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TEXTO I
COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar caminhos neurais importantes ao aprendizado; Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão novamente tendo de aprender a escrever em letra cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo californiano em 2010, mas agora está de volta — movimento semelhante ao que ocorre em mais de 20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis do caderno — chegou a ser vista como uma técnica moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia reacende debates educacionais e científicos a respeito do valor da escrita à mão, bem como dos benefícios ao cérebro e das implicações globais se essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas sustentam a ideia de que escrever letras em cursivo, especialmente em comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que facilitam e otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever em letra cursiva nos primeiros anos do ensino fundamental. Karin James, professora de Ciências Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana (EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6 anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger (Universidade de Washington), também mostrou que a escrita cursiva, os materiais impressos e a digitação usam funções cerebrais relacionadas, porém diferentes. Além disso, no caso da digitação em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos para qualquer tecla de letra. Como consequência, se apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão a chance de desenvolver habilidades obtidas ao compreenderem e dominarem a capacidade de escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino da letra cursiva para crianças pequenas vinha se tornando mais raro. Em vários países, essa técnica não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz desafios aos professores. “Mais de 20 Estados acrescentaram a suas diretrizes educacionais a exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”, explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão, organização que ensina boas práticas nessa área. “Mas essa exigência não é imposta nem recebe financiamento, então o ensino da escrita à mão não é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas. Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como benéfica, num momento pós-pandemia em que se buscam formas de ensinar habilidades que reduzam a dependência das telas entre crianças. “Temos visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos estão tendo dificuldades na escola, que não foram ensinados a escrever porque usam principalmente computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na Europa Ocidental, em particular em países como Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023. O Ministério de Educação da província de Ontário restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora está virando uma espécie de laboratório para outras regiões que tentam entender quais as melhores práticas para esse ensino, quanto tempo devem durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas ressaltam que não há lado negativo em aprender letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente causais, alguns educadores temem que o abandono da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado de palavras. “É importante achar um equilíbrio para garantir que os alunos tenham habilidades que sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/ noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
Considere o texto I e o texto II, a seguir, para
responder, de forma comparativa, à questão.
TEXTO II
O LUXO DE MANDAR UM CARTÃO OU UM
BILHETE ESCRITO À MÃO
Papelaria personalizada abre ateliê no Leblon
Por Jacqueline Costa
RIO - Pense. Quantas vezes nos últimos tempos você
recebeu um bilhete ou um cartão de agradecimento
escrito à mão? Em tempos de tantas mensagens
virtuais, isso tem se tornado algo cada vez mais
exclusivo, elegante. Um carinho a mais, para quem
dá a devida importância ao papel. E foi justamente
pensando assim que o trio de empresários formado
por Marcelo Nogueira, Fernanda Fróes e Anna
Luiza Padua criou a Nina Write, marca de papelaria
personalizada com ateliê na Dias Ferreira, no Leblon.
— Percebemos que as pessoas estão voltando a
valorizar o uso de cartas e cartões na comunicação
pessoal. Luxo mesmo é mandar e receber um
cartão com a gramatura certa do papel, a impressão
perfeita e um texto com caligrafia manual — diz
Marcelo, que, antes de se juntar a Fernanda e Anna
Luiza, trabalhou durante 12 anos na Paul Nathan, a
primeira empresa a produzir no Brasil impressos em
relevo francês.
Como se fosse uma grife de moda, toda a produção
da Nina Write é dividida em coleções, explica a
publicitária Anna Luiza. A primeira, que vem em
caixas com dez envelopes e dez cartões, é ilustrada
com ícones (alguns têm a cara do Rio). São
eles: árvore, sol, coroa, bicicleta e os relevos de
montanhas cariocas.
— A nossa ideia é dar uma cara mais contemporânea
à papelaria, combinando cores e papéis mais
elaborados. Esse mercado lá fora conta com marcas
importantes há muito tempo. Hoje, muitas pessoas
compram esses artigos em viagens, porque eles
não estão à disposição no Brasil com uma qualidade
equivalente. Decidimos justamente preencher esse
vazio — explica Fernanda, que é designer.
Agora, o trio da Nina Write já está pensando numa
coleção especial para lançar na época do Natal.
Moleskines também podem vir por aí, avisa Anna
Luiza.
— O método é quase artesanal. O artesão precisa
ter uma mão talentosa para controlar a quantidade
de tinta e não borrar —explica ela.
Por enquanto, os produtos da Nina Write estão
sendo vendidos na multimarcas Dona Coisa e na
AC Álbum, na Dias Ferreira. Ainda estão sendo negociados outros pontos. Em breve, os itens serão
oferecidos também por meio de e-commerce (www.
ninawrite.com).
Fonte: https://oglobo.globo.com/ela/gente/o-luxo-de-mandar-um-cartaoou-um-bilhete-escrito-mao-16950047. Acesso em 25/08/2025.
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TEXTO I
COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO
E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar
caminhos neurais importantes ao aprendizado;
Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir
deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que
facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto
ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão
novamente tendo de aprender a escrever em letra
cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo
californiano em 2010, mas agora está de volta —
movimento semelhante ao que ocorre em mais de
20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra
parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis
do caderno — chegou a ser vista como uma técnica
moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia
reacende debates educacionais e científicos a
respeito do valor da escrita à mão, bem como dos
benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora
na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas
sustentam a ideia de que escrever letras em
cursivo, especialmente em comparação com digitar,
ativa caminhos neurais específicos que facilitam e
otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da
linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever
em letra cursiva nos primeiros anos do ensino
fundamental. Karin James, professora de Ciências
Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana
(EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6
anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são
ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas
cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento
da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger
(Universidade de Washington), também mostrou
que a escrita cursiva, os materiais impressos e a
digitação usam funções cerebrais relacionadas,
porém diferentes. Além disso, no caso da digitação
em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se
apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão
a chance de desenvolver habilidades obtidas ao
compreenderem e dominarem a capacidade de
escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da
cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar
as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino
da letra cursiva para crianças pequenas vinha se
tornando mais raro. Em vários países, essa técnica
não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja
voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz
desafios aos professores. “Mais de 20 Estados
acrescentaram a suas diretrizes educacionais a
exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”,
explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão,
organização que ensina boas práticas nessa área.
“Mas essa exigência não é imposta nem recebe
financiamento, então o ensino da escrita à mão não
é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora
de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como
benéfica, num momento pós-pandemia em que se
buscam formas de ensinar habilidades que reduzam
a dependência das telas entre crianças. “Temos
visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos
estão tendo dificuldades na escola, que não foram
ensinados a escrever porque usam principalmente
computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey
Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na
Europa Ocidental, em particular em países como
Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já
a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de
suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar
a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023.
O Ministério de Educação da província de Ontário
restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora
está virando uma espécie de laboratório para outras
regiões que tentam entender quais as melhores
práticas para esse ensino, quanto tempo devem
durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas
ressaltam que não há lado negativo em aprender
letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à
mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente
causais, alguns educadores temem que o abandono
da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos
em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero
ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado
de palavras. “É importante achar um equilíbrio para
garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a
especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/
noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinada Substantiva
- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração SubordinadaSubordinadas Adverbial
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COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO
E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar
caminhos neurais importantes ao aprendizado;
Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir
deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que
facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto
ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão
novamente tendo de aprender a escrever em letra
cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo
californiano em 2010, mas agora está de volta —
movimento semelhante ao que ocorre em mais de
20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra
parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis
do caderno — chegou a ser vista como uma técnica
moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia
reacende debates educacionais e científicos a
respeito do valor da escrita à mão, bem como dos
benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora
na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas
sustentam a ideia de que escrever letras em
cursivo, especialmente em comparação com digitar,
ativa caminhos neurais específicos que facilitam e
otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da
linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever
em letra cursiva nos primeiros anos do ensino
fundamental. Karin James, professora de Ciências
Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana
(EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6
anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são
ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas
cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento
da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger
(Universidade de Washington), também mostrou
que a escrita cursiva, os materiais impressos e a
digitação usam funções cerebrais relacionadas,
porém diferentes. Além disso, no caso da digitação
em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se
apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão
a chance de desenvolver habilidades obtidas ao
compreenderem e dominarem a capacidade de
escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da
cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar
as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino
da letra cursiva para crianças pequenas vinha se
tornando mais raro. Em vários países, essa técnica
não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja
voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz
desafios aos professores. “Mais de 20 Estados
acrescentaram a suas diretrizes educacionais a
exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”,
explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão,
organização que ensina boas práticas nessa área.
“Mas essa exigência não é imposta nem recebe
financiamento, então o ensino da escrita à mão não
é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora
de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como
benéfica, num momento pós-pandemia em que se
buscam formas de ensinar habilidades que reduzam
a dependência das telas entre crianças. “Temos
visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos
estão tendo dificuldades na escola, que não foram
ensinados a escrever porque usam principalmente
computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey
Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na
Europa Ocidental, em particular em países como
Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já
a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de
suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar
a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023.
O Ministério de Educação da província de Ontário
restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora
está virando uma espécie de laboratório para outras
regiões que tentam entender quais as melhores
práticas para esse ensino, quanto tempo devem
durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas
ressaltam que não há lado negativo em aprender
letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à
mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente
causais, alguns educadores temem que o abandono
da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos
em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero
ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado
de palavras. “É importante achar um equilíbrio para
garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a
especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/
noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
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COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO
E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar
caminhos neurais importantes ao aprendizado;
Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir
deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que
facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto
ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão
novamente tendo de aprender a escrever em letra
cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo
californiano em 2010, mas agora está de volta —
movimento semelhante ao que ocorre em mais de
20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra
parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis
do caderno — chegou a ser vista como uma técnica
moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia
reacende debates educacionais e científicos a
respeito do valor da escrita à mão, bem como dos
benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora
na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas
sustentam a ideia de que escrever letras em
cursivo, especialmente em comparação com digitar,
ativa caminhos neurais específicos que facilitam e
otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da
linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever
em letra cursiva nos primeiros anos do ensino
fundamental. Karin James, professora de Ciências
Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana
(EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6
anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são
ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas
cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento
da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger
(Universidade de Washington), também mostrou
que a escrita cursiva, os materiais impressos e a
digitação usam funções cerebrais relacionadas,
porém diferentes. Além disso, no caso da digitação
em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se
apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão
a chance de desenvolver habilidades obtidas ao
compreenderem e dominarem a capacidade de
escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da
cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar
as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino
da letra cursiva para crianças pequenas vinha se
tornando mais raro. Em vários países, essa técnica
não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja
voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz
desafios aos professores. “Mais de 20 Estados
acrescentaram a suas diretrizes educacionais a
exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”,
explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão,
organização que ensina boas práticas nessa área.
“Mas essa exigência não é imposta nem recebe
financiamento, então o ensino da escrita à mão não
é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora
de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como
benéfica, num momento pós-pandemia em que se
buscam formas de ensinar habilidades que reduzam
a dependência das telas entre crianças. “Temos
visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos
estão tendo dificuldades na escola, que não foram
ensinados a escrever porque usam principalmente
computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey
Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na
Europa Ocidental, em particular em países como
Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já
a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de
suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar
a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023.
O Ministério de Educação da província de Ontário
restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora
está virando uma espécie de laboratório para outras
regiões que tentam entender quais as melhores
práticas para esse ensino, quanto tempo devem
durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas
ressaltam que não há lado negativo em aprender
letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à
mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente
causais, alguns educadores temem que o abandono
da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos
em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero
ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado
de palavras. “É importante achar um equilíbrio para
garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a
especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/
noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
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TEXTO I
COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO
E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar
caminhos neurais importantes ao aprendizado;
Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir
deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que
facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto
ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão
novamente tendo de aprender a escrever em letra
cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo
californiano em 2010, mas agora está de volta —
movimento semelhante ao que ocorre em mais de
20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra
parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis
do caderno — chegou a ser vista como uma técnica
moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia
reacende debates educacionais e científicos a
respeito do valor da escrita à mão, bem como dos
benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora
na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas
sustentam a ideia de que escrever letras em
cursivo, especialmente em comparação com digitar,
ativa caminhos neurais específicos que facilitam e
otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da
linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever
em letra cursiva nos primeiros anos do ensino
fundamental. Karin James, professora de Ciências
Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana
(EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6
anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são
ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas
cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento
da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger
(Universidade de Washington), também mostrou
que a escrita cursiva, os materiais impressos e a
digitação usam funções cerebrais relacionadas,
porém diferentes. Além disso, no caso da digitação
em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se
apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão
a chance de desenvolver habilidades obtidas ao
compreenderem e dominarem a capacidade de
escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da
cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar
as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino
da letra cursiva para crianças pequenas vinha se
tornando mais raro. Em vários países, essa técnica
não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja
voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz
desafios aos professores. “Mais de 20 Estados
acrescentaram a suas diretrizes educacionais a
exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”,
explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão,
organização que ensina boas práticas nessa área.
“Mas essa exigência não é imposta nem recebe
financiamento, então o ensino da escrita à mão não
é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora
de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como
benéfica, num momento pós-pandemia em que se
buscam formas de ensinar habilidades que reduzam
a dependência das telas entre crianças. “Temos
visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos
estão tendo dificuldades na escola, que não foram
ensinados a escrever porque usam principalmente
computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey
Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na
Europa Ocidental, em particular em países como
Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já
a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de
suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar
a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023.
O Ministério de Educação da província de Ontário
restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora
está virando uma espécie de laboratório para outras
regiões que tentam entender quais as melhores
práticas para esse ensino, quanto tempo devem
durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas
ressaltam que não há lado negativo em aprender
letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à
mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente
causais, alguns educadores temem que o abandono
da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos
em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero
ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado
de palavras. “É importante achar um equilíbrio para
garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a
especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/
noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
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TEXTO I
COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO
E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar
caminhos neurais importantes ao aprendizado;
Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir
deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que
facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto
ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão
novamente tendo de aprender a escrever em letra
cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo
californiano em 2010, mas agora está de volta —
movimento semelhante ao que ocorre em mais de
20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra
parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis
do caderno — chegou a ser vista como uma técnica
moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia
reacende debates educacionais e científicos a
respeito do valor da escrita à mão, bem como dos
benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora
na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas
sustentam a ideia de que escrever letras em
cursivo, especialmente em comparação com digitar,
ativa caminhos neurais específicos que facilitam e
otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da
linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever
em letra cursiva nos primeiros anos do ensino
fundamental. Karin James, professora de Ciências
Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana
(EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6
anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são
ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas
cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento
da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger
(Universidade de Washington), também mostrou
que a escrita cursiva, os materiais impressos e a
digitação usam funções cerebrais relacionadas,
porém diferentes. Além disso, no caso da digitação
em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se
apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão
a chance de desenvolver habilidades obtidas ao
compreenderem e dominarem a capacidade de
escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da
cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar
as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino
da letra cursiva para crianças pequenas vinha se
tornando mais raro. Em vários países, essa técnica
não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja
voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz
desafios aos professores. “Mais de 20 Estados
acrescentaram a suas diretrizes educacionais a
exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”,
explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão,
organização que ensina boas práticas nessa área.
“Mas essa exigência não é imposta nem recebe
financiamento, então o ensino da escrita à mão não
é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora
de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como
benéfica, num momento pós-pandemia em que se
buscam formas de ensinar habilidades que reduzam
a dependência das telas entre crianças. “Temos
visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos
estão tendo dificuldades na escola, que não foram
ensinados a escrever porque usam principalmente
computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey
Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na
Europa Ocidental, em particular em países como
Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já
a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de
suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar
a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023.
O Ministério de Educação da província de Ontário
restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora
está virando uma espécie de laboratório para outras
regiões que tentam entender quais as melhores
práticas para esse ensino, quanto tempo devem
durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas
ressaltam que não há lado negativo em aprender
letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à
mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente
causais, alguns educadores temem que o abandono
da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos
em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero
ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado
de palavras. “É importante achar um equilíbrio para
garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a
especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/
noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
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TEXTO I
COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO
E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar
caminhos neurais importantes ao aprendizado;
Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir
deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que
facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto
ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão
novamente tendo de aprender a escrever em letra
cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo
californiano em 2010, mas agora está de volta —
movimento semelhante ao que ocorre em mais de
20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra
parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis
do caderno — chegou a ser vista como uma técnica
moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia
reacende debates educacionais e científicos a
respeito do valor da escrita à mão, bem como dos
benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora
na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas
sustentam a ideia de que escrever letras em
cursivo, especialmente em comparação com digitar,
ativa caminhos neurais específicos que facilitam e
otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da
linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever
em letra cursiva nos primeiros anos do ensino
fundamental. Karin James, professora de Ciências
Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana
(EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6
anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são
ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas
cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento
da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger
(Universidade de Washington), também mostrou
que a escrita cursiva, os materiais impressos e a
digitação usam funções cerebrais relacionadas,
porém diferentes. Além disso, no caso da digitação
em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se
apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão
a chance de desenvolver habilidades obtidas ao
compreenderem e dominarem a capacidade de
escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da
cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar
as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino
da letra cursiva para crianças pequenas vinha se
tornando mais raro. Em vários países, essa técnica
não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja
voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz
desafios aos professores. “Mais de 20 Estados
acrescentaram a suas diretrizes educacionais a
exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”,
explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão,
organização que ensina boas práticas nessa área.
“Mas essa exigência não é imposta nem recebe
financiamento, então o ensino da escrita à mão não
é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora
de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como
benéfica, num momento pós-pandemia em que se
buscam formas de ensinar habilidades que reduzam
a dependência das telas entre crianças. “Temos
visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos
estão tendo dificuldades na escola, que não foram
ensinados a escrever porque usam principalmente
computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey
Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na
Europa Ocidental, em particular em países como
Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já
a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de
suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar
a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023.
O Ministério de Educação da província de Ontário
restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora
está virando uma espécie de laboratório para outras
regiões que tentam entender quais as melhores
práticas para esse ensino, quanto tempo devem
durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas
ressaltam que não há lado negativo em aprender
letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à
mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente
causais, alguns educadores temem que o abandono
da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos
em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero
ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado
de palavras. “É importante achar um equilíbrio para
garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a
especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/
noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
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COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO
E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar
caminhos neurais importantes ao aprendizado;
Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir
deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que
facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto
ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão
novamente tendo de aprender a escrever em letra
cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo
californiano em 2010, mas agora está de volta —
movimento semelhante ao que ocorre em mais de
20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra
parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis
do caderno — chegou a ser vista como uma técnica
moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia
reacende debates educacionais e científicos a
respeito do valor da escrita à mão, bem como dos
benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora
na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas
sustentam a ideia de que escrever letras em
cursivo, especialmente em comparação com digitar,
ativa caminhos neurais específicos que facilitam e
otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da
linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever
em letra cursiva nos primeiros anos do ensino
fundamental. Karin James, professora de Ciências
Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana
(EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6
anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são
ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas
cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento
da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger
(Universidade de Washington), também mostrou
que a escrita cursiva, os materiais impressos e a
digitação usam funções cerebrais relacionadas,
porém diferentes. Além disso, no caso da digitação
em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se
apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão
a chance de desenvolver habilidades obtidas ao
compreenderem e dominarem a capacidade de
escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da
cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar
as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino
da letra cursiva para crianças pequenas vinha se
tornando mais raro. Em vários países, essa técnica
não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja
voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz
desafios aos professores. “Mais de 20 Estados
acrescentaram a suas diretrizes educacionais a
exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”,
explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão,
organização que ensina boas práticas nessa área.
“Mas essa exigência não é imposta nem recebe
financiamento, então o ensino da escrita à mão não
é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora
de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como
benéfica, num momento pós-pandemia em que se
buscam formas de ensinar habilidades que reduzam
a dependência das telas entre crianças. “Temos
visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos
estão tendo dificuldades na escola, que não foram
ensinados a escrever porque usam principalmente
computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey
Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na
Europa Ocidental, em particular em países como
Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já
a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de
suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar
a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023.
O Ministério de Educação da província de Ontário
restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora
está virando uma espécie de laboratório para outras
regiões que tentam entender quais as melhores
práticas para esse ensino, quanto tempo devem
durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas
ressaltam que não há lado negativo em aprender
letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à
mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente
causais, alguns educadores temem que o abandono
da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos
em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero
ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado
de palavras. “É importante achar um equilíbrio para
garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a
especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/
noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
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COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO
E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar
caminhos neurais importantes ao aprendizado;
Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir
deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que
facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto
ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão
novamente tendo de aprender a escrever em letra
cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo
californiano em 2010, mas agora está de volta —
movimento semelhante ao que ocorre em mais de
20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra
parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis
do caderno — chegou a ser vista como uma técnica
moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia
reacende debates educacionais e científicos a
respeito do valor da escrita à mão, bem como dos
benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora
na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas
sustentam a ideia de que escrever letras em
cursivo, especialmente em comparação com digitar,
ativa caminhos neurais específicos que facilitam e
otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da
linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever
em letra cursiva nos primeiros anos do ensino
fundamental. Karin James, professora de Ciências
Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana
(EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6
anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são
ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas
cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento
da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger
(Universidade de Washington), também mostrou
que a escrita cursiva, os materiais impressos e a
digitação usam funções cerebrais relacionadas,
porém diferentes. Além disso, no caso da digitação
em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se
apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão
a chance de desenvolver habilidades obtidas ao
compreenderem e dominarem a capacidade de
escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da
cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar
as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino
da letra cursiva para crianças pequenas vinha se
tornando mais raro. Em vários países, essa técnica
não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja
voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz
desafios aos professores. “Mais de 20 Estados
acrescentaram a suas diretrizes educacionais a
exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”,
explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão,
organização que ensina boas práticas nessa área.
“Mas essa exigência não é imposta nem recebe
financiamento, então o ensino da escrita à mão não
é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora
de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como
benéfica, num momento pós-pandemia em que se
buscam formas de ensinar habilidades que reduzam
a dependência das telas entre crianças. “Temos
visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos
estão tendo dificuldades na escola, que não foram
ensinados a escrever porque usam principalmente
computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey
Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na
Europa Ocidental, em particular em países como
Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já
a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de
suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar
a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023.
O Ministério de Educação da província de Ontário
restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora
está virando uma espécie de laboratório para outras
regiões que tentam entender quais as melhores
práticas para esse ensino, quanto tempo devem
durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas
ressaltam que não há lado negativo em aprender
letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à
mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente
causais, alguns educadores temem que o abandono
da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos
em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero
ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado
de palavras. “É importante achar um equilíbrio para
garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a
especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/
noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
I. A escrita à mão ativa diversas áreas do cérebro, incluindo regiões relacionadas à memória e ao processamento visual.
II. A digitação no computador estimula mais áreas cognitivas do que a escrita manual, promovendo maior retenção de informações.
III. Escrever à mão pode favorecer a aprendizagem de crianças e adultos, pois fortalece a conexão entre pensamento e movimento.
IV. A escrita manual tem sido redescoberta em escolas, apesar de o ensino atual priorizar dispositivos digitais.
É correto o que se afirma apenas em:
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COMO ESCRITA À MÃO BENEFICIA O CÉREBRO
E GANHA NOVA CHANCE EM ESCOLAS
Aprender a escrever em cursivo parece ativar
caminhos neurais importantes ao aprendizado;
Califórnia volta a adotar a técnica em escolas a partir
deste ano.
Por BBC

Especialista diz que ‘escrever letras em cursivo, especialmente em
comparação com digitar, ativa caminhos neurais específicos que
facilitam e otimizam o aprendizado’. — Foto: GETTY IMAGES via BBC
A partir de 2024, crianças do primeiro ao sexto
ano de escolas públicas da Califórnia (EUA) estão
novamente tendo de aprender a escrever em letra
cursiva. Essa escrita à mão havia saído do currículo
californiano em 2010, mas agora está de volta —
movimento semelhante ao que ocorre em mais de
20 Estados americanos, em diferentes graus.
A escrita cursiva — em que se escreve em uma letra
parecida à itálica, sem necessariamente tirar o lápis
do caderno — chegou a ser vista como uma técnica
moribunda nos EUA. Agora, a decisão na Califórnia
reacende debates educacionais e científicos a
respeito do valor da escrita à mão, bem como dos
benefícios ao cérebro e das implicações globais se
essa técnica acabar caindo no esquecimento.
A neurocientista Claudia Aguirre, que mora
na Califórnia, diz que “mais e mais pesquisas
sustentam a ideia de que escrever letras em
cursivo, especialmente em comparação com digitar,
ativa caminhos neurais específicos que facilitam e
otimizam o aprendizado e o desenvolvimento da
linguagem”.
No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC) prevê o ensino da habilidade de se escrever
em letra cursiva nos primeiros anos do ensino
fundamental. Karin James, professora de Ciências
Cerebrais e Psicológicas na Universidade de Indiana
(EUA), aplica suas pesquisas em crianças de 4 a 6
anos. Ela identificou que aprender as letras por meio da escrita à mão ativa redes do cérebro que não são
ativadas pela digitação num teclado. Isso inclui áreas
cerebrais que têm papel crucial no desenvolvimento
da leitura.
Outra pesquisa, de autoria de Virginia Berninger
(Universidade de Washington), também mostrou
que a escrita cursiva, os materiais impressos e a
digitação usam funções cerebrais relacionadas,
porém diferentes. Além disso, no caso da digitação
em teclado, os movimentos do dedo são os mesmos
para qualquer tecla de letra. Como consequência, se
apenas aprenderem a digitar, as crianças perderão
a chance de desenvolver habilidades obtidas ao
compreenderem e dominarem a capacidade de
escrever.
Um pequeno estudo italiano aponta que o ensino da
cursiva a alunos de primeiro ano podem melhorar
as habilidades de leitura. A despeito disso, o ensino
da letra cursiva para crianças pequenas vinha se
tornando mais raro. Em vários países, essa técnica
não é mais obrigatória.
Nos EUA, embora o ensino da cursiva esteja
voltando à luz, ele não é padronizado — o que traz
desafios aos professores. “Mais de 20 Estados
acrescentaram a suas diretrizes educacionais a
exigência da escrita cursiva entre o 3° e o 5° anos”,
explica Kathleen S. Wright, fundadora e diretoraexecutiva do Colaborativo de Escrita à Mão,
organização que ensina boas práticas nessa área.
“Mas essa exigência não é imposta nem recebe
financiamento, então o ensino da escrita à mão não
é endereçado de forma consistente.”
Dessa forma, professores californianos terão agora
de descobrir como integrar a cursiva a suas aulas.
Mesmo assim, a iniciativa do Estado é vista como
benéfica, num momento pós-pandemia em que se
buscam formas de ensinar habilidades que reduzam
a dependência das telas entre crianças. “Temos
visto cada vez mais pais reclamando que seus filhos
estão tendo dificuldades na escola, que não foram
ensinados a escrever porque usam principalmente
computadores e outros aparelhos”, diz Kelsey
Voltz-Poremba, professora-assistente de terapia
ocupacional da Universidade de Pittsburgh (EUA).
A escrita cursiva ainda é amplamente ensinada na
Europa Ocidental, em particular em países como
Reino Unido, Espanha, Itália, Portugal e França. Já
a Finlândia pôs fim à exigência da escrita cursiva de
suas escolas em 2016. O Canadá tentou descartar
a escrita cursiva, mas voltou a ensiná-la em 2023.
O Ministério de Educação da província de Ontário
restabeleceu a exigência da escrita cursiva e agora
está virando uma espécie de laboratório para outras
regiões que tentam entender quais as melhores
práticas para esse ensino, quanto tempo devem
durar as aulas e com qual frequência essa técnica deve ser ensinada.
Em meio a tantas diferenças globais, as pesquisas
ressaltam que não há lado negativo em aprender
letra cursiva. E embora a ligação entre escrever à
mão e melhorar a leitura não sejam necessariamente
causais, alguns educadores temem que o abandono
da letra cursiva pode piorar o desempenho de alunos
em sua capacidade de ler textos. Além disso, o mero
ato de escrever ajuda a memória e o aprendizado
de palavras. “É importante achar um equilíbrio para
garantir que os alunos tenham habilidades que
sejam obtidas sem o uso da tecnologia”, opina a
especialista Voltz-Poremba.
Fonte: Disponível em: https://g1.globo.com/educacao/
noticia/2024/01/31/como-escrita-a-mao-beneficia-o-cerebro-eganha-nova-chance-em-escolas.ghtml. Acesso em 28/08/2025.
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