado especialmente para esta prova. Disponível em:
http://www.cartaeducacao.com.br/reportagens/na-ponta-da-lingua/
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas.
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Dinheiro e saúde
Dráuzio Varela
Dinheiro não traz felicidade, diz o povo. Embora haja controvérsias, a julgar pelo exemplo dos Estados Unidos, nem saúde: pelo segundo ano consecutivo, a expectativa de vida dos americanos diminuiu. Em 1960, tal expectativa era a mais alta do mundo. Chegava a 2,4 anos a mais do que a média dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma cesta de 35 países, entre os quais, os mais ricos e desenvolvidos. Em 1998, a expectativa de vida no país ficou para trás da média da OCDE. Hoje, a diferença já é de 1,6 anos: 78,7 anos ante 80,3 anos na OCDE.
Um painel conjunto do National Research Council e do Institute of Medicine investigou as causas dessa desvantagem crescente. A conclusão foi a de que a saúde dos americanos é mais pobre em diversos aspectos: obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, ferimentos, homicídios, complicações de parto, gravidez na adolescência, consumo de drogas ilícitas e infecções pelo HIV. Ficou evidente, também, que o estilo de vida é menos salutar do que o dos países da OCDE: as cidades privilegiam o automóvel, a população costuma preferir alimentos altamente calóricos aos mais saudáveis, abusar de álcool e possuir armas de fogo. Aqueles com renda familiar mais baixa têm menos suporte social, previdenciário e acesso limitado à assistência médica. As mortes por overdose aumentam a cada ano. Em 2015, foram 64 mil; neste ano serão 70 mil, números que ultrapassam o total das mortes de soldados americanos na Guerra do Vietnã.
Numa análise publicada no Bristish Medical Journal, por Steven Woolf e Laudan Aron, os autores consideraram esses óbitos a “ponta do iceberg” de uma crise de saúde mais abrangente: a mortalidade associada ao abuso de álcool e aos suicídios, que afeta especialmente os brancos de meia-idade e certas comunidades rurais. As causas estariam ligadas ao colapso das indústrias locais, à erosão dos laços comunitários, ao isolamento social, à pressão financeira e à consciência dos trabalhadores de que perderam o padrão de vida que os pais um dia tiveram. Ao contrário, entre os negros, o número de suicídios e de mortes por overdose não aumentou. Os autores atribuem esse fenômeno à maior resiliência de mulheres e homens negros, habituados a enfrentar desvantagens econômicas, discriminação, preconceito social e mortalidade geral mais elevada.
De outro lado, nos últimos anos, as diferenças sociais se acentuaram, a performance escolar piorou, os salários da classe média estagnaram, e os níveis de pobreza aumentaram em relação aos dos países desenvolvidos. O país é rico, mas desigual: os mais pobres têm dificuldade de acesso a serviços sociais, à assistência médica, à prevenção e ao tratamento de transtornos psiquiátricos e dependência química. Os Estados Unidos investem em saúde 17% de um PIB de 19 trilhões de dólares, ou seja, cerca de 3,2 trilhões de dólares. É mais do que o PIB inteiro do Brasil. Para justificar esse gasto, o americano médio deveria viver 110 anos, pelo menos. Quem nasce em Santa Catarina vive mais.
Disponível em https://www.cartacapital.com.br/revista/1024/saude-e-dinheiro (Texto
adaptado especialmente para esta prova.)
Analise as seguintes assertivas sobre o conteúdo do texto:
I. Se considerarmos a população dos Estados Unidos como parâmetro, é fato que dinheiro não traz saúde nem felicidade.
II. O número de suicídios e de mortes por overdose, entre os negros, diminuiu nos Estados Unidos.
III. A desigualdade social nos Estados Unidos é uma das causas, segundo o autor do texto, da queda da expectativa de vida nesse país.
IV. Tendo em vista o fato de os Estados Unidos investirem altas cifras em saúde, sua população deveria ter uma expectativa de vida mais elevada.
Quais constituem inferências possíveis a partir da leitura do texto?
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
Dinheiro e saúde
Dráuzio Varela
Dinheiro não traz felicidade, diz o povo. Embora haja controvérsias, a julgar pelo exemplo dos Estados Unidos, nem saúde: pelo segundo ano consecutivo, a expectativa de vida dos americanos diminuiu. Em 1960, tal expectativa era a mais alta do mundo. Chegava a 2,4 anos a mais do que a média dos países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma cesta de 35 países, entre os quais, os mais ricos e desenvolvidos. Em 1998, a expectativa de vida no país ficou para trás da média da OCDE. Hoje, a diferença já é de 1,6 anos: 78,7 anos ante 80,3 anos na OCDE.
Um painel conjunto do National Research Council e do Institute of Medicine investigou as causas dessa desvantagem crescente. A conclusão foi a de que a saúde dos americanos é mais pobre em diversos aspectos: obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, ferimentos, homicídios, complicações de parto, gravidez na adolescência, consumo de drogas ilícitas e infecções pelo HIV. Ficou evidente, também, que o estilo de vida é menos salutar do que o dos países da OCDE: as cidades privilegiam o automóvel, a população costuma preferir alimentos altamente calóricos aos mais saudáveis, abusar de álcool e possuir armas de fogo. Aqueles com renda familiar mais baixa têm menos suporte social, previdenciário e acesso limitado à assistência médica. As mortes por overdose aumentam a cada ano. Em 2015, foram 64 mil; neste ano serão 70 mil, números que ultrapassam o total das mortes de soldados americanos na Guerra do Vietnã.
Numa análise publicada no Bristish Medical Journal, por Steven Woolf e Laudan Aron, os autores consideraram esses óbitos a “ponta do iceberg” de uma crise de saúde mais abrangente: a mortalidade associada ao abuso de álcool e aos suicídios, que afeta especialmente os brancos de meia-idade e certas comunidades rurais. As causas estariam ligadas ao colapso das indústrias locais, à erosão dos laços comunitários, ao isolamento social, à pressão financeira e à consciência dos trabalhadores de que perderam o padrão de vida que os pais um dia tiveram. Ao contrário, entre os negros, o número de suicídios e de mortes por overdose não aumentou. Os autores atribuem esse fenômeno à maior resiliência de mulheres e homens negros, habituados a enfrentar desvantagens econômicas, discriminação, preconceito social e mortalidade geral mais elevada.
De outro lado, nos últimos anos, as diferenças sociais se acentuaram, a performance escolar piorou, os salários da classe média estagnaram, e os níveis de pobreza aumentaram em relação aos dos países desenvolvidos. O país é rico, mas desigual: os mais pobres têm dificuldade de acesso a serviços sociais, à assistência médica, à prevenção e ao tratamento de transtornos psiquiátricos e dependência química. Os Estados Unidos investem em saúde 17% de um PIB de 19 trilhões de dólares, ou seja, cerca de 3,2 trilhões de dólares. É mais do que o PIB inteiro do Brasil. Para justificar esse gasto, o americano médio deveria viver 110 anos, pelo menos. Quem nasce em Santa Catarina vive mais.
Disponível em https://www.cartacapital.com.br/revista/1024/saude-e-dinheiro (Texto
adaptado especialmente para esta prova.)
Nos segmentos “as cidades privilegiam o automóvel” e “os salários da classe média estagnaram”, aparecem as seguintes figuras de linguagem, respectivamente:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas